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João Lenjob: Aborto – Sim ou Não?

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Não me perguntem minha opinião sobre o texto abaixo… João sempre foi polêmico, ele é isto e não se fala mais nisto! Quem viver… lerá. (ou não.)

PPJL

Aborto – Sim ou não?

Mais uma crônica de vínculo totalmente social e realmente necessária. Desta vez o aborto é o tema em atividade. Pouco se noticia da importância e o método utilizado por aqueles que usam desta prática. O que realmente deveria ser observada é a causa que leva a essa atitude e a qualidade, segurança e forma como é praticada.

Polêmica ou não, abortos são freqüentes em todo o mundo e por dois critérios, muito preocupantes. Primeiro, o poder aquisitivo da mãe e eventualmente do pai, deixando relevante que na maioria absoluta das vezes a decisão acaba sendo materna. Ninguém cria filhos de graça, pois além do enorme desgaste físico, o custo é alto, a ajuda do governo mínima e nem sempre a família pode ou quer permanecer junto, o que torna significativa o segundo critério: quando os pais (ou um deles) não aceitam o filho por efeitos sociais ou até por vaidades. Mesmo que este ocorra num menor número de vezes, deixa claro que o problema é grave.

A sociedade brasileira em geral não foi educada a administrar o vínculo familiar, quase sempre a gravidez vem por um “decreto” chamado “acidente”, o que torna a concentração e formação do lar comprometida e prejudicada. Por quem? Por todos! A partir do momento em que existe uma relação sexual, os executores devem se atentar ao cuidado e à possibilidade do inesperado. Considerá-lo um acidente é a maior falta de respeito ao ente que os próprios criaram. Isto se chama covardia. Por outro lado, a proibição do aborto por leis, iniciativas cruéis de autoridades e pior, pelas religiões… é complicado.

Como anteriormente descrito, o problema é de todos. Como é proibido no Brasil, o retrato do grande preconceito velado, o aborto – em sua quase totalidade – é clandestino, os “profissionais” que cometem esta experiência médica, como agem fora da lei, não têm recursos adequados, modernos e seguros para tal função, o que o torna ainda mais perigoso, traz riscos a saúde do filho e da mãe, e moralmente vincula os familiares e pessoas próximas.

O que para uns é um homicídio, para outros um erro convencional do excesso de conservadorismo humano. As leis não poderiam jamais ser generalizadamente aplicadas, porque tendo a visão do lado financeiro e/ou aquisitivo, tal morte viria depois; quando não vem, acontece a vergonha de crescer com a alimentação limitada, sem educação digna e sem o menor preparo emocional para encarar a vida como necessariamente é preciso. Coerente mesmo seria abraçar a temática apurando o que seria melhor para a sociedade.

O que é fora da lei é colocar em risco a vida de um filho. Perante a sociedade, o risco, além do filho, é também da mãe. Que abortem as leis.

João Lenjob *

Comunidade no orkut.

* João escreve aqui às sextas-feiras, quando dá pra esta editora aqui se organizar para publicar algo… Ultimamente tem sido difícil até vir aqui ver o que está rolando, quanto mais postar algo… E que venha a polêmica! Comentários! Queremos comentários! rsrs

João Lenjob: Ganância Celestial

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Nosso poeta-cronista, após breve período de descanso na semana passada, retorna com este texto pra lá de panfletário… já que sua indignação faz aniversário.

PPJL

Ganância Celestial

Como avaliar o emprego de dinheiro do governo? O dinheiro que o povo passa para nossos titulares políticos é voltado para o povo? Interessante colocar em pauta a falta de ética destes para com as pessoas, deixando as portas abertas somente para todos aqueles que têm condições de bancar as iniciativas privadas, como hospitais, escolas, estradas, dentre outros.

Matematicamente é impossível que todos os impostos sejam responsáveis únicos por todos os direitos estatais do brasileiro. Exemplo claro vem do sistema rodoviário. Se o cidadão que viaja de carro próprio tem que pagar altíssimos pedágios para ter uma viagem segura e agradável. Seria ideal que o combustível neste trajeto fosse mais barato, vertente de isenções dos comerciantes locais, devido à não incidência dos impostos neste espaço. Mas isso infelizmente não acontece e costuma o preço ser bem superior. Este respeito ao povo não vai acontecer nunca, porque se acontecer, logo benefício nenhum vai para o sistema viário nacional.

Estranho também é o governo não apresentar precisamente os valores totais recebidos dos impostos que a população paga pela saúde e nem uma planilha de custos exibindo se foi total e plenamente voltado para a saúde ou não. Daí, quem pode, paga planos de saúde particulares e quem não pode, aguarda em filas grotescas e enormes, que em muitas das vezes não resultam num fim plausível, ou seja: falta de atendimento.

Médicos, enfermeiros, funcionários de hospitais, de clínicas, centros de atendimento e postos de saúde. Na maioria dos locais citados acima ainda há a falta de medicamento, material e aparelhos novos ou com manutenção preventiva ou com datas coerentes. Um absurdo! Na educação a situação não é diferente. Os professores da rede pública caem de nível e rendimento rapidamente e este declínio está chegando às faculdades vinculadas ao governo. Até o que em tempos atrás eram prestígio e mérito de prefeitos, governadores e presidentes, hoje é vergonha do tamanho das impunidades realizadas por nossos queridos políticos. Estas verbas citadas previamente chegam ao governo sim, mas tomam outros destinos, que não os legais.

Enquanto muitos moram em locais sem saneamento básico, que não têm escola, que não conseguem se medicar, nossos deputados, senadores, vereadores e afins são atendidos em centros “vips”, vezes de helicóptero ou ambulâncias mais equipadas que alguns hospitais públicos, ganham salários altíssimos, viajam pra baixo e pra cima, gozam de meses de férias e muitas vezes trabalham quando querem. Estes ainda não pagam por alimentação, transporte, residência e etc. Quem paga é o cidadão. Não escapa ninguém. Todo mundo paga. O dinheiro destas regalias vem de impostos que o povo honesto não pode sonegar, mas que nossos representantes sonegam.

Fator ainda muito importante é que quem mais sofre com toda esta falta de estrutura é o aposentado, que custou para ficar 30 anos trabalhando horas e horas por um salário mínimo, enquanto os políticos brasileiros se aposentam com pouco tempo de exercício da função e salários altíssimos.

Indivíduos que sem passar por dificuldades, são dotados de uma ganância celestial. Pois vem ser imunes até não ir para o céu, pode? Mesmo depois de tantas propinas, peculatos, sonegações e furtos. Eles chegam em belos sorrisos cínicos, são eleitos e logo desaparecem, outros só somem quando descobertos pela CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito – assim, quando chega época de eleição, todos retornam com o mesmo sorriso. E esta alegria é a gozação sobre o povo. Os pegos pela comissão nunca foram presos, mesmo depois de tanta fraude. O pobre rouba Um Real, vai pra cadeia e divide o lugar abarrotado de gente. Em alguns casos até tiveram o benefício de dividir com uma mulher e até adolescente. Pode? É assim.

Será se é necessário o Brasil nascer de novo? Talvez Brasília, ou o Senado, a Câmara. Não se sabe. O interessante talvez seria imunizá-los, mas será se todos conseguem? Legal lembrar que o país não tem furacões, terremotos, maremotos e tem tantas beleza e riquezas naturais. Mas com esta turma aí em cima? Será se Deus é brasileiro?

João Lenjob *
http://www.lenjob.blogspot.com/
Comunidade no orkut.

* João é primo, poeta, escritor… E aparece por aqui às sextas-feiras com uma crônica para vocês.

João Lenjob: Cem Anos em Preto e Branco

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Em sua primeira crônica de 2008, nosso colunista fala de uma de suas grandes paixões, que é um senhor de 99 anos: completará 100 anos no dia 25 de março!

PPJL

Cem Anos em Preto e Branco

O que seria do mundo sem o Atlético? Ou para os ilustríssimos representantes da mais fiel torcida do mundo, pergunta-se: – o que seria da vida sem o Atlético?

Sabe-se que tantos não estavam presentes no nascimento e outros nem durante as tantas conquistas, mas hoje, muitos presenciam estes nobres Cem Anos, e é como se todos tivessem vivido a história, a gloriosa trajetória secular e que de fato, todos viveram sim.

A paixão religiosa pelo Galo faz com que a história do clube seja também a história de todos, e a gratidão, assim sendo, também é de todos. Daquele que está em campo e nas arquibancadas. Daquele que vibra, que torce e, principalmente, daquele que sente. Que sente aquela paixão listrada em “Preto e Branco” que faz acelerar o coração, que acomete desde o tecido epitelial até que este perca a razão e o conhecimento entre clima e emoção, e é emoção, pois quando se trata de Atlético o calor envolve até a alma e o pensamento se perde em prazer, em magia, em alegria. Quando, na derrota o atleticano entrega ao mundo o quanto ama seu time, e na vitória, nos títulos, o amor parece recebido, recíproco, correspondido.

Num casamento entre o Atlético e o Atleticano em nenhum momento houve qualquer desonra entre as partes. Os torcedores do Galo são os mais honrados que circulam por aí, por aqui ou por lá. Também pudera. O clube venceu sob o frio latente europeu uma epopéia que foi denominada como Título do Gelo. Ainda este, foi o primeiro Campeão Brasileiro, e ainda colocou em campo um dos maiores elencos da história do futebol brasileiro na virada da década de 70 para a década de 80. Ainda foi Campeão Sul-Americano, e o ciclo foi fechado com o Atlético sendo o dono de Beagá e de Minas Gerais, ao sagrar-se campeão das Copas Cinqüentenário e Centenário da Capital Mineira, e, com o enorme número de títulos, como o maior campeão brasileiro do século e do milênio passados.

O Galo elegeu reis, príncipes e até canhão. O time foi também pioneiro no futebol de salão em várias gerações, e é por isso e por muitas outras conquistas em diversos esportes e modalidades que, estes cem anos, também parecem a história de cada atleticano. É a história ilustre e invejada de cada um. Uma alegria em Preto e Branco.

Cem anos em Preto e Branco.

Galão!

João Lenjob *
http://www.lenjob.blogspot.com/
joaolenjob@yahoo.com.br

* João é escritor, poeta, mineiro e sonhador, proseando por aqui todas as sextas-feiras. Antes de tudo, ele é atleticano, como yo. Torce contra o vento, e canta com o Galo, para o Galo, o quanto for preciso.

Photo by: Ana.

João Lenjob: A Volta Por Cima

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Melancólico? Saudosista? Realista? Idealista? É o que não falta em nosso poeta camarada de todas as 6ªs feiras… E hoje ele se despede do velho, e saúda o novo… E nos comove em reflexões e constatações…

PPJL

A Volta Por Cima

Temporadas finais de ano e chegando o princípio de um novo. Revela-se em cada pessoa uma forma diferente de ter esperança, de acreditar, elaborar métodos e objetivos. Para muitos, é uma época triste, com poucas vitórias neste período que se finaliza e, talvez, com pouca expectativa para o período que se aproxima. Mas mesmo assim, não há quem não torça, pelo menos um pouco, pelo dia de amanhã.

Enfim, que todos não só esperem, mas que lutem bravamente pela realização de todas as metas. A minha é que todos saibam votar em 2008, para as eleições de prefeitos e vereadores, com o pensamento coletivo e não no retorno individual e pessoal, tendo sensatez e consciência de um cidadão educado e participativo. Também quero que todos saibam lutar pelos direitos que não são empregados, mas que não deixem de cumprir os inúmeros deveres profissionais e éticos da sociedade e também para ela.

Que em 2008, cada um valorize com mais veemência a arte de todos que trabalham por ela, não só lendo ou ouvindo todos os tipos de músicas, mas abrindo os olhos com relevância e creditando àquele artista que vive perto de você, na rua ou em proximidades, trabalhando pelo seu sorriso.

Quero muito que todos saibam valorizar também todos os atletas que farão com todo brio, gana e suor, o melhor por uma medalha olímpica, em Pequim. Que não esteja na mídia e na procura de todos somente futebol e volei, esportes de ponta, mas que a gente jogue, lute, reme, nade, salte, veleje, competindo junto a eles, torcendo de igual pra igual.

Importante ressaltar que todos devem estudar mais, ler mais, ter mais conhecimento de tudo o que se passa, de todos os assuntos gerais, se inteirando de tudo o que acontece ao nosso redor. É importante que todos estejam cientes do que se passa pelo mundo com o meio-ambiente e seus problemas que estão cada vez mais delicados e acentuados, com o aumento de infecções causadas pelos mosquitos da dengue, com os impostos que deixam de existir, mas que voltam com outro nome, exames “anti-dopping” que estão rolando por aí, humilhando a nossa capacidade de ser inteligente, inclusive se precavendo sempre do vírus do HIV.

Por isso, não tem como não falar de amor e para explicar bem este nobre quesito, gostaria muito que todos amassem com sabedoria. Fazer amor com cautela e com cuidado é bom, muito bom. Mas é bom saber amar a família, apoiando nas dificuldades, ensinando e sabendo aprender com os tantos erros, tendo paciência nos momentos tristes e dividindo todas as conseqüências, boas ou não. Amar os amigos, ligando quando eles não ligarem, orientando e se deixando orientar, torcendo pelo sucesso alheio, ajudando a levantar nos tombos da vida ou não deixar que caiam. Amar o desconhecido atendendo aos pedidos ou acatando, sendo indiferentes, com serenidade e respeito, sendo educado, sendo gentil, mostrando ali seu berço. Claro! Amar o companheiro, com amizade, carinho, plena atenção, sinceridade, verdade, lealdade.

Fica muito fácil começar um ano difícil e como pôde se observar, não é tão difícil ter um ano mais fácil. Trabalhar os atos com sabedoria e respeito é muito simples. É saber amar e ser amado, sempre dando a volta por cima.

Quem procura acha. É bom então saber o que procurar. Um 2008 muito alegre pra todo mundo!

João Lenjob *
http://www.lenjob.blogspot.com/
joaolenjob@yahoo.com.br

* João é escritor, é alegre e vibrante, pinta e borda por aqui toda 6ª feira, e… Ano que vem tem mais!

João Lenjob: O Melhor dos Piores

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A crônica de hoje nos traz um poeta lúcido, e pronto para comprar uma boa briga… Este assunto é de interesse comum, nos abre os olhos, nos faz refletir… Pelo menos a mim foi assim, quando o li. Espero que gostem. Ana.

PPJL

O Melhor dos Piores

É muito interessante o exercício de uma profissão, muito ideal quando ela vem de uma vocação genética ou até mesmo construída. Muito melhor quando o ser trabalhador pode se aventurar em várias funções em que ele pode dar certo e descobrir a sua, claro.

Para viver estas diversas funções não há a necessidade de trabalhar nela. A decepção no entanto, pode vir no reconhecimento. Nem sempre o tamanho talento pessoal, individual é valorizado e não pelo rendimento e sim pelas características da profissão. A precisão de jogadores de futebol pode ser inferior a de um médico e os valores incluídos em tal referência são exorbitantes. Sobretudo, a dificuldade na formação de um clínico é infinitamente superior e as noites sem dormir são muito mais freqüentes. Pergunte ao Tostão ou Sócrates.

Enfim, qualquer profissão requer um profundo treinamento, disciplina mesmo. Atletas dormem cedo para trabalhar (treinar) durante o dia, e músicos, escritores já preferem trabalhar durante a noite, silenciosa e requintada por álcool e tabaco, para sustentar o prazer, facilitar a inspiração.

Todos necessitam de prazer. Esta é a palavra ideal. Em obras de construção civil, pode se observar o excessivo número de artesãos que deixaria Aleijadinho satisfeito e impressionado e pessoas assim são chamadas de serventes e carpinteiros e pedreiros. Dentistas pincelam bocas com a delicadeza de um pintor. Um garçom tem a habilidade malabarista de conservar sobre mãos bandejas completamente lotadas de vidros e utensílios, melhor até que um jogador de basquete. Quanta habilidade! Por isso é óbvio que prazer é fundamental.

Poucos têm conhecimento do valor de um músico de orquestra, que numa apresentação, um único erro pode levar ao desastre o ouvido dos presentes e bagunçar todo o evento. Músicos de uma banda de rock, indiferente a posição na mídia, erram e nunca ninguém repara. Músicos de uma orquestra vip são eventualmente assalariados e uma banda vip de rock acumula um valor financeiro, um faturamento que não tem teto e nem conhecimento. Vale a pena? Sim, todos fazem por prazer. Um professor de matemática tem que ter a frieza de lecionar e resolver problemas e equações violentas, sem nunca ter tido conhecimento deles. E o número considerável de pessoas empresárias que tem visões, sobre o futuro, precisas, para que o negócio seja bem sucedido. São profetas? Não, trabalham por e com prazer. Advogados decidem vidas, respondem por elas. São deuses? Não. São talentosos quando gostam do que fazem.

Existem maus profissionais? Sim, mas são profissionais que não se orientaram sobre o que escolher. Não pagaram um mapa a caminho de casa ou da casa onde ir. É relevante ter coerência e certeza do que fazer e fazer sempre o que gosta, para nunca roubar o lugar de um profissional que sabe e gosta do que faz e importante: jamais se preocupar com a renda. Pensar com o coração e não monetariamente.

A grande verdade de uma profissão é a definição que o certo é ser o pior dos melhores e não o melhor dos piores. Este é o resultado final. Assim, tendo a quem tentar se superar. No esporte isso é claro. Massa é melhor que Barrichello. Esta é a classe dele ou poderíamos chamá-lo, de melhor dos piores, querendo galgar a classe de cima. Assim é na música, na literatura, na medicina, no direito, jornalismo, construção civil, comércio e tudo mais.

O local dos melhores só entra quem faz com prazer. Se não, melhor ser nas maiores hipóteses, o melhor dos piores.

João Lenjob *
www.lenjob.blogspot.com
joaolenjob@yahoo.com.br

* João é meu primo e poeta, cronista nas horas vagas, todas as sextas feiras neste blog, fazendo o que mais gosta, e com prazer: escrever!

João Lenjob: Como Esquecer um Amor

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Hoje nosso poeta está romântico… Nos presenteou com esta belíssima crônica, publicada originariamente em 2005 no seu blog. Deliciem-se!

PPJL

Como Esquecer um Amor
Como esquecer um amor? Fácil, se ele não for carinhoso ou chegar, permanecer ou sair sem beijo, não der atenção ou não enviar carta perfumada. Vou esquecer um amor, se ele não tiver toques, demonstrando ter a pele como uma pétala macia e gostosa. Se não aparentar ter lembranças e nem me telefonar na hora mais estranha do mundo.

Como esquecer um grande amor? Talvez não imaginando em se deitar com ele no limiar noturno em busca de um lugarzinho para ver a lua sorrindo. Ou achar que dá até para tocá-la, assim, anestesiados pela paixão repentina, pela noite também estrelada ou pelos abraços sinceros que completam o romântico ambiente.

Não esquecer um amor é fazer indiferentes as grandes diferenças. É distrair do universo e se reparar pensando em estar dançando no parque, onde a única música é o assobio de um singelo e atencioso passarinho, que só está ali para testemunhar o que para muitos seria um casal de bobos dando saltos, comemorando o nada, ou como se tivessem acabado de ganhar na loteria.

Está certo, vou esquecer um grande amor já tentando deixar de escrever esta, ou tentar dormir sem travesseiro, porque o amor seria um grande conforto que lembraria do pescoço, o amigo. Também não mais irei sorrir para não recordar do sorriso, e vou fechar os olhos para não lembrar do olhar. Impossível! Se fecho os olhos a primeira coisa que poderia me aparecer seria aquele par de olhos me fitando, olhando, chamando, clamando, suplicando, torcendo para que eu fique de olhos abertos; melhor permanecer de olhos abertos.

Não esquecer um amor é contar os minutos para receber uma notícia ou até a presença desta pessoa amada e lembrada sempre. É achar os seus defeitos uma bobagem e suas qualidades as mais relevantes até então vistas ou conhecidas. É consertar um equívoco ou controvérsia com uma simples troca de palavras.

Não esquecer um amor é ver nele todo personagem cinematográfico ou achar que toda música foi feita para ele. É olhar para todos os lados e achar tudo maravilhoso. É reparar na beleza da vida e eventualmente até se esquecer dos problemas. É ficar um tempo extasiado, não reparar a conversa alheia, gostar de vento frio ou querer tomar banho na chuva, duvidar que seja verdade, excitar-se só de pensar no grande amor. Sorrir quando se deve chorar ou estar em prantos quando era para estar alegre.

Não esquecer um grande amor é bater palma para todo mundo ou se preocupar se a pessoa amada está bem ou se pelo menos ela sabe que tem alguém se preocupando com ela. É querer ser médico, dar colo, ser o ombro, ser o ouvido, tudo o que ela precisa em qualquer momento do dia e da noite. É querer ser acima de tudo companheiro. É trabalhar para chegar ao cargo máximo de companheiro, a maior promoção da vida do grande amor.

Não esquecer um amor é fazer da felicidade dele a grande responsável pela sua. Não esquecer um grande amor é difícil desde que seja fácil esquecer que ele pode ter vindo velho, novo, pobre, rico, doente, sadio, preto, branco amarelo e até verde, maduro ou não.

Eu desisto, não tem como esquecer um grande amor. Mesmo que fique a eternidade sem vê-lo ou, francamente, não ter de que esquecê-lo. Para esquecer um grande amor, o melhor mesmo seria nem pensar em arrumar um.

João Lenjob *
http://www.lenjob.blogspot.com
joaolenjob@yahoo.com.br

* João é poeta, mineiro, nunca esqueceu um grande amor, já arrumou outros grandes amores, outros menores também…

João Lenjob: Conversa Fiada

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Excepcionalmente hoje, as atividades extra-curriculares da administradora deste espaço durante o restante da semana não permitiram que a crônica “Lenjobesca” fosse postada pela manhã, como é de praxe… Mas ‘anfan’, chega de papo pra boi dormir. Aí vai ela!

PPJL

Conversa Fiada

Ao pé da letra, conversa fiada seria um papo para um pós-pagamento. Entretanto, no vocabulário popular, conversa fiada é a formosa conversa jogada fora. De gente que não tem o que fazer? Nem sempre. Geralmente é de gente que tem o que conversar. Vai muito além do limite individual convencional. Muitas vezes o assunto é ligeiro, médio ou totalmente pilhérico e outras vezes o assunto é até muito sério, mas que pos suas eventualidades do momento ou do local, chegam a destino sem a contribuição do verídico e acaba se tornando um absurdo.

Este nosso famoso papo furado pode viajar por diversos lugares e datas… Pode ser tema carnavalesco ou notícias do cotidiano como esporte, religião, economia e cultura, mas tem papel relevante e deixa de ser furado ou fiado quando a sua fonte é política. Seria um disparate, um papo furado ou conversa fiada sobre a política brasileira? Não! É a realidade mesmo. É a única divergência desta nossa crônica.

Sobretudo, a conversa fiada torna-se muitas vezes dúvida ao receptor de uma mensagem, indiferente a coerência dela. Se o indivíduo perdeu no xadrez tendo de frente a rainha e duas torres. Ou se perde no jogo de cartas “Buraco”, com mais de mil de frente e quase no final. Ou o sobrevivente daquele acidente de carro cujo resultado, é um carro plenamente destruído. Pode-se acreditar em disco voador? Milagres e seres folclóricos e super-heróis de mentira. E o de verdade?

Observa-se também a tonalidade variante conforme o emissor. Tem indivíduo que pode se exaltar, tentar, querer, aumentar ou até extrapolar. De nada adianta. Não existe um ser capaz de acreditar que aquele foi o emitente do despautério, por se tratar de uma pessoa íntegra, séria. Por outro lado, um contador de causos, experiente no quesito “lábia”, pode de todos os possíveis meios, tentar contar algo verdadeiro, real, sincero e até necessitar de crédito caso o assunto em pauta seja urgente, mas este, coitado, não será respeitado por seus ouvintes.

Lugar onde se tem com grande freqüência a conversa fiada é o típico e famoso velório. Ao chegar a um, a primeira tolice é observada logo na porta, onde um sujeito indaga com o outro o motivo do falecimento do defunto. Comenta-se anorexia e o rebate é contaminação pelo vírus do HIV, mas na realidade foi uma pneumonia crônica.

No primeiro corredor do ambiente fúnebre também há uma senhora, dizendo a outra que a vítima estava falida e a outra senhora dizendo que não, que o pai havia combinado de quitar todas as dívidas, só que a moça acabou indo desta para melhor, mas sempre teve suas contas em dia, deixou de herança para os entes queridos duas casas, dois carros e uma série de bens.

Por fim, apareceu um camarada fazendo o maior discurso da cidade, dizendo que cicrana era uma mulher de caráter, integridade, nobreza, fineza, que era exemplar, boa filha, excelente mãe, irmã prestativa, amiga zelosa, moça prendada, trabalhadeira e tantas outras qualidades que fica até difícil de acreditar que cabe tanto numa pessoa só, mas o impertinente rapaz não conhecia a moça que falecera… Não se sabe se o camarada estava lá contratado ou se dava início ali a um grande futuro político!

Tem também o dia bom para cometer tal gafe. É só recordar do tal primeiro de abril. Neste dia, quem se esquece que ele representa o dia da mentira, acaba caindo inúmeras vezes e sempre que diz que vai pegar alguém, acaba esquecendo.

Muitos podem acreditar que esta crônica foi com verdadeiro teor, cunho relevante e sério. Mas não, foi uma tamanha conversa fiada.

João Lenjob *
* João é poeta e mineiro, e escreve neste blog toda 6ª feira. Nos outros dias da semana, adora uma conversa fiada puxada numa mesa de bar, porque este sim, João, lugar melhor não há!

João Lenjob: O Planeta Doente

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Nesta sexta-feira, nosso cronista convidado deste blog nos fala de um assunto incômodo e indigesto… Afinal de contas, é tão difícil pensar no futuro com tanto consumismo, não é mesmo?

PPJL

O Planeta Doente

O mundo pede por socorro de forma desesperada. Seria por acaso, conseqüência do destino, relacionada à velha idade do planeta e será que ele já está assim idoso? Estaria o planeta sofrendo de infecção generalizada ou outra doença qualquer ou o ser humano está realmente assassinando o seu nobre e único lar? Há algum tempo ouviu-se por aí dos raios ultra-violeta e camada de ozônio, mais câncer de pele e até punição divina. O que acontece é que os grandes governos são os maiores responsáveis por este desaforo e falta de respeito com a natureza, fauna, flora e companhia limitada, pelas inúmeras empresas sem controle de poluentes químicos e em muitas vezes, localizadas em países pobres, como o Brasil.

Outra causa é a falta de esclarecimento das pessoas referentes aos acontecimentos que vêm acontecendo com enorme freqüência e com a prevenção das graves feridas que o nosso chão vem sofrendo. O ser humano, animal mais racional dentre todos os seres vivos, ainda não se inteirou de que a Terra é a nossa casa. Não existe a consciência de que cuidar dela é zelar pelo patrimônio pelo qual se foi arrendado todo e qualquer tipo de vida. Que se a natureza teve afeto infinito da perfeição, da beleza majestosa e expressiva e do cuidado intenso e preciso para com as pessoas que neste chão pisam, deveríamos agir de forma igual ou superior com esta preciosidade. No entanto, notamos cada dia mais espécies diferentes de animais em extinção.

Estamos desmatando todos os cantos, poluímos ar e água e chegou o momento infeliz do grito de dor do meio ambiente. Com tamanho descontrole, a camada de ozônio, nossa cobertura contra os fortes raios solares, começou a ceder, aumentando significativamente a temperatura do planeta, fazendo com que os blocos de gelo polar, num prazo curto, se liquefizessem, ameaçando a inundação de estruturas urbanas, como também de áreas onde a natureza mais aplicou sua criatividade, como a Mata Atlântica, ou outros locais fantásticos em todo o mundo.

Fenômeno semelhante aconteceu na Indonésia há alguns anos – país mais conhecido como “paraíso”, e visitado por turistas e esportistas de todo o mundo – quando foi cruelmente atingido por uma revolta natural provocada pelo descontrole ambiental. Um gigantesco maremoto invadiu, de surpresa, as mais belas praias, assassinando milhares de pessoas, residentes ou não. Ambientes não propícios à incoerências ambientais como esta têm recebido os mesmos tratamentos: furacões, terremotos, tornados… E têm feito do olhar humano um acúmulo de medo e, enfim, a idéia de cuidado.

Infelizmente este afeto humano pela natureza, a ponto até de gerar consenso entre fronteiras que nunca foram “amistosas”, ainda não foi capaz de focalizar a Terra como doente em fase terminal. Lutar para e por ela e, principalmente, pesquisar, coletar dados importantes, informar, orientar e ensinar todas as classes sociais, punir e dar as mãos quando necessário, a fim de salvar este maravilhoso planeta.

Houve um tempo em que a tuberculose matava o homem infectando os pulmões. Problema sanado. A ciência não vai demorar, para descobrir a cura do câncer, que é criado em células do próprio organismo, e até o HIV, que é vertente de relações entre os seres, já pode ser seguramente estabilizado. E a Terra? Está com os pulmões infectados, suas próprias células, o seres humanos, a destroem, e as relações entre seus seres, fauna, flora e humanos não andam bem. Isso tem cura?

João Lenjob *

* João é poeta e mineiro, e escreve neste blog toda 6ª feira. Nos outros dias da semana, procura por um lugar menos poluído pra se viver, e ainda não encontrou…

João Lenjob: As Cinco Quadras

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Na sua crônica de hoje, o poeta João Lenjob conta de maneira curiosa uma experiência extra-sensorial na cidade do horizonte belo… Bora lê um cadim?

PPJL

As Cinco Quadras
Ainda bem cedo, nota-se um largo mundo novo com serra sinuosa que desperta o finito do horizonte que dá nome à cidade. Pessoas que vivem e fazem a “silhueta formigueiro”. Ninguém é de ninguém. O mundo é de todos. Pelo menos nesta citação, é um conjunto de mundos para cada ser ali, passageiro.

De início a exibição de um perfil mais preservado. Pessoas andam rápidas, outras muito vagarosas e ainda hoje, no século vinte e um, há quem cumprimente, na forma mais literal da palavra, sem conhecer. Com generosidade e nostalgia. Por aí passam ambulantes, mágicos, doentes, muitos doentes, e até artistas e poucas pessoas atenciosas a todos estes gêneros. Assim é o desfile cotidiano da das cinco quadras iniciais da Avenida Afonso Pena, capital mineira.

Fiz questão de sair de meu mundo e arriscar e vasculhar impetuosamente cada mundo ali presente, numa aventura que é muito bom recordar. Perdi-me meio às diversas pessoas de idades diferentes e vi prantos, sorrisos e sonhos. Conversas moles, fiadas e até quem acredite num futuro plausível para o país, estado e cidade.

Os aposentados sempre foram ali os mais elegantes. Quando não se unem a grupos de colegas, para assuntos extras, esbanjam saúde e grande sanidade ao vencer os mais jovens nos xadrez, dama, dominó ou cartas. São lugares interessantes que cabem também comerciantes, banqueiros, bancários, desempregados e consumidores. Acha-se de tudo e, sobretudo, o sotaque local com variadas formas do “trem”. O único lugar que uma lotação que passa por ali é “trem” e também carros, motos, bicicletas ou a rápida visualização de um helicóptero ou barulho de um avião. Também é muito comum o universo de palavras reduzidas, sintetizadas, que é identificável muito facilmente, apesar do desconfiômetro e da timidez de caráter mineiros. Logo se ouve “comé qui ce tá?” Ou “nooooooó!!!!”.

Dentre outros milhares. Cruzando o pirulito da Praça Sete, nota-se várias tabacarias que pode-se degustar o mais famoso “cafezim” brasileiro e o mais nobre e inesquecível “pãozim de queij”. Pessoas sempre comentam e discutem do futebol do fim de semana, com mais freqüência sobre Atlético e Cruzeiro, e mais pênaltis, faltas, roubos e enfim, gols. E assuntos políticos, mais comíssios e bandeiras, bandeirolas de todos os partidos e também a circulação de policiais com suas fardas, coturnos e rádios e, algumas vezes, cavalgando por sobre cavalos quase que reais.

Curiosamente, a correria de gente não acaba, e o cruzamento de mundos também não. Mas ao fim do itinerário, o volume de pessoas é menor e também é diferente o perfil. Aparecem mais vestimentas brancas, lembráveis da proximidade com a área hospitalar da cidade e em alguns horários do dia tudo neste trecho lembra um desfile de estilistas. Não é um desfile de modelos. É de estilistas mesmo. Vertência dos eventos artísticos do Palácio das Artes, que fazem de alguns expectadores os “concorrentes do brega”. Vê-se novamente de tudo, só que com requinte e enfeite. A grande maioria longe do convencional.

Somados por metro quadrado, torna-se fácil elaborar uma estatística e perceber que qualquer cidade tem estes mundos, variando proporcionalmente à população, mas o “cafezim” e o “pãozim de queij”… é só em Minas mesmo.

João Lenjob *
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* João escreve neste blog toda sexta-feira. No resto da semana ele discute sobre Atlético e Cruzeiro e caminha pelas 05 quadras da Av. Afonso Pena, apreciando este belo horizonte…

João Lenjob: Sabe-Não Sabe

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Hoje nosso poeta publicou aqui uma prosa bem interessante… Você sabe do que eu estou falando? Pode até saber, ou não, quer dizer, você é quem sabe. Não sabe?

PPJL

Sabe-Não Sabe
Estamos no tempo do “sabe-não sabe”. No momento triste que não sabemos se ou quando podemos acreditar em quem oferece pifiamente seu interesse puro e inocente de governar, de representar. Chegamos num merecido ponto de não correspondência. O declínio chegou ao limite. Até então faltava ser vítima de esquerdistas.

Há pouco tempo atrás, nossos atuais políticos eram aqueles que fortaleciam e protegiam o lado popular, creditavam nossas esperanças e orientavam nossas cegueiras. Descobriram o buraco celeste brasileiro e omitiram os mensalões dos oposicionistas. Não sabemos ainda por quê, mas hoje temos certeza que houve sobretudo benefício com isso. Ao mudar de plano, literalmente de lado, foram-se as pessoas, nossos políticos, deixando só os seus postos, assim como seus ideais, mentiras, corrupções e promessas. No final, ninguém sabia de nada.

Estes representantes que julgam o caixa dois de empresas pequenas foram os mesmos que o usaram em favores pessoais. Um crime legítimo que, segundo eles mesmos, dá cadeia. É verdade, acontece com pessoas não favorecidas e não protegidas pelas leis que quem domina e faz delas o que quer são os próprios governantes.

Ainda vivemos sob a falta de qualidade de vida. O país passa por um momento delicado, quando o povo começa a desacreditar nas promessas e em tudo o que acontece hoje e está exibido em jornais ou revistas, só de corrupções generalizadas. Nas estradas onde não se é aplicado a necessária estrutura que deveria sair dos pagamentos dos impostos. Na saúde onde não se tem medicamentos e em muitos lugares não tem nem atendimento. Novamente, cadê o dinheiro dos impostos? No saneamento básico medíocre. Nas altas taxas de juros que é uma violência contra o contribuinte, e até no esporte.

Governantes negaram a cassação da oligarquia esportiva brasileira. É vergonha que não cabe mais e ninguém sabia de nada. Hoje talvez, possamos gastar menos tempo numa viagem de ônibus do que de avião, e só por causa de benefícios específicos e trabalhos mal feitos. Isso não acontece só em virtude do tempo parado em sala de espera ou nas filas de “chek-in”. A nossa estrutura aérea inteira é um desastre, o Brasil está um desastre. Isso porque eles não precisam disso. Todos têm aviões especiais, helicópteros, jatos e viajam por nada, por todos os cantos do mundo, com sorrisos estampados que envergonham muito mais seus eleitores, esbanjando uma situação propícia ao fracasso.

O que passamos hoje não começou de pouco tempo pra cá. Estas pessoas negativas estão na frente do país desde o império, aproveitando-se da inocência do povo para garantir de forma esperta seus benefícios. Uma crueldade, imoralidade, com finalidade de “ganhar dinheiro”.

O voto que parecia ser tão precioso, hoje está fardado ao nada. Normal não querer votar, eleger um deputado, presidente. Sabemos em quem estamos votando?
Não, não sabemos de nada.

João Lenjob *
www.lenjob.blogspot.com
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* João escreve neste blog toda sexta-feira, e esta já é a 4ª crônica dele por aqui. Nos outros dias da semana ele filosofa um tiquim sobre a politicagem no país, se irrita com isso, vai ao Mineirão xingar ao juíz, e depois escreve poemas no seu blog pra descarregar…