Música para os olhos

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O que dizer sobre esse cara? Posso parecer desrespeitosa, mas este aí ao lado, o Cartola, (vulgo “Angenor de Oliveira”), sempre foi tão presente em minha vida, enquanto estudante de piano, amante de música brasileira e filha de pai músico (blogueiro / psiquiatra / psicanalista / filósofo nas horas vagas), que quando o escuto sinto como que se ele sempre esteve aqui ao lado, naturalmente desfiando seu violão, com aquelas mãos de pedreiro e a destreza de uma fada!

As músicas, sempre melodiosas, trazem letras ricas, elaboradas, em um bom Português… Mas Cartola não era semi-analfabeto? Sim, dentre outras coisas também, que fizeram de sua vida um filme pronto para ser filmado, entrecortado de dramas, sucessos, tragédias, doenças, álcool e lirismo…

Para se ter uma idéia, sua primeira esposa ele conheceu num prostíbulo, quando ele tinha só 17 anos de idade. Além disso, ela era casada, e bem mais velha que ele. E só após muitos anos de ter ficado viúvo foi que Cartola reencontrou D. Zica, também viúva, sua amiga e namoradinha de infância. Daí vieram muitos filhos adotivos, o famoso bar Zicartola, por onde tocaram e cantaram tantos grandes nomes do samba e da MPB… Entre eles o Paulo Cesar. Quem? Paulinho da Viola!

“Ouça-me bem amor, preste atenção, o mundo é moinho, vai triturar seus sonhos tão mesquinhos, vai reduzir as ilusões ao pó…”

O filme “Cartola“, que tive o prazer de assistir nesta segunda-feira última, em companhia de ninguém mais, ninguém menos, que a nossa querida Dôdô, é um documentário que mistura ficção (pois ele é interpretado, quando criança, pelo ator Marcos Paulo Simião – que diga-se de passagem, ficou IDÊNTICO ao Angenor menino, pelas fotos antigas que são mostradas na película) e realidade, contando toda sua história de vida, desde o início, sua descoberta, seu sumiço, o retorno, a gravação do primeiro disco – quando ele já tinha 66 anos – etc, etc.

“Queixo-me às rosas, mas que bobagem, as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam, o perfume que roubam de ti… Ah!”

Além da própria história de vida do mestre, é contada também um pouco da história do Rio de Janeiro, todas aquelas paisagens que nós, mineiros apaixonados pelo Rio, conhecemos hoje em dia, são mostradas no filme nos anos 30, 40… A história do samba, a criação das primeiras escolas-de-samba, os primeiros desfiles, os sambas-enredo, as rodas-de-samba genuínas… Tudo isto, para quem é um amante de música, e, lógico, do samba, é de se maravilhar, é de deixar a gente num verdadeiro “estado de graça”, vontade de flutuar e sair dançando e cantando pela rua afora, na chuva! (Né, Dô? rsrs)

Enfim, Cartola é música para os olhos… Você sai da sala de projeção com a alma elevada… Todos cantam juntos suas músicas dentro do cinema, não tem como não se emocionar e querer bater palmas ao fim…

“A sorrir eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida!”

Bom, esta foi a minha dica cultural… Para quem curte cinema, documentários e samba, vale à pena assistir! Em BH, “Cartola” está em cartaz apenas no Cine Belas Artes, na Rua Gonçalves Dias, próximo à Praça da Liberdade.

Beijos,

Ana.

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