Arquivo da tag: Rio de Janeiro

Poeira em alto mar

Padrão


Era um típico sábado de verão. Dia lindo, nenhuma nuvem no céu, sol escaldante, piscina, churrasco, cerveja gelada, rock n’ roll nos ouvidos e muita conversa boa.

Ao percebermos que o carvão e a cerveja estavam chegando ao fim, apelamos para o “disque-birita”, segundo ele, a melhor invenção da humanidade depois do youtube. (Para mim, quem ganha é o google. Mas, foquemo-nos.)

Campainha tocando é sinônimo de cachorros latindo, ou seja, mais um carregamento da dita cuja sendo entregue pelo motoqueiro, o qual nem ousa desembarcar propriamente em razão de canelas calejadas das investidas frenéticas dos cachorrinhos de guarda e companhia. Estes, nos protegem de tudo – talvez até de nós mesmos, ao tentarem impedir a entrega dos comes e bebes (mais bebes que comes, em verdade).

Meu namorado me grita de lá: – Rápido! Segure a Miúda! – referindo-se à pequena fox com síndrome de pit-bull.

Eu, um pouco relutante – pois usava trajes de banho – e pensando que o escândalo canino era simplesmente em razão do pobre do motoboy encarregado das cervejas, como já era costume da pequena Miúda e dos demais cachorros da casa, me dirigi ao local lentamente, porém curiosa. Foi então que avistei meu namorado, imóvel junto à porta, carregando não só as cervejas e o carvão, mas também uma montanha de 1 metro de roupas empacotadas.

Pensei, por um instante, que fossem trouxas limpas da lavanderia ou algo do tipo, mas tudo aquilo não me fazia qualquer sentido pois sua mãe havia colocado roupas na máquina para lavar naquele mesmo dia, pela manhã. Ao mesmo tempo, alcancei Miúda debaixo de uma mesa baixa, e a prendi no colo: – O que é isso? – apontei para o embrulho.

Meu namorado, com olhos faiscando de satisfação, com aquele monte de roupa de inverno nos braços, responde, em tom de voz baixo, como que em segredo: – É um gajo português aí na porta, vendendo jaquetas de couro!

Até eu entender que, de fato, se tratava de um vendedor de roupas, cuja nacionalidade era portuguesa, demorou mais que um instante pois, até então, meu raciocínio lentificado pelo sol do meio-dia não conseguia fazer a associação CALOR + CERVEJA + PISCINA + VERÃO NO HEMISFÉRIO SUL com a equação JAQUETA + COURO + PORTUGUÊS + INVERNO. Sendo assim, pelo bem da típica piadinha de brasileiros x portugueses (colônia x colonizadores, e por aí vai), pensei que só poderia mesmo ser um “português” querendo vender tal tipo de vestimenta no alto verão fluminense.

Mas eis que o sujeito desconhecido entra na casa e me cumprimenta, carregando no típico sotaque d’além mar. E só então pude perceber a razão da felicidade do meu namorado. Esta não residia nas ditas jaquetas de couro de antílope (como jurou o patrício), mas sim na rara possibilidade de um conto ou crônica baterem – literalmente – a campainha de sua porta.

Garanto que o português não saiu de lá muito feliz, afinal de contas, nem mesmo abaixando o preço de absurdos R$ 1.700,00, para não módicos R$ 150,00, ele conseguiu a venda.

Mas sua presença, além deste texto, nos rendeu boas risadas após a porta se fechar.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

FÉRIAS "IN RIO"

Padrão

Férias curtas, mas bem aproveitados…

No início uma confusão, para onde ir, para onde não ir…
Opções: Brasília (minha cidade do coração), Curvelo (o trivial), Rio de Janeiro (a incerteza).
Incerteza que virou certeza numa noite. Deixar as histórias de violência de lado, pensar em conhecer uma nova cidade, estar com pessoas maravilhosas, Mel, Lu e Carol. A escolha certa!

Dia 10/01 às 08:00 o embarque. Tudo novo, várias histórias com a Mel, a chegada no Rio de Janeiro, “cidade maravilhosa, cheia de encantos mil…”
“O Rio de Janeiro continua lindo…”, é lindo mesmo! Fiquei encantada com tudo!!!


O primeiro ponto turístico: Lagoa Rodrigo de Freitas, gente caminhando, malhando, andando de bicicleta (“bi, bi, pista não é lugar de parar pra conversar”), vivendo uma vida saudável e feliz. Água de coco, suco, mate, pipoca e parquinho pra criançada. O carioca respira saúde.

Depois as praias: “Copacabana princesinha do mar…” É uma das praias mais frequentadas por turistas e local dos arrastões. Mas não presenciei nenhum, ouvi os noticiários da noite (“presas 20 pessoas em Copacabana”). Até Carlos Drumond de Andrade se encantou com esta praia e escolheu tal lugar para seu repouso eterno.



Barra, Leblon, Praia Vermelha, Arpuador, Ipanema… “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é ela menina que vem e que passa, num doce balanço a caminho do mar…”
Mas quem dá show mesmo em Ipanema é o Sol… Belo Horizonte que me desculpe, mas o pôr-do-sol em Ipanema é aplaudido de pé por milhares de pessoas que passam o dia esperando o final do espetáculo, é de arrepiar!!!


Claro que não poderia ir ao Rio sem conhecer o Morro da Urca e o Pão de Açúcar, vendo do alto a paisagem linda da Bahia de Guanabara e da ponte Rio-Niterói. O
contraste serra/mar é prefeito, coisa de Deus.


E tudo no Rio tem um toque de Deus, haja vista estar o Cristo de “…braços abertos para a Guanabara…” Subir até o Redentor e sentir que ali é bom estar.
Depois descer conhecendo a mata da Tijuca e passando por caminhos pouco explorados, várias minas de água compõem o cenário…

Ainda foram poucos os dias para tantos passeios: não conseguimos entrar no Jardim Botânico, pelo horário e depois pela falta de tempo. A Sapucaí e o Maracanã ficarão para outra oportunidade também.

Realmente me surpreendi com a beleza do Rio de Janeiro. Minha insegurança quanto a violência passou. Não nego que vi duas grandes favelas “Rocinha” e “Vidigal” e me deu um frio na barriga. Mas também não íamos nos aventurar a entrar morro à dentro.

Algumas pessoas me disseram que apesar de não ter visto, a violência está lá sim, e dá medo. Mas fiquei espantada com o tanto de policiais na cidade, mesmo que estivessem com escopetas nas mãos… É um lugar que eu tinha medo de ir, mas agora quero voltar.

Ah, e como não falar do charme ao desfilar pelas ruas de Ipanema com seus tapetes vermelhos… é de babar.. os artistas globais estão ali, em todas as esquinas, gente como a gente!

Se a primeira impressão é a que fica, recomendo a todos conhecer o Rio de Janeiro, “Rio 40 Graus, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos…”

Beijos,

Lú.

"O Rio de Janeiro continua lindo"…

Padrão
Oi gente,
Estou aqui escrevendo pra vocês diretamente do Rio de Janeiro, cidade realmente MARAVILHOSA!!!
Acreditam que é a minha primeira vez no Rio? Virgem no Rio… Meus amigos cariocas estão me zuando…
Adorei tudo que conheci até agora, estou em Ipanema e hoje andei pela orla, Arpuador e Copacabana, lindo demais! Ontem fiz caminhada em volta da Lagoa Rodrigo de Freitas (7km, é mole?).
Ainda trouxe uma amiga solteira que também não conhecia a capital fluminese e estamos aproveitando e rindo muito… a música lema dela é “Solteira no Rio de Janeiro“… (com as adaptações necessárias).
Semana que vem estou de volta a BH e conto todas as minhas histórias aqui no blog e coloco fotos lindas que tirei (conheci uma carioca que fez um curso de fotografia, ai explorei, ela tirou várias fotos com ângulos legais).
Beijos a todos, aproveitem as férias e o verão com bastante paz (paxxx) e amor sempre!

CARNAHELL III – O retorno

Padrão

3a. (e última) Parte – Para quem achou que o pesadelo já tinha terminado…

Depois de curtirmos bem a praia lotada do Recreio (porque não conseguimos chegar à prainha de tanto engarrafamento) – e quando digo lotada, é sendo disputado cada pedacinho de areia – e almoçarmos muito bem num restaurante da moda na Barra, pegamos estrada rumo a Macaé.

Quer dizer, só pegamos a estrada mesmo após nos perdermos em plena linha amarela (entramos em locais meio barra pesada) – o Cris se atrapalhou seguindo o Léo no trânsito carioca – e passarmos, por TRÊS VEZES, no MESMO PEDÁGIO!!! Acreditem se quiser, o atendente ficou até com dó e nos deixou passar na lateral (onde não tem cancela), por duas vezes…

Uma vez chegando à Via Lagos, acreditamos estar tudo numa nice, numa boa, pois nada de PIOR poderia nos acontecer…

Mais uma vez, estávamos enganados. Ao chegar à casa dos rapazes em Macaé, encontramos os quartos todos bagunçados, cheios de roupas misturadas (mulher, homem, calcinha, meia, calça jeans), a cozinha e a sala sujas, o chão e a parede meladas de gordura, a geladeira vazia… O que poderia ter causado aquilo??? Furacão? (Em pleno Rio de Janeiro… meio difícil.) Tsunami? (hã-hã, a casa ficava um pouco longe da orla, e no Brasil, né gente, não na Ásia.) Arrombamento? (Pois é, seria a explicação mais plausível)… O detalhe é que nos esquecemos de um figura que também morava na casa chamado Bill, e que tinha dito que iria viajar, pois sabia que estávamos indo pra lá no Carnaval.

O peça rara (e ultra folgado) se “esqueceu” que a casa teria visita das namoradas e chamou TODOS os seus primos e primas pra aproveitar a casa… E foi o que fizeram, né!? Rolou a maior briga entre todo mundo, mas no fim deu tudo certo. Os primos e primas do Bill dormiram juntos, no quarto dele – o que seria até muita sacanagem se não fosse o quarto dele o único da casa com ar-condicionado…

Nos dias que se seguiram, segunda e terça, passamos um Carnaval tranquilo, dentro dos padrões Macaenses, claro, ou seja: sol de rachar e engarrafamentos monstruosos. Para vocês terem uma ideia, gastamos umas 6 horas de Arraial do Cabo até Macaé…. (Haja paciência!!!). Tinha motorista utilizando o acostamento da pista da contra-mão para passar na frente dos outros, algo inimaginável para os padrões mineiros de dirigir.

A Aninha teria que ir embora na 3a à noite, pois teria que trabalhar na 4ª feira de cinzas. Então, resolvemos ir naquele dia para Búzios, pois era mais perto de Macaé e ela ainda não conhecia. O dia foi maravilhoso, o mar maravilhoso, algumas pessoas conhecidas, muita cerveja, peixe, etc. Deveriam ser umas 16h, quando a Aninha pediu p/ o Cris para ver sua passagem de volta para BH, que ele havia comprado pra ela na 6a feira anterior ao Carnaval. Foi aí que ocorreu a nossa última e mais traumática aventura (tá bom, a do assalto a mão armada no túnel traumatizou mais, eu admito) do Carnaval de 2005…

O Cris não conferiu a data da passagem na hora da compra, e o atendente da empresa de ônibus vendeu pra ele passagem para a sexta-feira!!! Para o mesmo dia em que ele estava comprando a passagem!!! E o dia que estava sendo tão maravilhoso, se transformou em uma tormenta sem fim! E foi um tal de liga pra empresa, liga pra Rodoviária, grita daqui, cara emburrada de lá, eu e o namorado no meio do fogo cruzado tentando aliviar a atmosfera, que não estava nada boa.

Por fim, depois de muuuuuito stress e correria, às 18:30h conseguimos convencer o atendente a nos ceder, de favor, um lugar no ônibus das 19h de Macaé para BH que, por um milagre, não estava completamente lotado ainda.

No final das contas, deu “tudo” certo e o resto do meu feriadão foi excelente, com direito à Praia de Costa Azul (Rio das Ostras) na 4a de cinzas, 5a, 6a , sábado e domingo!!! Uhuuuuuulllll! 😀

Enfim, um final feliz, né gente? Acho que eu mereci, depois de tanto sofrimento!!! Ufa!

Ana

************ THE END **************

Cliquem para ler toda a “saga” Carnahell:

1a. Parte;

2a Parte.

CARNAHELL – A saga continua…

Padrão

2a. PARTE – “POLÍCIA OU LADRÃO?”

Após uma “maravilhosa” (só que não) noite sono ao som do “caminhão-ar-condicionado” (porque o ar-condicionado do quarto do Hotel Rodoviário mais parecia uma turbina ligada no nosso ouvido – detalhe é que pagamos mais caro para ter um quarto com ar!), retornamos à Rodoviária para pegar o ônibus que sairia para Macaé às 09:30h. No entanto, TODOS os carros estavam atrasados mais de 3 horas, igual à noite anterior, e provavelmente o nosso partiria só depois do meio-dia.

Desnorteados com o calor, quase pisamos em cima da Aninha sentada em cima de sua mala, no enorme saguão da Rodoviária, lotada de gente. Ela é namorada do Cris, amigo do meu namorado, residente de Macaé, que também iria passar o Carnaval conosco. Aninha saiu de BH com destino para o Rio na noite da sexta-feira, e só tinha conseguido passagem de ônibus Rio/Macaé saindo às 17h. O Cris então decidiu ir de carro para o Rio, para buscar a Ana no Rio. E por carro, leia-se o “Todynho” – companheiro de aventuras (= UNO MILLE, 1900 e antigamente, cor de leite com Toddy). Provavelmente, ele chegaria no Rio às 12:00h, por isso, mais uma vez devolvemos nossas passagens e resolvemos esperar nossa carona.

O namorado teve a brilhante ideia de ligar pro Léo, amigo dele do trabalho, para passarmos juntos a tarde no Rio, voltando pra Macaé somente à noite. Feito o contato, o Cris chegou no Rio, Léo e Letícia (esposa dele) na Rodoviária para nos guiar no trânsito caótico, rumo ao Barra Shopping. “Coisa de mineiro, merrrrmo!” – disse o casal carioca quando sugerimos almoçar no shopping. Mas de fato seria mais prático, já que meu namorado poderia aproveitar para comprar uma bermuda e uma camiseta – visto que estava apenas com a roupa do corpo, pois tinha saído direto do trabalho (em Macaé) com destino ao Rio, na noite anterior.

Na saída do shopping, ao chegarmos no carro parado dentro do estacionamento… Surpresa desagradável: algum espírito de porco furou o pneu do Toddynho, e tivemos que fazer a troca do pneu lá mesmo, sol a pino, barriga cheia, morrendo de vontade de ir para a praia. Mas o Toddynho é isso aí, “companheiraço”…

Depois do almoço e das compras, da troca do pneu, para onde fomos?????? Onde 4 mineiros e 2 cariocas poderiam ir em pleno sábado de carnaval, duas da tarde, sol de rachar???? Obviamente, para a PRAIA. Ficamos batendo altos papos na Barra, até que olhamos no relógio e vimos que já eram quase 8h da noite!!! (Detalhe que ainda tinha sol quente esse horário – Rio é Rio, né, minha gente).

Ante à triste constatação de que chegaríamos a Macaé para lá de meia-noite, e que viajaríamos de noite, sujos de mar e areia (porque mineiro que é mineiro, quando vai à praia tem que nadar para “pegar jacaré”), o Léo nos ofereceu a casa dele para passarmos a noite! Então, poderíamos curtir a noite carioca, a praia do dia seguinte e viajar logo depois do almoço, com céu claro. Aceitamos, com muito prazer.

O programa da noite foi na Lagoa Rodrigo de Freitas, lugar agradabilíssimo, super charmoso, jantar à luz de velas, Bossa Nova ao vivo tocando e, não podia faltar, uma cervejinha long neck ao preço “módico” de R$ 5,00 (neste quesito, ninguém merece!!!). Dormimos super bem e tomamos um café da manhã REAL – digno da realeza mesmo – na casa dos cariocas, com direito até a queijo-de-minas e pão-de-queijo, para não sentirmos “abstinência”. 😉

O dia começara muito bem, obrigada, e resolvemos ir à Prainha, ou Grumari, praias liiiindas, mas super distantes do centro da cidade, beeeem depois da Barra. Mas a aventura não ficou só por aí, por incrível que pareça. Antes de sair do túnel Rebouças, notamos um carro de polícia, com a sirene ligada, vindo atrás de nosso amigo Toddy, como que em perseguição implacável. Como motoristas educados, pegamos logo a pista da direita para dar passagem às “autoridades”. Qual não foi a nossa surpresa (para não dizer desespero mesmo) quando o carro de polícia se emparelhou com o nosso, e os policiais, com escopetas e metralhadoras em punho, nos fizeram sinais para encostar o carro, gritando e gesticulando. Paramos o carro, o Léo parou o dele mais à frente. O policial olhou bem dentro do carro, mandou o Cris sair e levar consigo os documentos. Neste meio tempo, o Léo saiu do carro dele e começou a andar na direção do nosso. O Policial se assustou, pôs a mão sobre a arma da cintura, e perguntou quem era. Cris respondeu que era um amigo, carioca mesmo, e que trabalhavam juntos. Ao ouvir isso, imediatamente o guarda guardou a pistola e voltou correndo pra viatura, nos mandando embora, que estava tudo ok, e arrancou logo o carro. Por um instante, ficamos sem entender muita coisa, mas depois de conversarmos com o Léo, descobrimos que estávamos prestes a ser… ASSALTADOS. Tristeza sem fim! Ele mesmo (Léo), já tinha sofrido 2 assaltos da mesma forma, há poucos meses!!!

Ahhhhh… Fala sério!!!

Ana.

** Para ler os outros capítulos da “saga”, clique:

1ª parte;

3ª parte (final).

CARNAHELL

Padrão

1a. PARTE – “HOTEL CALIFORNIA”

Não fosse o calor que faz no Rio de Janeiro, o engarrafamento na entrada da cidade tira a paciência de qualquer mortal (menos dos próprios cariocas, pois estes não se estressam com nada).

Não, não estou falando mal do Rio. Adoro aquela cidade, que é realmente maravilhosa, haja vista alguns posts passados. O desfile das escolas de samba é deslumbrante, não há dúvidas. Os bloquinhos são divertidíssimos! Mas voltar ao Rio para passar o Carnaval novamente, para mim e para mais 3 pessoas em particular, já será um caso a se pensar…

Em 2003, assim como este ano, resolvi passar o Carnaval em Macaé-RJ, com meu namorado. No entanto, deixei para comprar a passagem um pouco em cima da hora, e já não havia mais lugares nos ônibus que fazem o trajeto direto BH/Macaé. O jeito foi ir pro Rio, e de lá pegar um outro ônibus para Macaé. Segundo meu namorado, claro que teria passagem para Macaé, sai ônibus do Rio para aquela cidade de hora em hora, etc e tal, não precisava se preocupar, imagina!

Chegando na Rodoviária “Novo Rio”, lá pelas 19h, um calor de mais ou menos 42 graus, o lugar parecia um formigueiro, nunca vi tanta gente em toda a minha vida. Agorafobia define. Adivinha se tinha passagem para Macaé? Necas… Somente lugares EM PÉ (pelo mesmo preço das poltronas, lógico), que sairia somente às 00:15h. O jeito foi ficar por lá esperando quase 4h. Meu namorado ficou muito preocupado comigo, e o coitado foi pro Rio me encontrar, saindo de ônibus, de Macaé, mais ou menos às 17:30h. Geralmente, o trajeto dura 3 horas… Mas como estávamos em plena “sexta-feira” de Carnaval, ele somente chegou no Rio às 00:05h!!! Eu já estava completamente apavorada, pois pelo horário marcado, o ônibus já sairia para Macaé em apenas 10 minutos! Descemos juntos correndo a rampa para o desembarque… eu com, minhas malas e o namorado somente com a roupa do corpo (afinal, não haveria nenhuma necessidade de ele levar mala para si).

Triste engano! Nem na plataforma de embarque conseguimos chegar, a rampa que nos levaria até lá estava congestionada de tanta gente! Fiquei parada no local enquanto meu namorado tentava descobrir se o ônibus já teria saído, e tal. Para o nosso desespero, todas as linhas estavam mais de 3 horas atrasadas! Já era mais de 0h de sábado e os ônibus das 21h de sexta ainda nem tinham chegado lá para embarcar seus passageiros! Neste momento, quase tive um colapso. Não me aguentava em pé, não aguentava mais ficar sentada, pois já tinha viajado o dia inteiro, precisava urgentemente de um banho e de uma cama. O namorado ficou com dó, viu o meu estado e então resolvemos devolver as passagens, passar a noite num hotel ali por perto e ir para Macaé de manhã.

Alguém, aí já ouviu aquela música “Hotel California“? Pois era mais ou menos daquele jeito o “Hotel Rodoviário”, exatamente ao lado da Rodoviária, e estilo aquelas pocilgas da Av. Paraná (de BH), “apartamentos com água quente”… Credo! No meu estado de total letargia, vencida pelo esgotamento físico daquela viagem até então desastrosa, o banho e a cama foram mais que suficientes para me fazer aprofundar no sono… Mas para o namorado, que mede 1,84m, o pé-direito do quarto de 1,80m não o deixaram nem respirar!

Se pensam que já acabou nosso sofrimento, não se enganem, a história continua, e acreditem, cada vez pior…

Ana.

** Para ler os próximos capítulos da “saga”, clique:

2ª parte;

3ª parte (final).