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O mineiro e o filme

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Era uma vez, um mineiro com sua esposa e sua filha na 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

Chegaram cansados da viagem que durou 3h30min, da capital até a pequena cidade onde acontecia o festival. Após alguns passeios andando pelas vielas de chão de pé-de-moleque, resolvem entrar na tenda principal, onde um longa metragem era exibido.

O filme já tinha começado há alguns minutos, mas o segurança não deixava viv’alma entrar na sala de cinema. Estranho! – falou o mineiro – em qualquer outro cinema do mundo a gente pode entrar na sala depois que o filme começou!, insistia com o segurança.

O moço, um tanto truculento, retrucou que cumpria ordens, que o mineiro havia chegado atrasado, não podia liberar a entrada.

O mineiro ficou furioso! Saiu para dar uma volta pela tenda para esfriar a cabeça com a esposa e a filha. Até que, não mais que de repente, apertou o passo e entrou escondido pela porta de saída do cinema. A filha e a esposa pararam estupefatas, observando a cena.

Então surge o segurança, que corre atrás do mineiro, que já tinha entrado por trás do pano preto. As outras pessoas que observavam do lado de fora se surpreendem com a cena pitoresca, algumas riem da atitude do mineiro, outras aplaudem, todas comentando entre si. Muitos também estavam indignadas com a proibição sem razão de ser e com a má educação do segurança. (Provavelmente, invejavam a atitude do senhor mineiro quebrando as regras, o único com iniciativa!)

Segundos depois, reaparecem do meio da cortina preta, lado a lado. Mineiro e segurança. Aquele discutindo e gesticulando. Este respondendo que “outro dia mesmo, um diretor de cinema foi barrado durante a exibição do próprio filme, pois tinha chegado minutos depois da hora marcada”.

Alguns poucos minutos depois, a diretora do filme, que ficara sabendo do ocorrido, manda liberar a entrada para os que quisessem – havia cadeiras vazias sobrando lá dentro do cinema, ora! Várias pessoas entraram, pela porta da frente, com ar de – Venci!, quando se viravam para o segurança.

A esposa do mineiro dormiu nos primeiros 2 minutos após terem se sentado no escurinho do cinema. Acontece que o filme era um tanto experimental, abusava de cenas escatológicas e tinha uma história meio sem pé nem cabeça, sombria, soturna.

O mineiro e sua filha, enojados, acordaram a esposa-mãe e, dito isso, não demoraram nem 10 minutos lá dentro. Ao saírem, dão de frente com o segurança, que os olhava torcendo o nariz e resmungando por dentro.

Um filme, muitas risadas, uma carranca. E mais uma história pra contar.

(A 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes foi um sucesso, com muitos filmes – longas, curtas, de ficção e documentários – produzidos no Brasil de excelente qualidade. O mineiro já foi em quase todas as edições, voltará ano que vem, e recomenda o passeio!)

Ana.

(Texto e fotos: Ana Letícia.)

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Compasso Poético – Capítulo 1

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Pelourinho em Chuva (*)

O Largo do Pelourinho

Casa de Jorge Amado

Cores do Pelô

Paisagem que se revela depois a chuva

Jorge Amado no Largo do Pelô

Pássaro sacro

Reflexos

Edifício salmon

Patrimônio a recuperar

Zumbi na chuva

Prédios Coloridos

Janela famosa (**)

Varandas centenárias

Guardião do Amado

Entrada vigiada

Portões do saber

Tijolos no Chão

Grades d’água

Um olhar mineiro sobre terras soteropolitanas, e a chuva caindo a lavar as cores do Pelourinho… Consegui um grande número de fotos, todas feitas pelo meu iPhone, e o resultado está aí. O Castelo ficou mais axé enquanto eu passeava a pé – a melhor maneira de conhecer o Pelô, de guarda-chuva em punho e com um olhar clínico para cada canto, beco, janela, caminhos pisados por Zumbi. E semana que vem tem mais!

Ana.
www.mineirasuai.wordpress.com
www.castelodopoeta.blogspot.com

(**) Alguém aí se lembra do vídeo-clipe do Michael Jackson da música “They don’t care about us”, gravado em parte no Pelourinho? Pois é, esta janela famosa da foto é a mesma em que ele, MJ, o finado Rei do Pop, aparece no clipe!

Fotos publicadas no Flickr.

(*) Publicado originalmente no Castelo do Poeta.

Primeiras Impressões

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Poltrona 24 A - Vôo 6681 Webjet

Vôo levemente atrasado, encontro amigo na sala de embarque. Wi-fi não funciona e os altos falantes anunciam a todo momento em português e inglês macarrônico. Passageiros que devem embarcar.

Poltrona do meio, vizinhos sonolentos. Bebê chorando ao lado e, no banco de trás, um garoto de 9 ou 10 anos não para quieto um só minuto.

Velocidade: 800 km/h, altura de vôo cruzeiro. Fecho os olhos para cochilar, mas o garoto do banco de trás não me permite ter este luxo.

Revista superficial, lanche mixuruco. Duas horas depois, avisto quadras e ruas planejadas ao longe, avenidas largas e o Lago Paranoá.

Pouso suave, terra firme, cabeça longe…

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Aí tu se vira!

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É… Mas está ruim pra todo mundo. Esses dias mesmo, o Pacheco virou para mim e falou:
– Mermão, me arruma 2 mangos aí preu pegar o busú, pois a situação aqui está periclitante. Emprestei um dinheiro aí pro Maneco, que ficou de me pagar hoje… Rá! Adivinha?
– Puts… Aê, toma aqui então teus 2 mangos. Mas olha, vou ter que te cobrar amanhã, senão vai fazer falta pra mim também, sacolé?
– Pó deixáááá maluco. Eu não sou o Maneco não… Aquele caloteiro…
– Hum… Aê Pacheco, e a minha irmã que pegou dengue?
– Nuoooossa… nem me fale Tão… Meu sobrinho tá de Dengue também, internado lá no corredor do Posto de Saúde do bairro porque nos hospitais não têm mais vaga.
– Pôôô… Estimo melhoras, cara.

E por falar em dengue… E minha mulé rapá, tá é com dengo! Outro dia deu pra querer me negar fogo, a danadinha. Tem mais de semana já que estou na seca. Ela tá é fazendo charme, porque eu não consegui tirar férias do serviço, que nem tinha prometido a ela. Dá pra acreditar?
– Aff. O pior é que dá, viu Tão. Mas lá em casa eu não deixo barato isso não. Não agüento essas manhas de mulher. Não passo falta não, sabe como? Ou eu pego à força, ou então… bem, já sabe né? Quem não dá assistência…
– É… pois é… Abre espaço pra concorrência né… hehehe E por falar nela… Tô pensando até em aceitar a proposta daquela secretária lá da firma, viu. A mulher tá dando de cima meeeesmo, maluco! Tu precisa ver. Um dia aí me deu um bombom. Até então tudo bem. No outro me levou um CD. E fica dando umas piscadinhas, sácomé?
– Sóóó… hehehehehe
– Pois é. Ontem mesmo ela foi trabalhar de saia, Pachecão, de saia. Passou rebolativa pela minha mesa uma, duas, três vezes, indo e voltando. Da quarta vez, parou na minha frente, sentou-se no tampo da mesa e ficou puxando assunto. Disse, que comprou a saia na loja tal, se eu tinha gostado, e blábláblá, que queria ir ver o filme tal…. Cineminha… Pff. Até parece que se eu sair com aquela mulher eu levo ela pro cinema! Vou levar é pra outro lugar, isso sim!
– uahahahaha! Tá esperando o quê, cumpadi? Se fosse eu já tinha mandado ver legal… Tá dando bobeira…
– Tô é esperando a grana entrar, pô! Num tá sobrando nem pro cafezinho… O carro tá na oficina e lá vai ficar. O conserto ficou caro e não tenho como pagar o mecânico. A patroa não sai da minha cola, mas também não libera nem a tarraqueta, e eu tô cheio de conta pra pagar… Tá fácil não… Vou sair com a mulher como, de ônibus? Lanchar no cachorro quente da esquina? Tenho dinheiro para pagar motel não, rapá…
– É… tá fácil não…
– Mas… fazer o quê, né?
– Fazer o quê… Viver, né, cumpadi?
– É… Sobreviver…
– Demorô…
– Já é…

Ana.

Feira Moderna

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Caríssimos,
 
Hoje, devido a problemas operacionais meus, não foi ao ar a crônica (já encaminhada) de nosso poeta/colunista João Lenjob. Não se aflijam, pois semana que vem haverá texto novo dele por aqui, ok?
 
Mudando de assunto: quem aí não conhece a banda Chapéu Panamá? Samba de raiz de qualidade, vindo das entranhas de Minas, banhado a minério de ferro e temperado com castanha-do-pará…
 
Pois então: o programa FEIRA MODERNA, que vai ao ar todos os domingos pela Rede Minas, trará neste dia 27/01, às 15:30h, o show de gravação do CD da banda, ocorrido em novembro/2007, no Teatro da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, no entorno da Praça da Liberdade.
 
Quem foi, foi. Quem não foi, perdeu, mas tem a oportunidade de curtir o som agora, com repertório composto por 17 canções, sendo 12 autorais, inclusive com participações especialíssimas, como a do cantor Mauro Ramos – vocalista do tradicional grupo de samba Copo Lagoinha – entre outras, igualmente imperdíveis!
 
Inté…
 
Ana.

Judite e o Toco

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Coisas pitorescas ocorrem em todas as famílias… Mas nunca vi uma tão inclinada para essas coisas quanto a minha. Teve o episódio da morte do hamster que não morreu, teve a gafe do “noivo” que meu pai cometeu outro dia num casamento, teve a história dos pintos, teve meu avô que sumiu no meio do mar de Iriri… Ah… São tantas coisas que nem dá pra contar aqui sem escrever um livro, sem exageros.

É claro que ter um irmão veterinário, com vocação para cientista, ajuda muito para que tais acontecimentos esdrúxulos ocorram com mais freqüência. Afinal de contas, quem, além dele, é que teria disposição para passar as noites em claro fazendo experiências com o casal de hamsters (mamíferos de hábitos primariamente noturnos), até descobrir o ciclo reprodutor da fêmea, obviamente fazendo com que a mesma ficasse prenhe?

Pois agora o alvo de maior interesse de meu irmão, na faculdade, no trabalho, e pasmem, em casa, é a piscicultura. Não, meus amigos, não possuímos um tanque aqui em casa com golfinhos, arraias e tubarões, mas sim um pequenino aquário metodicamente cultivado por ele com espécies simples de peixinhos de água doce. Costumavam viver lá até dois camarõezinhos, batizados por minha mãe de Gilberto e Wellington (foto ao lado). No entanto, os mesmos foram devorados por um surubim maldito, denominado Marinho (adivinhem quem deu o nome?).

Outro dia fui entrando no carro e vi um morcego enroscado no banco do passageiro… Quase dei um grito! Encostei com a ponta da chave, e o “bicho” estava duro… Olhei mais de perto e… era um toco, de madeira mesmo, sem maldade gente, por favor. Descobri depois que meu irmão o tinha ganhado de presente de um amigo – veterinário também, óbvio – para ornamentação do aquário. Sendo assim, o dito cujo foi trazido para casa para fazer o “tratamento” do tronco, ou toco, como preferirem, para poder se juntar aos peixes e plantas aquáticas. Peraí… tratamento? Sim, meus amigos, tratamento que inclui: banho no cloro com água por 24 horas, fervuras e mais fervuras, trocas e mais trocas de água, até esta ficar limpa.

O que não sabíamos era que, após o “banho de cloro”, o tronco ficaria… BRANCO! Todos ficamos horrorizados com a feiúra do toco russo… Será que ele teria descorado? Eu heim!? Minha mãe quase morreu do coração, e foi muito aflita falar sobre isso com meu irmão. É que ela é a auxiliar de laboratório preferida dele, segue rigorosamente todas as instruções do cientista para as experiências feitas em casa.

– Calma mãe, se este toco não voltar a ser marrom, meu nome é JUDITE! Respondeu ele, com convicção.

Sendo assim, durante uma semana o “toco cru pegando fogo” de meu irmão “Judite” foi fervido por horas no enorme balde de alumínio, no fogão daqui de casa… E não é que o tal foi voltando à cor originária? Hoje já está pretim, pretim…

E o toco acabou sendo batizado de Judite, meu irmão continuou se chamando Ângelo, e continuou colocando nomes estranhos em seus bichinhos de estimação… A nova hamster, por exemplo, chama-se “Pristica”!

É… vai entender!?

Ana.

P.s.: Brincadeiras à parte, esta história de piscicultura é coisa séria… O laboratório da UFMG é um dos mais conceituados do Brasil nesta área, meu irmão já tem vários trabalhos publicados e apresentações em congressos pelo país inteiro! É… os surubins e abadejos que se cuidem!

Fotos por Ângelo – meu irmão

1 Casamento e 4 Funerais

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Quem não gosta de festa de casamento? (Dos outros, principalmente, pois não dói o nosso bolso…)

Ver aquela decoração maravilhosa, bebericar vinho, champagne, whisky, cerveja… Comer salgadinhos maravilhosos, jantares sofisticados, isso sem falar nos bombons e sobremesas sempre de babar… E a mesa de café da manhã? Munida de trufas de diversos sabores, biscoitinhos amanteigados, e licores diversos… Ahhhh! Eu adoro este pecado da gula!

As cerimônias tradicionais de casamento não são menos bonitas e sofisticadas que as recepções que as acompanham, mas confesso que me atraio mais por casamentos em chácaras ou sítios, destes em que já acontece tudo num local só: da cerimônia religiosa ao baile.

Pois a expectativa no final do ano passado era de que, nestes seis primeiros meses do ano, eu iria em 4 casamentos, seria praticamente 1 por mês, e haja laquê no cabelo, haja manicure, haja roupas e haja dieta para caber nelas depois de tanta festa, né? No final das contas, passados alguns problemas de ordem pessoal, estes 4 casamentos se transformaram, até o presente momento, em apenas um, o qual ocorreu neste sábado à noite. Não falarei aqui dos funerais, ainda bem que não houve nenhum até o presente momento, o título foi apenas uma alusão ao filme de comédia britânico, “4 Casamentos e 1 Funeral”, que lançou ao estrelato o inglês Hugh Grant, aclamado por minha mãe como “aquele gato”.

A cerimônia que fomos, tradicionalíssima, aconteceu na gigantesca e solene nave da Basílica de Nossa Senhora de Lourdes. Com direito a coral, quarteto de cordas, e órgão tubular… A igreja fica na movimentada Rua da Bahia, próxima à Faculdade de Direito da UFMG e à Praça da Liberdade, endereço nobre e concorrido pelas noivas mineiras. Estacionamento próximo ao templo é coisa quase impossível, e por isto meu pai nos deixou na porta enquanto procuraria por uma vaga, não sem antes recomendar, com muito zelo, que escolhêssemos o canto DIREITO da Igreja, o lado do noivo, de quem éramos convidados. Tudo isto para que fosse mais fácil a nossa localização pelo “choffeur” (meu pai), quando ele entrasse na igreja.

Já chegamos com alguns minutos de atraso. Os padrinhos e o noivo já tinham entrado, a noiva já estava na porta, recebendo os últimos retoques, esperando para entrar e atravessar a nave da Basílica a caminho do altar com seu véu branco de 7 metros (será isso tudo?), onde encontraria o homem com quem escolheu passar o resto de sua vida, perante uma gigantesca imagem de Nossa Senhora de Lourdes adornada com um igualmente enorme halo luminoso e brilhante sobre a cabeça. Nos encaminhamos para o lado DIREITO, tomando o cuidado de entrar já pela porta da DIREITA, para não ter que atravessar o caminho a ser percorrido pela nubente. Escolhemos nosso banco, o antepenúltimo, já pensando na facilidade de sermos vistos por meu pai, assim que ele chegasse lá.

Até que… Tan-tan-tan-tan… Tan-tan-tan-tan… (Dá início a Marcha Nupcial). Ouço de meu irmão, sério, com seu sarcasmo peculiar: “Olha o noivo ali, olha!” Todos que estavam por perto se alarmaram, mirando na direção em que ele apontava com o olhar. E eis que avistamos um senhor de parca estatura, em seu terno preto risca de giz, do lado ESQUERDO da igreja, passa em frente à porta (que apenas alguns segundos depois se abriu para a noiva), atravessa e pisa no tapete vermelho, olhando para os convivas, e se encaminha em nossa direção. Não pode ser! O meu choro, que sempre chega nesta hora da entrada da noiva e do início da música que todas as mulheres sabem de cor, desde o seu nascimento, foi substituído por uma vontade quase que incontrolável de dar uma gargalhada daquelas! O tal “noivo” de que meu irmão falara, era meu próprio pai!!! Todos viram a gafe, muitos seguraram o riso, como eu…

Para completar o “espetáculo”, eu e minha mãe, com crise de tosse, bem na hora do SIM, éramos respondidas por um companheiro de doença, sentado bem atrás de nós. A seqüência era a seguinte: primeiro eu, cof-cof. Depois mamãe: cof-cof-cof-cof. Depois o senhor, do banco de trás: cof-cof-cof-cof-cof-cooooooof, terminando com um sonoro raspar de garganta, escarrando…

Só seria mais tétrico, caso os minúsculos pagens e damas de honra tivessem realmente derrubado o Ciro Pascal, enorme vela amarela apoiada numa pequena coluna, que se balançava de um lado para o outro, a cada esbarrada de perna dos pequeninos, que se recusavam a ficar quietos. Nossa vizinha, também convidada da festa, ao sair da igreja quebrou os dois saltos de seu escarpin salto 12cm! Foi socorrida pela equipe de manutenção do buffet, que lhe emprestou uma sandália havaiana azul royal, nada a ver com sua roupa, de cor creme. Minha mãe perdeu a pulseira de ouro branco com zircônios, no meio da dança no salão Versailles da casa de recepções…

Como ela mesma diz, entre mortos e feridos, todos se salvaram, vão-se os anéis, ficam-se os dedos… A cerimônia foi linda, a festa idem, impecável, com decoração maravilhosa, de babar mesmo, buffet digno de aplausos…

E que os noivos sejam felizes para sempre!

Ana.

(Foto: ClCosta.)

Tem coisa que só acontece em boteco…

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Todo ano é a mesma coisa. Mal são anunciados os bares participantes do “Comida di Buteco”, e haja paciência para andar pelas ruas adjacentes aos mesmos, encontrar vaga para estacionar em lugar seguro, esperar mais de hora na fila pela mesa, e por aí vai… Mas como todo dia é dia de cerveja na “capital mundial dos botecos”, não custa nada encarar tudo com muita descontração e sem stress, e de preferência com uma gelada descendo goela abaixo.

Of course, my horse, tem gente que vai pra boteco só para arrumar confusão. Briga com o flanelinha, briga com o garçon, briga com quem está ao lado esperando mesa, briga com o cara que controla a lista de espera… Enfim, pessoas de mal com a vida assim deveriam ser proibidas de freqüentar botecos. Ou restaurantes. Ou locais públicos. Isso, nem deveriam sair de casa. Melhor, nem deveriam nascer!!!

Mas acontece muita coisa interessante em botecos… Já reparou como é fácil fazer amizade nestes locais? Basta você olhar pra pessoa, comentar da temperatura polar da cerveja e pronto: viraram amigos de infância! Tem gente que até vai sozinha ao bar só pra isso, conversar com estranhos, bater um papo cabeça, e, quem sabe, iniciar uma amizade!

Nos barzinhos do Mercado Central daqui de Beagá isso é uma constante. Você conhece gente de tudo quanto é lugar, tudo quanto é jeito e classe social. Desde um pedreiro a um empresário de sucesso, uma executiva de multinacional, uma prostituta internacional… Lá todo mundo é igual, todos estão ali para se divertir, bicar uma branquinha (tomar cachaça), beber uma loirinha esperta (cerveja estupidamente gelada) e, claro, comer uma carnezinha na chapa acebolada com um jilozinho refogado (ou “afogado”, como diz o povo “da roça”). Qual a carne? Você escolhe: fígado, contra-filé, pernil… Hummmm, deu água na boca! O mais interessante é que os botecos do Mercado equivalem a um corredor de 3x6m, são dois em cada “corredor”, posicionados um em frente ao outro, sem mesas nem cadeiras, e, obviamente, fica todo mundo de pé. Não tem garçons tradicionais também, é claro, pois não caberia no diminuto espaço, disputado entre os beberrões e comilões de plantão! Os cozinheiros ficam na parte de dentro dos balcões, disputando no grito o cliente, como que numa guerra para ver quem é o mais simpático e ganha primeiro a empatia do transeunte que foi ao mercado inocentemente comprar rolhas, pano de prato, ração para hamster ou um peixinho fresco.

Outro dia fui num bar participante do “Comida de Buteco” deste ano, coisas engraçadas aconteceram, a começar pelo local: trata-se do quintal de uma casa de família, que depois vim a descobrir, pertencente a um ex-colega de colégio. Para entrar no boteco, você passa pela garagem da casa (com os carros da família lá dentro), atravessa a área de serviço, desse uma escadinha e chega até o quintal. Acesso para portadores de necessidades especiais? Pode esquecer… No entanto, o local é super aconchegante, é rústico, mas também muito aprazível, fresquinho, com uns espaços cobertos e outros não, tem televisão para ver os jogos do Galo (time do coração dos donos do estabelecimento), mesas redondas feitas com rodas de carro de boi antigas, algumas cadeiras são antigas, e outras, tocos improvisados (pedaços de tronco de árvore), e ainda muitas, muitas plantas espalhadas em todos os cantos, como todo quintal que se preze há de ter.

O nome do lugar também é bem sugestivo: “Pimenta com Cachaça”, iguaria também servida no estabelecimento por apenas R$ 2,00, àqueles apreciadores da tal misturinha… Já o delicioso tira-gosto concorrente tem um nome que é outro caso à parte: “Petisqueijo de filé ao molho PCC”. Antes que me perguntem, não sei o porquê de o delicioso molho de mostarda servido numa cumbuca de tomate maçã ter o nome de PCC. Mas hei de descobrir um dia…

Chegando lá, apenas 4 mesas na frente na lista de espera. ‘Bora aguardar um tiquim? Lógico, não deve demorar tanto assim…

– Está lotadaço! (Disse o “hostess”, com um walkie-talkie modernoso na mão.)
– Mas a comida deste boteco é boa, moço?
– Ô, se é!
– Esperaremos então. (Minha fome não permitiria outra fila de espera, em outro boteco em qualquer outro lugar.)

E dito e feito. Mesa para duas, nosso nome foi posto na listagem. Ficamos 2 horas esperando120 minutos de estômago roncando. E haja papo! Acabamos fazendo amizade com um rapaz (que aguardava seu amigo chegar) e com um casal (um japonês paulista e sua mulher – mineira, lógico!), que também aguardavam sua vez. Na hora em que fomos chamadas, anunciaram uma mesa para 7 pessoas…

– ‘Bora lá, entrar todo mundo junto? (Eu e minha educação…)
– Vocês não se importam? Queremos muito entrar… (Responderam em coro, com excitação.)
– Que nada, a mesa cabe mais gente mesmo! (Sem contar que já estávamos sem assunto, se é que é possível que duas mulheres cheguem a este patamar…)

E lá fomos nós. A mesa acomodou muito bem todos os 6, e o papo foi divertido, rimos até. Principalmente do amigo do rapaz, que já chegou lá “mamado”, depois de todo mundo, com uma long-neck na mão, contando “piadinhas de japonês” (de gosto duvidoso, claro) para o casal, e derramando tudo que estava em cima da mesa… Puxou um espetinho de nosso tira-gosto, o xuxou no molho PCC e ficou lá rodando o palito, uns 5 minutos… Quase perdi a respiração de tanto rir.

Bêbado é foda, não dá uma dentro. Bem que o coitado tentou, mas depois de 4 a 0, parei de contar os foras que ele levava e provocava…

Placar final: Galo 2 x 0 Avaí, pela Copa do Brasil, menos 10 reais na minha carteira, e abdominais feitos de tanto dar risada!

Ana.

Diretamente da “ROÇA”!!!

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Cipolândia, Cipopeba, Inspontânea, Cipotâmia, Mesopotâmia, Cipó…… o quê???Não, nada disso é: CIPOTÂNEA, situada na Zona da Mata. É de lá que eu vim, é pra lá que vou sempre, lá é minha casa de verdade!

Estou eu aqui, (Papai Comédia, Mam´s e vovó Donária) novamente, falando dessa ilustre megalópole… rs.

Gosto de falar de lá, primeiro pelo óbvio: dá ibope (assim espero), e também porque, toda vez que vou pra lá, ficar com meus pais, a SURPRESA é elemento fundamental nessa aventura.

Pois bem, além de encontrar com amigos queridos e participar de conversas intermináveis sobre a infância, adolescência, travessuras, horários de chegar em casa (péssimo), namoros proibidos na cabana do Liu ( que pra nossa infelicidade, não existe mais) e rir e rir dos micos…. o comédia da vez ficou com o Sr. Nilton Souza, meu paizinho querido. Isso tudo por uma dúvida cruel que me acompanhou desde criança, ou melhor, ainda continua latejando em minha cabecinha!

Estávamos, eu, pap´s e mam´s, em casa na sexta-feira da Semana Santa, por volta das 23:30h ou mais, sentados e conversando, ou melhor, eu e papai adoramos nos desentender, brigamos o tempo todo, ele ama me irrirtar. Do nada, começamos a brincar e lembrei-me da dúvida cruel:

Eu: Pai, Lembra daquela brincadeira, à qual o senhor fazia comigo, em que eu estendia a mão e depois de uma sequência de perguntas e respostas, o senhor fazia cócegas em mim até morrer???

Papai: Claro que lembro.

Eu: Então. Faz de novo???

Papai: Menina, você está bem velhinha pra brincar assim, você não acha?

Eu: Por favor, pai (cara de dó)!

Papai: Tá bom, dá sua mão aqui, sua chata! (Perceberam a delicadeza do Senhor meu pai?)
COMEÇANDO…

Papai: Cadê o toucinho que estava aqui?

Eu: Gato comeu.

Papai: Cadê o gato?

Eu: Foi pro mato.

Papai: Cadê o mato?

Eu: Pegou fogo.

Papai: Cadê o fogo?

Eu: A água apagou.

Papai: Cadê a água?

Eu: Boi bebeu.

Papai: Cadê o boi?

Eu: Está amassando trigo.

Papai: Cadê o trigo?

Eu: A galinha espalhou.

Papai: Cadê a galinha?

Eu: Está botando ovo.

Papai: Cadê o ovo?

Eu: Frade bebeu…. (já está começando a ficar estranho)

Papai: Cadê o frade?

Eu: Está rezando missa.

Papai: Cadê a missa?

Eu: Não tenho idéia…

Papai: Responda, minha filha: “Está dentro da caixinha!”

Eu: Como assim pai, isso não existe. Pensa comigo, como uma missa vai parar dentro da caixinha é muita loucura! Você já ouviu falar nisso alguma vez?

Papai: Ah, menina deixa de ser complicada e responda que ela está dentro da caixinha, pra terminar a brincadeira logo.

Eu: Não pai, o senho tem que me explicar isso direitinho: Como uma missa vai parar dentro da caixinha e que caixinha é essa?

Papai (perdendo a paciência, que ele não tem): Donária, deixa de ser chata e fala, se não eu paro por aqui!

Eu: Tá bom então!

Papai: Cadê a missa?

Eu: está dentro da caixinha…absurdo total….

Papai: Cadê a caxinha?

Eu: Desceu rio abaixo…. (outro absurdo, imagine só, uma caixinha boiando no rio com uma missa dentro…. Sem noção!!!)

Papai: Cadê o rio?

Eu: Não sei…

Papai: Foi aqui aqui quiqui……..hahahahahaha……

Eu: Mas, pai e a missa dentro da caixinha, de onde vieram?

Papai: Não sei, só sei pra onde você vai agora: Pra cama que já passou da hora de você me dar um descanso….

Logo em seguida, perguntei à minha mãe:
– Mãe, será que a caixinha veio da “Dona Baratinha”!?

Meu pai, ouviu e disse:
– Oh Zilah, essa menina está ficando maluca? Esse povo aqui de casa, quanto mais velho, mais doido está ficando…

Se alguém souber sobre a caixinha? Adoraria saber também….

Bjocas da Do!

Quando eu era criança pequena…

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Legenda: CL = meu pai; M = minha mãe; AL = eu; G = meu irmão Ângelo; L = Léo, outro irmão; Vô = Soié; Vó = a eterna namorada do Soié, minha avó Aparecida.

(5:30h da manhã, Edifício Leontina Toledo, BH.)
CL – Acorda, filhotinho, tá na hora de ir para a praia! Seu café da manhã já está na mesa e já estamos quase todos prontos!
M – Benhê! Já pegou o guarda-sol?
CL – Não, Bem, vou pegar! Filha, pegue o guarda-sol pro papai lá no quartinho? Andaa filhaaaaa, não atrasa não!
M – Ângelo, já tomou café? Não se esqueça que tem que comer antes do Dramin, heim, meu filho. Faz xixi no banheiro antes. Já fez? Não bebe muita água então, nem leite, porque fermenta e aí você vai passar mal.

(9:30h – garagem do prédio, BH)
G – Eu vou na janela!
L – Eu vou na outra janela!
AL – Ah não paiê, não quero ir no meio! O Ângelo vai vomitar em mim!
CL – Filha, vai do lado do seu irmão pra cuidar dele caso ele passe mal. Você é a mais velha, tem que dar o exemplo, filhote.
CL – Tá bom, saco.

(1 hora depois – Estrada Minas/Vitória)
AL – Pai, olha o Léo e o Ângelo rindo de mim!
Pof, tum, paf!
G – Ai!
AL – Eu te mato, menino!
L – hihhihihi
M – Parem de gritar no ouvido do seu pai, não vêm que o estão irritando? Ele está dirigindo!
L – Aiiiiiiiii paiê…. não precisava beliscar! Buáááááá….

(7 horas depois – casa de praia, Iriri-Es.)
AL – Aaahhhh!
CL – O que foi isso?
Al – Mata pai, mata! Aaaaaaaah!!! Uma barata deste tamanhão!!!
Pleft!

(7:30h, dia seguinte – casa de praia, Iriri-ES)
G, Al, L, M, CL – Vamos a la plaia! Ôôôôôô! Vamos a la plaia! Ôôôôôô!
L – Olha lá, pai, é o Rio de Nova Era?
CL – Não filho, é o mar, não é rio, e é beeeeeeem maior que o rio de Nova Era, que é o Rio Piracicaba!

(Meia hora depois – casa de praia, Iriri-ES)
Vó – U-ui! U-ui! Oi mô fio, vovó chegou!
Vô – Não pega na careca do vovô senão você vai ficar com testa grande também, heim? hehehe

(9:30h – Praia da Areia Preta, Iriri-ES)
Vó – Ismael! Pega a bóia pra ir nadar!
CL – Tira o aparelho do ouvido senão vai molhar, papai.
Vô – Muito bem, pessoal, estou indo nadar. Até mais.

(2 horas se passaram – Praia da Areia Preta, Iriri-ES)
M – Gente, cadê o Sr. Ismael, heim?
CL – Uai, Bem, eu vi o papai indo nadar com a bóia preta… Mas tem muito tempo já, deve ter ido no quisque comer peroá com fritas.
M – Qual bóia preta, a pequena ou a grande, de câmara de pneu de caminhão?
CL – Com a grande.
M – Ah tá.

(5 minutos depois – Praia da Areia Preta, Iriri-ES)
CL – Ele não está no quisque.
M – Uai…
CL – Mamãe, a senhora viu o papai? Ele não estava nadando?
Vó – Estava, Cláudio, mas já tem muito tempo, Nosso Deus! Onde será que está o Ismael? Ai minha Nossa Senhora, ai nosso Senhor Jesus Cristo! Ismael afogou! Eu estou passando mal… Aaaiiiii….
CL – Bem, acuda a mamãe! Vou procurar o papai.

(10 minutos depois – Em cima das pedras olhando para o mar da Praia da Areia Preta, Iriri-ES)
G – Ô paiê, o que é aquele pontinho no meio do mar? Parece uma bóia igual a do vovô…
CL – Ai meu Deus! É o vovô! Vamos chamá-lo! Papaaaaai!!!!! Papai!!! Soié!!! Ismael Cirilo da Costa!!!
G, L, AL – Vovô!!! Vovô!!!
AL – Vovô Sô Ismael!!!
Vó – Cláudio, Cláudio! Não adianta, chamá-lo, ele não vai ouvir! Tirou o aparelho de audição para poder nadar!
CL – Então deixa comigo, me dá aquela corda ali.
Tchibummmm!
M – Bem! Bem! Ai meu Deus, Ana, onde seu pai foi?
AL – Foi buscar o vovô, mãe, ele tá na bóia lá lonjão, olha, o papai vai mandar a corda pra ele e a gente vai tentar puxar.
M – Ahn?!

(30 minutos depois – De volta ao guarda-sol, Praia da Areia Preta, Iriri-ES)
Vô – Por que me tiraram da água? Estava tão gostoso! Cochilei só 10 minutinhos… Ahn…

-P

Em homenagem ao meu avô Soié, o espirituoso!

Ana.