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Tela em branco

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E quando você acha que de tudo já aconteceu na sua vida, que já fez tanto e já conheceu lugares e pessoas de todo tipo, quando você acha que só teria mais uns poucos caminhos possíveis pra seguir adiante, vem a própria vida e te entrega uma tela em branco; então, o que fazer? Há quem procure uma caneta ou lápis de colorir, canetinha hidrocor ou giz de cera, há quem projete imagens animadas e sons, há até quem se cubra com o pano; já eu me jogo, me enrosco, deito e rolo e invento coreografias, figurinos e, então, me permito sonhar na tela grande, e quando me pego assim, sonhando de novo, entendo a grandeza do momento que se descortina a minha frente, o meu “momento tela em branco”; depois dele, o que existe são possibilidades, sonhos dentro de outros sonhos, e entendo que tudo (e nada) que vivi antes me preparou para o que virá, por ser inédito; protagonizo a pré-estreia de algo que ainda não aconteceu, que não sei o que é, pois a tela em branco da minha vida está começando agora.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

** Todos os direitos reservados. **

A Queda

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É sempre assim, grandes expectativas, maiores decepções
Acontece com uma festa que não é nada daquilo que você esperava, um almoço que nao aconteceu, um beijo que não se encaixou.
Quantos tombos terei de levar para aprender a não cair mais?
Quantas vezes mais me levantarei?
Fico cansada da vida, do tombo, do mundo
E então começa tudo de novo
A vida segue
Esqueço do tombo
Esqueço de mim
Caindo, levantando, entre erros e acertos.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Truco

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DSC_0081

Então eu não soube jogar o jogo
Não entendi os sinais
Não blefei
Ou não quis mover as peças corretas?
Não recebi as migalhas
Não engoli os pedaços de palavras
Não admiti o vazio
Ou ele tomou conta de mim

Não quero mais ver
Não sei jogar
Não quero brincar
Minha vida é real
Não cabem apostas
Não tolero pedaços
Quero por inteiro

As cartas na mesa jamais foram postas
Canastra real nas mãos
É truco, ladrão!
Peço seis só pra ver
O que tem a me mostrar
Mas me contraria
E nas mangas esconde o jogo
A alma
Os olhos

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Poente

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Memorial JK 9

Um passarinho me contou
Que parou de chover
Contou do Sol e do seu sorriso falso
Da Lua e sua cara fácil
De suas palavras vazias e sua vida dupla
Nada era novidade
Só não quero ouvir o canto do pássaro
Não mais
Não caio no conto da carochinha
Que de carolinha não tem nada
Esqueço o mundo
Esqueço as horas
Mas não esqueço quem eu sou
Minha escola
E minha alma.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Recados do Céu e da Terra

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Para meu grande amigo, primo, poeta, João, onde quer que você esteja…

JoaoViolao

Recado do Céu
“… ele fez uma poesia que bailasse sobre cada retina e que desfilasse toda a sua beleza em versos tantos. No seu juízo mais que perfeito, modelou com traços lapidados a sua criatividade. Seu recado veio em forma de vida, de olhar atento, sorriso vibrante e da cala, da fala precisas, mas que naturalmente abraçou, sentiu, beijou, amou, viveu a Terra.”

Recado da Terra
“… usou suas palavras fetais, vitais e fatais para escrever toda a sua natureza de forma que jorrasse os tempos e falasse com as estrelas em tantos versos. Com a perda do tino criou universos à sua majestade. Seu recado veio em forma de vida, de olhar tímido e sorriso constante, da fala e da cala sinceras, mas que naturalmente abraçou, sentiu, beijou, amou, viveu o Céu.”

Trechos de “Tantos Versos Tantos”, por João Lenjob, aos 15/04/2011.

João

Substantivo masculino, singular, complexo
Nome próprio do pai
Jeito próprio do filho
Sorriso constante, aberto
Sentimento transparente, transbordante
Como definir João?
Como não lembrar João?
Como esquecer João?
João não se esquece
É presença confiante
É vida, gana, festa, acontecimentos
Amizade para tantos quantos cabiam em seu coração
E eram muitos…
Poesia viva com jeito de menino
Música madura em palavras
Empolgação em cada gota de suor ou de lágrimas
Felicidade em minúsculas, pequenas coisas
Capazes de transformar um dia cinzento num belo arco-íris em seus versos
AMOR
Em maiúsculas.

Ana

(Texto por Ana Letícia.)

* Outras homenagens ao João:
Castelo do Poeta – Mima Carfer
Olha o Semblante – Thiago Quintella de Mattos
– Meu Flickr

Por onde andará?

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#descaso. Obra públuca do #gdf abandonada há MESES no #sudoeste #brasília

Por onde andará o seu sorriso, sempre tão vibrante? Hoje vem acompanhado de lágrimas, de gestos forçados, de amores partidos e abraços sem graça…

Por onde andará nossa discórdia? Está solta na vida, criou asas e voou? Tem vontade própria, a danada, berra, chora por atenção, e até consegue se separar da emoção oferecendo rosas aos que passam e pregando pregos pelas testas, na cara de quem vê.

Por onde andará seu pensamento? Colado no momento, parado ao relento, esperando a dor passar.

Por onde andará a chuva? E o cheiro de terra molhada? Por onde andará sua motivação, seu movimento, seu brilho?

Por onde andarei?

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

E quando…

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Vida que nasce das pedras. #tiradentes #mg

E quando tudo parece perdido, e a noite demora a lembrar?

E quando as coisas mudam, as pessoas mudam, e você não quer mudar?

E quando o céu já está claro e você, pensando que é noite, fotografa a Lua? Mira o infinito? Joga pedra na ilusão?

Paga o pato, enterra o cão.

São caminhos pontudos de ladrilhos e ladeiras, cadeiras desossadas de manhãs sem sorrisos. Os dentes, pendentes, esboçam sorrisos roucos, poucos, assistindo estáticos às estátuas perambulantes.

Não levam espaços, levam barcos a vela, pavios e sonhos. Levam ondas de um mar que não existe, para um lugar que não há.

Mas me calo, espero passar. Prefiro a tolice à desilusão.

Teimosia é me entregar ao chão.

Uma pirueta e lá vou eu. Atrás do trio, elétrico, só vai quem já viveu.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Calos

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Congresso Nacional 8

Me falaram da minha sensibilidade
Por onde ela anda?
Endurecida pelos tropeços
Acertos
Repetições
Calos que se formam aos poucos
Aos montes
Na alma
A calma
Me falta.
Ânimo
Cansaço
Palavras soltas pela madrugada
E o pedaço de papel que nunca está lá
Ou é a preguiça que sobra?

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Pausa.

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De vez em quando o peito aperta, como se fosse um mau pressentimento ou algo do tipo.

Na noite de 11/01/2011 não foi diferente. Resolvi telefonar. Liguei uma, duas, três vezes. Caixa postal.

Na quarta tentativa, não foi ele quem atendeu. Me foi dito que ele estava em uma situação delicada, impossibilitado de falar ao telefone. Veio uma pontada em meu peito, a certeza de que algo estaria acontecendo.

Hora e meia depois atendi meu telefone. Desta vez era ele quem ligava, dizendo que já estava bem. O problema havia sido um defeito na fechadura do banheiro, que o deixou alguns (muitos) minutos trancado por dentro. Culminou com a desmantelação das dobradiças, para que a porta se abrisse, com direito a ferramentas pela janela e tudo mais.

O pior havia passado, pensei. Mais calma, dormi.

No dia seguinte, em meio aos afazeres profissionais, fico sabendo por e-mail que Teresópolis, Nova Friburgo e Itaipava (Petrópolis) estavam caóticas por causa das chuvas…

O resto virou história: http://olhaosemblante.blogspot.com/2011/01/voltemos.html.

Ana Letícia.

Ps. 1: Foto tirada em abril/2010. Assim era o rio em Itaipava que destruiu o Vale do Cuiabá na enchente do dia 12/01/2011.

Ps. 2: Para ajudar as vítimas da enxurrada que varreu a Serra Fluminense, acessem o G1.

A pedra

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pendente na janela

E quando no meio do caminho tem uma pedra
Dê um pontapé
Um salto
Contorne
Passe por cima
A pedra continuará lá
No meio do caminho
E haverá outras pedras
Maiores e menores
No seu caminho
Haverá também oásis e poços profundos
Haverá rios caudalosos
Riachos
Quem sabe até, cachoeiras
Um oceano de distância
Um mar de possibilidades
No caminho do meio.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)