Arquivo da categoria: Causos

O SAMBA MORA AQUI

Padrão
ESTE TEXTO FICARÁ AQUI NO TOPO ATÉ 26/03/2006.
Para quem estará em BH nos finais de semana deste mês, a boa pedida será assistir ao show da banda Chapéu Panamá!
JEQUITIBAR, Av. Assis Chateaubriand, nº 573 – Floresta.
Domingos de Março (12, 19 e 26), a partir das 17h.
Entrada+Couvert: R$ 7,00 Masculino e R$ 5,00 Feminino.

Se você é assinante do Estado de Minas, confira no caderno “Divirta-se” do dia 10/03, foto com a banda.

O Questionário Proust

Padrão

Na expectativa de amenizar o marasmo da tarde de hoje (que, diga-se de passagem, está quente demais – fato este agravado pelo mesquinho impulso dos “dirigentes” do meu escritório em poupar a energia do ar condicionado em detrimento dos nossos neurônios), resolvi compartilhar algumas das minhas idéias, ou simplesmente, algumas observações com você, prezado leitor.

Aqueles que me conhecem um pouco sabem da minha profunda admiração pelo escritor Marcel Proust, considerado um dos maiores escritores franceses do século XIX. Aliás, a própria definição do século do qual Marcel participa como principal expoente é controvertida, vez que sua obra foi publicada no século XX, mas foi escrita quase que exclusivamente no século anterior, trata de fatos acontecidos no século XIX, e só não foi publicada por falta de interesse editorial (ou será “falta de perspicácia editorial”?).

Marcel ficou célebre por sua obra Em Busca do Tempo Perdido, saga de sete volumes na qual destacou-se uma antológica descrição da percepção do tempo advinda dos sentidos: o momento em que o narrador, já adulto, prova uma madeleine (espécie de bolinho com aroma de limão ou amêndoas) com chá, sabor que o remete à sua infância e é responsável pelo despertar de inúmeras sensações em seu íntimo. Esta descrição da memória involuntária é considerada por muitos como o ápice da obra, e foi ela que tornou Proust mundialmente conhecido, assim como as madeleines, claro!

Lá pelos idos de 1886, o então futuro escritor, na época com treze anos de idade, estava na festa da prima, Antoinette, e foi convidado a preencher um questionário. Era uma “modinha”, como se diz, uma brincadeira que teve origem na Inglaterra vitoriana, e que consistia numa diversão de salão chamada “Confissões”, na qual os participantes respondiam a uma pequena lista de perguntas pessoais. Essa se tornou uma brincadeira bastante comum nos refinados salões da Belle Époque, e se tornou uma fonte de assuntos e de animações para as festas, uma forma original de entreter os convidados.

Proust respondeu ao mesmo questionário duas vezes na vida, a primeira quando era menino, aos treze anos de idade, e outra, já um rapaz de vinte anos, quando servia o exército francês. As respostas do gênio da literatura francesa tornaram o modelo de questionário tão famoso que virou uma espécie de padrão até de entrevistas jornalísticas! Hoje, o pouco que se sabe da vida pessoal de Proust foi praticamente “deduzido” dos questionários respondidos, reencontrados pelo filho da prima Antoinette, e publicados em 1924. Através do questionário, pode-se conhecer bastante da personalidade e das aspirações do escritor, o que sempre instigou críticos, admiradores e fãs como eu. Em homenagem ao autor de Em Busca do Tempo Perdido, que gostava do jogo, a brincadeira é internacionalmente conhecida hoje pelo nome de “Questionário Proust”.

A grandiosa obra de Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido, trata, em resumo, dos contratempos de uma existência na procura da realização pessoal e da satisfação dos sentidos, do magnífico encontro das aspirações pessoais com a descoberta da realidade (que nada mais é do que a percepção – e compreensão analítica – das convicções íntimas do ser humano inserido num núcleo social). Não se trata, a Busca de uma autobiografia, como muito já se especulou por aí, mas o narrador, Marcel, como comumente acontece com os autores e suas obras, não se desprende, em momento algum da pessoa de seu criador. E muito do que Marcel (o personagem) buscava, Marcel Proust (o escritor) já havia descrito em seu questionário! No entanto, Marcel Proust gastou toda uma vida para chegar a esta conclusão, para atingir o fim da busca de si mesmo, em O Tempo Redescoberto, último volume da saga.

A reprodução da versão original em inglês das respostas dos questionários que o próprio Proust respondeu, aos treze anos – algumas das respostas surpreendem pela maturidade, como por exemplo Who are your favorite heroines in real life?/A woman of genius leading an ordinary life (Quem é sua heroína na vida real? Uma mulher de inteligência extraordinária com uma vida comum)- e aos vinte anos foi transcrita por mim ao final desse texto, vale a pena conferir.

E você, caro leitor, já pensou sobre o SEU encontro com você mesmo?

Então, quem sabe você não começa como Proust, com um simples questionário dirigido a você mesmo…? Além deste ser um ótimo exercício de auto conhecimento, as respostas obtidas podem ser surpreendentes, e até mesmo reveladoras.

1. Qual é sua maior qualidade?

2. E seu maior defeito?

3. A característica mais importante em um homem?

4. E em uma mulher?

5. O que você mais aprecia nos seus amigos?

6. Sua atividade favorita é…

7. Qual é sua idéia de felicidade?

8. E o que seria a maior das tragédias?

9. Quem você gostaria de ser, se não fosse você mesmo?

10.E onde gostaria de viver?

11.Qual sua cor favorita?

12.Uma flor?

13.Um pássaro?

14.Seus autores preferidos?

15.E os poetas de que mais gosta?

16.Quem são seus heróis de ficção?

17.E as heroínas?

18.Seu compositor favorito é…

19.E os pintores que você mais curte?

20.Quem são suas heroínas na vida real?

21.E quem são seus heróis?

22.Qual é sua palavra favorita?

23.O que você mais detesta?

24.Quais são os personagens históricos que você mais despreza?

25.Quais dons da Natureza que você gostaria de possuir?

26.Como você gostaria de morrer?

27.Qual seu atual estado de espírito?

28.Que defeito é mais fácil perdoar?

29.Qual é o lema da sua vida?

Madeleine e Chá
– Vai uma Madeleine aí?

Texto por Bela.

P.S.: Recebemos tantos pedidos de leitores para que enviássemos o questionário respondido pelo Proust que resolvi editar o texto original e publicar aqui mesmo as respostas do escritor:

Respostas do Proust aos 13 anos

What do you regard as the lowest depth of misery?
To be separated from Mama
Where would you like to live?
In the country of the Ideal, or, rather, of my ideal
What is your idea of earthly happiness?
To live in contact with those I love, with the beauties of nature, with a quantity of books and music, and to have, within easy distance, a French theater
To what faults do you feel most indulgent?
To a life deprived of the works of genius
Who are your favorite heroes of fiction?
Those of romance and poetry, those who are the expression of an ideal rather than an imitation of the real
Who are your favorite characters in history?
A mixture of Socrates, Pericles, Mahomet, Pliny the Younger and Augustin Thierry
Who are your favorite heroines in real life?
A woman of genius leading an ordinary life
Who are your favorite heroines of fiction?
Those who are more than women without ceasing to be womanly; everything that is tender, poetic, pure and in every way beautiful
Your favorite painter?
Meissonier
Your favorite musician?
Mozart
The quality you most admire in a man?
Intelligence, moral sense
The quality you most admire in a woman?
Gentleness, naturalness, intelligence
Your favorite virtue?
All virtues that are not limited to a sect: the universal virtues
Your favorite occupation?
Reading, dreaming, and writing verse
Who would you have liked to be?
Since the question does not arise, I prefer not to answer it. All the same, I should very much have liked to be Pliny the Younger.

Respostas do Proust aos 20 anos

Your most marked characteristic?
A craving to be loved, or, to be more precise, to be caressed and spoiled rather than to be admired
The quality you most like in a man?
Feminine charm
The quality you most like in a woman?
A man’s virtues, and frankness in friendship
What do you most value in your friends?
Tenderness – provided they possess a physical charm which makes their tenderness worth having
What is your principle defect?
Lack of understanding; weakness of will
What is your favorite occupation?
Loving
What is your dream of happiness?
Not, I fear, a very elevated one. I really haven’t the courage to say what it is, and if I did I should probably destroy it by the mere fact of putting it into words.
What to your mind would be the greatest of misfortunes?
Never to have known my mother or my grandmother
What would you like to be?
Myself – as those whom I admire would like me to be
In what country would you like to live?
One where certain things that I want would be realized – and where feelings of tenderness would always be reciprocated. [Proust’s underlining]
What is your favorite color?
Beauty lies not in colors but in thier harmony
What is your favorite flower?
Hers – but apart from that, all
What is your favorite bird?
The swallow
Who are your favorite prose writers?
At the moment, Anatole France and Pierre Loti
Who are your favorite poets?
Baudelaire and Alfred de Vigny
Who is your favorite hero of fiction?
Hamlet
Who are your favorite heroines of fiction?
Phedre (crossed out) Berenice
Who are your favorite composers?
Beethoven, Wagner, Schumann
Who are your favorite painters?
Leonardo da Vinci, Rembrandt
Who are your heroes in real life?
Monsieur Darlu, Monsieur Boutroux (professors)
Who are your favorite heroines of history?
Cleopatra
What are your favorite names?
I only have one at a time
What is it you most dislike?
My own worst qualities
What historical figures do you most despise?
I am not sufficiently educated to say
What event in military history do you most admire?
My own enlistment as a volunteer!
What reform do you most admire?
(no response)
What natural gift would you most like to possess?
Will power and irresistible charm
How would you like to die?
A better man than I am, and much beloved
What is your present state of mind?
Annoyance at having to think about myself in order to answer these questions
To what faults do you feel most indulgent?
Those that I understand
What is your motto?
I prefer not to say, for fear it might bring me bad luck.

(Texto editado em 23/10/2006)

Volta Dô, volta Dô, volta Dô!!!

Padrão
Eu sei, é natural, todo mundo tem, é característico de quem ama. Mas exageros à parte o CIÚME é um sentimento ruim…

Do Novo Dicionário Aurélio (p. 333) trago o verdadeiro significado da palavra:

Ciume. 1. Sentimento doloroso que as exigências de um amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a certeza de sua infidelidade, fazem nascer em alguém; zelos. 2. Emulação, competição, rivalidade. 3. Despeito invejoso, inveja. 4. Receio de perder alguma coisa; cuidado, zelo.

Repito, todo mundo tem ciúme!
Ciúme da pessoa amada; do beijo dos pais no outro irmão; dos irmãos que entre si fazem brincadeiras; do chefe que puxa mais saco de outro colega; dos amigos da faculdade que ficam mais companheiros de uns do que de outros; das coisas pessoais que alguém mexeu; do pedaço de bolo entregue pela mãe ao irmão caçula; do namorado com aquela amizade feminina e da namorada com algum amigo, mesmo que de infância; do recadinho no orkut; do convite pra festa que não chegou na mão de todos…
E acreditem até no nosso blog há ciumentas…. heheheh…. conto ou não conto???
Tem gente por ai com ciúme…

Mesmo distante, nós aqui e ela lá, lá em Londres, sem escrever nenhum post pra gente há mais de dois meses, sem uma notícia sobre a terra da rainha Elizabeth… está com ciúmes… que “bunitinhooooo”.
Desculpa Dô, desculpa Ana, desculpa Bela, mas vou precisar ser franca: A Dô está com ciúme das demais mineiras uai, sob o argumento de que tiraram o espaço dela pra escrever…. ah não, ah não, ah não!

Estou sentido que ela precisa ser adulada: volta Dô! volta Dô! volta Dô!
O seu lugar é aqui, olha ali, olha ali do lado direito, está vendo aquela fotinha, nós 3 juntinhas, naquele dia da sua despedida na Utópica… foi bom demais… e as outras fotos do blog, no sítio do Hênio, no escritório…
Ei Dô temos ciúme de você também porque te amamos!
E não queremos te perder; queremos saber das aventuras da Super Dô nessa terra de rei; queremos notícias do namoro e também temos ciúme do tempo dedicado ao Rogério e não ao blog; queremos cuidar de você como sempre foi e será mineira, uai!

Alguém ai viu o lugar da Dô ser repassado a outra pessoa? Não, absolutamente não! Preciso de ajuda para colocar isso nessa cabeça doidinha…
A Bela integrou no nosso grupo para nos dar a honra de desfrutar e participar das suas histórias e discussões. E assim que você estiver no Brasil vai adorar conhecê-la, ainda mais que ela também tem um “ar europeu” como você, afinal foram 06 anos morando na França e conhecendo o resto da Europa, como Londres. Daí virão outras afinidades.

Dôoooooo…. deixa de ser “marrenta”!
Você pode até estar com raiva de mim agora, mas não fica não. Não fica com ciúme, não fica com inveja, o seu lugar é aqui, junto com a gente, no Mineiras, uai!

Beijos no coração e te adoro muiiiiitoooooo!!!!

PS: Dô, e se esse ciuminho for coisa de idade, só porque está chegando seu aniversário no próximo dia 30, não vou te dar presente não… hehehehe…

Um durango na Daslu

Padrão
Sempre tive vontade de conhecer essa tal de Daslu. Já que estava em São Paulo, por quê não ir? Ainda mais depois que me disseram que lá não existe nenhuma peça que custe menos de três dígitos, resolvi dar uma de São Tomé e ver para crer.

A entrada já foi um problema. O segurança perguntou pelo meu carro – ou motorista. Quem já foi sabe muito bem: na Daslu – acreditem – não se entra a pé, somente motorizado. Fingi que não era comigo e entrei. Fui recepcionado por uma loira escultural com sorriso de anúncio de dentifrício, uma sósia escrita e escarrada da Ana Hickman – com direito a 1m30 de pernas, chapinha no cabelo, olho azul e muito mais.

“Where are you from?”
“Belém do Pará”.
“I beg your pardon!”

Tava na cara que eu não era paulistano. Mas daí a me confundir com gringo, já é demais. Eu lá tenho cara de estrangeiro! Como um cão sabujo, onde eu ia, ela ia atrás. Dos milhares de itens que admirei boquiaberto, um em particular me encantou. Uma bolsa tiracolo Prada pra lá de maneira que imaginei que coubesse no meu orçamento. Ressabiado, indaguei o preço.

“Nove, apenas nove. E o senhor pode dividir de três vezes no cartão”.
“Nove o quê?”
“Nove mil…”
“Égua!”

A pequena ficou tão assustada com minha reação que cheguei a pensar que fosse chamar os seguranças. Mas não. Acho que ela sacou que daquele mato não sairia cachorro, no máximo um carrapato. Fechou a cara, deu meia-volta e sumiu. Já que estava na chuva, resolvi me molhar.

Entrei num salão onde só tinha Armani. Como já estava enturmado, perguntei o preço de um “vestidinho” de festa. Adivinhem? 100.000 pilas. Tu és doido! Uma estola de zibelina? 60.000. Fico imaginando quantos bichinhos foram sacrificados para esquentar o lombo de uma madame. Um blaser Ermenegildo Zegna (isso lá é nome de grife?), 13.000. Um óculos Gucci, 4.500. Uma cuequinha básica do Valentino, 260. Com direito a ouvir essa pérola do vendedor:

“Leve logo meia dúzia, tá na promoção!”.

Imaginem quanto ela custava antes.

Na adega climatizada não foi diferente. Um Romaneé-Conti, safra 2000 – aquele do Lula – estava por módicos 8.000 reais. Uma garrafa de Johnnie Walker Blue, envelhecida 80 anos – uma das raras existentes no planeta, 55.000.

Fiz as contas e verifiquei que no final saí no lucro. “Charlei”, vi gente famosa, coisas bonitas, tomei mineral Badoit, capuccino, Prosecco, champanhe Taittinger, fartei-me de canapés, fois gras, blinis com caviar (não era Beluga). Sou duro, mas sei o que é bom. Até confit de canard tracei. De quebra, profiteroles e apetitosos bombons trufados. As horas passaram voando. Minha acompanhante finalmente apareceu e perguntou:

“Vamos almoçar?”
“Almoço? Estou almoçado e jantado!”

Depois de conhecer quase tudo descobri que a Daslu é uma espécie de zoológico sem grades. Só que os bichos somos nós. Eu e você. Acabado, me esparramei num confortável sofá. Enquanto esperava o resto da turma chegar, abri um livro e relaxei. Mal virei a segunda página, dois novos ricos falando alto, com mais sacolas do que mãos, sentaram ao meu lado esnobando:

“Amanhã vamos para o nosso haras em Catanduva. O réveillon será no Guarujá”.

Me deu uma raiva… Peguei meu celular e resolvi mentir um pouco:

“Fulano, não encontrei nenhum ‘Summer’ para o réveillon. Abastece o jatinho. Partimos amanhã cedo para Paris. Essa Daslu tá um lixo!”

A cara que os dois fizeram, não tem preço.

Daslu
“Sempre tive vontade de conhecer essa tal de Daslu. Já que estava em São Paulo, por quê não ir?”

*****************************************************************

Este texto é de autoria do escritor Denis Cavalcante, que publica crônicas como esta para o jornal O Liberal, de Belém do Pará. Recebi-o por e-mail, e fui logo “googlezando” o nome do autor, para confirmar a autoria. Encontrei este link no google, onde aparecia um texto (igualmente fantástico), foto e e-mail do autor.

Enviei um e-mail. Ele não só me respondeu confirmando a autoria, como também autorizou a publicação do mesmo em nosso blog.

Espero que tenham gostado!

Bom resto de final de semana chuvoso a todos…

Ana.

Rir de si mesmo é o melhor remédio

Padrão

6horas
Que barulho estranho é esse? A casa está pegando fogo? São os bombeiros chegando??? Pombas, é o despertador número 1… Será possível? Ainda está escuro lá fora e meu travesseiro aqui, tão fofinho!

6horas e 5 minutos

Droga, dessa vez é o despertador número 2. Vou ter que levantar. Espera aí, deixa eu ver antes que horas são. Bem, se eu tenho que chegar lá às 7h30, preciso sair de casa no máximo às 7h00. Se bem que nesse horário não tem trânsito, dá para eu sair às 7h10. Ou seja, se eu quiser tomar banho, lavar e secar o cabelo, tomar um café da manhã decente, escolher a minha roupa, passar uma maquiagem básica, tenho que estar de pé às 6h10. Que bom, tenho mais cinco minutos!


6horas e 10 minutos

Acho que posso dormir mais 5 minutos. Ninguém precisa passar pré-shampoo, duas mãos de shampoo, pós shampoo, condicionador e silicone todo dia. Se eu eliminar as preliminares e passar shampoo uma única vez e ficar só com o condicionador, dá para ganhar mais uns cinco minutinhos de sono.


6horas e 15 minutos

Ah, quer saber, não sou garota propaganda de shampoo! Não ganho pra isso, não tenho que lavar o cabelo todo santo dia! Ele até que está apresentável, lavei ontem à tarde e ainda sequei com secador. Não tem nem um fio fora do lugar, só essa parte aqui em que apoiei a cabeça no travesseiro que está meio amassada, mas isso a gente resolve com chapinha, e eu ganho mais 15 minutos de sono!


6 horas e 30 minutos

Ai meu Deus! Levantei com o pé esquerdo! Como pude fazer isso???? Agora vou ter que dormir mais cinco minutos para acordar e levantar de novo!


6 horas e 35 minutos

Veja bem, a audiência é às 8 horas, não preciso chegar lá com meia hora de antecedência. Ninguém chega mesmo, nem o juiz. Aliás, ele é o que mais atrasa! Posso sair daqui às 7h25 e aí chegarei lá às 7h52 mais ou menos. Dá tempo de sobra. Posso dormir mais uns 10 minutinhos.


6 horas e 45 minutos

Quem disse que eu quero tomar café da manhã? Nem estou com fome. É, não estou com a mínima fome! É até bom que eu economizo calorias pro almoço. Tsc, tsc, tsc. Dizem que pular uma refeição engorda, e parece que o café da manhã é a mais importante delas…Ah, eu levo uma maçã para eu comer no escritório. Só uma vez. Não faz mal, só uma vezinha.

6 horas e 55 minutos

Agora tenho que levantar mesmo, não tem escapatória. Preciso arrumar uma roupa decente, e nem sei o que está disponível no armário. Talvez eu tenha até que passar alguma coisa, então não tem jeito mesmo. A não ser que eu coloque meu terninho verde… Curinga! O terninho verde, perfeito! E ainda fico super bem nele! Se eu dormir mais cinco minutos então, vou acordar super bem humorada.

6 horas e 57 minutos

Ops… Acho que a última vez que eu usei o terninho verde ele estava um pouco apertado. Azar, é só eu usar a minha meia calça Lift que aperta tudo e diminui dois números que vou ficar ótima. Mas aposto que hoje vai fazer calor, e vou sofrer horrores com a meia calça. Melhor eu usar a minha saia vinho com o scarpin preto de salto alto. De salto alto não, minha unha do dedinho ainda está doendo. Manicure safada! Já sei: saia vinho, scarpin de salto baixo preto, blusa preta básica, blazer preto básico e bolsa preta pequena, aquela que ganhei no Natal. Pronto. Calma, agora deixa eu relaxar meus cinco minutinhos, senão vou ficar com olheiras enormes.

7 horas e 5 minutos

O quê? Como fui dormir esses três minutos a mais? Cadê minha saia vinho? Meu Deus, onde foi parar a saia vinho? Tem dois meses que não a uso, não é possível ela não estar pendurada no armário! E esse cabelo? Até parece que tem vida própria! De onde surgiu esse calombo? Não estava aqui ontem à noite quando eu fui dormir! A maçã não está entrando na bolsa, e agora? Aposto que é maçã transgênica, não é possível uma maçã tão monstruosamente grande! Eu também não quero comer essa maçã, vai fazer menos mal passar fome! Vou prender o cabelo, assim disfarço esse calombo. Onde está meu passador? Por que diabos o passador preto não está na minha caixa de passadores??? Espera, acho que eu não tenho passador preto! Droga, sabia que não estava cabendo no terninho verde, a calça nem fecha o zíper! Vou ter que achar a meia-calça. E o scarpin de salto. Acabei de ver que o scarpin sem salto não está engraxado…E a bolsa? Ah, está ali ao lado da maçã transgênica. E o celular? O celular? O celular? O celular???


7h25
Lição aprendida: é tudo culpa dos três minutos!


Agora com licencinha, pois já são 7:56h e estou entrando pra audiência!

Beijo,

Bela.

Obs: Este foi o 1º texto da Bela publicado no blog. Para conhecê-la um pouco mais, leia ESTE TEXTO!
Ass.: Mineiras, uai!

A Bela Mineira

Padrão
Mineira Bela, com um toque Français, chega com seu jeitinho sério e calado, seus óculos estilo gatinha, e um olhar estarrecedor…

Quem vê, pensa que é tímida, desconfiada a Bela Mineira. Desconfiada sim, como são todos os mineiros, mas tímida não!
Gosta de falar, e só fala a verdade. Gosta de ler e por aqui sempre deixa seu recado.

Nem sempre seu jeito agrada. Tem gente que acha chato, áspero, duro, frio… Mas ela é assim. Autêntica, única, tatuada, advogada, Bela, mineira.

Elegante, gosta de preto, tênis All Star, só lê livros em seu idioma original, e tem milhares deles! Com seu ar de professora, nos ensina sobre amar, sentir ciúmes, medo, e ao confessar loucuras, parece uma adolescente. Está sempre atenta ao que acontece à sua volta, e com o mundo se preocupa…

Quem só escuta pensa até que é esnobe, metida. Não, isso não! Sua alma é assim, sábia e inconseqüente, tudo ao mesmo tempo.

Ver Bela é presenciar um turbilhão de emoções, um furacão capaz de arrebatar cada coração ao seu redor com admiração, carinho, atenção, flechadas de verdades absolutas e incontestáveis, carregadas por vinte e alguns anos de Proust, Rousseau, Maquiavel, J. K. Rowling, Tolkien, Caio Mário, Dan Brown, De Rose, Griswold, Wonka & McFly… E por que não, Mineiras, Uai!?

Por estas e outras a partir de agora ela integrará nosso meio, será mais uma “mineira uai”. Será não, já é!

Bela, seja bem vinda ao Mineiras, Uai! Que este seja um tempo de divertimento e reflexão, que nos brinde sempre com seu humor e sabedoria, franqueza e
elegance!

Bela & Miró, The Cat


E que nossos leitores se deliciem com mais textos regados a humor, cultura e informação!

Ana, Lú e Dô

Chamada a Cobrar… II

Padrão
Para ler a 1ª parte desta história, clique aqui.

1º de Fevereiro – 4ª Feira de Cinzas

Hora: 20′ 40”

– Alô, aí é da Polícia Rodoviária Federal?
– É sim. O que deseja?
– Aqui é o Ângelo, de Belo Horizonte. Eu gostaria de me informar sobre um possível acidente…
– Pode falar, senhor.
– Sabe me informar se houve algum acidente hoje, do tipo engavetamento de uns 04 carros mais um ônibus, ou uma carreta, na BR próxima de Juiz de Fora, por volta das 17, 18 horas?
– Um momento que vou verificar, senhor.
….
….
….
– Não… é Ângelo, né? Não houve nenhum acidente deste tipo neste trecho.
– E é possível verificar para mim se há algum “Tenente Coronel Saldanha” na corporação?
– É possível sim, só um momento.
….
….
….
….
….
….
– Olha, senhor Ângelo, não há nenhum TENTENTE CORONEL aqui na Polícia Rodoviária não, muito menos de “nome” Saldanha… O senhor deve verificar isso, provavelmente foi um trote ou alguém tentando aplicar algum GOLPE.

Golpe

“[…] provavelmente foi um trote ou alguém tentando aplicar algum GOLPE.”

– The End –

Pessoal,

Muitos de vocês desconfiaram de trote, outros acertaram na mosca a tentativa de golpe. Resolvi relatar aqui o ocorrido com minha família pois este tipo de golpe está sendo muito comum. Na maioria das vezes, o “policial”, ou “bombeiro” que telefona a cobrar, depois de já ter enganado a pessoa ao falar do acidente, geralmente envolvendo parentes ou cônjuge da vítima (pessoa que recebeu a chamada a cobrar), revela ser na realidade um seqüestrador, e tentará extorquir tudo quanto possa da pessoa.

Tudo mentira, claro. De acordo com a Polícia, este golpe está partindo de dentro de presídios, e a recomendação é de desligar imediatamente o telefone.

Não tivemos maiores problemas, afinal, estávamos todos em casa, não temos parentes em Juiz de Fora, e os tios que moram no Espírito Santo não viajaram para Minas no Carnaval. Isto sem contar nas incongruências e informações divergentes passadas pelo suposto “Polícial Rodoviário”. Mesmo assim, é sempre bom ficarmos todos atentos!

Excelente final de semana a todos!

Beijos,

Ana Letícia.

Chamada a cobrar

Padrão
O Mistério
1º de Fevereiro – 4ª Feira de Cinzas
Hora: 17′ 35”

(Som de telefone tocando)
– Alô?
tan-nan, tan-nanan, tan-nanan! Chamada a cobrar, para aceitá-la continue na linha, após a identificação: tililuuu-lííí! Alô!
– Quem está falando?
– Err… Aqui é o Tenente Coronel Saldanha, eu estou aqui na estrada, próximo a Juiz de Fora, e houve um acidente de uma carreta e 4 carros. No meio dos escombros encontrei uma caderneta com este número de telefone, estou ligando para saber se vocês podem identificar a pessoa…
– Quê? Acidente? Com quem?
– Aí é 3131-3131? De Belo Horizonte?
– É sim. Mas este telefone estava anotado com o nome de quem? Amélia… Ângelo… Ana…
– Isso, Ângelo.
– Então vou passar para ele.
– Alô!
– Alô, Ângelo? Aqui é o Tenente Coronel Saldanha, eu estou aqui na estrada, próximo a Juiz de Fora, e houve um acidente com um ônibus e 4 carros. No meio dos escombros encontrei uma caderneta com este número de telefone, estou ligando para saber se você pode identificar a pessoa…
– Mas de que carro você pegou o meu telefone?
– Err… Eram 04 veículos…
– Stilo?
– Não, VEÍCULOS. Foram 04 veículos no engavetamento com uma carreta… Err… Ônibus. Perto de Juiz de Fora… Você tem parentes em Juiz de Fora?
– Não!
– O Ônibus vinha do Espírio Santo…
– Olha, não sei de ninguém que tenha passado Carnaval por essas bandas não. Infelizmente não posso ajudar. Quando o senhor tiver mais informações pode ligar novamente.
tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu

Correria pela casa. “Será que o pessoal da Vet passou carnaval por aqueles lados?” “Será que foram as meninas do Loyola? Acho que elas foram pra Tiradentes, passa pela mesma estrada…” “Mas o policial não falou o nome de ninguém daqui de casa, a mamãe é que falou os nomes…” “Que eu saiba a Polícia Rodoviária não liga a cobrar pra casa das pessoas…” “Estranho.” “Deve ter sido engano.” “Mas engano com o telefone daqui de casa no meio de um acidente?” “E o que um ônibus do Espírito Santo vai estar fazendo na BR-040 próximo a Juiz de Fora?” “E Tiradentes é longe de Juiz de Fora.” “Não, não, me confundi, elas foram pra Diamantina, nada a ver com Juiz de Fora.”

“Chamada a cobrar, para aceitá-la continue na linha, após a identificação: tililuuu-lííí!”

Texto por: Ana Letícia

EXPECTATIVA, REALIZAÇÃO E EXAUSTÃO

Padrão


Desde novembro estava com meu quartinho reservado numa república feminina em Diamantina, para passar os dias de carnaval. Foi meu 5º ano naquela cidade, delirando com as músicas e coreografias da Bartucada e Batcaverna, além das turmas típicas: os contonetes, os pererecas, os índios, os cariocas do Titi, etc…

Minhas companheiras: Lets, Claudinha, Line, Camila e Marcela
Claro que já estava previsto um engarrafamento na saída de BH para Diamantina, blitz na estrada e tráfego lento, mas não imaginávamos que seria tanto: longo após Paraopeba, antes da tal ponte que caiu, o congestionamento já estava gigante. Gigante não, MONSTRO!
Nunca gastei tanto tempo para ir de BH a Curvelo (minha cidade do coração): foram exatamente 05 horas de viagem, isso significa que no congestionamento gastamos aproximadamente 03 horas.
Mas tudo estava valendo, afinal iríamos para o melhor carnaval de Minas: “Em Diamantina, tudo é diferente, a galera é boa, a galera é nossa, a galera é quente”.
Chegamos em Curvelo com fome e cansadas, ainda bem que meus pais estavam lá. Resolvemos dar uma parada e dormir em camas firmes (porque durante o carnaval é só colchonete heheh)
6h da matina de sábado, continuamos o caminho. Antes das 8h já estávamos em Diamantina, escutando a vibração da Bartucada, que sempre termina de tocar após as 8h. Arrumamos tudo em casa, e fomos pra rua nos divertir!
Nossa república foi ótima porque não acabou água nenhum dia, e conseguimos colocar ordem no banheiro (não é Claudinha!)


Um contratempo fez nossa primeira companheira desistir da viagem.
No domingo a Marcela veio embora pra BH, mas curtirmos pra nós e pra ela! A única dificuldade foi voltar pra casa, porque já não tinha mais ônibus direto pra BH nem na terça, nem na quarta-feira. Mas demos um jeitinho indo para Curvelo e de lá pra cá, com a boa vontade e disposição do tio Wagner (tio da Claudinha).

Durante todas as tardes, o point era a casa dos Pererecas “é só amor, é só alegria, pere, pere, pere, é perereca noite e dia…”
À tardinha concentração no palco da Batcaverna, bandanas, coreografias, pulação, cerveja e alegria! De noite a esperada Bartucada! Não há como ficar parado! É uma energia que só sente quem está lá!
Nestes 05 carnavais em Diamantina, a música chave da Bartucada sempre foi Eu sou o Sol, ela é a Lua, quando eu chego em casa, ela já foi pra rua… vagabunda!” (tanto que o símbolo da Bartucada é o sol unido à lua). Mas este ano confesso que uma música marcou mais (vamos lá Lets, Claudinha, Line e Camila): “Nega! Óculos escuros! Na parede, na parede, na parede dos meus sonhos. Por essa nega eu ponho roupa nova, uso óculos escuro! Desço do muro! Ela sabe me fazer feliz!”
E pra vocês a foto está ai: (mas só serve de óculos virado, né meninas??)


Rimos muito, divertimos pra caramba, fomos felizes!
A única coisa que me deixou triste foi ver a imundice da cidade. Realmente eu estava com nojo de andar nas ruas e sentir aquela água suja espirrando nas pernas. Sem tênis não dava pra sair.
De manhã cedo a gente sentia aquele cheiro horrível de mijo com “não sei o quê” subindo quando o sol começava a esquentar. E logo depois que a Bartucada parava de tocar (entre 8 e 10 da manhã) a cidade era lavada com água e sabão, mas o cheiro não diminuía.
Tem muito folião porco! Muita gente de Minas e fora daqui que não dá valor ao lugar que está. Não têm educação!
Tirando esses incidentes, o carnaval foi ótimo, adorei a companhia das minhas amigas e ano que vem vamos tomar outro rumo, mas o coração é sempre bartuqueiro!


Se Deus é brasileiro, a vida é um grande carnaval;
Se Deus é bartuqueiro, a vida é sempre carnaval!

Beijos,

Lú.

Acabou-se

Padrão
Colagem

Foi-se o horário de verão…
E como se este presente já não bastasse, ganhamos um dia digno de “Beaultiful Day”, “What a Wonderful World”, e “O que é o que é” (“Viver! E não ter a vergonha de ser feliz…“).
E a semana começa, em ritmo nada carnavalesco: muito trabalho, prazos, estudo e aulas pela frente!

Abraços,

Ana Letícia

Ps: Mais fotos? Clique aqui.