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SER MÃE

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(Foto by Ana.)


É enxergar com o coração
É música, é dança, é bonança

Ser mãe é não ter sono, nem cansaço
Plantar, adubar e colher

Ser mãe é cantar a felicidade
É ser poeta e também profeta

Ser mãe é falar o necessário
É calar, é olhar, é entender

Ser mãe é abraçar,
É acarinhar, é ninar
É ter a sabedoria dos deuses
A paciência do tempo
É não ter contratempo

Ser mãe é ser anjo
É loucura, é aventura permanente

Ser mãe é viver cercada de amor
É o início, é o meio e jamais o fim.

Ser mãe é ser assim…
(- Autor desconhecido -)

Não poderíamos deixar passar em branco essa data tão especial…
Sem nossas mães não estariamos aqui…

Um beijo no coração de cada mãe,

Mineiras uai!

Lú, Ana, Do e Bela.

Quando o gato sai…

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… Os ratos fazem a festa, certo? ERRADO! Os relatos abaixo comprovam que, para toda lei, Murphy tem uma exceção!
Pois então, ontem veio pelo correio eletrônico um anúncio de que no dia de hoje ficaríamos sem luz, das 10:30h às 12:30h, aproximadamente. Sem contar que, normalmente, às sextas-feiras nosso chefe só trabalha na parte da tarde… Combinei, então, com minha colega de trabalho (e mais nova “amiga de infância”) que sairíamos para “almoçar” às 11h (aproveitando do fato de que a catraca eletrônica que marca o ponto não estaria funcionando), e faríamos diversos passeios na rua, até 14h – horário limite para passar o cartão no retorno do “almoço”.
Explicarei melhor: a alguns quarteirões do trabalho, além de diversos restaurantes bons, e vários salões de beleza, há também, adivinhem… tchan-tchan-tchan-tchan… (Pensem comigo: ‘mulher’ rima com o quê?)… uma FEIRINHA!!! E bem na sexta-feira ocorre a melhor da região: a Feira de Flores (que também vende um tiquim de artesanato)! Então o plano era o seguinte: sorrateiramente, nos esgueiraríamos para fora do edifício de labuta e iríamos primeiramente ao banco, para sacar a bufunfa que gastaríamos. De lá, é claro, direto para o salão fazer as unhas – já que final de semana é dia de estar com as mãos e pés mais caprichados…

Após, iríamos a um restaurante self-service lá perto da feirinha – o melhor e mais caro, para os nossos padrões da região. (Nham… nham…. Só de pensar nas maravilhosas comidinhas e mais de 20 tipos de sobremesas de lá, ficamos com água na boca!) Após a ‘orgia gastronômica’, feirinha de artesanato, comprar umas bijoux – brincos colares – e de quebra, dar uma olhadela nas roupas das artesãs, que lá expõem o trabalho. Por fim, subiríamos a avenida para olhar as flores, planejávamos comprar alguns vasos bonitos, quem sabe de orquídeas, para enfeitar nosso habitat trabalhador, em comemoração à nova sala e novos móveis adquiridos em virtude da mudança ocorrida no fim-de-semana.

Eu ainda pretendia passar em outro banco, depositar os dinheirinhos remanescentes na “caderneta de poupança”, pois apesar de mulher e consumista (pleonasmo dos grandes!), tenho o bom hábito de fazer minhas reservas financeiras para planos, viagens, e eventuais emergências futuras. Sendo assim, fomos levadas a crer que 3 horas seriam mais que suficientes para satisfazer nossos desejos capitalistas e necessidades fisiológicas…

Eis que o dia de hoje chegou, amanheceu com o céu azul e o sol forte, e com as promessas de um dia divertido no trabalho e fora dele… Mas tudo não passava de ilusão… A começar pelo clima, que apesar do dia claro, os termômetros marcavam a temperatura ambiente de 16ºC, com sensação térmica de 13ºC… E Murphy mais uma vez resolveu emplacar sua lei.

Para começar, logo hoje o chefe veio trabalhar de manhã. Até aí, um problema contornável, pois ele logo avisou que não voltaria mais após o almoço. De fato, ficamos sem energia elétrica, embora a falta de luz tenha durado apenas uns 20 minutos, das 10:40 às 11h. Adeus salão de beleza… Adeus “almoço” das 11h às 14h…

Saímos para almoçar no horário habitual, às 12:45h, e só de teimosia comemos rapidamente num restaurante natureba lá longe, ao lado da feirinha. Como boas trabalhadoras (ou seja, pobres), não compramos nada de artesanato e bijuterias, e na Feira de Flores nos contentamos com dois vasos bem mais em conta que as cobiçadas Phalaenopsis: crisântemos cor-de-rosa para a nossa sala, e amarelos para a sala do chefe (porque um pouco de puxa-saquismo não faz mal a ninguém…).

Na correria da volta, quase perdemos o horário de entrada no trabalho, 14:00:43 foi o que marcava o relógio quando passei o meu crachá!

Ana.

Simplesmente… BELA!

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Desde o dia 13 de março de 2006, o “Mineiras, Uai!” inovou em sua formação original, apresentando à world wide web sua mais recente integrante no nosso mundinho bloguístico…

Como não poderia ser diferente, com sua inteligência, delicadeza e elegância ela vem trazendo ao blog novas idéias, novos textos, novos conhecimentos… Tudo com sua irreverência e sabedoria características!

E hoje, caros leitores, 08 de maio de 2007, festejamos mais um ano de vida desta pessoinha linda que, desde o princípio dos tempos deste site (nos idos de agosto de 2004), tem sido uma presença constante, uma mão amiga, um comentário certeiro e inteligente, e agora, há pouco mais de 01 ano, um membro imprescindível e querido neste espaço cibernético que vocês acompanham…

FELIZ ANIVERSÁRIO, BELA!!!

VOCÊ É MUITO IMPORTANTE PARA NÓS!!!


Bela

Gestos delicados em mãos de menina
Moça tatuada, com olhar certeiro
Suas palavras não mentem, jamais.
Escreve sua alma como quem diz um verso.
Canta e encanta, moça, menina…
És bela,
Izabela!

(Poema por Ana.)


Beijos,

Ana, Dô, Lú.

Tem coisa que só acontece em boteco…

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Todo ano é a mesma coisa. Mal são anunciados os bares participantes do “Comida di Buteco”, e haja paciência para andar pelas ruas adjacentes aos mesmos, encontrar vaga para estacionar em lugar seguro, esperar mais de hora na fila pela mesa, e por aí vai… Mas como todo dia é dia de cerveja na “capital mundial dos botecos”, não custa nada encarar tudo com muita descontração e sem stress, e de preferência com uma gelada descendo goela abaixo.

Of course, my horse, tem gente que vai pra boteco só para arrumar confusão. Briga com o flanelinha, briga com o garçon, briga com quem está ao lado esperando mesa, briga com o cara que controla a lista de espera… Enfim, pessoas de mal com a vida assim deveriam ser proibidas de freqüentar botecos. Ou restaurantes. Ou locais públicos. Isso, nem deveriam sair de casa. Melhor, nem deveriam nascer!!!

Mas acontece muita coisa interessante em botecos… Já reparou como é fácil fazer amizade nestes locais? Basta você olhar pra pessoa, comentar da temperatura polar da cerveja e pronto: viraram amigos de infância! Tem gente que até vai sozinha ao bar só pra isso, conversar com estranhos, bater um papo cabeça, e, quem sabe, iniciar uma amizade!

Nos barzinhos do Mercado Central daqui de Beagá isso é uma constante. Você conhece gente de tudo quanto é lugar, tudo quanto é jeito e classe social. Desde um pedreiro a um empresário de sucesso, uma executiva de multinacional, uma prostituta internacional… Lá todo mundo é igual, todos estão ali para se divertir, bicar uma branquinha (tomar cachaça), beber uma loirinha esperta (cerveja estupidamente gelada) e, claro, comer uma carnezinha na chapa acebolada com um jilozinho refogado (ou “afogado”, como diz o povo “da roça”). Qual a carne? Você escolhe: fígado, contra-filé, pernil… Hummmm, deu água na boca! O mais interessante é que os botecos do Mercado equivalem a um corredor de 3x6m, são dois em cada “corredor”, posicionados um em frente ao outro, sem mesas nem cadeiras, e, obviamente, fica todo mundo de pé. Não tem garçons tradicionais também, é claro, pois não caberia no diminuto espaço, disputado entre os beberrões e comilões de plantão! Os cozinheiros ficam na parte de dentro dos balcões, disputando no grito o cliente, como que numa guerra para ver quem é o mais simpático e ganha primeiro a empatia do transeunte que foi ao mercado inocentemente comprar rolhas, pano de prato, ração para hamster ou um peixinho fresco.

Outro dia fui num bar participante do “Comida de Buteco” deste ano, coisas engraçadas aconteceram, a começar pelo local: trata-se do quintal de uma casa de família, que depois vim a descobrir, pertencente a um ex-colega de colégio. Para entrar no boteco, você passa pela garagem da casa (com os carros da família lá dentro), atravessa a área de serviço, desse uma escadinha e chega até o quintal. Acesso para portadores de necessidades especiais? Pode esquecer… No entanto, o local é super aconchegante, é rústico, mas também muito aprazível, fresquinho, com uns espaços cobertos e outros não, tem televisão para ver os jogos do Galo (time do coração dos donos do estabelecimento), mesas redondas feitas com rodas de carro de boi antigas, algumas cadeiras são antigas, e outras, tocos improvisados (pedaços de tronco de árvore), e ainda muitas, muitas plantas espalhadas em todos os cantos, como todo quintal que se preze há de ter.

O nome do lugar também é bem sugestivo: “Pimenta com Cachaça”, iguaria também servida no estabelecimento por apenas R$ 2,00, àqueles apreciadores da tal misturinha… Já o delicioso tira-gosto concorrente tem um nome que é outro caso à parte: “Petisqueijo de filé ao molho PCC”. Antes que me perguntem, não sei o porquê de o delicioso molho de mostarda servido numa cumbuca de tomate maçã ter o nome de PCC. Mas hei de descobrir um dia…

Chegando lá, apenas 4 mesas na frente na lista de espera. ‘Bora aguardar um tiquim? Lógico, não deve demorar tanto assim…

– Está lotadaço! (Disse o “hostess”, com um walkie-talkie modernoso na mão.)
– Mas a comida deste boteco é boa, moço?
– Ô, se é!
– Esperaremos então. (Minha fome não permitiria outra fila de espera, em outro boteco em qualquer outro lugar.)

E dito e feito. Mesa para duas, nosso nome foi posto na listagem. Ficamos 2 horas esperando120 minutos de estômago roncando. E haja papo! Acabamos fazendo amizade com um rapaz (que aguardava seu amigo chegar) e com um casal (um japonês paulista e sua mulher – mineira, lógico!), que também aguardavam sua vez. Na hora em que fomos chamadas, anunciaram uma mesa para 7 pessoas…

– ‘Bora lá, entrar todo mundo junto? (Eu e minha educação…)
– Vocês não se importam? Queremos muito entrar… (Responderam em coro, com excitação.)
– Que nada, a mesa cabe mais gente mesmo! (Sem contar que já estávamos sem assunto, se é que é possível que duas mulheres cheguem a este patamar…)

E lá fomos nós. A mesa acomodou muito bem todos os 6, e o papo foi divertido, rimos até. Principalmente do amigo do rapaz, que já chegou lá “mamado”, depois de todo mundo, com uma long-neck na mão, contando “piadinhas de japonês” (de gosto duvidoso, claro) para o casal, e derramando tudo que estava em cima da mesa… Puxou um espetinho de nosso tira-gosto, o xuxou no molho PCC e ficou lá rodando o palito, uns 5 minutos… Quase perdi a respiração de tanto rir.

Bêbado é foda, não dá uma dentro. Bem que o coitado tentou, mas depois de 4 a 0, parei de contar os foras que ele levava e provocava…

Placar final: Galo 2 x 0 Avaí, pela Copa do Brasil, menos 10 reais na minha carteira, e abdominais feitos de tanto dar risada!

Ana.

Comida di Buteco – 8ª Edição

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Desde o dia 09 de abril, foi aberta a temporada de caça aos butecos na capital de Minas… Sim, o famoso campeonato de “tira-gostos” se iniciou e já está botando pra quebrar, agitando ainda mais a vida noturna de nossa BH.

Desta vez são 41 bares participantes, em 31 dias de botecagem, o atendimento sempre carinhoso, a cerveja sempre gelada, arte nos banheiros, música ao vivo, saborosos “tira-gostos”, e, claro, 4 dias de festa da “Saidera”, de 17 a 20 de maio, onde são revelados os vencedores deste ano…

Sim, o público vota na qualidade do petisco, na higiene do local e na temperatura da cerveja, e sua nota tem um peso de 70%, enquanto que as dos jurados contratados pelo festival, 30%.

Tudo isto porque tem coisas que só acontecem em butecos… Do cliente desconfiado à turma que ri alto e canta… Do bêbado que aluga o garçon às amizades que surgem do nada… Do encontro entre o prazer de beber e se socializar ao encanto do tira-gosto saboroso e do bom atendimento.

Para mais informações, acesse o http://www.comidadibuteco.com.br/site/principal.php.

Ana.

Música para os olhos

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O que dizer sobre esse cara? Posso parecer desrespeitosa, mas este aí ao lado, o Cartola, (vulgo “Angenor de Oliveira”), sempre foi tão presente em minha vida, enquanto estudante de piano, amante de música brasileira e filha de pai músico (blogueiro / psiquiatra / psicanalista / filósofo nas horas vagas), que quando o escuto sinto como que se ele sempre esteve aqui ao lado, naturalmente desfiando seu violão, com aquelas mãos de pedreiro e a destreza de uma fada!

As músicas, sempre melodiosas, trazem letras ricas, elaboradas, em um bom Português… Mas Cartola não era semi-analfabeto? Sim, dentre outras coisas também, que fizeram de sua vida um filme pronto para ser filmado, entrecortado de dramas, sucessos, tragédias, doenças, álcool e lirismo…

Para se ter uma idéia, sua primeira esposa ele conheceu num prostíbulo, quando ele tinha só 17 anos de idade. Além disso, ela era casada, e bem mais velha que ele. E só após muitos anos de ter ficado viúvo foi que Cartola reencontrou D. Zica, também viúva, sua amiga e namoradinha de infância. Daí vieram muitos filhos adotivos, o famoso bar Zicartola, por onde tocaram e cantaram tantos grandes nomes do samba e da MPB… Entre eles o Paulo Cesar. Quem? Paulinho da Viola!

“Ouça-me bem amor, preste atenção, o mundo é moinho, vai triturar seus sonhos tão mesquinhos, vai reduzir as ilusões ao pó…”

O filme “Cartola“, que tive o prazer de assistir nesta segunda-feira última, em companhia de ninguém mais, ninguém menos, que a nossa querida Dôdô, é um documentário que mistura ficção (pois ele é interpretado, quando criança, pelo ator Marcos Paulo Simião – que diga-se de passagem, ficou IDÊNTICO ao Angenor menino, pelas fotos antigas que são mostradas na película) e realidade, contando toda sua história de vida, desde o início, sua descoberta, seu sumiço, o retorno, a gravação do primeiro disco – quando ele já tinha 66 anos – etc, etc.

“Queixo-me às rosas, mas que bobagem, as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam, o perfume que roubam de ti… Ah!”

Além da própria história de vida do mestre, é contada também um pouco da história do Rio de Janeiro, todas aquelas paisagens que nós, mineiros apaixonados pelo Rio, conhecemos hoje em dia, são mostradas no filme nos anos 30, 40… A história do samba, a criação das primeiras escolas-de-samba, os primeiros desfiles, os sambas-enredo, as rodas-de-samba genuínas… Tudo isto, para quem é um amante de música, e, lógico, do samba, é de se maravilhar, é de deixar a gente num verdadeiro “estado de graça”, vontade de flutuar e sair dançando e cantando pela rua afora, na chuva! (Né, Dô? rsrs)

Enfim, Cartola é música para os olhos… Você sai da sala de projeção com a alma elevada… Todos cantam juntos suas músicas dentro do cinema, não tem como não se emocionar e querer bater palmas ao fim…

“A sorrir eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida!”

Bom, esta foi a minha dica cultural… Para quem curte cinema, documentários e samba, vale à pena assistir! Em BH, “Cartola” está em cartaz apenas no Cine Belas Artes, na Rua Gonçalves Dias, próximo à Praça da Liberdade.

Beijos,

Ana.

O Espantalho

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Som na caixa:

Remexendo em meus guardados e velharias, encontrei muitas coisas… Agendas cheias de adesivos e confissões de adolescente (só besteira, sem comentários), desenhos, (semi) projetos de quartos e casas nunca construídos, fotos do Mikhail Barishnikov, autógrafos dos Titãs e da Ana Botafogo, telefones de todos os colegas do colégio, da faculdade, do ballet, do inglês, professores de piano, galera do volley, do handball e do time de futebol feminino…
Cartas, muitas cartas… de amigos que moraram fora do país; de amigos só de carta mesmo (que nunca vi na vida), de ex-namorados, de admiradores (hã-hã); cartões de aniversário, de despedida, postais; convites de casamento, de formatura, de festas de 15 anos (saudades dessa época!); fitas de vídeo, de toca-fitas, CD’s e tudo mais… (sim, guardo tudo, e é muita, muita coisa!)

Mas o que mais gostei de achar foram 16 páginas manuscritas – por mim mesma – guardadas bem no fundinho de uma das pastas… Há tempos eu pensava sobre aquelas folhinhas, me lembro perfeitamente do dia em que as escrevi, há quase 07 anos atrás, linha após linha, no meio da madrugada! Eu era uma menina ainda, assustada, mas ainda assim imponente, me achava meio perdida entre o mundo adulto e a adolescência meio tardia, inconseqüente demais e responsável – também demais – tudo ao mesmo tempo, e com a vida inteira pela frente, mas me acabando pouco a pouco, insistindo em histórias malucas, roupas estranhas, idéias fixas e com medo de ser adulta (mas já o sendo, em tantos outros sentidos).

Não contarei aqui o que aconteceu naquele dia, o que me fez escrever 16 páginas seguidas, sem parar, acordando no dia seguinte com a mão calejada e dolorida, a caneta em cima da cama e muitas folhas de papel esparramadas por todos os cantos… Minha cabeça roda, roda, roda, e não chego a lugar nenhum, mas só sei que me lembro de tudo, e minhas antigas emoções vêm à tona e se confundem com a mente e com os sentimentos da mulher que sou agora, 07 anos depois.

Mas isto eu compartilharei com vocês:

O ESPANTALHO
Olhos que não vêem
Mãos que não tocam mais
Um dia tocaram sim
A música do acaso
O tecido aveludado…
Será verdadeiro?
O sentido, do tecido, do cheiro?

Na fotografia, retrato atordoado
De olhos amendoados
Esconderijo do menino assustado
Espantado
Espantalho.

O homem de lata queria um coração, e eu só pensava em ir pra casa…

Pela estrada dos tijolos amarelos
Andei
Chorei
Me conformei
Mas a pergunta ainda estava no ar
Junto com outras ocultas palavras
Carregas contigo?
Minhas cartas, onde estão?
Onde vão suas mãos, que não posso ver?
Onde miram seus olhos, que não os posso ter?

És atração para os corvos,
Espantalho
Menino assustado
Não temas aqueles que te mutilam,
São eles a razão de sua existência.

(Belo Horizonte, 23/05/2000, 02h 18m)

Ana.

Ps.: O lindo desenho do espantalho que ilustra o poema acima foi feito por Sara Neves, de 11 anos, “diretora” do site “Biblioteca Vila Deanteira“.

Pequeno dicionário da feminilidade para rapazes desavisados – R-Z

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Caros leitores,

Só para não dizerem que não terminamos, aí vai, acreditem se puderem, a ÚLTIMA PARTE!!!

Pequeno dicionário da feminilidade para rapazes desavisados – R-Z
R

Rímel: espécie de maquiagem para os cílios, também chamada de “máscara”. Sim, as mulheres passam esta tinta grossa e preta nos cílios para se embelezar. E não reclamem se elas demorarem a se aprontar para uma festa, pois aqueles olhos de tigresa não são assim à toa… 😉
Rosas: A maioria das mulheres gosta de flores… Se forem rosas vermelhas colombianas então… Nunca é demais levar um bouquet de vez em quando, uma florzinha do campo que catou na rua, um vasinho de violetas do supermercado, um bonzai, etc, etc…
Ronco: Ok, sabemos que as mulheres roncam às vezes, mas é bem baixinho e totalmente suportável, ao contrário dos homens, né??? Em todo caso, dizer a uma mulher que ela ronca é o equivalente a uma sentença de condenação à morte.
Roliça: é uma mulher de formas generosas. Mas como essa palavra lembra “rolha” não gostamos muito de ouví-la aplicada à nossa própria pessoa.
Rolo de macarrão: não serve apenas para abrir massa não, é uma ótima arma para aplicar na cabeça de homens assanhados. Melhor tirar da lista de casamento.
Razão: nunca discuta com uma mulher se ela tem razão ou não, pois isso é totalmente irrelevante. O que importa é que a mulher é a SUA razão de existir.
Romantismo: não está fora de moda não! Gostamos de homens que mandam flores e nos convidam para jantar à luz de velas, que querem conversar sobre nossos problemas, são pacientes e compreensivos. No fundo, o romantismo é o que faz uma relação durar, pois aproxima as pessoas e as tornam cúmplices, unidas pelo sentimento de tornar a vida do outro mais agradável.
Regata: são aquelas camisetas sem manga, ou seja, uma peça totalmente dispensável e altamente indesejável em qualquer guarda roupa masculino. Abrimos uma exceção para praia, piscina e churrascos informais, mas pense bem, ninguém é obrigado a suportar a visão dos pêlos das suas axilas.

S

Sexo: ok, todo homem é um maníaco sexual em potencial, que pensa em sexo em todos os 60 minutos de cada hora das 24 do dia… As mulheres bem resolvidas também gostam muito de séquiço, mas convenhamos, não é só o que importa. Nessas horas, vale também ser atencioso, gentil, cavalheiro… Virar para o canto e roncar após? Nem pensar! E trate de se concentrar, pois nós sempre estamos prontas para um repeteco!
Secador (de cabelos): nem adianta reclamar, abaixe o som, e aguarde, já que a maioria das mulheres não consegue viver sem esta invenção, que, segundo a classificação do INMETRO, trata-se de um “aparelho portátil previsto para ser segurado à mão durante a utilização normal e cujo motor, se existente, é parte integrante do aparelho”.
(Obs.: O mesmo vale para a “chapinha”, também conhecida como “prancha”, mas neste caso é só esperar mesmo, pois esta é silenciosa!)
Salto alto: base dos sapatos com estatura de um à doze centímetros dependendo do tamanho da mulher (às vezes passa disso!). Algumas preferem o salto plataforma, que adere a toda a sola do sapato. Quase toda mulher curte andar de salto, então, se ela ficar mais alta que você, paciência, e curta ter um mulherão ao seu lado!
Saia: branca, preta, colorida, jeans… de tamanhos variados, mini, longas, mides. Caem bem se as pernas forem mais grossinhas, e o bumbum arrebitado chama a atenção dos homens. Para as mais salientes é a peça mais fácil de tirar, ou não! Mas não vale é olhar pra outras mulheres de saia, e atenção: nunca, nunca mesmo, pegue na perna de uma mulher vestida de saia que não seja sua namorada, pois sua integridade física estará correndo sérios riscos, sem falar que poderá ser mal interpretado…
Sandálias: Sei que temos os pezinhos mais lindos do mundo, adoramos massagens nos pés, adoramos ser elogiadas, pela unha “megalo” bem feita e que temos um super bom gosto pra sandálias de salto. Mas, por favor, não se empolguem porque estamos com os pezinhos semi nus e cismem de fazer massagem depois de uma balada… é super desconfortável… o pé tem estar muito limpinho…. Quando estamos com as nossas sandalinhas… queremos só elogios o tempo todo e não meta a mão insistindo até a morte… É, literalmente, um saco!!!!!
Sorvetes: Meus caros amigos do sexo masculino, mulher adora dar uma lambidinha disfarçada em um sorvete…..Hummm … é bom demais…. Mas, tem que ser disfarçado porque vocês adoram nos deixar constrangidas, dando aquela olhada, alguns chegam a falar: “Bela chupada” … que horror… Nunca, nunquinha faça isso, animal…
Sentar: Como assim? Vocês homens, acham mesmo, que namorar é sinônimo de arrumar logo um banquinho e sentar a bunda lá com sua namorada, enquanto todas as outras pessoas dançam loucamente? Ninguém merece… Será que você consegue pensar só um pouquinho na sua linda??? Mas, se você não souber dançar, não inventa… Pelo menos balançar o corpo você sabe, né… Então, só fica no balanço da redinha… É tão fácil…Você consegue!

T

Tapa: na cara não vale, é baixaria! Mas um tapinha de amor não dói… Mas muita calma nesta hora: nem é toda mulher que gosta, meu caro, então não se empolgue demais. Converse com sua musa sobre suas preferências, sobre as dela, e aí a satisfação é garantida (ou não entre mais neste blog!).
Tarado: o famoso maníaco sexual. Mal você o beija, o cara já vira um polvo e arranja mão e braço em tudo quanto é lugar do seu corpo. Sinceramente, caro leitor, mulher nenhuma gosta disso, assim, de cara. A não ser que seja umazinha da vida, ou esteja tão trêbada que nem saiba o que está fazendo. Se você gostar da menina, segure seus instintos um pouco e dê a ela o tempo necessário para se sentir à vontade com você. Mas não seja “santinho” demais, pois corre o risco de ela pensar que você não está interessado!
TPM (Tensão pré-menstrual): essas vocês conhecem de cor e salteado, não é? Mulheres temperamentais, á beira de um ataque de nervos… Peraí, não é bem assim… Existem muitas outras peculiaridades… Mas isso é papo para um texto inteiro! (Que prometemos, virá dar o ar da graça neste espaço muito em breve!) Portanto, curiosos de plantão… Aguardem!
Trabalho: adoramos homens trabalhadores e honestos, claro. Mas por favor, falar e pensar só em trabalho só empobrece a relação, sem contar que é falta de delicadeza e semancol sentar com sua musa inspiradora num restaurante e só falar de trabalho o tempo todo…
Tesão: uma mulher neste estado pode até fazer tudo o que você quiser, bebê, mas tente se segurar o máximo que puder! Muitas vezes só queremos sentir, provocar… E se você ficar tentando ir direto aos finalmente pode ser fatal para o clima!


U

Unha:
a maioria das mulheres gosta de colorir as unhas com esmalte, e usá-las longas. Se você ODEIA esmalte vermelho e unha grande, que tal negociar com a sua namorada e/ou mulher para que ela as adote rosinhas e curtinhas? Tudo pode ser conversado e negociado, se isso for feito com calma.
Umbigo: muitos homens só conseguem enxergar o próprio umbigo, o que é totalmente condenável, pois só traz problemas para um relacionamento (qualquer um, até amizade). Hoje as coisas são diferentes: homens egocêntricos não têm a mínima chance com mulheres independentes e interessantes!
Uga-Uga: Ah, por favor, não seja um Uga-Uga a la novela das 19h… É péssimo aquele homem que adora tirar a camisa o tempo todo, ainda mais se for peludo a la Tony Ramos…. Coloca a camisa, lindo! É tão melhor! (Atenção, você poderá tirar sua camisa só em praias, piscinas e coisa e tal. Mas, preste atenção cabeção, quando dizemos SÓ é porque é SÓ mesmo… Ok!?)

V

Viagem:
mesmo se for para passar um fim de semana fora de casa, há apetrechos indispensáveis dos quais as mulheres não podem abrir mão um diazinho sequer. Ou você acha que a pele de pêssego foi um dom divino que recebemos ao nascer? Além disso, não gostamos de decidir com antecedência que roupa vestir no dia tal, precisamos ter muitas opções para o caso daquela saia não cair bem naquele dia. Por isso, não se zangue se ela aparecer com muitas malas no dia da viagem, abarrotando o porta malas. Este é um transtorno que pode ser compensado e recompensado.
Válvula: o quê? como??? Pois é, não sabemos o que são válvulas, pistões, sonda lâmbida, e outras peças de veículos ou máquinas. É querer saber demais, não é? Sabemos outras tantas coisas interessantes…
Vampiro: caro rapaz desavisado, não seja um “homem-morcego”, por favor! Odiamos ficar marcadas por mordidas muito fortes, marcas e chupões no nosso lindo pescocinho! Isso é coisa de “menino sem-noção”, e nunca estivemos nesta fase, ok??? (Atenção, atenção! o mesmo vale para “beijo-ventosa”, aquele que gruda, e na hora de desgrudar arranca metade do seu lábio; e também para o “beijo-Gilmar”, aquele que lambe sua cara toda, e com o qual você tem que sair a la Alborghetti, com uma toalhinha de rosto a tira-colo, pronta para limpar toda a baba que o cara deixou em seus poros faciais!)

X

Xixi: apenas com a tampa da privada levantada, viu? E por favor, abaixe-a depois. Ah, e com a porta fechada, please!
(O Xis está meio osso… Só lembramos disso… Se lembrarem de mais alguma coisa, fiquem à vontade para usar a caixa de comentários!)
Xaveco: flerte, paquera, cantada, daquelas horripilantemente ridículas que levam as meninas ao ódio tepeêmico automático e instantâneo. Definitivamente, tenha por certo que você não vai encantar uma mocinha pedindo o telefone do cachorrinho dela… (Verbete devidamente lembrado pelo Anderson! Isso é que é leitor atento e rapaz não-desavisado, minha gente!)

Z

Zacarias: você pode até ser engraçado, aliás, adoramos quem nos faça rir, mas nunca você será tão peça-rara como ele! Please, não tente imitá-lo, pois correrá o risco de se tornar igual ao cara do verbete abaixo…
Zé: Zé Mané, Zé Ruela, e similares… Sentimos muito, mas nestes casos está osso! Se você é um Zé, vale a máxima da musiquinha do “Tianastácia“: se um cara nasce mané, cresce mané, e morre mané! Sai dessa, só depende de você, amigo… Se seguir os verbetes do nosso “Pequeno Dicionário da Feminilidade para Rapazes Desavisados”, acreditamos que ainda pode haver uma luz no fim do túnel para você…
Zum-zum-zum: este é só pra descontrair! 😀

****

Observações:

1) O fato de alguns verbetes não se encontrarem dispostos em ordem alfabética é proposital, nós não faltamos à aula no dia desta lição: apresentamos os verbetes na ordem que propicia o melhor entendimento do “dicionário” como um todo.

2) Aceitamos sugestões de novos verbetes… A caixa de comentários é de vocês!

3) Para ler a Primeira Parte, de A a E, clique aqui. Para ler a Segunda Parte, de F a L, clique aqui. A Terceira Parte, de M a Q, aqui.

Esperamos que tenham gostado do “Dicionário”, e por favor, ponham-no em prática, e façam bom proveito!

Beijos,

Ana, Bela, Dô e Lú – Mineiras, Uai!

Hoje é dia de quê?

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Alguém aí sabe que dia é hoje?

– Penúltimo dia do mês de Março… 6ª feira… dia 30!

Neste mesmo dia do ano passado, fizemos um levantamento de alguns fatos e pessoas polêmicas relacionados ao dia 30 de Março. Mas como águas passadas não movem moinhos, vamos ao que interessa…

Explicaremos (para quem não sabe, não se lembra, ou teve preguiça de ler o texto linkado acima até o fim) :

HOJE, 30 DE MARÇO, É ANIVERSÁRIO DA DÔDÔ!!!

Essa mineirinha de Cipotânea, chamada D.O.N.Á.R.I.A (sim, Donária, não é “Doriana”, nem “Tô na área”, nem “Dona Maria”, não), aquela, muito engraçada, doidinha e sonhadora, sabem? Pois é, ela mesma, completa algumas primaveras hoje!

Claro que não poderíamos deixar de registrar aqui tão notória data, mesmo porque, se o fizéssemos, era encrenca na certa, posto que a Dods não perdoa!!! Além do mais, ela passou tanto tempo fora, viajou, conheceu a Europa, realizou o sonho dela de aprender inglês, teve até bolo de aniversário em Paris, olha que chique!?… E agora, FELIZMENTE, voltou para nos fazer rir e polemizar um tiquim!

É isso aí, Dô, queremos você sempre aqui, pertim da gente, iluminando todos por onde passa, sempre arrancando um sorriso ou um ponto de interrogação na cara de uns e de outros, entre baladas, rocks, livros de estudos, cinemas… E onde mais sua energia durar!

Felicidades, dinheiro, beijos na boca, e sucesso!!!!!
Ah, e seja logo mais uma funcionária pública feliz!!!

Niver da Dô em Paris... Mar/2006

Beijos,

Ana, Bela e Lú.

Ps.: Dods, esta música é pra você!!!

Pílulas

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Som na caixa:

Imagem do fim-de-semana:

Imagem do fim de semana...

A frase que ficou: “Dê-me um copo de vinho, que bebo a garrafa e a jogo de volta para o mundo.” (Johnny Depp, em O Libertino.)

Texto do dia:

CORPO MORTO & ESPERMA NAS ENTRANHAS

Sirenes esquizofrênicas espanam a Noite Neblina, as luzes vermelhas
projetam fantasmas na espessa cortina esbranquiçada, motoristas
kamikases arrombam as paredes do Reino de Deus.

Coronel Tempestade Negra desenha símbolos estranhos no asfalto ensan-
güentado, giz branco sobre a pele petróleo, luvas cirúrgicas e passos
de uma dança conhecida apenas pelos iniciados nos ritos policiais.

Empalada com um cabo de vassoura, unhas arrancadas, um morcego
tatuado com estilete na coxa direita, Corpo Morto tem folhas de chá em
lugar das pálpebras e borboletas de origami enfiadas nos ouvidos.

Péssimo sinal.

Os travestis da República do Líbano sussurram a notícia com olhares de horror e mímica
sinistra, nervoso farfalhar de leques chineses.

A Águia de Plumas de Ferro vai descer sobre a cidade e eles sabem disso.

(de: Ademir Assunçãoin: Suplemento Literário do Diário Oficial de MG, Março 2007 – nº 1300.)

Beijos,

Ana.