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Balões de Gás

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Flutuo sobre meus saltos, altos, finos e leves. Caminho sobre nuvens, em passos largos e saltitantes, com cuidado para não furar os flocos de algodão-doce sob meus pés de bailarina. Calejados pés, que sentem e sofrem, hoje e sempre, mas que me mantêm firme no chão, sonhando acordada e voando, como um balão.

Lá embaixo vejo cores: vermelho, amarelo, rosa, verde… Vejo fumaça e som, silêncio e música, carinho e sensações. Amigos, pais, flores e cerejas, chocolate e velinhas faiscantes. O vento me inebria, e a noite me envolve, molhada de chuva, suor, lágrima, cerveja, riso, fantasia e pirulitos. Passam luzes, passam carros, gritos e flashes. Pensamentos passam, e lembranças também. E o aperto de saudades do meu tamborim enche meu peito de batuque, cavaquinho e atabaque.

E a tradição vai se manter: eu sambo pra viver, e vivo pra sambar. E a chuva a cair, e o vento a soprar. O mundo gira, não pára nunca, e eu vou andando, caminhando lépida e sempre, correndo em direção ao arco-íris. Fujo do infinito, do céu e do outono, sonho com a Lua, e um perfume de gardênia vem me inspirar a noite, e um céu azul desanuviado amanhece na primavera de cheiro de terra molhada e plumas flutuantes. Estas sim, de vida curta, são como eu, dependem do vento pra assoprar. Já não disse o poeta, o grande maestro, que felicidade tem fim, como o carnaval?

Logo em frente, tem um palco. Subo as escadas e vejo tudo do alto. Luzes me cegam, e o barulho se agita em cortinas de metal e jasmim. E olhos a me procurar. Olhos a me fitar. Olhares que fogem, se encontram, e depois furtam mais alguns minutos de minha existência. Uma mecha escorre pela testa, por causa do vapor do ventilador. Estranheza, coração, surpresa, emoção.

Uma mensagem, duas, três. Guardo logo tudo de uma vez. Canto o parabéns, dou um rodopio, giro num pé só, pulo amarelinha, caracol e giramundo. Pensamento imundo de um insano trapalhão. Mundo tosco de uma noite de verão.

E viva eu, viva tudo, viva o mico narigudo! Viva nós, viva a chuva, viva o cheiro e o olhar, viva o presente e o que virá, viva o céu, viva a roda, o sorvete, o creme de leite e a lanchonete, o submarino, o submerso, o submundo, e o subversivo, o tropicalismo, o tropicaliente, o leite quente, e o invisível, viva o não-dito, viva o pensamento, viva a vida, VIVA!

Ana.
(Texto e foto.)

Então…

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Tudo bem que o Natal é a festa cristã em comemoração ao nascimento de Jesus. E tudo bem que todo mundo se esquece disso, e vira esta loucura consumista que todos falam, e blábláblá.

Mas eu ainda sou daquelas pessoas que gostam de Natal. Não só pelo o que eu já falei aí em cima, mas também por ser perto do meu aniversário e do fim do ano, por eu amar dar presentes – e ganhar também, é óbvio – pelas comidas deliciosas, frutas secas, por reencontrar minhas primas e primos, ver meus avós felizes juntando a grande família por mais um ano, a carinha dos meus priminhos mais novos quando encontram presentes embaixo da árvore de Natal na manhã do dia 25, etc, etc, etc.

Mas tem coisas no Natal que irritam até a mim, sabiam? Por exemplo: festinhas de amigo oculto, ter que desejar Feliz Natal pra todo mundo, decorações breguetésimas em tudo quanto é lugar, engarrafamento de gente nos shoppings, lojas e centro da cidade, automóveis aos montes enlouquecidos andando pelas ruas, e o pior: músicas natalinas!!!

Aaaarrrrgh! Não tem coisa mais chata, mais insuportável, que música natalina tocando sem parar no seu ouvido. Sério, se eu trabalhasse em shopping ou supermercado nesta época do ano, juro que eu surtava. Jingle Bells, Silent Night, White Christmas, We Wish You a Merry Christmas e por aí vai, simplesmente me dão nos nervos, com suas variações cada vez mais barangas em bandolins, violinos chorosos, pianos trinados, ou vozes desconhecidas.

Quem foi o “espertinho” que simplesmente decidiu que, só porque estamos próximos do Natal, todas as pessoas do universo querem ouvir músicas natalinas? E estas não ficam adstritas somente aos shoppings e supermercados… Se você for ao centro da cidade, ou até mesmo em alguma botique fina de bairro nobre, será obrigado a ouvir tais “hits” em suas versões mais irritantes, ou (pior ainda) com arranjos modernosos estilo lounge, como se isso fosse capaz de torná-las mais agradáveis…

Outra coisa que não me entra na cabeça: a decoração das casas nesta época. É um desperdício absurdo de eletricidade, e um exercício fenomenal de mau gosto! Imaginem a entrada de uma casa com quatrocentos-mil bonecos de “Papai Noel” de borracha, em forma de bóia ou balão? Pois tem uma assim aqui no bairro, acreditem se quiser. Passo em frente e me dá vontade de estourar Papai Noel por Papai Noel com uma agulha, só pra não me doer tanto mais as vistas.

E tem aquela, cujo dono é tão podre de rico que instalou uma “máquina de fazer neve” em frente ao portão, justo na estação mais quente do ano no BRASIL (que só se forçar muuuuuuito, tem uma nevezinha mixuruca, e, ainda assim, apenas na região sul, um dia ou dois por ano), com o verão prometendo ser o mais insuportavelmente calorento de todos os tempos, e, como se isso não bastasse, ainda suja de espuma (ops, “neve”) todo o jardim e calçada defronte!

E aquela outra, com lâmpadas coloridas de todas as cores cobrindo TODA a fachada da casa, piscando freneticamente, tocando adivinha o quê??? Musiquinhas de Natal… Ou seja, se você mora em frente a esta casa, imaginará estar passando suas merecidas noites de sono e descanso em frente a uma boate de péssimo gosto. Eu dava um tiro.

Bem, deixando o meu mau humor de lado, termino este texto, e vocês já devem estar dando graças a Deus por isto! A verdade é que preciso ir ao supermercado fazer compras, que fica dentro de um shopping insuportavelmente cheio, com decoração baranga e tocando Jingle Bells sem parar.

É, já sei o que vou pedir de presente de Natal, para acrescentar à listinha anteriormente feita: PACIÊNCIA DE JÓ!

Ana.

Charge retirada deste site.

BH 40 Graus

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Hoje eu achei que iria ficar louca de tanto calor… Achei não, enlouqueci, pirei. Pois onde já se viu escrever um texto desses de uma vez?
O dia já começou atrasado: de tanto calor, esquecemos todos do despertador. Apenas o sol acordou antes, já estava quente e com raios brilhantes, postado lá no céu, alto, sorridente, zombava da gente. Ultra-violeta ou não, vou logo tratar de me proteger. FPS 30, que é para não enrubecer.
– Será que hoje vai fazer frio?
Pensei em voz alta, forçando a barra para vestir uma blusinha meia-estação.
– Tá louca? Tem chance não!
Respondeu meu irmão, revoltado por ter de ir enternado, se internar no escritório, para desenterrar 10 petições iniciais, 5 agravos e 01 embargo declaratório.
Chego ao trabalho, e por questão de 40 segundos, não me atrasei.
– Ufa! – logo pensei.
Abro o armário, e dou de cara com uma sindicância, a ser instauranda em caráter de urgência. Tenho que tomar tenência, agir com obediência, e não ter tanta implicância com tantas coisas chatas para resolver e analisar.
E de tanta água que bebi, e de tanta chatice que engoli, me deu ânsia, até incontinente fiquei, o banheiro foi meu amigo, companheiro de desidratação. Pelo menos era o local mais fresco da repartição.
– Cuidado para não pegar uma insolação!
No almoço, correria só. Chegando à academia, olho o termômetro da rua: BH 40 graus. E eu fazendo ginástica, tentando não derreter… Aproveitei para me entreter:
– Será que malhar no calor emagrece mais?
Comi correndo, voltei correndo. O banho de nada adiantou.
– Só andou dali até aqui, e já suou!?
Disse o secretário, ao me ver toda molhada, estranhando a doutora, que só anda perfumada.
E assim segui o dia, suando em cima do processo.
Espero que isso não me cause um abscesso.

Texto e foto: Ana.

Judite e o Toco

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Coisas pitorescas ocorrem em todas as famílias… Mas nunca vi uma tão inclinada para essas coisas quanto a minha. Teve o episódio da morte do hamster que não morreu, teve a gafe do “noivo” que meu pai cometeu outro dia num casamento, teve a história dos pintos, teve meu avô que sumiu no meio do mar de Iriri… Ah… São tantas coisas que nem dá pra contar aqui sem escrever um livro, sem exageros.

É claro que ter um irmão veterinário, com vocação para cientista, ajuda muito para que tais acontecimentos esdrúxulos ocorram com mais freqüência. Afinal de contas, quem, além dele, é que teria disposição para passar as noites em claro fazendo experiências com o casal de hamsters (mamíferos de hábitos primariamente noturnos), até descobrir o ciclo reprodutor da fêmea, obviamente fazendo com que a mesma ficasse prenhe?

Pois agora o alvo de maior interesse de meu irmão, na faculdade, no trabalho, e pasmem, em casa, é a piscicultura. Não, meus amigos, não possuímos um tanque aqui em casa com golfinhos, arraias e tubarões, mas sim um pequenino aquário metodicamente cultivado por ele com espécies simples de peixinhos de água doce. Costumavam viver lá até dois camarõezinhos, batizados por minha mãe de Gilberto e Wellington (foto ao lado). No entanto, os mesmos foram devorados por um surubim maldito, denominado Marinho (adivinhem quem deu o nome?).

Outro dia fui entrando no carro e vi um morcego enroscado no banco do passageiro… Quase dei um grito! Encostei com a ponta da chave, e o “bicho” estava duro… Olhei mais de perto e… era um toco, de madeira mesmo, sem maldade gente, por favor. Descobri depois que meu irmão o tinha ganhado de presente de um amigo – veterinário também, óbvio – para ornamentação do aquário. Sendo assim, o dito cujo foi trazido para casa para fazer o “tratamento” do tronco, ou toco, como preferirem, para poder se juntar aos peixes e plantas aquáticas. Peraí… tratamento? Sim, meus amigos, tratamento que inclui: banho no cloro com água por 24 horas, fervuras e mais fervuras, trocas e mais trocas de água, até esta ficar limpa.

O que não sabíamos era que, após o “banho de cloro”, o tronco ficaria… BRANCO! Todos ficamos horrorizados com a feiúra do toco russo… Será que ele teria descorado? Eu heim!? Minha mãe quase morreu do coração, e foi muito aflita falar sobre isso com meu irmão. É que ela é a auxiliar de laboratório preferida dele, segue rigorosamente todas as instruções do cientista para as experiências feitas em casa.

– Calma mãe, se este toco não voltar a ser marrom, meu nome é JUDITE! Respondeu ele, com convicção.

Sendo assim, durante uma semana o “toco cru pegando fogo” de meu irmão “Judite” foi fervido por horas no enorme balde de alumínio, no fogão daqui de casa… E não é que o tal foi voltando à cor originária? Hoje já está pretim, pretim…

E o toco acabou sendo batizado de Judite, meu irmão continuou se chamando Ângelo, e continuou colocando nomes estranhos em seus bichinhos de estimação… A nova hamster, por exemplo, chama-se “Pristica”!

É… vai entender!?

Ana.

P.s.: Brincadeiras à parte, esta história de piscicultura é coisa séria… O laboratório da UFMG é um dos mais conceituados do Brasil nesta área, meu irmão já tem vários trabalhos publicados e apresentações em congressos pelo país inteiro! É… os surubins e abadejos que se cuidem!

Fotos por Ângelo – meu irmão

Um, Dois

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Feijão com arroz. Básico assim, final de semana sem maiores emoções…

Peraí! Eu disse “sem maiores emoções”? Se uma tia-avó com enxaquecas, familiares acidentados, irmãos desaparecidos e telefones celulares fora de área não representam nenhuma emoção para mim, só posso estar ficando louca mesmo!

Pois é, o final de semana não foi nada básico. Muitas emoções. Ruins, diga-se de passagem. Tudo bem que nem coloquei a cara pra fora da janela. Não, não foi o frio que se abateu por aqui somente, mas também as aflições que nos faziam correr no primeiro segundo de cada toque de cada telefonema, à espera de notícias: da tia-avó, dos familiares acidentados, do irmão n° 1 e ou do irmão n° 2. Nem o sambinha esperto no A Gosto de Deus, convite da Dô, me fez querer entrar na roda… E neste tempinho, nada com um cinema em casa!

E foram dois filmes legaizinhos:

Edukators

(Título original: Die Fetten Jahre sind vorbei)

Para mim a melhor surpresa deste filme foi me deparar com Daniel Brühl, o brilhante ator de Adeus Lênin (que se você ainda não viu, está perdendo tempo, pois simplesmente é um dos melhores filmes que já assisti na minha vida, sem exagero). Isto sem contar, é claro, com o desenrolar da história, que é sempre surpreendente, uma emoção atrás da outra, e o final então… (Bem, não posso contar aqui, né!) A trilha sonora também é um detalhe à parte, e a paisagem então… Aff! De tirar o fôlego! Só adianto que o filme é sobre uma dupla de rebeldes contemporâneos, que expressam sua indignação de forma pacífica: eles invadem mansões, trocam móveis e objetos de lugar e espalham mensagens de protesto. Interessou? Pois é, assista, vá na fé, que eu recomendo!

Cafundó

Aluguei este filme no escuro. Vi que era com o como personagem principal Lázaro Ramos e com a direção de Paulo Betti e aluguei. Nunca tinha ouvido falar, ninguém me disse nada, ao contrário do Edukators, que o mocinho da locadora de pronto me disse que era “muito, muito bom”. Então, o Cafundó é um filme assim… assim… Não sei explicar. É até interessante, a história é bem diferente, é adaptação de um livro, que conta a história de vida de Nhô João de Camargo. Preto Velho milagreiro, ele viveu no Brasil no final do Século XIX e início do Século XX em Sorocaba, interior do estado de São Paulo. Como a maioria dos filmes nacionais, achei um pouco lento, e a edição meio estranha, principalmente do princípio até quase a metade do filme, mas para quem curte a história do país deste período, e a cultura negra africana, é bem bacana. E ah! A fotografia é cuidadosa, mostrando lugares maravilhosos! Resumindo: recomendo só pra quem estiver a fim de assistir mesmo, se prender aos detalhes, e pessoas que gostam de tudo isso que falei.

(Só para as mulheres: o Lázaro aparece nu em algumas cenas… E que nu, viu!!!)

Ana.

Achados e Perdidos

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É impressionante a capacidade que muitas pessoas têm de perder seus pertences. Já tive um namorado que estava na 7ª via da Carteira de Identidade! Meu pai sempre esquece onde está sua agenda – sem ela, ele não vive – e minha mãe perde os óculos quase todos os dias – sem eles, ela não enxerga!

Eu não sou de perder muita coisa não, geralmente perco brincos, mais por não saber onde os guardei que por descuido mesmo. Já meus irmãos… Só não perdem as cabeças pois estão presas no pescoço! Um amigo meu perdeu as chaves do próprio carro. Ele chegou em casa na madrugada de sábado para domingo, jogou as chaves em qualquer lugar, e depois não saiu mais com seu automóvel. Quando chegou ontem… cadê as chaves? Procurou, procurou… e nada! Foi de chave reserva mesmo. Parou no posto de gasolina para abastecer e…

“Moço, me dá a chave do tanque?”
“Iiiiihhhhh!”
“Moço, o senhor roubou este carro agora? Vou ligar para a polícia!”
“Não, não, é que perdi as chaves mesmo. Deixa quieto, voltarei para casa.”

Certa vez meu irmão perdeu o hamster dele. Brincou com ele à noite e esqueceu a gaiolinha aberta. No dia seguinte o desespero foi geral, após muita procura e reza brava, achou o bichinho dentro de um sapato, no fundo do armário.

Engraçado que sempre quando acontece de perdermos algo aqui em casa, minha mãe adota a técnica da “reza para Vovó Rosinha”. Esta foi minha bisavó, uma típica sinhá mineira, que cuidava de tudo e de todos na fazenda em que viviam, em Santa Maria de Itabira. Se ela era boa para achar as coisas quando ainda era viva, eu não sei. Mas não é que sempre dá certo quando rezamos para ela nos ajudar a encontrar algo?

Nem me lembro mais quando foi que isso começou. Provavelmente minha mãe deve ter perdido algo muito importante que não encontrava de jeito nenhum. Em meio a tanto choro e desespero, começou a rezar para sua avó Rosinha. E aí… Pimba! O objeto perdido apareceu, como que por mágica! Desde então, esta técnica é repetida por todos aqui em casa, sempre com a promessa para a bisavó de mandarmos rezar uma missa em seu nome. O problema é que, do jeito que os favores estão acumulados, terão que ser dez missas, e não uma só!

Uma coisa que todo mundo é danado para perder (e achar) é canetas… Principalmente aquelas da marca BIC, já reparou? Elas somem sem a gente perceber, e aparecem sem que as tenhamos comprado… Já ouvi várias teorias a respeito:

Canetas BIC são extraterrestres que querem dominar o mundo:
(Comunidade “Canetas BIC dominarão o mundo)

Sim, as aparentemente inofensivas canetas BIC são extraterrestres e querem dominar o mundo!!! E eu tenho provas disso:
– São mais baratas e vendem mais;
– Nunca estão sem carga (isso é um fenômeno raro);
– Você nunca as compra, mas sempre têm uma em casa;
– Você é levado a colocá-la na boca, onde ela suga o seu DNA até que a tampa misteriosamente some;
– Elas estão adotando políticas mais subversivas de invasão: vêm de brinde nas caixas de cereais. Conheço um caso em que a pessoa comprou o “Nescau Cereal” e “ganhou” uma caneta BIC Gel COR DE SANGUE!
– Porque esse bonequinho esconde a caneta nas costas??? Vocês não acham suspeito???

Caneta BIC é um objeto de espionagem da NASA
(Comunidade: Caneta Bic é da NASA)

Quem já comprou uma BIC?
Ela sempre aparece na sua casa e some antes de acabar…
Essa comunidade foi feita para todos que acreditam que a caneta BIC foi feita pela NASA para espionar as pessoas, e assim que a NASA consegue as informações, a caneta desaparece…

Caneta BIC é sonda alienígena
(Comunidade: Canetas BIC – O Mistério)

– O furinho que tem apenas nas canetas BIC é uma câmera que transmite informações ao vivo e ainda grava…
– A tampa das canetas BIC tem números de identificação;
– As melhores canetas são BIC, e são as mais baratas… Estranho não?
– Por que todo mundo tem mania de mastigar a tampa e a tampinha de trás das canetas BIC? São coletores de saliva para pesquisas genéticas;
– A BIC some na escola por exemplo, e você a encontra em casa;
– A caneta sempre some antes de terminar a tinta… A carga seria o combustível?
– É a caneta que mais vende e até hoje eu só vi uma propaganda;
– O menino da BIC é cabeçudo como um E.T;
– As BIC são as únicas canetas (testei isso com uma Faber Castel e não deu certo) que grudam na parede.

Bom, por seguro, morreu de velho! Prefiro continuar rezando para que minha bisavó descanse em paz, e para que meu cérebro não seja sugado pela tampa de uma caneta BIC!

Ana.

Foto de foto, by Ana – Em pé, ao fundo, da esquerda para a direita: Bisavó Rosinha, minha mãe, Tia Ziláh. Damas de honra: Graci (esq) e Natália (dir).

Você tem medo de quê?

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Segundo o nosso bom e velho “pai-dos-burros” (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa), medo pode ser definido como “Sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário, de uma ameaça; susto pavor, temor, terror. Receio.”
Conheço gente com tudo quanto é tipo de medo: escada rolante, imagem de santo, prova de matemática, altura, gato preto, água fria, assombração, até da própria sombra!

Certa vez, uma amiga minha recusou-se de subir até o 19º andar dentro da claustrofóbica caixinha metálica (palavras da própria, mas podem chamar de elevador) do prédio da Av. Afonso Pena nº 1500, para assistir minha apresentação de Ballet no Teatro Casanova… Subiu os 19 andares de escada! E haja fôlego, pernas, paciência para chegar 1 hora antes do espetáculo, e vontade de me ver dançando, não é mesmo? Isso é que é amiga!

Mas agora falando sério, qual mal pode te acontecer dentro de um elevador? Tirando a estranha sensação de claustrofobia que emerge dentro de nós em ambientes pequenos e fechados, o que mais de tão horrível poderia ocorrer? Se ele travar, morrer sem ar você não vai, pois até que o oxigênio acabe, alguém já terá percebido que o elevador está parado em algum andar, e já terão sentido a sua falta também – ou ainda, terão ouvido seus berros. Despencar ele não vai – pelo menos é muito pouco provável, tendo em vista os fortíssimos cabos de aço e mecanismos de segurança que tais equipamentos são dotados… Então, qual é o problema?

O mesmo ocorre com o infundado medo do escuro… Por que toda criança morre de medo da ausência de luz? Afinal de contas, dentro do útero de nossas mães não existia eletricidade, e nos virávamos muito bem sem ela. Todo mundo já sabe que não existe “Bicho Papão”, e mesmo se existisse, ele não iria aparecer assim, do nada, só porque está escuro… Aliás, é uma maldade dos pais para com os filhos ficar incutindo essas idéias de monstruosidades que, teoricamente, povoam o breu.

Como boa pedestre, sei me virar muito bem caminhando pelas ruas desta cidade de trânsito caótico e má educação da quase maioria absoluta dos motoristas. Só atravesso na faixa, sou prudente, etc, mas choro de rir de algumas amigas que, por incrível que pareça, têm medo de… ATRAVESSAR A RUA! Elas me acham louca e inconseqüente, mas será que elas não exageram demais? Claro que a gente não pode confiar nos rodas-duras que andam soltos e armados com seus automóveis por aí, mas também não precisa exagerar e só atravessar a rua quando há ausência de carros! (Mesmo porque, do jeito que as coisas andam, isso é praticamente impossível de acontecer, para quem mora e ou trabalha na região mais central da cidade, ou em ruas e avenidas de trânsito intenso.)

Medo de seqüestro, violência, terrorismo, medo da fome, da miséria, medo de assalto e armas de fogo, isso sim, infelizmente, são medos plenamente plausíveis na nossa vida atual. (Medo de bala perdida nem adianta ter. Se uma dessas vos achou, meu amigo, é porque infelizmente era sua hora mesmo de ir para o beleléu.)

O pior de tudo é sentir medo dos próprios sentimentos, ter medo de assumir seus erros e agüentar as conseqüências, sentir medo de tomar a dianteira das coisas e tomar suas próprias atitudes de acordo com suas próprias convicções, medo de ser rejeitada e, por isso, não agir, medo de se apaixonar, de se envolver. Estes medos internos, psicológicos e infundados (quase sempre), muitas vezes nos impedem de viver experiências maravilhosas, conhecer pessoas interessantes, fazer novos amigos, arranjar um bom emprego, montar seu próprio negócio, etc.

Enfim, o medo de viver é o que nos paralisa… Penso que não deveria ser assim, afinal, a única certeza que podemos ter nessa vida é a morte, e essa não adianta temer, é implacável, muitas vezes injusta, noutras, tardia, mas não falha não.

A vida é uma só, não pode ser passada a limpo.

Texto e foto por: Ana.

"Intervalo"

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Em meio a res pra lá e res pra cá, da Anita Garibadi, estive pensando… pensando… que… diante do “ciclo da vida”, o que faz a diferença são, justamente, os intervalos desse processo a que a maioria de nós estamos submetidos. Quer saber como? Então aprenda com a Dodozitcha aqui, que tem como fiéis companheiras nos intervalos do ciclo da vida, a própria Anita e agora a a mais nova integrante da terapia de grupo – Nos Embalos do Fim de Semana… É com muito prazer que vos apresento, meus caros Leitores:
Belzictha, Raquel, Izabel, mais conhecida como Bel. Seja bem vinda Bel!!! Adoramos você!
Como já dizia… alguém: “É melhor não fazer nada na rua do que, em casa.” Tento seguir esse ditado sempre. Na última sexta, eu e minha irmãzinha (que de “inha” não tem nada”) estávamos na condição de desocupadas em casa durante a tarde, e resolvemos fazer uma caminhada na Praça da Liberdade, um dos cartões postais de BH. Quando chegamos lá, a preguiça de dar 10 voltas na praça perdeu a vez para um sundae de morango gigante no “XODÓ” (restaurante em frente à mesma). Sentamos, com direito a solzinho e tudo refletindo em nossa mesa, conversamos, tomamos o nosso sorvete e voltamos para cumprir o nosso objetivo inicial = CAMINHAR.
Ao atravessar a rua, nos deparamos com um banquinho perfeito que nos seduzia, chamava, manipulava, nem precisava tanto já fomos logo sentando e cochilando. Passados 20 minutos, nos aparece um Deus grego maravilhoso… brincadeirinha, era um homem, daqueles tipo “normal”, nos comunicando sobre uma peça teatral que iria começar em 10 minutos no centro da praça (coreto), “O Homem da vaca e o poder da fortuna”, obra de Ariano Suassuna, interpretada pelo Grupo Vozes (espetacular), foi tudo ótimo, dia perfeito, roupa confortável, sorvete maravilhoso, banco magnífico, peça teatral perfeita e a preguiça mais gostosa do mundo… Pra melhorar, um cachorro quente gigante no final… aiaiai.. Isso é que é vida, ô mané! E ficou mais feliz ainda com a chegada da noite, onde eu e Anita tivemos a excelente idéia de ir ao samba… Sem comentários, né Anita cabeção!?
No sábado não poderia ser tão diferente a harmonia do “trio maravilha”, Belzinha que o diga, não é amiga?! Pra começar, eu e Anita fomos almoçar juntas, enquanto a Bel só dormia. Ah, estou esquecendo-me de um detalhe importantíssimo, tive que dar uma forcinha psicológia à Garibaldi “top secret”… Ok, depois disso caímos de boca em zilhões de massas maravilhosas, com uma pitadinha de exagero (que é a minha marca), resolvemos assistir ao filme, “Little Miss Sunshine”… Muito fofo…
Depois do filminho bateu uma “deprê básica”, que não durou nem 30 minutinhos e já estavamos prontas para “Os embalos de sábado a noite”, liderado pelo “Trio Maravilha” e prontíssimas para o “res” Intervalo… Pulamos essa parte, não é meninas!?
Programinha light de domingo… Caminhada ecológica, rs, no Parque das Mangabeiras e um último encontro para um lanche com boas conversas, bom humor, risadas infinitas com excelentes amigas….
Isso é que é aproveitar o res intervalo que, graças a Deus, existe!
IMPORTANTE: Praticar sempre! Terapia recomendada pela especialista de intervalos:
Dra. Donária Heleno. Ha, Bjos para todos meus pacientes!!!
Dod’s (para não perder o costume).
Foto: Ana.

Boi no Pasto

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Boi no Pasto

Poderia ser uma sexta-feira como outra qualquer. Mais uma semana de boi no pasto se passou, gado que trabalha como um burro de carga, estuda, come, dorme, conversa, sofre, chora, ri, escuta música…

Resolvemos cabular a já tradicional “Sexta Feliz” instituída pelos demais colegas de trabalho – uma simples reunião em um boteco qualquer na região do escritório, de preferência com comida boa, cerveja gelada, e que aceite um bando de “sem-noção”, com violão em punho, cantando desafinadamente e ou jogando truco. Mas desta vez o tal encontro seria num restaurante com rodízio de pizzas próximo: lugar chique em que a cerveja e o chope são caros, e, ainda por cima, não aceita cantores ou violonistas não virtuosos como nós.

Não, não, odeio rodízio de pizzas! Você nunca consegue comer a pizza que quer, e as que são servidas, em sua maioria, chegam a sua mesa já meio frias, remexidas. Para mim não há nada melhor que escolher no menu o sabor de minha preferência e aguardar, salivando, que ele chegue fumegando até a mesa. Não há nada melhor que ver o garçon partir a primeira fatia na sua frente, e poder ver o queijo derretido se espalhando nos outros pedaços, o aroma da iguaria italiana recém assada que tanto fez sucesso no Brasil, a liga de mussarela que não se solta quando a sua fatia é levantada e levada ao seu prato…

Por isso recusamos o convite. Preferimos ir, sozinhas, a outro boteco, especialista em picanha na brasa, mora? É o boi que estava no pasto e vai da churrasqueira direto para o seu prato, 400g de carne macia e bem passada – porque mulher não gosta de boi berrando – servida com farofa, vinagrete, e mandioca cozida na manteiga de garrafa. E uma Bohemia descendo gelada goela abaixo, porque ninguém é de ferro! Sem os coleguinhas de trabalho por perto, é possível falar dessas bobagens de mulher, extravasar as emoções, tão machucadas nesta sexta-feira em específico: resquícios de lembranças trazidas por uma notícia de falecimento, entre outras chateações do cotidiano que povoam as mentes femininas. Alguém aí arrisca um chute?

Falamos como pobres na chuva! E comida no papinho, pé no caminho, que o sábado nos aguarda, e já são mais de 20h, quase 14 horas fora de casa. É osso!
– Tchau amiga, nos vemos amanhã no churrasco!

Caminhei rapidamente para pegar o sinal verde de pedestres da Afonso Pena. Neste horário não há mais trânsito, e os carros sobem e descem a avenida como flechas. 60? 70? 100 km/h!? Ufa, cheguei viva do outro lado. Corri até o ponto de táxi. Um carro apenas aguardava desligado, com os faróis apagados, sem o motorista dentro. Na rua contígua, em outro ponto de táxi, alguém me grita:
– Cê quer um táxi, moça? Este aí foi ao banheiro e não voltou. Se quiser eu posso te levar.

Fui até lá, meio desconfiada, como boa mineira que sou, mas entrei no carro assim mesmo. A vontade de chegar em casa era maior que ficar na rua. Mais uma vez o motorista me explica que seu colega o havia pedido para vigiar o carro enquanto fazia suas necessidades fisiológicas.
– Un-hum, sei, sem problemas, moço. Toca pra Rua Gonçalves Dias, vamos para o Bairro Tal.

Já próximos à Avenida Álvares Cabral, muitos quarteirões após nossa partida, o silêncio havia se instalado no carro. Resolvi puxar papo, sobre o tempo, claro. Antes de abrir a boca, o motorista, que também pigarreava de 05 em 05 segundos, pareceu ler meus pensamentos, e comentou em primeira mão:
– Este tempo seco é uma merda! Estou com esta tossezinha chata, menina, a garganta arranhando, não é de hoje, e não consigo melhorar!

Concordei com ele, pois também era vítima das intempéries há mais de um mês. Perguntei se ele trabalhava só à noite. Sabia que não, pela aparência cansada de sua fronte, olheiras profundas e a cara de quem já quer ir pra casa. Ele me confirmou as suspeitas, claro, e emendou:
– Pois é, mais de 12 anos na praça, não é fácil não. Antigamente eu conseguia rodar até de madrugada, quase todos os dias, mas hoje em dia não faço mais isso não. Saio cedo de casa, e só retorno por volta desta hora, mais ou menos. Sábado também. Domingo, que é o dia de folga, também rodo, para aproveitar que é o dia em que não pago diária.

Indaguei o que ele tinha feito antes de se tornar motorista de táxi. (Taxistas adoram contar de suas vidas pregressas, principalmente para platéias atentas e interessadas.)
– Já mexi com comércio, e depois fui ser fotógrafo, durante muitos anos. Mas hoje eu nem sei mais o que é fotografar…

A partir daí a conversa fluiu. Notei um certo pesar em sua voz ao contar da vida de fotógrafo. Mirei o volante e entendi tudo, quando vi sua mão direita parcialmente mutilada. Pensei comigo mesma que isso não o impediria de manejar uma máquina, mas deveria dificultar bem. Pensei em perguntar se tinha sofrido algum acidente, mas me contive, deve ser doloroso falar com uma estranha. Chegamos ao meu destino.
– 12 reais, moça.

Paguei-lhe de bom grado, desejei boa sorte, e ele respondeu o mesmo, com alegria, como que me agradecendo pelo papo.

E a semana acabou. Hoje já é sexta-feira, e outra segunda-feira já está chegando, o pasto nos aguarda, tudo de novo.

Vocês que fazem parte dessa massa
que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
e dar muito mais do que receber
E ter que demonstrar sua coragem
à margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
já sente a ferrugem lhe comer

Ê, ô ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz

(Admirável Gado Novo – Zé Ramalho)

***

Texto: Ana.

P.s. 1: Texto inspirado nas “Taxitramas” do Mauro Castro.
P.s. 2: A foto é a capa do disco “Atom Heart Mother” do Pink Floyd, de 1970.

Se eu fosse…

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Se eu fosse uma planta, não seria espinhosa como uma rosa nem espaçosa como uma samambaia. Acho que eu seria um girassol, com raízes fortes plantadas na terra, cabeça erguida, olhando para o sol.

Se eu fosse um animal, não seria cruel como um tubarão nem fria como uma cobra. Acho que seria afável e confiante como gatinho dormindo num canto do sofá.
Se eu fosse uma cidade, não poderia ser cosmopolita como Londres nem luminosa como Paris. Acho que seria tranqüila e calorosa como Belo Horizonte.

Se eu fosse um dia da semana, não poderia ser tão promissora quanto uma sexta-feira, mas também não tão entediante quanto um domingo… Acho que eu acabaria sendo banal como uma quarta-feira.
Se eu fosse uma música, não seria tradicional como o hino nacional nem tão cacofônica como um funk carioca. Talvez eu seria uma ária de Ópera, de preferência saída de La Traviata.

Se eu fosse uma estação, não seria alegre e esverdeada como a primavera nem tão gelada quanto um inverno rigoroso. Acho que eu seria um outono dourado, com muitos aromas pairando pelo ar.

Agora, se eu fosse um feriado, com certeza escolheria uma sexta-feira no calendário, porque feriado em quinta feira é uma chatice, principalmente quando a maioria emenda e uns poucos ficam mofando em seus escritórios!

Bom feriado para todos, menos pra mim, que sobrei aqui…

Beijos,
Bela.