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Menininha

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Eram apenas alguns poucos quarteirões, mas suas perninhas curtas e grossas, da herança familiar, davam passos tão miúdos que faziam-na cansar, e o tempo se multiplicava, e 15 minutos pareciam 3 horas. O asfalto cinza contrastava com o colorido de sombrinhas, roupas e pessoas. Carros subiam e desciam a avenida, com pressa de chegar a algum lugar.

O mundo lá fora era barulhento. Não tinha vozes de crianças, não se jogava amarelinha, nem se brincava de rouba-bandeira. Ruídos eram os das máquinas de quatro-rodas, das conversas adultas e dos morcegos que rondavam a região.

Engraçado como as árvores frondosas e centenárias, tão ornamentais e úteis para a cidade, no seu papel de refresco e retenção das águas das chuvas, poderiam abrigar seres tão medonhos e horrendos. Morria de medo quando tinha que fazer o percurso a pé, dos tais poucos quarteirões que a levavam da escola à casa, naquele horário de lusco-fusco, começo da noite.

Final de ano era chuva na certa. E às 18h, quando batia o sinal do Colégio e os coleguinhas entravam nos carros dos motoristas dos pais abastados, era sua hora de bater perna morros acima. Coraçãozinho disparado, mochila pesada, não podia correr. Havia uma casa… mal-assombrada. Nunca vira movimento algum lá dentro. Dizem que era habitada por fantasmas, e pelas sombras que rondavam por ali, habitantes das trevas e da enorme árvore, torta e cheia de sulcos e reentrâncias. O tronco negro, só podia ser oco, a casa dos seres das trevas, as raízes expostas eram como braços, querendo abraçá-la e levá-la lá pra dentro.

Passava sempre quase correndo , evitando olhar, com medo do que poderia ver. Jurava ouvir gritos de horror, ranger de dentes, e aquele cheiro de terra molhada de chuva e de musgo, que para ela, àquela hora da noite e naquele local assustador, parecia cheiro de mofo, de gente velha descuidada, de morte.

Mas era só o dia clarear, a luz do sol penetrar por entre as frestas das folhas, traduzindo num translúcido verde, cristalino e cintilante, para sentir o perfume de alecrim e lavanda que habitava os jardins das casas. E as sombras não mais ali estavam, dormiam naquele horário. E o sinal da escola já batia, e ela corria, para não se atrasar. E recreio, e morrinho, e terra, e suor, e bola.

E ela não poderia imaginar que um certo tempo depois, faria parte do mundo preto e branco e cinza dos adultos que circulavam por ali quando era menininha, com suas pastas e sombrinhas sem graça, sem sentir cheiros, sem ver as sombras e nem os morcegos – que se cansaram mudaram pra outro lugar.

E a árvore frondosa da infância da sua vida fora cortada pela nova moradora da casa mal-assombrada, deu até no jornal, virou notícia. E o muro ganhou pintura nova e portão de metal, guarita e interfone. Deve ser pra proteger dos fantasmas, os antigos moradores, expulsos de lá pelo adulto que tomou conta de seu peito, sem saber que a menina de pernas curtas e grossas, ainda estava lá, latente, assustada mas feliz, correndo, correndo, correndo…

Texto e foto: Ana.

João Lenjob: Sabe-Não Sabe

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Hoje nosso poeta publicou aqui uma prosa bem interessante… Você sabe do que eu estou falando? Pode até saber, ou não, quer dizer, você é quem sabe. Não sabe?

PPJL

Sabe-Não Sabe
Estamos no tempo do “sabe-não sabe”. No momento triste que não sabemos se ou quando podemos acreditar em quem oferece pifiamente seu interesse puro e inocente de governar, de representar. Chegamos num merecido ponto de não correspondência. O declínio chegou ao limite. Até então faltava ser vítima de esquerdistas.

Há pouco tempo atrás, nossos atuais políticos eram aqueles que fortaleciam e protegiam o lado popular, creditavam nossas esperanças e orientavam nossas cegueiras. Descobriram o buraco celeste brasileiro e omitiram os mensalões dos oposicionistas. Não sabemos ainda por quê, mas hoje temos certeza que houve sobretudo benefício com isso. Ao mudar de plano, literalmente de lado, foram-se as pessoas, nossos políticos, deixando só os seus postos, assim como seus ideais, mentiras, corrupções e promessas. No final, ninguém sabia de nada.

Estes representantes que julgam o caixa dois de empresas pequenas foram os mesmos que o usaram em favores pessoais. Um crime legítimo que, segundo eles mesmos, dá cadeia. É verdade, acontece com pessoas não favorecidas e não protegidas pelas leis que quem domina e faz delas o que quer são os próprios governantes.

Ainda vivemos sob a falta de qualidade de vida. O país passa por um momento delicado, quando o povo começa a desacreditar nas promessas e em tudo o que acontece hoje e está exibido em jornais ou revistas, só de corrupções generalizadas. Nas estradas onde não se é aplicado a necessária estrutura que deveria sair dos pagamentos dos impostos. Na saúde onde não se tem medicamentos e em muitos lugares não tem nem atendimento. Novamente, cadê o dinheiro dos impostos? No saneamento básico medíocre. Nas altas taxas de juros que é uma violência contra o contribuinte, e até no esporte.

Governantes negaram a cassação da oligarquia esportiva brasileira. É vergonha que não cabe mais e ninguém sabia de nada. Hoje talvez, possamos gastar menos tempo numa viagem de ônibus do que de avião, e só por causa de benefícios específicos e trabalhos mal feitos. Isso não acontece só em virtude do tempo parado em sala de espera ou nas filas de “chek-in”. A nossa estrutura aérea inteira é um desastre, o Brasil está um desastre. Isso porque eles não precisam disso. Todos têm aviões especiais, helicópteros, jatos e viajam por nada, por todos os cantos do mundo, com sorrisos estampados que envergonham muito mais seus eleitores, esbanjando uma situação propícia ao fracasso.

O que passamos hoje não começou de pouco tempo pra cá. Estas pessoas negativas estão na frente do país desde o império, aproveitando-se da inocência do povo para garantir de forma esperta seus benefícios. Uma crueldade, imoralidade, com finalidade de “ganhar dinheiro”.

O voto que parecia ser tão precioso, hoje está fardado ao nada. Normal não querer votar, eleger um deputado, presidente. Sabemos em quem estamos votando?
Não, não sabemos de nada.

João Lenjob *
www.lenjob.blogspot.com
joaolenjob@yahoo.com.br

* João escreve neste blog toda sexta-feira, e esta já é a 4ª crônica dele por aqui. Nos outros dias da semana ele filosofa um tiquim sobre a politicagem no país, se irrita com isso, vai ao Mineirão xingar ao juíz, e depois escreve poemas no seu blog pra descarregar…

João Lenjob: Sonhar Acordado

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Na crônica de hoje, nosso correspondente especial dá uma de expert em sonhos. E num é que o resultado ficou bacana? Ó só:

PPJL

Sonhar Acordado
Um dia aprendi a sonhar e que podia sonhar. Daí, eu percebi que sonhar acordado era muito melhor do que dormir e deixar simplesmente o momento levar ou conduzir os sonhos conforme sua natureza. Prefiro sonhar acordado a escolher o que sonhar. Sentir-me feliz com esperanças criadas, emanadas de cotidianos que a vida produz. Com realidades que talvez jamais sacie, mas que me delicio ao esperá-las, imaginá-las, acreditar nelas e criar então tamanhas e inúmeras expectativas. Projetar, organizar e até oferecer.
O mais interessante é que sonhamos até para os outros, numa generosa forma de crer que isso facilitará a construção, elaboração e conclusão deste foco, e quase sempre por pensamentos de zelo e afeto, acordados. Claro! Quando visamos algo, temos a alegre esperança de que haverá a realização deste e, conseqüentemente, a luta é mera vertência de um sonho. Visamos, sobretudo, algo para o amanhã sempre que concluímos um dia. Interessamos por algo que não aconteceu e sempre existe a tentativa óbvia de querer o melhor, mesmo que a situação esteja de fato “preta”; mesmo que estejamos passando por momentos negativos e mesmo quando somos pessimistas. Nestes momentos somos positivos, sonhamos acordados.

A realidade dificulta expressivamente muitos sonhos, mas sempre sobra espaço para fugir dela. Pensamos em conquistar coisas e alternativas incomuns. Sermos personagens de tevê ou cinema, talvez até conquistá-los, e mais “misses” e “misters”, atletas, modelos, políticos, carros, imóveis, loterias, trabalhos, vestibulares, vitórias, alegrias, curas e enfim, um dia amanhã que seja melhor que o de hoje, de ontem ou sempre de um passado bem próximo.

O sonho acordado é tão bom e tão divertido que nele não há tristeza, não há pranto, não há melancolia e muito menos solidão. Somente o objetivo, a vontade e a torcida que o resultado venha interessante, mesmo quando ele é de fato assim tão complicado e difícil de acontecer. Sonhar acordado não é resultado de pesquisas diversas, e sim o perfil adequado de onde nos espelhamos. Por isso é tão importante ter estes momentos de esperança. O sonho acordado é o maior de ser e fazer feliz. Meio de acreditar e deixar-se lutar. Sonhar acordado é muito bom, muito melhor do que dormindo. É o crer na gente e também na vida.

João Lenjob *
http://www.lenjob.blogspot.com/
joaolenjob@yahoo.com.br

* João escreve neste blog toda sexta-feira, e eu tô adorando isso! 🙂

João Lenjob: Gerundismo

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Hoje é sexta-feira, e quem “vai estar falando pra vocês” é nosso colunista semanal…

PPJL

Gerundismo
Tanto se fala hoje deste tal de Gerundismo. Muitos ainda nem conhecem tal termo, mas o importante é que ele está em super alta por diversos meios de comunicação. A expressão, ainda criança na lingüística portuguesa, nasceu nas entrelinhas usadas por operadores de Telemarketing e curiosamente se alastrou. Pensa-se até em mudar as normas da língua, pois perante elas, a expressão é aceitável. Ou seja, não erraria quem usasse o Gerundismo. Mas o que é?
Gerundismo é um tremendo excesso de verbos, cujo último o gerúndio está no presente, para uma ação de cunho futuro, descartando o tão estudado, nos níveis fundamental e médio, “futuro do pretérito”.
– Alô! Por gentileza, qual o preço do produto “xis”?
– Um momento senhor, que eu vou estar olhando.
Assim é a resposta de um atendente, usuário deste incrível molde de utilizar três verbos juntos para um único sujeito, numa única ação. É um desperdício de verbos, concordam? Se usada duplamente, a resposta seria:
– Um momento senhor que vou olhar.
E de maneira mais útil, o mesmo usuário poderia proporcionar ao receptor da mensagem a resposta, em tom simples:
– Um momento senhor que olharei.
Quem conversa neste tão citado método atual do gerundismo tem que ir, depois estar e no final agir, ou melhor, estar agindo. Incrível como foi nascer tão errônea composição! Avaliando o caso de forma técnica, seria extremamente complicada a sua criação. Importante recordar que o gerúndio simples é normal, correto, bem aceito e pertence às normas e regras da ortografia de nossa língua.
– Onde está Fulano?
Jogando bola.
Existem ainda casos elementares:
– É dando que se recebe.
As frases não poderiam ser outras… Portanto, existe sim um abuso, que não deixa de ser um engasgável estilo de conversar. No dia-a-dia da vida, pode-se relacionar o uso do gerundismo com o uso do cigarro. Um vício. É errado? Sim. É prejudicial? Pode ser. É proibido? Não.
Este termo absurdo virou polêmica depois de ter sido proibido por alguns governos. Seria o mesmo que proibir o uso do cigarro. A causa, entretanto foi que o gerundismo deixou margem à conclusões de algumas solicitações. Ou a pessoa faz, ou estará fazendo. O “estará fazendo” tornou-se inaceitável para os ouvintes. O uso está aí, virou costume e triste, está virando hábito.
E a proibição? Será se esta moda também pega?
João Lenjob *
* João escreve neste blog toda sexta-feira, o nos outros dias da semana se diverte e se estressa tentando ensinar o correto uso do gerúndio para operadores de telemarketing…

João Lenjob: Romeu e Julieta

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Hoje é a estréia do nosso colunista semanal, de todas as sextas-feiras: com vocês… João Lenjob!

PPJL

Prezados leitores do “Mineiras Uai”,

Pintou um Mineiro na área! Sou o primo chato (*) da super talentosa (**) Ana, a mineirinha que escreve por aqui. Alguns leitores aqui já me conhecem até pessoalmente. Para os que não, sou também escritor, autor do livro “O Cavalo Livre de Tróia”, dentre outras escrituras encontradas por aí. Informo ser um enorme prazer compartilhar com esta querida prima o prazer da Literatura…

Abraços a todos!

João Lenjob
http://www.lenjob.blogspot.com/
joaolenjob@yahoo.com.br

Romeu e Julieta
Esta história começou há séculos, e até hoje está em evidência nos sentimentos das pessoas. Desde o Brasil Colônia, algumas bravas pessoas buscavam em florestas, matas, vales, cavernas, rios, riachos e córregos as mais preciosas jóias, ou seja, os diamantes. Eram os bandeirantes, figuras marcantes, com percepção aguçada, acentuada e precisa. Os diamantes, no entanto, eram minerais belos por dentro e por fora, lapidados, de brilho intenso e incomum, e raros, muito raros. Ainda hoje se procura por todos os cantos do mundo os tais diamantes.
São as damas com a mesma proporção das tais encantadoras pedras, cuja beleza externa seja simplesmente uma vertência que só existe quando há a interna, de caráter, postura, respeito. Que seja de educação abundante, infinita a ponto de ser chamada de lapidada. Que tenha o brilho incomum da simplicidade e que seja, de fato, a pessoa rara.
Buscam, sobretudo os bandeirantes, por estes diamantes, a fim de cativá-los e por eles serem cativados, tendo entre eles a conquista recíproca. Buscam aqueles que guardam carinho, cuidado, zelo, afeto e aquele extremo valor a uma jóia realmente rara.
Existem rochas de todos os gêneros por aí. Do cascalho à ametista, do quartzo à brita. Existem também, pedristas, pedreiros ou outros nem tanto especialistas em pedras, e é fácil perceber quem é quem. O pedrista procura a beleza externa para servir de vitrine e o pedreiro gosta somente de trabalhar o que não achou perfeito. Os outros nem se fala. Não sabem nada de pedra. O bom é ter alma de um corajoso bandeirante. Encontrar uma pessoa, olhar para ela e ver o que ela fala com o olhar. Sentir o que ela sente. Reparar seu modo aperfeiçoado de se expressar. Conhecer o seu coração nobre, seu pensamento puro e curiosamente também maduro e por fim, deixar a circulação aumentar e a respiração se ofegar.
Nota-se clara e evidentemente o quão raros são diamantes e bandeirantes, pois muitas pessoas nem se preocupam em conhecer a majestade da índole, e sim só reparam na majestade física. Poucos querem saber o que pensam, fazem, projetam ou querem do escolhido. Muitos outros só desejam ver as roupas ou os bens que o outro possui. Bandeirantes não procuram o que se acaba. Pelo contrário, só o que não morre, o que se eterniza no peito e se preserva no pensar.
Eventual e ocasionalmente, movidos por desprazeres da vida, alguns até aprendem a se tornar um diamante ou bandeirante. Aprendem que podem ensinar e principalmente, ensinam que podem aprender, com a gana de um e a generosidade de outro. Com a vontade de um ou humildade de outro. No entanto, pessoas não são pedras… Mas existem mulheres que carregam as características tão preciosas como a de um diamante e homens que tem a bravura de um bandeirante.
Como dito previamente, esta história é antiga. Um exemplo clássico está na própria Literatura. O valente Romeu era um como um bandeirante, e a doce Julieta, um diamante puro, e seus atos fazem prova disso. Portanto, a forma mais fácil de saber o que você quer, é sabendo antes o que você é.
Romeu e Julieta sabiam.
Notas da Editora:
(*) O João não é nem um pouco chato… É ariano, sim… Mineiro, sim… Desconfiado, meio marrento, poeta, artista… Mas ele é legal!
(**) Corei… rsrs 😉

Receita de Mulher

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Um dia no trabalho

“… Que a mulher não perca, nunca, não importa em que mundo, não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade de pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre o impossível perfume; e destile sempre o embriagante mel, e cante sempre o inaudível canto da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina do efêmero; e em sua incalculável imperfeição constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda criação.”
(Vinícios de Moraes)


A nossa luta é diária: contra o preconceito, a discriminação, o machismo. Sim, pois é muito difícil ser mulher, e já nascer com a missão de gerar a vida do próprio ventre, e ainda por cima querer ter uma profissão, sonhar com um cargo elevado, estudar, cuidar da casa e de si.

Ter um dia do ano dedicado às mulheres teve sua origem inserida em um contexto histórico e ideológico muito concreto, cujo objetivo, em seus inícios, não foi rememorar nenhuma catástrofe que vitimou um grande número de mulheres – apesar da existência deste mito. O texto da resolução adotada pela II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhagen em 1910, vem confirmar que nem se fazia alusão a nenhum acontecimento protagonizado por operárias que devesse ser comemorado com a celebração do Dia Internacional da Mulher, nem sequer se propunha uma data concreta em que esta devesse acontecer.

Sua origem tem de ser entendida no bojo da ascensão das lutas operárias de finais do século XIX e início do século XX, cujas discussões teóricas, no campo socialista, convocavam à participação política e em cujo contexto tomava corpo a luta pela libertação da mulher.

Derrubar o mito de origem da data de 8 de Março não implica desvalorizar o significado histórico que este adquiriu. Muito ao contrário. Significa enriquecer a comemoração desse dia com a retomada de seu sentido original.

Podemos pensar em uma certa hipocrisia por ser apenas 1 dia por ano especialmente dedicado às mulheres, mas a simbologia da data serve para nos lembrar onde tudo começou, já que há tão pouco tempo não podíamos sequer votar, quiçá estudar. Serve para lembrar quem somos, e o que representamos nessa sociedade. Serve para sermos ainda mais admiradas e elogiadas, não por nossa beleza, mas por nossas conquistas, inteligência, por nossa força e coragem. Por nossas Belas, Anas, Lús e Dôs, e pelas filhas de nossas filhas, por nossas avós, e avós das nossas bisavós, estas pelo que foram um dia, aquelas pelo que ainda serão.

E que não entreguemos os pontos jamais!

Ana.

Será que estou certa?

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Assisti ao debate entre os “presidenciáveis”(?) na 5ª à noite. Infelizmente, diga-se de passagem.
Fui no blog do D. Afonso ler o texto que a Luma falou.

Este foi o meu comentário:

“O debate foi mesmo ridículo. Aliás, estou tão desanimada com o 1º de Outubro que até hoje no final da tarde não sabia em quem ia votar, nem os números dos candidatos eu sei.
Pra vc ter uma idéia da gravidade da situação, o PT escolheu junto ao PMDB-MG para Senador pelo estado, ninguém mais, ninguém menos, que NEWTON CARDOSO!
Não dá pra ser louca ao ponto de votar no ômi pra reeleição, nem pra levar algo a sério, dá?
Tá difícil…

Mas ontem à noite gostei da Heloísa e do Cristóvam, ela deu show em todos, e ele foi muito calmo e coerente. No entanto, ambos pisaram na bola ao não atacar nem de leve o Alckmin. […]
Céus, onde vamos parar? É Afonso, acho que o seu imposto não vai ser devolvido este ano não!!!”

E aqui em Minas, que o candidato à reeleição, que está com mais de 70% das intenções de voto em todas as pesquisas – detalhe, do PSDB – também não se dignou a comparecer ao debate?
Aliás, debate não, ENTREVISTA! Pois o candidato do PT foi o único que compareceu… Isso é que é eleição de prestígio… pffff

E a esperança do Afonso, de que o seu imposto pudesse ser devolvido de alguma forma, em forma de investimentos na saúde ou serviço social ou educação?

É triste, mas até ele já constatou o papel de palhaços que nós, brasileiros, estamos desempenhando no meio deste circo todo, e terminou o seu texto de hoje, com a frase:
Infelizmente termino tendo que admitir que ela tem razão.”

E eu termino por aqui, recomendando as seguintes leituras aos cidadãos que aqui lêem minhas elucubrações:

O Caráter Geral do Brasileiro – por Cl.Costa do Pras Cabeças;

Ética na Política – por Yvonne do BlogGente.

“O Brasil não são os comensais do erário. Não são as ratazanas do Tesouro. Não são os mercadores do Parlamento. Não são as sanguessugas da riqueza pública. Não são os falsificadores de eleições. Não são os compradores de jornais. Não são os corruptores do sistema republicano … O Brasil não é essa nacionalidade fria, deliqüescente, cadaverizada, que receba na testa, sem estremecer, o carimbo de uma camarilha, como a messalina recebe no braço a tatuagem do amante, ou o calceta no dorso, a flor-de-lis do verdugo”.
Rui Barbosa, em 20 de Março de 1919, no Teatro Lírico, Rio de Janeiro.


Ana.

Ser mineiro: eis a questão…

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Dizem que mineiro é desconfiado, religioso, conservador, simples, prudente… No entanto, a sublime e subestimada arte de ser mineiro sobrevive em todos nós, em maior grau em alguns, e mais à flor da pele em outros. Mas não tem como negar: mesmo sem ter nascido nesse cantinho de terra sem mar, mesmo sendo capixaba, paulista, baiano, etc., um pouco de mineiridade subsiste em todos, pois ser mineiro é mais do que um local de nascimento, é uma maneira de encarar a vida, é saber valorizar as tradições, os costumes, a família, é conseguir perceber a beleza nas coisas simples do dia a dia, é encontrar felicidade no singelo ato de admirar uma flor e um pôr do sol inesquecível…

Para saber qual o seu grau de mineirismo, siga fazendo o teste abaixo. Conte um ponto para cada resposta positiva, some tudo e veja o quão mineiro todos nós podemos ser.

Você…

1) … se diverte a valer na praia, mas não troca um amanhecer com friozinho de montanha por nada?

Os mineiros não perdem uma oportunidade de ir à praia e ficar torrando no sol para perder aquela cor branquela que virou motivo de chacota nos outros Estados agraciados com um pedacinho de areia fofa e um mar azul. No entanto, mineiros não trocam por nada um pôr do sol na montanha, com o ventinho suave do entardecer e uma noite fria – que pede um cobertor e uma lareira acesa – pois valorizam as belas paisagens e têm orgulho do cantinho de terra onde vivem!

2) … não dispensa um pão de queijo com queijo?

Dentre todos os quitutes possíveis e imagináveis, o mineiro simplesmente reverencia o pão de queijo. Mas não vale aquele pão de queijo congelado, comprado nas prateleiras do supermercado, mas sim aquele pão de queijo caseiro, escaldado e sovado à mão. Se vier acompanhado de um queijo frescal novinho e um cafezinho, não há mineiro que resista! (Será que mineiro é também guloso?)

3) … não sai de casa sem agasalho, remédio para dor de barriga, camisinha, pente, dinheiro líquido, cartão telefônico e guarda-chuva?

O que os mineiros odeiam mesmo são os imprevistos… Além de ser desconfiado de que algo pode dar muito errado, o mineiro é, acima de tudo, prevenido. Por isso, os mineiros não saem de casa sem os apetrechos capazes de salvá-los tanto de uma tempestade quanto do fim da bateria do celular, pois o pior é não ter como se virar quando o imprevisto acontece…

4) … faz da cozinha o lugar mais aconchegante da sua casa?

A cozinha do mineiro é aconchegante, tem aroma de café, pão de queijo, e bolo de fubá, e, sobretudo, tem calor humano! É o lugar escolhido pela família para se reunir, para contar “causos” e novidades. É certo que as cozinhas de hoje estão cada vez menores, mas o mineiro precisa de pouco espaço para expressar a sua mineiridade!

5) … toma banho de mangueira no quintal ou toma sol na laje ou na varanda quando faz calor?

Na falta de praia ou piscina, a laje ou a varanda são muito bem vindas para pegar aquela corzinha ou dar uma refrescada. O que o mineiro não admite é passar vontade, e, para não dizer que temos inveja dos quilômetros e quilômetros de praia do nosso extenso Brasil, nos contentamos com a laje e com a mangueira mesmo…

6) … conhece e cita ditados populares (provérbios)?

Minha avó já dizia que só quem conhece ditados populares pode ser boa pessoa. E como água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, conseguiu me convencer disso. Mineiro que é mineiro não é santo de pau oco, além de conhecer usa e abusa dos ditados, se diverte com eles! Pois então, vamos colocar em prática a sabedoria mineira e começar a aprender logo, antes tarde do que nunca, pois a ignorância é o pior dos males!

7) … adora contar e ouvir “causos”?

Veja bem, “causos” não são piadas. Causos são eventos curiosos ou engraçados ocorridos com o namorado do amigo da sua vizinha, com a tia da avó da sua mãe, ou com o cachorro da prima da sogra da professora do jardim da infância. Sempre fica uma dúvida se os casos são invenções ou produto de uma mente fértil, mas não tem como não se divertir com eles! Não há mineiro que resista a contar causos ou a “rachar os bicos” quando se depara com um. De fato, quando dois mineiro se encontram, não vai faltar uma sessão de causos!

8) … faz junção ou abreviação de palavras? Usa expressões como “uai”, “trem”, “sô” , “bom demais da conta” ou tem uma expressão própria que todos seus amigos reconhecem? E ainda, inventa palavras? (Nesse último caso, acrescente mais um ponto).

Seja para economizar tempo ou saliva, todo mineiro adora abreviar palavras e até mesmo juntá-las. Desta mania saem pérolas do tipo: “pó pô pó?”, “peraí”, “tó”, “cê” e muitas outras versões impublicáveis. Agora, mineiro gosta mesmo é de inventar palavras, porque mineiro de verdade gosta de ter marca registrada! Basta lembrar do inventor de palavras Guimarães Rosa e até da nossa Lú (“sonhação”, lembram do texto IdiossincrasiasI???).

9) … sabe bordar e fazer biquinhos de crochê em panos de prato e toalhinhas? Se você for do sexo masculino, troque por “…você usa lenço de tecido”?

Mineiro tem carinho pelas tradições, e tem um capricho especial na hora de cuidar do seu interior. Por isso, as mulheres mineiras adoram dar aquele ar aconchegante à cozinha e aos banheiros decorando-os com toalhinhas e panos de prato bordados e enfeitados com biquinhos de crochê. Quanto aos homens, não dispensam seus lencinhos de tecido com monograma personalizado bordado, feito por suas mulheres, é claro, com muito carinho e dedicação.

10) … faz “pratinho” no fim da festa?

Mineiro não compactua com o desperdício, e também não recusa um docinho! Então, se no final da festa você não resiste a montar um pratinho com seus quitutes preferidos para saborear no dia seguinte, você é um legítimo mineiro, não tem como esconder!

Eu sou mineira, mas quem não é? Some os pontos e confira o seu resultado:

De 0 a 3 pontosPaulista, baiano, capixaba, fluminense, etc… Você, decididamente, não é mineiro! Tá fraco nessa mineiridade! Vale lembrar que é bom conhecer melhor o jeito de ser do pessoal de Minas, como já descrito lá em cima. Além de se surpreender com as belas coisas que você pode descobrir, pode acabar descobrindo mais mineiridade em você do que imaginava!

De 4 a 6 Mineirinho. Você sabe que é o bom nessa vida, mas, como todo bom mineiro, ainda está desconfiado demais para colocar em prática a sua sabedoria! Está certo que mineiro só arrisca quando tem certeza, mas nesse assunto, pode ficar tranqüilo e liberar o seu mineirismo à vontade, que você só tem a ganhar com isso.

De 7 a 9 – Você é mineiríssimo! Quase um mestre no assunto, quando se trata de mineiridade! Ser mineiro é com você mesmo

10 ou mais – Parabéns, você é mineiro da gema! Sabe curtir os pequenos prazeres da vida, pois acredita que neles se encontra a verdadeira felicidade!

Texto e Fotografia: Bela.

Mulheres e Mineiras

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Pessoas,

Ontem teria sido meu dia de publicar algum texto por aqui. Mas isso não vem ao caso, pois sexta-feira era dia da Donária e a mesma se esquivou de seus afazeres também (mais uma vez…). A verdade é que lembrei-me do dia de hoje – 08 de Março – e achei melhor escrever algo no Dia Internacional da Mulher, uma vez que representamos toda uma “classe” de mulheres e mineiras no mundo “bloguístico”. (Mentira, é que ontem não tive tempo mesmo!)

Pra variar, falta-me inspiração… Mas não é preciso apenas 10% de inspiração e 90% de transpiração??? Vai ver que estou é preguiçosa mesmo…. Ah, mas hoje é meu dia, então posso, certo?

Recebi este texto lindo do Iunes Salomão, amigo e ex-colega da turma de faculdade, e tomei a liberdade de publicá-lo aqui, ainda que sem o consentimento dele (por favor, Iunes, não venha me cobrar direitos autorais, heim?).

Mulheres

Em quantas faces se enconde,
a beleza da mulher?
Esta pergunta não se responde,
nem o mais sábio sequer.

A mulher é ímpar,
em qualquer condição.
Faz do grotesco seu par,
e das “tripas, coração”.

Procura sempre o caminho,
mesmo estando na pobreza.
Com equilíbrio e carinho,
na alegria e na tristeza.

Carrega o filho no ventre,
depois o carrega nos braços.
Nos seios ela o nutre,
ensina-lhe os primeiros passos.

Ninguém no mundo é tão hábil,
em amar com tanta entrega.
A mulher, sexo frágil,
o mundo inteiro carrega.

Dona de casa e profissional,
procurando o sustento dos seus.
Força e raça excepcional,
Dom dado por Deus.

Há sempre aqueles que desprezam,
tamanha dedicação.
Na verdade eles invejam,
tanta aptidão.

Reflexos da Virgem Maria,
anjos, na terra encarnados.
Dos homens, amiga e guia,
herdeira de Sacros legados.

Parabéns, Mulheres pelo seu dia!

Iunes Salomão
08/Março/2005

Em compensação, Alessandro Franco, outro membro de nossa comunidade de ex-colegas da Fac. Direito da UFMG, me mandou isso:

“Prezados,

Hoje, dia internacional da mulher, resolvemos tecer algumas considerações sobre as causas de existir o dia internacional da mulher, enquanto todos os demais são os dias internacionais dos homens.

Vocês acham que é fácil ser homem?

1) Quem é obrigado a erguer os pés quando ela está fazendo faxina?
R: O prestativo homem!

2) Quem se veste como pingüim no dia do matrimônio?
R: O humilde homem!

3) Quem é que, apesar do cansaço e do stress, jamais poderá fingir um orgasmo?
R: O sincero homem!

4) Quem é obrigado a sustentar a amante esbanjadora?
R: O abnegado homem!

5) Quem se expõe ao stress por chegar em casa e não encontrar a comida quentinha, as crianças com o banho tomado, a roupa lavada, a cozinha limpa e o drink já posto sobre a mesa?
R: O doce homem!

6) Quem corre o risco de ser assaltado e morto na saída da boate, cada vez que participa dessas reuniões noturnas com os amigos, enquanto a mulher está bem segura em casa na sua caminha?
R: O desprotegido homem!

7) Quem é o encarregado de matar as baratas da casa?
R: O valente homem!

8) Quem segura a ´´cauda do rojão´´ quando chega em casa com marca de batom na camisa e é obrigado a dar explicações que nunca são aceitas?
R: O incompreendido homem!

9) Quem é que toma banho e se veste em menos de vinte minutos?
R: O ágil homem!

10) Quem é que tem de gastar consideráveis somas em dinheiro comprando presentes para o dia das mães, da esposa, da secretária e outras festas inventadas pelo homem para satisfazer à mulher?
R: O dadivoso homem!

11) Quem jamais conta uma mentira?
R: O ético homem!

12) Quem é obrigado a ver a mulher com os rolinhos nos cabelos e a cara cheia de cremes?
R: O compreensivo homem!

13) Quem tem que passar por uma TPM calado todo mês?
R: O calmo homem!”

Brincadeiras de parte, fica aqui a homenagem de 3 mulheres, mineiras, a todas as mulheres do mundo, lembrando de nosso importante papel na sociedade de hoje, como profissionais, mães, irmãs, donas-de-casa, namoradas, esposas… E quem é que disse que não dá pra “chupar cana e assoviar” ao mesmo tempo?

Ana Letícia

Mulher Mineira

Padrão

Pessoal, esta semana que passou foi atípica… Chegando do feriado, muita coisa para arrumar aqui em casa até o retorno dos meus pais, retornar os estudos pros Concursos, etc e etc. Resultado: 6ª feira faltou tempo e inspiração para postar algo de interessante para vocês (minha mente simplesmente não funcionava!).

Hoje eu recebi este texto por e-mail, da minha Tia Sheila, que achei fantástico, por isso resolvi fugir à regra de sempre escrever textos originais e resolvi compartilhar aqui para que todos pudessem ler.

O comentário da Tia Sheila:

“Olá, Ana, recebi, li, lembrei-me do blog de vocês, não de quem é, mas é interessante. Inté. Sheila”

MULHER MINEIRA

“Gostaria muito de poder encontrar palavras para poder dizer do orgulho que sinto de ser mineiro. Meus pais não poderiam me dar um presente melhor. Se existir uma outra vida, quero nascer mineiro de novo. Mas tem uma coisa melhor que eu gosto mais do que ser mineiro: é namorar as mineiras.

Mineira não usa perfume e cheira gostoso demais. O jeito irresistível que a mineira tem para conversar no portão, sem encarar nos olhos e mexendo com os botões da nossa camisa é que nos conquista. Essa sabedoria não se aprende em nenhuma universidade.

Joaquim da Mata, o Velho Quincas, filósofo dos cafundós de Minas, quando compara o jeito de ser de uma mineira com o de outra mulher, afirma que a ‘deferença’ está no preparo. O ‘caldinho’ que envolve a mineira e dá a ela este jeitinho tão gostoso foi preparado em panela de ferro num fogão à lenha.

Mineira não mente, conta lorota. Não menstrua, fica úmida. Não paquera, espia. Não fica bonita, já nasce formosa. Mineira não curte um som, ouve música. Não fala, proseia. Mineira não come estrogonofe, mas adora um picadinho de carne. Não faz crediário, compra fiado. Mineira não transa, faz amor. Não fica pelada, mostra as ‘vergonhas’. Não erra, comete engano. Mineira não chupa cana, toma garapa na beira do engenho. Não liga pra ninguém, mas telefona pra todo mundo. Mineira não trai marido, escorrega na rua.

Mineira ama diferente. Flerta de longe, promete com o olhar e cumpre tudo o que não precisou esclarecer com palavras. Ela sabe que amor não é para discursar, é pra fazer. Ama com os olhos, com as mãos, com o sorriso, com os gestos. Mineira ama com o corpo inteiro e com toda a sofreguidão da alma.

Conheci muitos tipos de brasileiras. Faceiras, trigueiras, formosas, irresistíveis, loiras, morenas, mulatas, cafuzas, todas bonitas, mas só as mineiras têm essa brejeirice, essa paciência de construir sem pressa uma teia de aconchegos e mimos e lembranças e sorrisos, que nós das Gerais tanto apreciamos.

Existem coisas que já nascem com a mulher e muitas destas coisas estão diretamente ligadas ao lugar. Mineira faz doce como ninguém neste país. Quem já provou doce de cidra ou de leite feito por mineira, sabe o que é bom. Goiabada e marmelada, nem se fala. Queijo então é até pecado comparar.

Mineira estuda menos e ensina mais porque o que há de melhor ela já nasceu sabendo. Isso se deve à simplicidade das mineiras que se embelezam com bijuterias e ofuscam o brilho de jóias raras. Mineira se veste de chita e fica bonita, porque mineira não segue, mas faz moda. Mineira não usa tênis, enfeita as alpercatas. Mineira vai à igreja, assiste missa, comunga, mas por via das dúvidas toma um passe de candomblé e joga rosas vermelhas pra Iemanjá. Assim descobre caminhos que levam à Deus.

Também faz política, porque sempre sabe distinguir o certo do errado. Escondida por trás da simplicidade de toda mineira está uma guerreira pronta pra lutar pelo Brasil.

Dizem mesmo nas Gerais que é a mulher quem ensina o homem a ficar rico. Mineira não é feminista: é feminina. Pra que lutar contra os homens, se todo o poder está mesmo em suas mãos? Mulher, quando casa com homem rico, vira madame. Mineira vira esposa.”

Espero que tenham gostado tanto quanto eu… Realmente, tudo a ver com o nosso blog!

Ana Letícia.