Arquivo da tag: poesia

Entre o destino e o delírio

Padrão

Arte de rua no #Sudoeste #Brasília #DF
Os acontecimentos dos últimos dias
Semanas
Meses
Me fazem crer que existe uma força maior
Que nos guia
E nos prega algumas peças
Seria o destino?
A gente se arma de amarras
Pra quê?
Ele vem (o destino?)
e as desata
Joga no lixo
Pisa e sacrifica
Aí você para e vê quanta força
e esforço
e pressa
Foram empregados
E pensa que aquilo tudo é natural
Mas e se a gente foi programado para ser assim?
Morrer assim?
E como fugir das armadilhas
E do fogo
Que te aprisiona?
Te domina e te cerca os pensamentos
Não consigo me acostumar com a ausência
Pois a presença me olha
Acachapante
E me joga na cara a realidade
Que um dia foi
A verdade que já é
Delirantemente
Humana
Fatal
E está morrendo… de calor.

Recados do Céu e da Terra

Padrão

Para meu grande amigo, primo, poeta, João, onde quer que você esteja…

JoaoViolao

Recado do Céu
“… ele fez uma poesia que bailasse sobre cada retina e que desfilasse toda a sua beleza em versos tantos. No seu juízo mais que perfeito, modelou com traços lapidados a sua criatividade. Seu recado veio em forma de vida, de olhar atento, sorriso vibrante e da cala, da fala precisas, mas que naturalmente abraçou, sentiu, beijou, amou, viveu a Terra.”

Recado da Terra
“… usou suas palavras fetais, vitais e fatais para escrever toda a sua natureza de forma que jorrasse os tempos e falasse com as estrelas em tantos versos. Com a perda do tino criou universos à sua majestade. Seu recado veio em forma de vida, de olhar tímido e sorriso constante, da fala e da cala sinceras, mas que naturalmente abraçou, sentiu, beijou, amou, viveu o Céu.”

Trechos de “Tantos Versos Tantos”, por João Lenjob, aos 15/04/2011.

João

Substantivo masculino, singular, complexo
Nome próprio do pai
Jeito próprio do filho
Sorriso constante, aberto
Sentimento transparente, transbordante
Como definir João?
Como não lembrar João?
Como esquecer João?
João não se esquece
É presença confiante
É vida, gana, festa, acontecimentos
Amizade para tantos quantos cabiam em seu coração
E eram muitos…
Poesia viva com jeito de menino
Música madura em palavras
Empolgação em cada gota de suor ou de lágrimas
Felicidade em minúsculas, pequenas coisas
Capazes de transformar um dia cinzento num belo arco-íris em seus versos
AMOR
Em maiúsculas.

Ana

(Texto por Ana Letícia.)

* Outras homenagens ao João:
Castelo do Poeta – Mima Carfer
Olha o Semblante – Thiago Quintella de Mattos
– Meu Flickr

Reminiscências

Padrão

Abaporus revisited edition! Achei o máximo a exposição dos alunos fo Colégio #CIMAN! #arte #pintura #Tarsila #Abaporu
Não sei se é disfarce ou sei lá o quê.
Essa coisa que me encanta e assusta, a novidade que chega (ou não)…
E quem vem lá?
Não vejo, não posso ver.
Por aqui, apenas restam molduras e trejeitos,
Reminiscências em cadernos, realidades ocultas… Incultas?
Verdadeiras tratativas criam objetos impossíveis, impassíveis.
E é assim: vivendo no acaso, brincando descompassadamente, catando desencontros.
E por acaso extrapolei o limite?
Passei da conta?
Pirei na batatinha?
Só sei que amei
Que amei
Que amei
Que
Amei
Amém.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia)

Sapatilhas e sonhos

Padrão

DSC_0008

Hoje eu acordei com vontade de dançar
Sonhei que rodopiava e saltava, entre fouettés e grand jetés
Sapatilha furada de tanto ensaiar
Sonho de menina sobre pontas
Fitas de cetim e meia calça cor-de-rosa
Uma bailarina é uma bailarina o tempo todo
Saia, coque, arranjo de cabelo
E a maquiagem não pode faltar
Ser lúdico e musical
Ser leve e atemporal
Clássico ou contemporâneo
Ser etéreo e enérgico
Forte e frágil
Dançar é respirar

Ana.

Feliz dia da(o) bailarina(a) aos que dançam, aos que assistem, aos que gostam e admiram, aos que fotografam e aos que sonham!

(Texto e foto: Ana Letícia)

Poema fajuto

Padrão

Ganhei na exposição "Guayasamin" no Museu Nacional há mais de 1 semana e está viva até hoje!  #rosa #rose #flower

Escrevi um poema bonito
Poema ou poesia?
Texto escrito e narrado
Polido e podado
Guardei num cantinho da estante
Pra depois espiar
E quede ele?
Leinvem lá?
Escondeu atrás dum livro
Esperto que só
Não sai de jeito maneira
Tímido de dar dó
Como é que pode fugir assim de quem te criou?
Vê se toma tenência
Cresça e apareça
Poema poeminha
De bonzinho, só a cara!

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Ir

Padrão

A #serra de #petropolis é #azul! #rj

Minha vida é um rio
Que corre e não se vê
Invisível aos ouvidos e aos que sentem
É um descontentamento de repente
Com a dor que desatina a doer

Minha vida vai,
Sem dó
Nem piedade
Com a luz do dia e da Lua
a iluminar meus pensamentos
E se eu não quiser
Mais que bem quiser
Se deixar ferir o que já foi ferido
(Ferida aberta não cicatriza mais)
Vou guardar aqueles escritos que um dia não publiquei
Vou esconder as palavras que um dia engoli.

E se meu rio corre como o Sol
Hei de crescer no leste
Hei de morrer no oeste de todo dia
E envelhecer naufragada no meu mar particular.

Ou é a pia que pinga
Ou a marvada (pinga) que vaza
Pelos meus poros
Sonoros
Pesares.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Cartas achadas

Padrão

DSC_0177

Entro em casa e parece não haver ninguém. Somente um espectro daquilo que era antes de irmos embora. Alguns cheiros, agora vazios, faziam imagens vivas de quem se fora.

Arrumo e desarrumo as malas, as roupas, meio sem saber por onde começar. Alguns papéis espalhados pela mesa, contas pagas, notas fiscais, cupons velhos que descontavam alguns centavos de compras que jamais seriam feitas.

Livros – ah, sempre eles! – fora da estante. Pelo menos uns três andaram passeando por outras bandas. Folheados, marcados, e agora, esquecidos. Minha caneta preta repousava em cima do jogo americano da mesa de jantar. Ensaiara notas musicais e outros desenhos num bloco mais ao lado. E pra lá deste, folhas soltas com sua letra me encararam.

Peguei as palavras, de supetão, coração disparado e as folhas nas mãos, estaria ele aqui ainda? Me senti estranha ao ler palavras escritas que não eram pra mim. Mas não eram pra ninguém, a não ser pra ele mesmo, o escritor que aqui sentava, antes de irmos embora.

Pareciam cartas jogadas, achadas, marcadas, um diário solto, que não tinha continuidade, mas que contava emoções e sentimentos, sonhos das noites anteriores, nada mais.

Mas este nada é muito mais que um simples nada. E somente eu seria capaz de entender as palavras, a começar pela letra, que pareço conhecer desde sempre. Somente eu saberia que, quando ele escreve, é porque está bem.

Então meu coração se acalma, e outras lembranças chegam. Lembranças de um tempo em que eu mesma escrevia e esperava cartas chegarem pelo correio.

E elas demoravam, mas chegavam. E eram pra mim.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

E quando…

Padrão

Vida que nasce das pedras. #tiradentes #mg

E quando tudo parece perdido, e a noite demora a lembrar?

E quando as coisas mudam, as pessoas mudam, e você não quer mudar?

E quando o céu já está claro e você, pensando que é noite, fotografa a Lua? Mira o infinito? Joga pedra na ilusão?

Paga o pato, enterra o cão.

São caminhos pontudos de ladrilhos e ladeiras, cadeiras desossadas de manhãs sem sorrisos. Os dentes, pendentes, esboçam sorrisos roucos, poucos, assistindo estáticos às estátuas perambulantes.

Não levam espaços, levam barcos a vela, pavios e sonhos. Levam ondas de um mar que não existe, para um lugar que não há.

Mas me calo, espero passar. Prefiro a tolice à desilusão.

Teimosia é me entregar ao chão.

Uma pirueta e lá vou eu. Atrás do trio, elétrico, só vai quem já viveu.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Saudosismo…

Padrão

Da Dor de se Amar Demais
(Texto publicado originalmente aos 22.10.2007.)

Poderia me abstrair de tudo e dizer, e acreditar, simplesmente, que me basta um amor tolo, como o tempo de duração do filamento de uma lâmpada comum, tácito, plácido, de desejo, pura e simples, explícito em tons pastéis, lânguido e preguiçoso. Não, não posso. Não sou assim.

Não costumo economizar. Há de sobra empolgação, falta de noção. Sou moça de horas, de dias, de anos, anos-luz. Mulher da dor de se amar demais e de se entregar, de ser perfeccionista com tudo o que faço e sinto.

Não há nada pela metade. Meias-palavras, meia foda, meia-calça. Meia-luz, pode até ser. Mas nem 8, nem 80. Ou é ZERO, ou é CEM. E vou de 1 segundo a 1000 km/h (e vice-versa) de olhos fechados, na fração de um momento, na feição, na emoção, no olhar, na letra, na ponta dos pés, no pingo do i. E é aí que mora o perigo!

E de tanto querer, há tanto sofrer. Tanta responsabilidade, tanta dor. E há tanto prazer… E há o lembrar, e há o sentir, e há o cheirar, e há o gostar. Pois não há amor sem gosto, lembrança sem cheiro, música sem gozo.

E depois daquele beijo, há a quebra. Há o limite ultrapassado, e tudo se torna tão bom quanto uma fotografia perfeita, a luz que aquece e ilumina seus loiros pelos, como num quadro de um filme, como um filamento de ouro deliberadamente largado, esquecido, sobre suas vestes… E tudo fica tão engraçado quanto numa comédia de palhaços tristes, tão natural quanto deitar na relva e sentir o cheiro da chuva, acariciar seu cão, dormir abraçadinho, mesmo quando não se está com sono, comer banana com queijo e lamber o fundo do prato até não sobrar um resquício de amor sequer.

Ana.

Texto e Foto: Ipê Amarelo: by Ana Letícia.

Calos

Padrão

Congresso Nacional 8

Me falaram da minha sensibilidade
Por onde ela anda?
Endurecida pelos tropeços
Acertos
Repetições
Calos que se formam aos poucos
Aos montes
Na alma
A calma
Me falta.
Ânimo
Cansaço
Palavras soltas pela madrugada
E o pedaço de papel que nunca está lá
Ou é a preguiça que sobra?

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)