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Braços Abertos

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O Cristo Redentor, uma das mais belas paisagens de nosso país, símbolo daquela cidade maravilhosa, cheia de encantos mil, chamada Rio de Janeiro, está concorrendo na votação para eleger as novas “7 Maravilhas do Mundo Contemporâneo”… Vocês sabiam?

É o único representante do Brasil no concurso de um total de 21, apenas 3 estão da América Latina. Além do Cristo, também estão concorrendo: a Pirâmide em Chichén Itzá (anterior a 800 d.C.) que fica na Península de Yucatan, México; e Machu Pichu, a “cidade nas nuvens”, construída entre 1460 e 1470 no Peru.

O que ocorre é que a votação termina no dia 06/07, sexta-feira agora, e o resultado será divulgado no dia 07/07, sábado, na cerimônia oficial em Lisboa, Portugal.

Sendo assim, votem no Cristo!

See you!

Ana.

VOTE CRISTO: faltando 4 dias! Todas as dicas: por cel, internet e agora por tel fixo! Confira. Uploaded by Aquarelas

Foto by: Ana.
Pintura by
Sonia Madruga.

Res

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É como às vezes me sinto: coisa.
No princípio dos tempos, res familiaris. Criada no seio de uma família diferente, mas bem legal. Única filha mulher, a primogênita, primeira neta de meus avós paternos. Uma verdadeira res singularis.
Meus irmãos nasceram, meus pais acreditavam que “res inter alios acta, allis nec prodest nec nocet” – os atos dos contraentes não aproveitam, nem prejudicam terceiros, no caso, eu. Em casa, sempre tive minhas coisas separadas de meus irmãos, claro, por ser menina. Coisas de mulher, res uxoriae.

Na adolescência, ninguém me suportava lá em casa… A bem da verdade é que nem eu mesma me agüentava. Res inconsumptibilis, coisa inconsumível, intragável, inaceitável. Brigas constantes com qualquer coisa viva que me aparecesse pela frente. Cheguei a ser tida como um caso perdido, res amissa.
Virei mocinha e comecei a namorar. Virei res privatae, comprometida seriamente durante mais de 02 anos, muito nova ainda. Essas coisas de primeiro namorado, que você pensa que conheceu o homem da sua vida, e que vai ser pra sempre, estilo Romeu e Julieta, amores shakespearianos, enfrentando tudo e todos que se opõem – ou que, pelo menos, tentam mostrar a realidade.
Até que a realidade se escancarou para mim depois que entrei na universidade. Res universitatis. Julieta terminou com o Romeu e partiu para o abraço! Aproveitei mesmo, quer coisa melhor na vida que beijar na boca e ser feliz?
Mas… uma vez res in commercium, acabei conhecendo outro res in commercium, claro. E quem disse que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço? Res extra commercium me tornei, é claro. Relacionamento longo é isso aí, a gente passa a viver a vida do outro, a gente vira res incorporea, desincorporando de nosso próprio ser e passando a ser o outro. Até que cometemos erros, nos deparamos com incompatibilidades mil, e tudo um dia acaba nesta vida, até a própria, é o que dizem, não é? (E será que tem que ser mesmo assim?)
Sentenciei-me a tornar a ser res nullius, coisa de ninguém. Viva o passado, o que passou, passou, transitou em julgado: res judicata.
A vida é um ciclo: novamente res in commercium. E res singularis que sou, e também, é claro, res familiaris, sempre chamei a atenção. Tornei-me res furtiva, objeto de desejo de muita gente. Modesta, eu? Já disse que sou res singularis, é melhor ir se acostumando com este meu jeito res amissa de ser.
Falei que a vida é um ciclo? Pois é, estou ficando repetitiva. Mas não é que me deparei com outro res? Aí pronto. Publicae? Privatae? In commercium? Res aliena – coisa alheia – ou res nullius – coisa de ninguém? Surpreendente, inesperado. Um verdadeiro res humani júris, se auto-denominando res derelictae, coisa abandonada, maltratada, sofrida, dificultosa. Bradando por sua condição de res immobilis, soli, seguro na terra, paralisado, imóvel e imutável – ainda que não admita ou nem perceba tal clamor. Seria isso em virtude de sua vida atual ou de sua própria natureza?
Não sei… Não quero me tornar res inconsumptibilis novamente.
Melhor não misturar res publicae com res privatae.
Já disse muito, paro por aqui.
We're just two lost souls
“We’re just two lost souls / swimming in a fish bowl / year after year…”
(Wish you were here – Pink Floyd)

Texto e foto por: Ana.

Mulheres à beira de uma ataque de nervos

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(ou)

TPM, A VERDADE NUA E CRUA.

Quem nunca pecou, que a tire a primeira pedra. E saiba que se essa pedra vier de uma mulher com TPM, tenha consciência que ela será maior, mais pontiaguda e dolorosa que você pode imaginar. Afinal, qual dos homens nunca sofreu com sua mãe, irmã, namorada ou esposa durante este período? Os nervos estão aflorados, os humores alterados, e uma simples gota d’água pode virar a pororoca do Rio Amazonas.

Abaixo, segue uma listinha das coisas que podem transtornar uma mulher com TPM a ponto de presenciar a transformação uma linda e doce gatinha manhosa no Godzilla ou coisa pior.

Convidar para ir ao clube (ou à praia, para aqueles que moram na zona litorânea)

Durante a TPM e o período menstrual propriamente dito, a maioria das mulheres se sente gorda, feia, cheia de celulites e espinhas. A explicação para isto é simples: retenção de líquidos. Portanto, qualquer programa que envolva mostrar o corpitcho em formato de bola nestes dias é sinal de briga na certa!

Convidar para ir ao Shopping experimentar roupas

Não se engane pela carinha de satisfação dela quando a convidar para ir ao shopping durante esses dias. Toda mulher se empolga com esta palavrinha que soa como música aos ouvidos! No entanto, em virtude do mesmo motivo elencado no item anterior, é bem provável que sua amada idolatrada salve salve esteja com até 2 kg acima do peso normal. Vestir uma calça jeans justérrima da Calvin Klein neste dia, ou um vestidinho lindo da Colcci está fora de cogitação! E é melhor nem insistir, pois corre o risco de sua noite acabar na cama (em quartos separados!).

Fazer críticas, piadas ou brincadeiras sobre ela

Tenha em mente o seguinte: qualquer coisa que você disser será ouvido como uma acusação de terrorismo, pedofilia, ou tortura aos animais, ou o que você achar de pior no mundo. E não venha dizer que é uma crítica construtiva, uma ajuda, um toque para que ela melhore seu comportamento. A bomba H já terá sido lançada, e o resto da história você conhece: o mau humor detona a fúria nuclear de destruição, que aflora com toda a sua violência na pele de sua outrora doce e meiga namorada.

Recusar de fazer alguma coisa
Pois é. Não é que você tenha que ser um “pau mandado” não. Mas é que ao som do monossílabo NÃO, uma mulher com TPM:
a) Abrirá o maior berreiro, com direito a soluços e gasto de muitas caixas de lenço;
b) Se transformará no “Incrível Hulk” e sairá quebrando tudo e derrubando paredes até te alcançar e esmagar todos os seus ossos;
c) Sairá pisando duro e batendo a porta na sua cara, gritando e esbravejando impropérios e amaldiçoando até a sua quinta geração;
d) todas as opções acima.
Pensou letra d? Acertou. Ressaltando que tudo poderá acontecer, mas não necessariamente nesta ordem. E não espere que após a briga haverá um séquiçozinho para fazer as pazes. Elas costumam se vingar e só voltar à ativa após a menstruação, então, meu caro, prepare-se para longas 02 semanas sem telecoteco…

***

Achou difícil seguir estes conselhos? Não se engane, é quase humanamente impossível! Já ouvi relatos de maridos que saem de casa com os filhos para bem longe da mulher durante os famigerados dias. Não sei se esta é a solução ideal, mesmo porque existem técnicas modernas para se tratar a TPM, embora eu não creia que haja uma cura verdadeira para este mal – pelo menos não por enquanto.

O ideal mesmo é dar muito amor e carinho para a razão do seu viver durante o restante do mês, e quem sabe sugerir um tratamentozinho leve à base de fluoxetina ou anticoncepcional de ultima geração (obviamente evitando os dias de fúria para fazer esta sugestão)!

Imagem que retrata Dr. Jekyll e Mr. Hide, retirada deste site. Agora imaginem isso em versão feminina, elevado à potência N!

Texto por: Ana.

Boi no Pasto

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Boi no Pasto

Poderia ser uma sexta-feira como outra qualquer. Mais uma semana de boi no pasto se passou, gado que trabalha como um burro de carga, estuda, come, dorme, conversa, sofre, chora, ri, escuta música…

Resolvemos cabular a já tradicional “Sexta Feliz” instituída pelos demais colegas de trabalho – uma simples reunião em um boteco qualquer na região do escritório, de preferência com comida boa, cerveja gelada, e que aceite um bando de “sem-noção”, com violão em punho, cantando desafinadamente e ou jogando truco. Mas desta vez o tal encontro seria num restaurante com rodízio de pizzas próximo: lugar chique em que a cerveja e o chope são caros, e, ainda por cima, não aceita cantores ou violonistas não virtuosos como nós.

Não, não, odeio rodízio de pizzas! Você nunca consegue comer a pizza que quer, e as que são servidas, em sua maioria, chegam a sua mesa já meio frias, remexidas. Para mim não há nada melhor que escolher no menu o sabor de minha preferência e aguardar, salivando, que ele chegue fumegando até a mesa. Não há nada melhor que ver o garçon partir a primeira fatia na sua frente, e poder ver o queijo derretido se espalhando nos outros pedaços, o aroma da iguaria italiana recém assada que tanto fez sucesso no Brasil, a liga de mussarela que não se solta quando a sua fatia é levantada e levada ao seu prato…

Por isso recusamos o convite. Preferimos ir, sozinhas, a outro boteco, especialista em picanha na brasa, mora? É o boi que estava no pasto e vai da churrasqueira direto para o seu prato, 400g de carne macia e bem passada – porque mulher não gosta de boi berrando – servida com farofa, vinagrete, e mandioca cozida na manteiga de garrafa. E uma Bohemia descendo gelada goela abaixo, porque ninguém é de ferro! Sem os coleguinhas de trabalho por perto, é possível falar dessas bobagens de mulher, extravasar as emoções, tão machucadas nesta sexta-feira em específico: resquícios de lembranças trazidas por uma notícia de falecimento, entre outras chateações do cotidiano que povoam as mentes femininas. Alguém aí arrisca um chute?

Falamos como pobres na chuva! E comida no papinho, pé no caminho, que o sábado nos aguarda, e já são mais de 20h, quase 14 horas fora de casa. É osso!
– Tchau amiga, nos vemos amanhã no churrasco!

Caminhei rapidamente para pegar o sinal verde de pedestres da Afonso Pena. Neste horário não há mais trânsito, e os carros sobem e descem a avenida como flechas. 60? 70? 100 km/h!? Ufa, cheguei viva do outro lado. Corri até o ponto de táxi. Um carro apenas aguardava desligado, com os faróis apagados, sem o motorista dentro. Na rua contígua, em outro ponto de táxi, alguém me grita:
– Cê quer um táxi, moça? Este aí foi ao banheiro e não voltou. Se quiser eu posso te levar.

Fui até lá, meio desconfiada, como boa mineira que sou, mas entrei no carro assim mesmo. A vontade de chegar em casa era maior que ficar na rua. Mais uma vez o motorista me explica que seu colega o havia pedido para vigiar o carro enquanto fazia suas necessidades fisiológicas.
– Un-hum, sei, sem problemas, moço. Toca pra Rua Gonçalves Dias, vamos para o Bairro Tal.

Já próximos à Avenida Álvares Cabral, muitos quarteirões após nossa partida, o silêncio havia se instalado no carro. Resolvi puxar papo, sobre o tempo, claro. Antes de abrir a boca, o motorista, que também pigarreava de 05 em 05 segundos, pareceu ler meus pensamentos, e comentou em primeira mão:
– Este tempo seco é uma merda! Estou com esta tossezinha chata, menina, a garganta arranhando, não é de hoje, e não consigo melhorar!

Concordei com ele, pois também era vítima das intempéries há mais de um mês. Perguntei se ele trabalhava só à noite. Sabia que não, pela aparência cansada de sua fronte, olheiras profundas e a cara de quem já quer ir pra casa. Ele me confirmou as suspeitas, claro, e emendou:
– Pois é, mais de 12 anos na praça, não é fácil não. Antigamente eu conseguia rodar até de madrugada, quase todos os dias, mas hoje em dia não faço mais isso não. Saio cedo de casa, e só retorno por volta desta hora, mais ou menos. Sábado também. Domingo, que é o dia de folga, também rodo, para aproveitar que é o dia em que não pago diária.

Indaguei o que ele tinha feito antes de se tornar motorista de táxi. (Taxistas adoram contar de suas vidas pregressas, principalmente para platéias atentas e interessadas.)
– Já mexi com comércio, e depois fui ser fotógrafo, durante muitos anos. Mas hoje eu nem sei mais o que é fotografar…

A partir daí a conversa fluiu. Notei um certo pesar em sua voz ao contar da vida de fotógrafo. Mirei o volante e entendi tudo, quando vi sua mão direita parcialmente mutilada. Pensei comigo mesma que isso não o impediria de manejar uma máquina, mas deveria dificultar bem. Pensei em perguntar se tinha sofrido algum acidente, mas me contive, deve ser doloroso falar com uma estranha. Chegamos ao meu destino.
– 12 reais, moça.

Paguei-lhe de bom grado, desejei boa sorte, e ele respondeu o mesmo, com alegria, como que me agradecendo pelo papo.

E a semana acabou. Hoje já é sexta-feira, e outra segunda-feira já está chegando, o pasto nos aguarda, tudo de novo.

Vocês que fazem parte dessa massa
que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
e dar muito mais do que receber
E ter que demonstrar sua coragem
à margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
já sente a ferrugem lhe comer

Ê, ô ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz

(Admirável Gado Novo – Zé Ramalho)

***

Texto: Ana.

P.s. 1: Texto inspirado nas “Taxitramas” do Mauro Castro.
P.s. 2: A foto é a capa do disco “Atom Heart Mother” do Pink Floyd, de 1970.

Arrebatador

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Vou parar de fingir que não estou nem aí. Vou parar de fazer ironias e de dizer coisas sem sentido e de nunca falar nada que eu quero de verdade. Vou parar de fingir que estou tranquila no meu canto e que não penso em você a todo instante.

Vou parar de fingir que não quero falar contigo todos os dias, e parar de fazer o tipo “ocupada todo o tempo”. Vou admitir que fico te esperando dar um sinal de vida todos os dias, pr’eu tomar mais uma pílula que seja de sua atenção.

Não vou mais fingir que não me decepciono quando você não me liga, e que toda a minha agressividade, ironia e sarcasmo não são em decorrência da sua falta de atitude. Não que você não faça nada, claro que reconheço seus esforços, e acho lindas as coisinhas que você faz, por mais minúsculas que sejam; mas acho que fiz e tenho feito muito, talvez até demais, para te mostrar o que sinto e o que quero.

Não falarei mais com você sobre coisas corriqueiras, sobre como foi o meu dia, nem te perguntarei como foi o seu. Admitirei que já fiz planos, que já sonhei e já pensei e já programei um monte de coisas pra nós dois.

Não vou mais fingir que não me apaixonei por você. Eu sei e você sabe que coincidências assim, como as nossas, não acontecem sem um propósito, muito menos, são coisas corriqueiras, que poderiam acontecer com qualquer um. Vou parar de fingir que eu não lembro o tempo todo do seu toque, das suas palavras, e me recuso a achar que foi tudo uma viagem da minha cabeça, que errei feio, e que posso quebrar a cara, mais uma vez.

Eu quero que você fale com todas as letras, e não mais nas entrelinhas. Eu quero parar de tentar decifrar seus escritos, suas palavras faladas e suas reações. Eu quero simplesmente ouvir da sua boca que você me quer e nada mais, que quer me ver de novo, e que podemos ser felizes juntos, ou que, pelo menos, quer tentar.

Vou te falar uma coisa: eu não quero que esta seja só mais uma historinha de amor, dessas que a gente conta pros amigos, pros filhos e netos, um caso, apenas uma aventura, e que morre por aí.

Vou parar de enrolar e te dizer de uma só vez: eu quero que seja arrebatador.

Ana *

(Texto por: Ana Letícia *. Foto by LaMariposa.)

* Inspirado na maravilhosa prosa poética de Brena Brás.

Vide Bula

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Já está provado, sem os homens a vida seria muito sem graça. Quem abriria os potes ou trocaria as lâmpadas da casa, consertaria o ferro de passar roupa e cortaria o Peru no dia do Natal? A não ser que você seja fã incondicional da saladinha sem azeitona e sem palmito, da sala sem iluminação e das roupas amarrotadas, deve começar a dar valor ao homem na sua casa.

No entanto, sabemos que lidar com os seres heterossexuais do sexo masculino não é tarefa das mais simples, nem das mais doces. Não é como tomar um xarope com sabor de cereja, por exemplo, mas também não chega a ser tão amargo quanto uma dipirona sódica. Mas uma coisa que todas nós temos certeza, é a de que no que se trata de lidar com nossos homens não poderá faltar uma neosaldinazinha básica dentro da bolsa! (Isso para não falar no Prozac, item obrigatório, of course!)

Nestes termos, nós, as “Mineiras, Uai!”, resolvemos facilitar a tarefa de todas, compilando as melhores dicas neste pequeno “Manual de Instruções” que conseguimos amealhar com nossa modesta (ok, não tão modesta assim) experiência.

“Manual de Instruções:
Namorado – Como usar e abusar em diversas situações”
Recebendo uma massagem

Nunca peça de cara: “benzinho, me faz uma massagem?” Porque o puro e simples pedido afasta imediatamente o namorado, que alegará uma dor de cabeça, ou dor nas juntas, enfim, qualquer outro mal imaginário que o impeça de fazer uma massagem gostosinha.

Nesse caso proponha uma competição de quem é o melhor massagista. Homens adoram competição. Diga que a sua massagem é a melhor do mundo, beeem melhor que a dele, a mais demorada, a mais relaxante. Prepare-se para vê-lo caprichar!

Escolhendo o restaurante

Não diga: “vamos naquele restaurante carésimo comer souflé?”. Mas sim, peça para ele verificar se seu souflé não é mais gostoso que o daquele restaurante. É óbvio, que ele vai de cara vai dizer que o seu é muito melhor. Aí é que está o ó do borogodó, minha amiga. A partir daí, você promete que, caso vocês vão àquele restaurante chiquérrimo e carésimo, fará para ele a sua receita do tal souflé em um jantar super romântico e especial no próximo final de semana, no qual você financiará tudo, e ele será servido como um rei. De quebra, garantimos que ele ainda vai pagar a conta do restaurante chique!

Festas de família

Quando se trata de festa de família, nunca comece assim: “Ou você vai no casamento da sobrinha da prima da minha tia avó ou eu termino com você!”

Regra número um: não ameace. Namorados odeiam ser ameaçados, pois não há nada pior para um homem que ser coagido a fazer algo que ele não quer. Ameaçar terminar, então, é a pior saída, pois você corre o risco de ele aceitar o término, e tudo fica pior pra você.

Regra número dois: faça uma boa introdução ao assunto. Comente como você adora recepções de casamento, que sempre tem comida boa e bebidas de graça, sem contar com a música que sempre faz vocês se animarem e dançarem até, e também como é engraçado ficar reparando no mico que as pessoas passam, e nas roupas barangas que as outras mulheres usam, e por aí vai.

Regra número três: o convite. Quando ele já estiver bem animadinho, interagindo com o assunto após sua breve introdução, diga assim: “Nossa! Por falar em casamento, acabei de me lembrar! Dia tal será o casamento de fulaninha, sabe, você a conhece, uma gente boa demais, engraçada, filha da prima da minha tia avó, Tia Ciclana! Aquela, amor, que faz o bolo prestígio com cobertura de trufa que você a-d-o-r-a! Não é o máximo? A gente vai se divertir, beber e comer horrores!”

Garantimos que ele estará dando pulinhos de alegria neste momento, e fará questão de te ajudar a comprar o presente!

Censurando a roupa

Não diga: “Você não vai usar regata pra sair comigo sábado à noite!”

Apenas explique ao seu namorado que ele pode sim, usar a roupa que quiser para ir ao cinema com você, desde que, se ele usar regata, que depile os pêlos das axilas, assim como você o faz.

Roupa descombinada, então, é um grande problema, mas você não deve expressar de forma alguma o seu espanto o modelito do rapaz fazendo caretas, torcendo o nariz, ou mesmo fazendo alguma crítica construtiva. Ser direta nesse caso é comprar briga na certa. Comente educadamente, sem ironias: “Meu lindo, não sabia que você era daltônico!” Ele vai se espantar, confirmar que não é daltônico e perguntar inocentemente: “Por que???” aí você pode dizer cuidadosamente que calça marrom não combina com blusa xadrez azul, verde e rosa e tênis vermelho com amarelo fosforescente.

A escolha do filme

Não recuse categoricamente a ver “Vermes Sanguinários 6 – A volta dos que não foram”.

Tenha em mente – muita atenção nesta hora, dissemos EM MENTE – o que você gostaria de ver como primeira opção, por exemplo, o lançamento “A pequena Miss Sunshine”, ou “A Marcha dos Pingüins”. Aí, insista para alugar algo bem meloso e ultrapassado, tipo “E o Vento Levou”, “O Casamento de Meu Melhor Amigo”, ou “Tomates Verdes Fritos”. Acredite, ele vai tentar negociar com você – homens são mestres nisso – e acabará ficando feliz da vida em assistir os filmes que você já tinha em mente desde sempre!

A escolha da programação num dia especial

A maioria absoluta dos homens só pensa em três coisas, além de sexo: a) cerveja; b) futebol; e c) mulher – necessariamente nessa ordem. Como ele já está com você, não esquente a cabeça com o item c. Vale a regrinha do filme… Concentre-se bastante, antes de saírem de casa para aquele dia especial, pensando no que você gostaria de fazer – o que já exclui, obviamente, ir a algum “boteco copo sujo” e, claro, ir ao Mineirão assistir Democrata x Vila Nova. Desta feita, sugira um local que você sabe que ele não gostaria de ir de jeito nenhum, e prepare-se para negociar, minha filha!

DR – Discutindo a Relação

O DR nunca é tarefa fácil, nem para as pós-graduadas no assunto. Saiba que não existe boa hora para isso, não existem palavras ou frases feitas, ensaio, nada disso, só piorará a situação. O DR não precisa ser ruim, para decidir nada, pode ser apenas uma forma de trocarem idéias mais profundas, fazerem planos mais concretos, esclarecerem algumas situações. Portanto, não deixe de ser bastante carinhosa e autêntica, falando sempre do seu sentimento, de forma cuidadosa para não magoá-lo à toa!

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Bom, sabemos que não somos experts no assunto, afinal de contas, sempre erramos e quebramos a cara, e tentamos novamente, e quebramos a cara de novo etc, etc, et all… Afinal de contas, relacionamento amoroso não é uma ciência exata, é preciso ter muita calma, paciência, bom senso, diálogo…

E no clima comercial-romântico que se instalou em todas as vitrines ultimamente, bom dia dos namorados (para não dizer, ‘dia dos embasbacados’) a todas!

Ana e Bela
Mineiras, Uai!

Ps.: Aceitamos colaborações ao presente “Manual” via e-mail ou caixa de comentários abaixo!

Filosofanças Femininas

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(Contexto: Em algum lugar do passado, duas amigas em crise existencial conversam no MSN…)

A
(Suspirando, com carinha triste, fazendo beicinho, e bem desanimada)
– Às vezes eu acho a minha vida tão sem sentido… Às vezes tenho a impressão que estou apenas “sobrevivendo”…

B
(Pensativa, coloca a mão no queixo, pensa na sua própria vida…)
– Entendo como se sente… E no final das contas, a vida da gente se resume a isso mesmo, sobreviver.

A
(Agora já irritada, com um tom de revolta nas palavras e fogo no olhar.)
– Mas não pode ser assim!

B
(Continando a filosofar…)
– … Trabalhar pra sobreviver… sobreviver pra trabalhar … pra sobreviver…

A
(Chegando a uma conclusão nada conclusiva, quanto menos agradável, faz cara de desânimo conformador.)
– Então, dos 25 aos 30, a gente passa por essa crise existencial.

B
(Continua viajando na maionese!)
– E tudo vira um ciclo q é só isso e mais nada. É foda, mas a gente tem que encontrar as pequenas coisas que nos cercam e nos dão um pequeno momento de alegria, e se fixar nisso… Como esta rosa que eu tirei foto lá no sítio da Amanda.

(Envia a foto da rosa pelo MSN…)

Rosa

(B Continua a falar…)
Todo dia eu olho pra ela e acredito que a natureza é algo divino, e que a humanidade faz tantas coisas boas, como máquinas fotográficas digitais capazes de nos fazer captar aquele momento, aquele minúsculo detalhe na imensidão do universo e guardá-los conosco pra sempre, não apenas na memória.

A
(Dá um suspiro mais profundo porém rápido, observa a imagem da rosa, lê repetidas vezes o que A acabou de dizer, pensa nas pequenas alegrias de sua vida…)
– É muito bonito isso que vc me disse, me deixou mais tranqüila… Já é uma razão para não apenas sobreviver… rsrsrs

B
(Confiante com a resposta da amiga, viaja ainda mais na batatinha, como se isso fosse possível!)
– Pois é. Só o dom q a gente tem de escrever, de pensar, e de não ser mais um dos 97% de analfabetos e semi-analfabetos do nosso país, a nossa sensibilidade e inteligência, etc… Isto torna a nossa existência um pouco mais aliviante, pelo menos serve pra engordar as estatísticas… hehehe
Nossa, como estou inspirada hoje!!!

A
(Empolgada com a viagem de B.)
– Pois é! Mas é você que tem razão!

B
(Começa a ficar tristinha, pensando os apertos por que vem passando.)
– Ai amiga, temos q fazer a nossa vida ficar mais light, porque as coisas já são tão difíceis, né?

A
(Volta ao status quo ante, deprimida, em crise existencial.)
– É verdade, não podemos nos cobrar demais, pq às vezes a vida é isso mesmo… Sobreviver.

B
(Mais desanimada ainda que A.)
– Pois é… E não podemos querer mais nada…

A
(Recebe o telefonema de um gatinho convidando-a para sair, e já fica animadinha, com um sorriso maroto no canto da boca.)
– … E perpetuar a espécie! hahahahaha Porque isso é instinto, fazer o quê?

B
(Já recomposta, após dar uma gargalhada em alto e bom som ao ler o que A acabara de escrever!)
– Já que temos esta vida, devemos tentar torná-la menos sofrida, mais alegre, menos dura e mais leve, menos triste e mais colorida…

A
(Mais relaxada, resolve abrir o jogo.)
– Acho que eu estou assim mal humorada porque vesti o meu terninho verde… rsrsrs… E ele ainda está meio apertado, hahaha!

B
(Lembra que aconteceu a mesma coisa consigo na semana anterior, e sorri de um canto da orelha até a outra…)
– hahahahahahahaha Deve ser!

Texto por: Ana.

1 Casamento e 4 Funerais

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Quem não gosta de festa de casamento? (Dos outros, principalmente, pois não dói o nosso bolso…)

Ver aquela decoração maravilhosa, bebericar vinho, champagne, whisky, cerveja… Comer salgadinhos maravilhosos, jantares sofisticados, isso sem falar nos bombons e sobremesas sempre de babar… E a mesa de café da manhã? Munida de trufas de diversos sabores, biscoitinhos amanteigados, e licores diversos… Ahhhh! Eu adoro este pecado da gula!

As cerimônias tradicionais de casamento não são menos bonitas e sofisticadas que as recepções que as acompanham, mas confesso que me atraio mais por casamentos em chácaras ou sítios, destes em que já acontece tudo num local só: da cerimônia religiosa ao baile.

Pois a expectativa no final do ano passado era de que, nestes seis primeiros meses do ano, eu iria em 4 casamentos, seria praticamente 1 por mês, e haja laquê no cabelo, haja manicure, haja roupas e haja dieta para caber nelas depois de tanta festa, né? No final das contas, passados alguns problemas de ordem pessoal, estes 4 casamentos se transformaram, até o presente momento, em apenas um, o qual ocorreu neste sábado à noite. Não falarei aqui dos funerais, ainda bem que não houve nenhum até o presente momento, o título foi apenas uma alusão ao filme de comédia britânico, “4 Casamentos e 1 Funeral”, que lançou ao estrelato o inglês Hugh Grant, aclamado por minha mãe como “aquele gato”.

A cerimônia que fomos, tradicionalíssima, aconteceu na gigantesca e solene nave da Basílica de Nossa Senhora de Lourdes. Com direito a coral, quarteto de cordas, e órgão tubular… A igreja fica na movimentada Rua da Bahia, próxima à Faculdade de Direito da UFMG e à Praça da Liberdade, endereço nobre e concorrido pelas noivas mineiras. Estacionamento próximo ao templo é coisa quase impossível, e por isto meu pai nos deixou na porta enquanto procuraria por uma vaga, não sem antes recomendar, com muito zelo, que escolhêssemos o canto DIREITO da Igreja, o lado do noivo, de quem éramos convidados. Tudo isto para que fosse mais fácil a nossa localização pelo “choffeur” (meu pai), quando ele entrasse na igreja.

Já chegamos com alguns minutos de atraso. Os padrinhos e o noivo já tinham entrado, a noiva já estava na porta, recebendo os últimos retoques, esperando para entrar e atravessar a nave da Basílica a caminho do altar com seu véu branco de 7 metros (será isso tudo?), onde encontraria o homem com quem escolheu passar o resto de sua vida, perante uma gigantesca imagem de Nossa Senhora de Lourdes adornada com um igualmente enorme halo luminoso e brilhante sobre a cabeça. Nos encaminhamos para o lado DIREITO, tomando o cuidado de entrar já pela porta da DIREITA, para não ter que atravessar o caminho a ser percorrido pela nubente. Escolhemos nosso banco, o antepenúltimo, já pensando na facilidade de sermos vistos por meu pai, assim que ele chegasse lá.

Até que… Tan-tan-tan-tan… Tan-tan-tan-tan… (Dá início a Marcha Nupcial). Ouço de meu irmão, sério, com seu sarcasmo peculiar: “Olha o noivo ali, olha!” Todos que estavam por perto se alarmaram, mirando na direção em que ele apontava com o olhar. E eis que avistamos um senhor de parca estatura, em seu terno preto risca de giz, do lado ESQUERDO da igreja, passa em frente à porta (que apenas alguns segundos depois se abriu para a noiva), atravessa e pisa no tapete vermelho, olhando para os convivas, e se encaminha em nossa direção. Não pode ser! O meu choro, que sempre chega nesta hora da entrada da noiva e do início da música que todas as mulheres sabem de cor, desde o seu nascimento, foi substituído por uma vontade quase que incontrolável de dar uma gargalhada daquelas! O tal “noivo” de que meu irmão falara, era meu próprio pai!!! Todos viram a gafe, muitos seguraram o riso, como eu…

Para completar o “espetáculo”, eu e minha mãe, com crise de tosse, bem na hora do SIM, éramos respondidas por um companheiro de doença, sentado bem atrás de nós. A seqüência era a seguinte: primeiro eu, cof-cof. Depois mamãe: cof-cof-cof-cof. Depois o senhor, do banco de trás: cof-cof-cof-cof-cof-cooooooof, terminando com um sonoro raspar de garganta, escarrando…

Só seria mais tétrico, caso os minúsculos pagens e damas de honra tivessem realmente derrubado o Ciro Pascal, enorme vela amarela apoiada numa pequena coluna, que se balançava de um lado para o outro, a cada esbarrada de perna dos pequeninos, que se recusavam a ficar quietos. Nossa vizinha, também convidada da festa, ao sair da igreja quebrou os dois saltos de seu escarpin salto 12cm! Foi socorrida pela equipe de manutenção do buffet, que lhe emprestou uma sandália havaiana azul royal, nada a ver com sua roupa, de cor creme. Minha mãe perdeu a pulseira de ouro branco com zircônios, no meio da dança no salão Versailles da casa de recepções…

Como ela mesma diz, entre mortos e feridos, todos se salvaram, vão-se os anéis, ficam-se os dedos… A cerimônia foi linda, a festa idem, impecável, com decoração maravilhosa, de babar mesmo, buffet digno de aplausos…

E que os noivos sejam felizes para sempre!

Ana.

(Foto: ClCosta.)

Desce mais a SAIDEIRA!!!

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É pessoas, o “Comida di Buteco” está chegando ao fim. Mas não sem antes fazer com que tomemos a saideira, a última cervejinha geladáça, com aquele tira-gosto fenomenal que pudemos provar durante o festival…

Nos vemos lá então, na Festa “A Saideira“!

Ana.

De mulher para mulher

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Belo Horizonte, 14 de maio de 2007.

Renata,

Como você está? Eu vou indo…

Sábado eu estava muito carente… Acordei e fui direto ao banheiro, lavar o rosto. O ácido glicólico que venho passando todos as noites finalmente tem dado algum efeito, pois creio que minha cútis tem se tornado cada dia mais fina e clara.

A água gelada que me molhava as bochechas e as mãos misturaram-se com gotas outras, cálidas e salgadas: lágrimas que brotavam de minha alma maltratada e só. Este choro matinal repentino me apertou a garganta, e trouxe um gosto amargo à boca. Apesar de ter bebido um bocado também na noite anterior, era diferente, mais doído, mais sentido.

Aproveitei o ensejo e escovei os dentes. Até minha escova também me fazia lembrar dele: é elétrica e de sua cor preferida, e fora um presente dado poucos meses atrás. A única lembrança guardada, também, a de mais prática utilidade.

Sentei-me à mesa para o desjejum. Servi-me de café preto e forte num copo de vidro, destes americanos. Era também assim também que ele bebia, dispensando a xícara e o pires, coisas de ingleses frescos, segundo seus ilógicos pensamentos. Vai entender…

Levei o copo fumegante à boca, nem aguardei que o líquido negro esfriasse um pouco, e também, esqueci de assoprar a fumaça que teimava em subir e condensar nas bordas do vidro. Sorvi a bebida. Eca, amargo! Resmunguei em voz alta. Esqueci o adoçante… 7 gotas, como minha mãe me ensinara há tantos anos. Assim o fiz, repetindo esta cena, que protagonizava todos os dias pelas manhãs: contei 1, 2, 3, espremi bem o vidro, saiu logo um jato. Ah, no total devem ter sido 7 gotas. Misturei e tornei a beber. Queimei a língua novamente, como era de se esperar. Um dia ainda terei uma doença grave de tanto sapecar minha língua, pensei, dando de ombros, enquanto passava a manteiga na torrada, recém assada.

Nem consegui morder o pão. Uma torrente de lembranças assolou meu ser, e o café, antes doce pelo aspartame, tornou-se salgado e amargo. Tudo outra vez… A partir daí, não enxerguei mais nada, mergulhando cada vez mais fundo em meu pranto de solidão.

Não sei quanto tempo se passou, mas de súbito, ouvi uma voz. Reconheci: mamãe me chamava e acariciava meus cabelos, ainda despenteados. Filha, lave o rosto, está inchado! Você me parece horrível… Precisamos fazer alguma coisa… Foi o que ela me disse, sempre conscienciosa, direta e firme, mas nem por isso, pouco terna.

Respirei fundo, levantando a cabeça. Doíam-me as têmporas. Assoei o nariz de uma só vez, como que expulsando de mim aquela dor, o que me fazia sofrer. Limpei com o papel toalha, por nós utilizado à mesa como guardanapo.

É mãe, vamos fazer compras! E abrimos os sorrisos, e nos abraçamos, e nos entendemos, e nos cuidamos.

Após R$ 767,45 a menos em minha conta-corrente, fiquei bem, e o meu guarda-roupas, mais cheio. Nada como um dia no shopping para melhorar o humor de qualquer mulher na TPM!

Cuide-se, minha amiga. Espero notícias suas.

Um beijo,

Geórgia.

... 2007 ...

(Foto by lluma2007.)

Texto por: Ana.