Arquivo da tag: E a roda gira

Vida que segue

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Caros leitores,

Viemos, por meio deste, anunciar que a partir de agora nosso blog contará apenas com 03 (três) colaboradoras: Ana, Bela e Dô.

Para quem é novo por aqui, contaremos um pouco da nossa história. Começamos em Agosto de 2004 com este espaço, no início eram apenas Ana, Lú e Dô as autoras do blog. Nos conhecemos num escritório onde trabalhávamos juntas, e logo bateu aquela identificação, e daí brotou uma amizade que perdurará no tempo, com certeza. Claro que já tivemos nossos altos e baixos, nossas discussões e briguinhas, afinal de contas, somos mulheres, e todo mundo sabe como é difícil um relacionamento entre amigas. No entanto, o carinho que nos uniu sempre persistiu, ainda que, atualmente, cada uma tenha tomado seu próprio caminho, estando trabalhando em locais diferentes.

Criamos, então, o “Mineiras, Uai!”. Primeiramente, no intuito de não perder o contato entre a gente, como uma forma de trocar experiências, contar nossos casos, saber notícias umas das outras, falar um pouco da gente, de nossa cidade, de nosso cotidiano, etc e tal. Com o tempo, com as visitas e comentários de vocês, caros leitores, sempre nos incentivando a escrever mais e mais e a criar, nasceu aqui uma espécie de, por que não dizer, literatura bloguística. Cada uma com seu estilo, suas idéias, e fomos amadurecendo com o tempo, e o blog criou, assim, identidade e vida próprias.

Em março do ano passado (2006), a Bela nos brindou com sua companhia de escrita, enriquecendo ainda mais a qualidade do blog. Além de ter sido colega e amiga da Ana desde a época do colégio e da faculdade, ela sempre esteve junto com a gente, desde a criação, comentando, lendo, incentivando, e acompanhando desde o nascimento da idéia à evolução do blog, por isso mereceu o convite, e está aqui desde então! E assim temos seguido com nossas aventuras por esta blogosfera afora…

Sendo assim, na última semana a nos anunciou sua decisão de deixar o “Mineiras, Uai!” como escritora, e continuar por aqui como leitora, fã, “comentadora”, etc, etc e etc. Tomamos a liberdade de transcrever aqui alguns trechos de sua cartinha de adeus:

“[…] Nosso blog é incrível, já escrevi muito sobre todos os assuntos, vida pessoal, profissional, aniversários, textos culturais, outros sem graça, mas cada texto meu realmente teve a minha marca.

[…]

Valeu demais! Valeram todos os risos que dei com o blog, todos os textos que escrevi, as vezes que me emocionei, as vezes também que xinguei e não vou falar dos comentários, porque continuarei lendo e comentando nos textos, claro e sempre!

Espero que não me critiquem, o que escrevo é de coração.
Amo todas vocês, muitoooo!!!

Beijos, Lú.

PS: essa também não é uma carta de despedida, não precisam chorar… Em encontros casuais eu verei todas vocês, né?”

Pois então, querida Lú, é claro que você fará muita falta por aqui, mas como você mesma disse, VALEU DEMAIS, e saiba que você sempre foi e sempre será uma MINEIRA, UAI!

E vocês, leitores, podem nos invejar, pois esta mineirinha continuará sendo vista pessoalmente, abraçada e beijada por nós três, enquanto que vocês terão que se contentar apenas com as fotos, textos antigos e comentários… C’est la vie, não se pode ter tudo ao mesmo tempo, não é mesmo? 😉

Beijos,

Mineiras, Uai!

Ana, Bela, Dô.

(Foto: Ana. Arte: Gravata.)

1 Casamento e 4 Funerais

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Quem não gosta de festa de casamento? (Dos outros, principalmente, pois não dói o nosso bolso…)

Ver aquela decoração maravilhosa, bebericar vinho, champagne, whisky, cerveja… Comer salgadinhos maravilhosos, jantares sofisticados, isso sem falar nos bombons e sobremesas sempre de babar… E a mesa de café da manhã? Munida de trufas de diversos sabores, biscoitinhos amanteigados, e licores diversos… Ahhhh! Eu adoro este pecado da gula!

As cerimônias tradicionais de casamento não são menos bonitas e sofisticadas que as recepções que as acompanham, mas confesso que me atraio mais por casamentos em chácaras ou sítios, destes em que já acontece tudo num local só: da cerimônia religiosa ao baile.

Pois a expectativa no final do ano passado era de que, nestes seis primeiros meses do ano, eu iria em 4 casamentos, seria praticamente 1 por mês, e haja laquê no cabelo, haja manicure, haja roupas e haja dieta para caber nelas depois de tanta festa, né? No final das contas, passados alguns problemas de ordem pessoal, estes 4 casamentos se transformaram, até o presente momento, em apenas um, o qual ocorreu neste sábado à noite. Não falarei aqui dos funerais, ainda bem que não houve nenhum até o presente momento, o título foi apenas uma alusão ao filme de comédia britânico, “4 Casamentos e 1 Funeral”, que lançou ao estrelato o inglês Hugh Grant, aclamado por minha mãe como “aquele gato”.

A cerimônia que fomos, tradicionalíssima, aconteceu na gigantesca e solene nave da Basílica de Nossa Senhora de Lourdes. Com direito a coral, quarteto de cordas, e órgão tubular… A igreja fica na movimentada Rua da Bahia, próxima à Faculdade de Direito da UFMG e à Praça da Liberdade, endereço nobre e concorrido pelas noivas mineiras. Estacionamento próximo ao templo é coisa quase impossível, e por isto meu pai nos deixou na porta enquanto procuraria por uma vaga, não sem antes recomendar, com muito zelo, que escolhêssemos o canto DIREITO da Igreja, o lado do noivo, de quem éramos convidados. Tudo isto para que fosse mais fácil a nossa localização pelo “choffeur” (meu pai), quando ele entrasse na igreja.

Já chegamos com alguns minutos de atraso. Os padrinhos e o noivo já tinham entrado, a noiva já estava na porta, recebendo os últimos retoques, esperando para entrar e atravessar a nave da Basílica a caminho do altar com seu véu branco de 7 metros (será isso tudo?), onde encontraria o homem com quem escolheu passar o resto de sua vida, perante uma gigantesca imagem de Nossa Senhora de Lourdes adornada com um igualmente enorme halo luminoso e brilhante sobre a cabeça. Nos encaminhamos para o lado DIREITO, tomando o cuidado de entrar já pela porta da DIREITA, para não ter que atravessar o caminho a ser percorrido pela nubente. Escolhemos nosso banco, o antepenúltimo, já pensando na facilidade de sermos vistos por meu pai, assim que ele chegasse lá.

Até que… Tan-tan-tan-tan… Tan-tan-tan-tan… (Dá início a Marcha Nupcial). Ouço de meu irmão, sério, com seu sarcasmo peculiar: “Olha o noivo ali, olha!” Todos que estavam por perto se alarmaram, mirando na direção em que ele apontava com o olhar. E eis que avistamos um senhor de parca estatura, em seu terno preto risca de giz, do lado ESQUERDO da igreja, passa em frente à porta (que apenas alguns segundos depois se abriu para a noiva), atravessa e pisa no tapete vermelho, olhando para os convivas, e se encaminha em nossa direção. Não pode ser! O meu choro, que sempre chega nesta hora da entrada da noiva e do início da música que todas as mulheres sabem de cor, desde o seu nascimento, foi substituído por uma vontade quase que incontrolável de dar uma gargalhada daquelas! O tal “noivo” de que meu irmão falara, era meu próprio pai!!! Todos viram a gafe, muitos seguraram o riso, como eu…

Para completar o “espetáculo”, eu e minha mãe, com crise de tosse, bem na hora do SIM, éramos respondidas por um companheiro de doença, sentado bem atrás de nós. A seqüência era a seguinte: primeiro eu, cof-cof. Depois mamãe: cof-cof-cof-cof. Depois o senhor, do banco de trás: cof-cof-cof-cof-cof-cooooooof, terminando com um sonoro raspar de garganta, escarrando…

Só seria mais tétrico, caso os minúsculos pagens e damas de honra tivessem realmente derrubado o Ciro Pascal, enorme vela amarela apoiada numa pequena coluna, que se balançava de um lado para o outro, a cada esbarrada de perna dos pequeninos, que se recusavam a ficar quietos. Nossa vizinha, também convidada da festa, ao sair da igreja quebrou os dois saltos de seu escarpin salto 12cm! Foi socorrida pela equipe de manutenção do buffet, que lhe emprestou uma sandália havaiana azul royal, nada a ver com sua roupa, de cor creme. Minha mãe perdeu a pulseira de ouro branco com zircônios, no meio da dança no salão Versailles da casa de recepções…

Como ela mesma diz, entre mortos e feridos, todos se salvaram, vão-se os anéis, ficam-se os dedos… A cerimônia foi linda, a festa idem, impecável, com decoração maravilhosa, de babar mesmo, buffet digno de aplausos…

E que os noivos sejam felizes para sempre!

Ana.

(Foto: ClCosta.)

Seja tolerante, seja feliz!

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Nesse fim de semana prolongado com o feriado aproveitei para viajar e fazer uma higiene mental, além de um bom exame de consciência.
Nem sempre páro e fico sozinha comigo mesma, pensando nos erros e acertos da vida corrida. Mas numa fazenda longe de BH, sem computador, sem tv ou rádio para incomodar, somente sentindo o cheiro do mato e ouvindo o som dos bichos e aves, pude estar comigo mesma. E acho que todas as pessoas deviam experimentar essa sensação, nem que seja uma vez no ano.
Assim, descobrimos o que incomodamos nos outros e em nós mesmas e o que podemos mudar.
Nessas idas e vindas de pensamento descobri que a falta de paciência e incompreensão são males que devemos descartar de nossas vidas e de todos os relacionamentos que temos (amizade, namoro, família, trabalho). Reparem vocês também qual é a causa de várias brigas que presenciam… Uma pessoa sempre quer se sobrepor à outra, não tem paciência de conversar, não compreendem situações. E o mundo anda de mau à pior!
Proponho que sempre estejamos abertas a mudanças para alcançar a felicidade!
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos…
É saber falar de si mesmo, é ter coragem para ouvir um não…
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta…
É beijar os filhos, curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem…
Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós…
É ter maturidade para falar “eu errei”, e ter ousadia para dizer “me perdoe”.
É ter sensibilidade para expressar “eu preciso de você”…
E ter capacidade de dizer “eu te amo”…
Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz
E quando você errar o caminho, recomece tudo de novo…
Pois assim você será cada vez mais apaixonado pela vida,
e descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita,
mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância,
usar as perdas para refinar a paciência…
usar as falhas para esculpir a serenidade…
usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência…
Jamais desista de si mesmo,
jamais desista das pessoas que você ama,
Jamais desista de ser feliz!
Pois é preciso ser feliz sempre!
Beijos,
Lú.

O Espantalho

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Som na caixa:

Remexendo em meus guardados e velharias, encontrei muitas coisas… Agendas cheias de adesivos e confissões de adolescente (só besteira, sem comentários), desenhos, (semi) projetos de quartos e casas nunca construídos, fotos do Mikhail Barishnikov, autógrafos dos Titãs e da Ana Botafogo, telefones de todos os colegas do colégio, da faculdade, do ballet, do inglês, professores de piano, galera do volley, do handball e do time de futebol feminino…
Cartas, muitas cartas… de amigos que moraram fora do país; de amigos só de carta mesmo (que nunca vi na vida), de ex-namorados, de admiradores (hã-hã); cartões de aniversário, de despedida, postais; convites de casamento, de formatura, de festas de 15 anos (saudades dessa época!); fitas de vídeo, de toca-fitas, CD’s e tudo mais… (sim, guardo tudo, e é muita, muita coisa!)

Mas o que mais gostei de achar foram 16 páginas manuscritas – por mim mesma – guardadas bem no fundinho de uma das pastas… Há tempos eu pensava sobre aquelas folhinhas, me lembro perfeitamente do dia em que as escrevi, há quase 07 anos atrás, linha após linha, no meio da madrugada! Eu era uma menina ainda, assustada, mas ainda assim imponente, me achava meio perdida entre o mundo adulto e a adolescência meio tardia, inconseqüente demais e responsável – também demais – tudo ao mesmo tempo, e com a vida inteira pela frente, mas me acabando pouco a pouco, insistindo em histórias malucas, roupas estranhas, idéias fixas e com medo de ser adulta (mas já o sendo, em tantos outros sentidos).

Não contarei aqui o que aconteceu naquele dia, o que me fez escrever 16 páginas seguidas, sem parar, acordando no dia seguinte com a mão calejada e dolorida, a caneta em cima da cama e muitas folhas de papel esparramadas por todos os cantos… Minha cabeça roda, roda, roda, e não chego a lugar nenhum, mas só sei que me lembro de tudo, e minhas antigas emoções vêm à tona e se confundem com a mente e com os sentimentos da mulher que sou agora, 07 anos depois.

Mas isto eu compartilharei com vocês:

O ESPANTALHO
Olhos que não vêem
Mãos que não tocam mais
Um dia tocaram sim
A música do acaso
O tecido aveludado…
Será verdadeiro?
O sentido, do tecido, do cheiro?

Na fotografia, retrato atordoado
De olhos amendoados
Esconderijo do menino assustado
Espantado
Espantalho.

O homem de lata queria um coração, e eu só pensava em ir pra casa…

Pela estrada dos tijolos amarelos
Andei
Chorei
Me conformei
Mas a pergunta ainda estava no ar
Junto com outras ocultas palavras
Carregas contigo?
Minhas cartas, onde estão?
Onde vão suas mãos, que não posso ver?
Onde miram seus olhos, que não os posso ter?

És atração para os corvos,
Espantalho
Menino assustado
Não temas aqueles que te mutilam,
São eles a razão de sua existência.

(Belo Horizonte, 23/05/2000, 02h 18m)

Ana.

Ps.: O lindo desenho do espantalho que ilustra o poema acima foi feito por Sara Neves, de 11 anos, “diretora” do site “Biblioteca Vila Deanteira“.

Hoje é dia de quê?

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Alguém aí sabe que dia é hoje?

– Penúltimo dia do mês de Março… 6ª feira… dia 30!

Neste mesmo dia do ano passado, fizemos um levantamento de alguns fatos e pessoas polêmicas relacionados ao dia 30 de Março. Mas como águas passadas não movem moinhos, vamos ao que interessa…

Explicaremos (para quem não sabe, não se lembra, ou teve preguiça de ler o texto linkado acima até o fim) :

HOJE, 30 DE MARÇO, É ANIVERSÁRIO DA DÔDÔ!!!

Essa mineirinha de Cipotânea, chamada D.O.N.Á.R.I.A (sim, Donária, não é “Doriana”, nem “Tô na área”, nem “Dona Maria”, não), aquela, muito engraçada, doidinha e sonhadora, sabem? Pois é, ela mesma, completa algumas primaveras hoje!

Claro que não poderíamos deixar de registrar aqui tão notória data, mesmo porque, se o fizéssemos, era encrenca na certa, posto que a Dods não perdoa!!! Além do mais, ela passou tanto tempo fora, viajou, conheceu a Europa, realizou o sonho dela de aprender inglês, teve até bolo de aniversário em Paris, olha que chique!?… E agora, FELIZMENTE, voltou para nos fazer rir e polemizar um tiquim!

É isso aí, Dô, queremos você sempre aqui, pertim da gente, iluminando todos por onde passa, sempre arrancando um sorriso ou um ponto de interrogação na cara de uns e de outros, entre baladas, rocks, livros de estudos, cinemas… E onde mais sua energia durar!

Felicidades, dinheiro, beijos na boca, e sucesso!!!!!
Ah, e seja logo mais uma funcionária pública feliz!!!

Niver da Dô em Paris... Mar/2006

Beijos,

Ana, Bela e Lú.

Ps.: Dods, esta música é pra você!!!

Pílulas

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Som na caixa:

Imagem do fim-de-semana:

Imagem do fim de semana...

A frase que ficou: “Dê-me um copo de vinho, que bebo a garrafa e a jogo de volta para o mundo.” (Johnny Depp, em O Libertino.)

Texto do dia:

CORPO MORTO & ESPERMA NAS ENTRANHAS

Sirenes esquizofrênicas espanam a Noite Neblina, as luzes vermelhas
projetam fantasmas na espessa cortina esbranquiçada, motoristas
kamikases arrombam as paredes do Reino de Deus.

Coronel Tempestade Negra desenha símbolos estranhos no asfalto ensan-
güentado, giz branco sobre a pele petróleo, luvas cirúrgicas e passos
de uma dança conhecida apenas pelos iniciados nos ritos policiais.

Empalada com um cabo de vassoura, unhas arrancadas, um morcego
tatuado com estilete na coxa direita, Corpo Morto tem folhas de chá em
lugar das pálpebras e borboletas de origami enfiadas nos ouvidos.

Péssimo sinal.

Os travestis da República do Líbano sussurram a notícia com olhares de horror e mímica
sinistra, nervoso farfalhar de leques chineses.

A Águia de Plumas de Ferro vai descer sobre a cidade e eles sabem disso.

(de: Ademir Assunçãoin: Suplemento Literário do Diário Oficial de MG, Março 2007 – nº 1300.)

Beijos,

Ana.

Quando eu era criança pequena…

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Legenda: CL = meu pai; M = minha mãe; AL = eu; G = meu irmão Ângelo; L = Léo, outro irmão; Vô = Soié; Vó = a eterna namorada do Soié, minha avó Aparecida.

(5:30h da manhã, Edifício Leontina Toledo, BH.)
CL – Acorda, filhotinho, tá na hora de ir para a praia! Seu café da manhã já está na mesa e já estamos quase todos prontos!
M – Benhê! Já pegou o guarda-sol?
CL – Não, Bem, vou pegar! Filha, pegue o guarda-sol pro papai lá no quartinho? Andaa filhaaaaa, não atrasa não!
M – Ângelo, já tomou café? Não se esqueça que tem que comer antes do Dramin, heim, meu filho. Faz xixi no banheiro antes. Já fez? Não bebe muita água então, nem leite, porque fermenta e aí você vai passar mal.

(9:30h – garagem do prédio, BH)
G – Eu vou na janela!
L – Eu vou na outra janela!
AL – Ah não paiê, não quero ir no meio! O Ângelo vai vomitar em mim!
CL – Filha, vai do lado do seu irmão pra cuidar dele caso ele passe mal. Você é a mais velha, tem que dar o exemplo, filhote.
CL – Tá bom, saco.

(1 hora depois – Estrada Minas/Vitória)
AL – Pai, olha o Léo e o Ângelo rindo de mim!
Pof, tum, paf!
G – Ai!
AL – Eu te mato, menino!
L – hihhihihi
M – Parem de gritar no ouvido do seu pai, não vêm que o estão irritando? Ele está dirigindo!
L – Aiiiiiiiii paiê…. não precisava beliscar! Buáááááá….

(7 horas depois – casa de praia, Iriri-Es.)
AL – Aaahhhh!
CL – O que foi isso?
Al – Mata pai, mata! Aaaaaaaah!!! Uma barata deste tamanhão!!!
Pleft!

(7:30h, dia seguinte – casa de praia, Iriri-ES)
G, Al, L, M, CL – Vamos a la plaia! Ôôôôôô! Vamos a la plaia! Ôôôôôô!
L – Olha lá, pai, é o Rio de Nova Era?
CL – Não filho, é o mar, não é rio, e é beeeeeeem maior que o rio de Nova Era, que é o Rio Piracicaba!

(Meia hora depois – casa de praia, Iriri-ES)
Vó – U-ui! U-ui! Oi mô fio, vovó chegou!
Vô – Não pega na careca do vovô senão você vai ficar com testa grande também, heim? hehehe

(9:30h – Praia da Areia Preta, Iriri-ES)
Vó – Ismael! Pega a bóia pra ir nadar!
CL – Tira o aparelho do ouvido senão vai molhar, papai.
Vô – Muito bem, pessoal, estou indo nadar. Até mais.

(2 horas se passaram – Praia da Areia Preta, Iriri-ES)
M – Gente, cadê o Sr. Ismael, heim?
CL – Uai, Bem, eu vi o papai indo nadar com a bóia preta… Mas tem muito tempo já, deve ter ido no quisque comer peroá com fritas.
M – Qual bóia preta, a pequena ou a grande, de câmara de pneu de caminhão?
CL – Com a grande.
M – Ah tá.

(5 minutos depois – Praia da Areia Preta, Iriri-ES)
CL – Ele não está no quisque.
M – Uai…
CL – Mamãe, a senhora viu o papai? Ele não estava nadando?
Vó – Estava, Cláudio, mas já tem muito tempo, Nosso Deus! Onde será que está o Ismael? Ai minha Nossa Senhora, ai nosso Senhor Jesus Cristo! Ismael afogou! Eu estou passando mal… Aaaiiiii….
CL – Bem, acuda a mamãe! Vou procurar o papai.

(10 minutos depois – Em cima das pedras olhando para o mar da Praia da Areia Preta, Iriri-ES)
G – Ô paiê, o que é aquele pontinho no meio do mar? Parece uma bóia igual a do vovô…
CL – Ai meu Deus! É o vovô! Vamos chamá-lo! Papaaaaai!!!!! Papai!!! Soié!!! Ismael Cirilo da Costa!!!
G, L, AL – Vovô!!! Vovô!!!
AL – Vovô Sô Ismael!!!
Vó – Cláudio, Cláudio! Não adianta, chamá-lo, ele não vai ouvir! Tirou o aparelho de audição para poder nadar!
CL – Então deixa comigo, me dá aquela corda ali.
Tchibummmm!
M – Bem! Bem! Ai meu Deus, Ana, onde seu pai foi?
AL – Foi buscar o vovô, mãe, ele tá na bóia lá lonjão, olha, o papai vai mandar a corda pra ele e a gente vai tentar puxar.
M – Ahn?!

(30 minutos depois – De volta ao guarda-sol, Praia da Areia Preta, Iriri-ES)
Vô – Por que me tiraram da água? Estava tão gostoso! Cochilei só 10 minutinhos… Ahn…

-P

Em homenagem ao meu avô Soié, o espirituoso!

Ana.

Hello Everybody!!!

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(Só pra matar a saudade da minha última viagem…. Scotland!)

Saudações pra vocês meus amigos de blog!!!

Demorei, mas voltei… Ai, está super difícil escrever com acentos, afinal fiquei 1 aninho teclando sem os nossos importantes acentos gráficos…estou tentando…

A partir de agora, prometo que vou escrever sempre…. morro de saudade desse blog….

Não sei se deu pra perceber, mas estou dando uma enrolada básica… tenho tanta coisa pra contar que não sei por onde começo! Na verdade, esse texto é só pra receber o “Boas Vindas, Dodo!”, já adiantando a resposta muitíssimo obrigada…

Ah, fiz um tal de flickr pra mim, ou melhor, a Anita Garibaldi é quem fez…. sou uma monga pra isso… Já publiquei várias fotos de minhas viagens… Dêem uma olhadinha, vou ficar super feliz… hahahaha. Está localizado do lado direito da tela em FOTOS – Dô!!!

Estou super ansiosa por falar com vocês!!!!

Vou selecionar os melhores Casos de Dod´s” pra contar aqui, por enquando fiquem curiosos… só mais um pouquinho…..

Bjocas da Dodo!!!

Feriadão…………….

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Mais um carnaval!

Feriado, momentos de alegria, risos, fantasias, liberdade, sensualidade das mulheres, danças de todos os tipos, bebedeiras, festas demais!

Esse é o carnaval brasileiro, aproveitado por muitos e invejado por estrangeiros. Não é à toa que recebemos milhares de turistas nessa época do ano. Cada um tenta aproveitar ao máximo como pode, na praia, no sítio, nas cidades carnavalescas, clubes, etc…

Mas não só de samba, suor e cerveja é composto esse período. Infelizmente, os noticiários apresentaram reportagens de acidentes, mortes, seqüestros, estradas ruins, fotos de gente que não foi feliz nesse carnaval. Mais uma vez eu presenciei a miséria pedindo passagem pro riso.

Quem passou pelas estradas do Norte de Minas, sentiu na pele o desastre que os buracos na estrada estão ocasionando aos veículos e seus condutores. E ali, ao lado, um tanto de pessoas famintas jogando terras nos buracos para receber uma mísera moeda em troca. R$ 0,05, R$ 0,10, R$ 0,25, R$ 0,50 e R$ 1,00. Tudo o que recebem é pouco para ficarem de sol à sol tapando o buraco dos governantes, que deveriam ter providenciado com antecedência o recapeamento das estradas. Dizem as más ou boas línguas que, se por aquelas estradas passasse uma autoridade política, com certeza não existiriam buracos. Paciência…


Alguém precisa trabalhar para que os milhares de foliões se divirtam…

E diversão também não faltou este ano! Olinda, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Diamantina, Ouro Preto, Mariana, Abaeté, e milhares de outras cidades receberam turistas e turistas. O comércio agradece, os prefeitos ficam lisonjeados, e achei maravilhosa a homenagem que a Mocidade Independente de Padre Miguel prestou a todas as pessoas que fazem o carnaval acontecer, aplausos!!!

Esse ano não passei o carnaval na badalação, ao contrário dos meus últimos 08 anos de carnaval entre Diamantina, Ouro Preto, Cabo Frio e Pompéu, fiquei no silêncio de Curvelo, aproveitando a família, o clube, os passeios sociais. Gostei!


Agora, entramos no período pascal! Já começo minha penitência de não comer doces durante os 40 dias. Mas o que eu queria de verdade é que fossem pelo menos 40 dias de paz, sem violência, com essa alegria contagiante do carnaval nos dias que se seguirão.

Vamos fazer nossa parte!


Beijos a todos,

Fome & pão de queijo

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Hoje é quinta-feira e foi o primeiro dia de aula de Amanda na sétima série. Ela estuda em um tradicional colégio de Belo Horizonte, um daqueles que ostentam os maiores índices de aprovação no vestibular. Ela tem apenas treze anos, mas já se preocupa com a faculdade, porque quer se tornar uma brilhante advogada, e trabalhar com o pai no escritório.

Assim que chegou da aula, Amanda encontrou a mesa pronta para o almoço, pois Maria, a empregada, já sabe a hora em que a garota chega da escola e que os patrões nunca almoçam em casa por causa do trabalho.

Mas Amanda não reclama do almoço solitário. Isso lhe permite simplesmente “fingir” ter almoçado. A adolescente tem apenas trezes anos, mas já se preocupa com a boa forma, e pretende emagrecer bastante para ficar parecida com as modelos magras e elegantes das revistas de moda.

Como todas as tardes, depois do almoço, Amanda ligou a televisão e deitou no sofá, onde acabou adormecendo, num sono tranqüilo e despreocupado.

***

Weder mora com a mãe e cinco irmãos em um barraco no subúrbio de Belo Horizonte. Seus irmãos têm entre sete e treze anos, e a família de sete pessoas vive com a aposentadoria de um salário mínimo que a mãe recebe.

O rapaz tem vinte anos e estudou apenas até a quarta série, e até hoje não conseguiu se estabelecer em nenhuma atividade fixa que lhe permita ganhar algum dinheiro para ajudar a família, por isso passa o dia em andanças pela cidade, vigiando carros, procurando comida e pedindo esmolas na porta de bares e restaurante.

Essa é a vida que Weder vem levando desde que deixou a escola, até o dia de hoje, quinta-feira, quando teve seu nome citado nas páginas policiais.

***

Poucos minutos depois de cair no sono, Amanda despertou, acordada por um cheiro estranho, um cheiro de queimado. Entrou correndo na cozinha, assustada.

-“Maria, o que aconteceu? Você queimou alguma coisa?”

-“Uai, não, menina! Mas tô sentindo cheiro de queimado mesmo! O que será?”

Amanda olhou pela janela e viu uma fumacinha escura saindo da casa ao lado. Gritou, mas ninguém respondeu. Preocupada, resolveu sair e tocar a campainha da casa para avisar que algo estava queimando lá dentro.

Chegou na porta da casa, tocou a campainha, e nada. Foi quando percebeu que a porta estava arrombada, praticamente quebrada, e o cheiro de queimado persistia, quase que insuportável àquela altura.

Abriu a porta devagarinho e foi entrando na casa, até chegar à cozinha, de onde vinham o cheiro e a fumaça.

No fogão, encontrou uma fornada de pães de queijo torrados, carbonizados, e no sofá da sala estava Weder, adormecido, segurando uma chave de fenda e uma faca, seus chinelos gastos cuidadosamente encostados lado a lado.
***
Quando a polícia chegou, Weder ainda dormia, e sonhava com lindos e cheirosos pães de queijo para saciar sua fome.

Acordou com a violenta sacudida do policial, foi algemado e levado para a sede do 1º Batalhão.

Weder chorou em silêncio, e enquanto observava o monte de carvão no qual se transformaram os apetitosos pães de queijo, confessou ter usado maconha pouco antes de arromabar a casa e tentou justificar seu crime reclamando que as pessoas lhe negam um prato de comida:

– “os boyzinhos que passam pela rua só me oferecem maconha. Quando passo perto de um bar, as pessoas pagam cachaça para mim, mas comida mesmo ninguém dá”.

E Weder tinha fome.

***

Depois da prisão de Weder, Amanda voltou para casa e agora sonha em ser juíza para condenar todos os bandidos espalhados pela cidade.

Weder foi solto na noite daquela mesma quinta-feira, mas “o dorminhoco”, como passou a ser conhecido pelos ouvintes da Rádio Patrulha, foi preso novamente quatro dias depois, após invadir um restaurante fechado e surrupiar quinze filés e algumas caixas de lasanha.

***

Amanda não passa de uma personagem inventada por mim, mas sei da existência de várias como ela por aí.

Já a história de Weder é real, e você pode trombar hoje mesmo com “o dorminhoco” nas ruas de Belo Horizonte. E também sei da existência de vários como ele por aí.

Bela