Quando eu era criança pequena…

Padrão
Legenda: CL = meu pai; M = minha mãe; AL = eu; G = meu irmão Ângelo; L = Léo, outro irmão; Vô = Soié; Vó = a eterna namorada do Soié, minha avó Aparecida.

(5:30h da manhã, Edifício Leontina Toledo, BH.)
CL – Acorda, filhotinho, tá na hora de ir para a praia! Seu café da manhã já está na mesa e já estamos quase todos prontos!
M – Benhê! Já pegou o guarda-sol?
CL – Não, Bem, vou pegar! Filha, pegue o guarda-sol pro papai lá no quartinho? Andaa filhaaaaa, não atrasa não!
M – Ângelo, já tomou café? Não se esqueça que tem que comer antes do Dramin, heim, meu filho. Faz xixi no banheiro antes. Já fez? Não bebe muita água então, nem leite, porque fermenta e aí você vai passar mal.

(9:30h – garagem do prédio, BH)
G – Eu vou na janela!
L – Eu vou na outra janela!
AL – Ah não paiê, não quero ir no meio! O Ângelo vai vomitar em mim!
CL – Filha, vai do lado do seu irmão pra cuidar dele caso ele passe mal. Você é a mais velha, tem que dar o exemplo, filhote.
CL – Tá bom, saco.

(1 hora depois – Estrada Minas/Vitória)
AL – Pai, olha o Léo e o Ângelo rindo de mim!
Pof, tum, paf!
G – Ai!
AL – Eu te mato, menino!
L – hihhihihi
M – Parem de gritar no ouvido do seu pai, não vêm que o estão irritando? Ele está dirigindo!
L – Aiiiiiiiii paiê…. não precisava beliscar! Buáááááá….

(7 horas depois – casa de praia, Iriri-Es.)
AL – Aaahhhh!
CL – O que foi isso?
Al – Mata pai, mata! Aaaaaaaah!!! Uma barata deste tamanhão!!!
Pleft!

(7:30h, dia seguinte – casa de praia, Iriri-ES)
G, Al, L, M, CL – Vamos a la plaia! Ôôôôôô! Vamos a la plaia! Ôôôôôô!
L – Olha lá, pai, é o Rio de Nova Era?
CL – Não filho, é o mar, não é rio, e é beeeeeeem maior que o rio de Nova Era, que é o Rio Piracicaba!

(Meia hora depois – casa de praia, Iriri-ES)
Vó – U-ui! U-ui! Oi mô fio, vovó chegou!
Vô – Não pega na careca do vovô senão você vai ficar com testa grande também, heim? hehehe

(9:30h – Praia da Areia Preta, Iriri-ES)
Vó – Ismael! Pega a bóia pra ir nadar!
CL – Tira o aparelho do ouvido senão vai molhar, papai.
Vô – Muito bem, pessoal, estou indo nadar. Até mais.

(2 horas se passaram – Praia da Areia Preta, Iriri-ES)
M – Gente, cadê o Sr. Ismael, heim?
CL – Uai, Bem, eu vi o papai indo nadar com a bóia preta… Mas tem muito tempo já, deve ter ido no quisque comer peroá com fritas.
M – Qual bóia preta, a pequena ou a grande, de câmara de pneu de caminhão?
CL – Com a grande.
M – Ah tá.

(5 minutos depois – Praia da Areia Preta, Iriri-ES)
CL – Ele não está no quisque.
M – Uai…
CL – Mamãe, a senhora viu o papai? Ele não estava nadando?
Vó – Estava, Cláudio, mas já tem muito tempo, Nosso Deus! Onde será que está o Ismael? Ai minha Nossa Senhora, ai nosso Senhor Jesus Cristo! Ismael afogou! Eu estou passando mal… Aaaiiiii….
CL – Bem, acuda a mamãe! Vou procurar o papai.

(10 minutos depois – Em cima das pedras olhando para o mar da Praia da Areia Preta, Iriri-ES)
G – Ô paiê, o que é aquele pontinho no meio do mar? Parece uma bóia igual a do vovô…
CL – Ai meu Deus! É o vovô! Vamos chamá-lo! Papaaaaai!!!!! Papai!!! Soié!!! Ismael Cirilo da Costa!!!
G, L, AL – Vovô!!! Vovô!!!
AL – Vovô Sô Ismael!!!
Vó – Cláudio, Cláudio! Não adianta, chamá-lo, ele não vai ouvir! Tirou o aparelho de audição para poder nadar!
CL – Então deixa comigo, me dá aquela corda ali.
Tchibummmm!
M – Bem! Bem! Ai meu Deus, Ana, onde seu pai foi?
AL – Foi buscar o vovô, mãe, ele tá na bóia lá lonjão, olha, o papai vai mandar a corda pra ele e a gente vai tentar puxar.
M – Ahn?!

(30 minutos depois – De volta ao guarda-sol, Praia da Areia Preta, Iriri-ES)
Vô – Por que me tiraram da água? Estava tão gostoso! Cochilei só 10 minutinhos… Ahn…

-P

Em homenagem ao meu avô Soié, o espirituoso!

Ana.
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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

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