Achados e Perdidos

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É impressionante a capacidade que muitas pessoas têm de perder seus pertences. Já tive um namorado que estava na 7ª via da Carteira de Identidade! Meu pai sempre esquece onde está sua agenda – sem ela, ele não vive – e minha mãe perde os óculos quase todos os dias – sem eles, ela não enxerga!

Eu não sou de perder muita coisa não, geralmente perco brincos, mais por não saber onde os guardei que por descuido mesmo. Já meus irmãos… Só não perdem as cabeças pois estão presas no pescoço! Um amigo meu perdeu as chaves do próprio carro. Ele chegou em casa na madrugada de sábado para domingo, jogou as chaves em qualquer lugar, e depois não saiu mais com seu automóvel. Quando chegou ontem… cadê as chaves? Procurou, procurou… e nada! Foi de chave reserva mesmo. Parou no posto de gasolina para abastecer e…

“Moço, me dá a chave do tanque?”
“Iiiiihhhhh!”
“Moço, o senhor roubou este carro agora? Vou ligar para a polícia!”
“Não, não, é que perdi as chaves mesmo. Deixa quieto, voltarei para casa.”

Certa vez meu irmão perdeu o hamster dele. Brincou com ele à noite e esqueceu a gaiolinha aberta. No dia seguinte o desespero foi geral, após muita procura e reza brava, achou o bichinho dentro de um sapato, no fundo do armário.

Engraçado que sempre quando acontece de perdermos algo aqui em casa, minha mãe adota a técnica da “reza para Vovó Rosinha”. Esta foi minha bisavó, uma típica sinhá mineira, que cuidava de tudo e de todos na fazenda em que viviam, em Santa Maria de Itabira. Se ela era boa para achar as coisas quando ainda era viva, eu não sei. Mas não é que sempre dá certo quando rezamos para ela nos ajudar a encontrar algo?

Nem me lembro mais quando foi que isso começou. Provavelmente minha mãe deve ter perdido algo muito importante que não encontrava de jeito nenhum. Em meio a tanto choro e desespero, começou a rezar para sua avó Rosinha. E aí… Pimba! O objeto perdido apareceu, como que por mágica! Desde então, esta técnica é repetida por todos aqui em casa, sempre com a promessa para a bisavó de mandarmos rezar uma missa em seu nome. O problema é que, do jeito que os favores estão acumulados, terão que ser dez missas, e não uma só!

Uma coisa que todo mundo é danado para perder (e achar) é canetas… Principalmente aquelas da marca BIC, já reparou? Elas somem sem a gente perceber, e aparecem sem que as tenhamos comprado… Já ouvi várias teorias a respeito:

Canetas BIC são extraterrestres que querem dominar o mundo:
(Comunidade “Canetas BIC dominarão o mundo)

Sim, as aparentemente inofensivas canetas BIC são extraterrestres e querem dominar o mundo!!! E eu tenho provas disso:
– São mais baratas e vendem mais;
– Nunca estão sem carga (isso é um fenômeno raro);
– Você nunca as compra, mas sempre têm uma em casa;
– Você é levado a colocá-la na boca, onde ela suga o seu DNA até que a tampa misteriosamente some;
– Elas estão adotando políticas mais subversivas de invasão: vêm de brinde nas caixas de cereais. Conheço um caso em que a pessoa comprou o “Nescau Cereal” e “ganhou” uma caneta BIC Gel COR DE SANGUE!
– Porque esse bonequinho esconde a caneta nas costas??? Vocês não acham suspeito???

Caneta BIC é um objeto de espionagem da NASA
(Comunidade: Caneta Bic é da NASA)

Quem já comprou uma BIC?
Ela sempre aparece na sua casa e some antes de acabar…
Essa comunidade foi feita para todos que acreditam que a caneta BIC foi feita pela NASA para espionar as pessoas, e assim que a NASA consegue as informações, a caneta desaparece…

Caneta BIC é sonda alienígena
(Comunidade: Canetas BIC – O Mistério)

– O furinho que tem apenas nas canetas BIC é uma câmera que transmite informações ao vivo e ainda grava…
– A tampa das canetas BIC tem números de identificação;
– As melhores canetas são BIC, e são as mais baratas… Estranho não?
– Por que todo mundo tem mania de mastigar a tampa e a tampinha de trás das canetas BIC? São coletores de saliva para pesquisas genéticas;
– A BIC some na escola por exemplo, e você a encontra em casa;
– A caneta sempre some antes de terminar a tinta… A carga seria o combustível?
– É a caneta que mais vende e até hoje eu só vi uma propaganda;
– O menino da BIC é cabeçudo como um E.T;
– As BIC são as únicas canetas (testei isso com uma Faber Castel e não deu certo) que grudam na parede.

Bom, por seguro, morreu de velho! Prefiro continuar rezando para que minha bisavó descanse em paz, e para que meu cérebro não seja sugado pela tampa de uma caneta BIC!

Ana.

Foto de foto, by Ana – Em pé, ao fundo, da esquerda para a direita: Bisavó Rosinha, minha mãe, Tia Ziláh. Damas de honra: Graci (esq) e Natália (dir).
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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

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