Chamada a cobrar

Padrão
O Mistério
1º de Fevereiro – 4ª Feira de Cinzas
Hora: 17′ 35”

(Som de telefone tocando)
– Alô?
tan-nan, tan-nanan, tan-nanan! Chamada a cobrar, para aceitá-la continue na linha, após a identificação: tililuuu-lííí! Alô!
– Quem está falando?
– Err… Aqui é o Tenente Coronel Saldanha, eu estou aqui na estrada, próximo a Juiz de Fora, e houve um acidente de uma carreta e 4 carros. No meio dos escombros encontrei uma caderneta com este número de telefone, estou ligando para saber se vocês podem identificar a pessoa…
– Quê? Acidente? Com quem?
– Aí é 3131-3131? De Belo Horizonte?
– É sim. Mas este telefone estava anotado com o nome de quem? Amélia… Ângelo… Ana…
– Isso, Ângelo.
– Então vou passar para ele.
– Alô!
– Alô, Ângelo? Aqui é o Tenente Coronel Saldanha, eu estou aqui na estrada, próximo a Juiz de Fora, e houve um acidente com um ônibus e 4 carros. No meio dos escombros encontrei uma caderneta com este número de telefone, estou ligando para saber se você pode identificar a pessoa…
– Mas de que carro você pegou o meu telefone?
– Err… Eram 04 veículos…
– Stilo?
– Não, VEÍCULOS. Foram 04 veículos no engavetamento com uma carreta… Err… Ônibus. Perto de Juiz de Fora… Você tem parentes em Juiz de Fora?
– Não!
– O Ônibus vinha do Espírio Santo…
– Olha, não sei de ninguém que tenha passado Carnaval por essas bandas não. Infelizmente não posso ajudar. Quando o senhor tiver mais informações pode ligar novamente.
tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu

Correria pela casa. “Será que o pessoal da Vet passou carnaval por aqueles lados?” “Será que foram as meninas do Loyola? Acho que elas foram pra Tiradentes, passa pela mesma estrada…” “Mas o policial não falou o nome de ninguém daqui de casa, a mamãe é que falou os nomes…” “Que eu saiba a Polícia Rodoviária não liga a cobrar pra casa das pessoas…” “Estranho.” “Deve ter sido engano.” “Mas engano com o telefone daqui de casa no meio de um acidente?” “E o que um ônibus do Espírito Santo vai estar fazendo na BR-040 próximo a Juiz de Fora?” “E Tiradentes é longe de Juiz de Fora.” “Não, não, me confundi, elas foram pra Diamantina, nada a ver com Juiz de Fora.”

“Chamada a cobrar, para aceitá-la continue na linha, após a identificação: tililuuu-lííí!”

Texto por: Ana Letícia

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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

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