Ana.
Arquivo da categoria: Ana
Trapalhadas e Piruetas
enrola, enrola
chega, vai, volta
aparece um e outro
mais fogo
vem bombeiro pra apagar
vem vidente pra encomendar
a alma do sujeito
o ferro
o lero
o corpo
o vento e o pó
que sopro das ventas
do faz-de-conta e do amor
que ficou pra trás.
Do alto daquele morro
(Som na caixa – para ouvir a trilha sonora, aperte o play…)
Não querem saber quem ela é
O que ela sente?
Para onde vai?
O que ela quer?
E eu… dou de ombros, pego o ônibus, e assim como ela, vejo o mundo girar.
Penso em nuvens e ouço mil vozes diferentes,
Respondo, mas sem nunca ninguém ouvir,
E ninguém repara nela.
Olho pra mim mesma e vejo minha cabeça girar.
E a boba no alto do morro, onde passa boi, passa boiada
Passa rente ao mundo, que gira
gira
gira…
Ana.
(Texto e foto.)
Paixonite
Então um dia eu o vi. Um pouco mais jovem que eu, alto, forte. Cabelo grisalho, sempre muito bem penteados para trás. Um pão!!! Fiquei observando ele passar por mim e, para minha surpresa, chamou-me pelo nome!!!
– Maria!
– Oi… Sorri, meio sem graça, com as faces rubras.
Ele passou. Atravessou a rua e entrou no prédio da frente. Então ele morava ali! Passei a esperá-lo todos os dias. E sempre era assim. E assim fui me encantando a cada dia mais, me apaixonei por aquele homem misterioso que sabia meu nome sei lá como… Todo dia nos cumprimentávamos daquela forma. E todo dia eu me empetecava mais: passava batom e talco, colocava meu melhor vestido.
E engatamos uma conversa muito agradável. Foi aí que descobri que ele se chamava Adalberto, e que era também viúvo, assim como eu. Muito inteligente e delicado. Me tratou tão bem! Mal poderia ele imaginar que eu, logo eu, estaria morrendo de amores por ele… Sonhando com aquele momento há tanto tempo… Sonhando tantas coisas mais. Até que…
Até que… o interfone cessou.
Ah! E se alguém conhecer o Adalberto, me avise antes que Dona Maria morra de amores…
Cinema e Milk Shakes
Assuntinho batido (e atrasado, né): OSCAR.
– O programa de hoje foi “Jogos do Poder” (Charlie Wilson’s War”). Digamos que foi um entretenimento. Mas sinceramente, não consigo entender o porquê de se fazer um filme como esses, já que a maioria do “povão” não consegue ligar o cu com as calças. Traduzindo: acha lindo o filme, e vê os isteites como salvadores da pátria afegã, e não faz a ligação disso com a chamada “guerra contra o terrorismo” bushiana. E aí o cara que é o maior bon-vivant e cheirador de pó, sem contar seus outros atributos (mulherengo, alcoólatra e promíscuo) vira um herói nacional. Aff. Sabe o que valeu à pena? A atuação do Philip Seymour Hoffman (ator protagonista de “Capote”). Muito muito boa. E o Coffee Shake que tomei antes do filme no Café do Ponto.
– Domingo passado foi a vez de “Juno“. Filminho de seção da tarde, se não fosse pelo tema de gravidez na adolescência, o aparente fácil acesso ao aborto (como se isso fosse a coisa mais normal do mundo), os estapafúrdios anúncios de “pais adotivos” nos Classificados do jornal, a reação inverossímil dos pais da garota, etc. Mas quer saber? Apesar de todo o criticismo, eu gostei do filme. Achei delicado sem ser apelativo, a trilha sonora é ótima e a Ellen Page (que é a protagonista do filme) é excelente. E podem me crucificar, mas achei a Jennifer Garner super forçada (será que é só neste filme ou ela é sempre assim e só agora reparei?).
– Já adianto que não verei o ganhador do Oscar deste ano: “Onde os fracos não têm vez” (“No Country for Old Men”). Como um filme com uma sinopse dessas pode ser o Oscar de Melhor Filme?
“Texas, década de 80. Um traficante de drogas é encontrado no deserto por um caçador pouco esperto, Llewelyn Moss (Josh Brolin), que pega uma valise cheia de dinheiro mesmo sabendo que em breve alguém irá procurá-lo devido a isso. Logo Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino psicótico sem senso de humor e piedade, é enviado em seu encalço. Porém para alcançar Moss ele precisará passar pelo xerife local, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones).”
Na boa, né…
O negócio é que ando muito de saco cheio com o cinema americano, e por incrível que possa parecer, tenho amado os filmes brasileiros que vi nos últimos tempos. Depois que tive o prazer de ver “O Estômago” no Festival de Cinema Brasileiro Contemporâneo em Tiradentes, no início deste ano, fui correndo alugar “Cinema, Aspirinas e Urubus“. Tudo bem que este é um filme meio lentinho, mas a beleza do Peter Ketnath e a graça do João Miguel valem à pena. Isso sem contar na estapafúrdia história de um vendedor de Aspirina em pleno sertão nordestino, quando ninguém nunca tinha ouvido falar nas tais “pílulas milagrosas”, a “cura para todos os males”, tão corriqueiras pra nós atualmente.
Nem mencionarei por aqui “Meu nome não é Johnny“, que é simplesmente fantástico. Adorei. Todo mundo já sabe que é bom, assim como “Tropa de Elite“, que até já encheu o saco de tanto que caiu no gosto do público, de tanto que ficou igual bunda – todo mundo tem a sua (no caso, a cópia pirata).
Mas leiam o post no Pras Cabeças e sintam um gostinho do que é “O Estômago“, simplesmente um dos melhores filmes que vi ultimamente, sem exageros. “Uma fábula nada infantil sobre sexo, poder e gastronomia”, era o que dizia o pôster espalhado por Tiradentes. Só falo mais uma coisinha: marquem dia 11 de abril em suas agendas e ASSISTAM a este filme! É imperdível.
E antes que eu me esqueça de contar: assisti ao filme na cadeira ao lado da Cláudia Natividade, produtora e do Babu Santana – outro ator do filme. Ao final tirei foto com ele e com o João Miguel (que é uma gracinha, por sinal)… Tiete pouco, né?
Tsunami
Mexo e torço e quebro o copo, revido com um tiro em sua cara de pau. Pega de raspão e me tira do sério, me deixa na mão. Maremoto vai embora e me vem um tufão? Que corre e gira e revira a areia, levanta a poeira e joga tudo no chão… E caem por terra sonhos de pó de arroz e maquiagens de faz-de-conta, será que nunca mais poderei me pintar?
Preciso de um band-aid pra me curar da ressaca que a pororoca me traz. É muita reviravolta, é muita montanha-russa, é muito sobe e desce e sobe de novo, e gira e torce e puxa e volta. É muita água e muita areia prum caminhãozinho tão pequeno, coitadinho, desses que se acham os verdadeiros “formula truck” e atropelam cadilacs cor-de-rosa enfeitados de pérolas marfim. Mas no fundo no fundo, não passam de briquedinhos em mãos de crianças grandes e perversas.
Adeus maremoto insano.
Adeus pororoca sem fim.
Adeus tufão sem rumo, joão-bobo e caminhão.
Melhor é ser borboleta e ser mais leve que o ar.
Melhor é ser libélula e numa gota d’água flutuar.
Melhor é ser beija-flor e parar o tempo no ar.
Ana.
(Texto e foto.)
Macabelagem
Sábado de sol
É flor, é fada, é sorriso e carinho. Palhaça, circense, mágica e pé no caminho. Alessandra é tudo isso, e muito mais. Origami, artesanato, mandalas, bijoux, faz pose e figurino! Dá asas à imaginação, e com sua varinha de condão, cria e dá vida a histórias, máscaras e fantoches. A criançada adora, e quando digo criançada, refiro-me a qualquer ser humano dos 0 aos 100 anos.Guaraná, bolacha torradinha, aconchego no quintal e recepção calorosa. Ao fim, uma cerveja gelada, bom papo, e pé na estrada. Adeus aos cactus, à menina luz. Suculentas e flores de pedra, queremos mais shows! Mandamos um telegrama e você monta a criação, espalhando sorrisos de cara pintada e pé no chão.
Ana.
Ps. 1 – Post homenagem à Alessandra Batista, do Cria.Ativos. Imperdível!
Ps. 2 – Foto: Patrícia Batista. Da esq. para a dir.: João Lenjob, eu, Alessandra Batista e Alê Quites. Maquiagem: Alessandra Batista.
Brincando
Gosto de brincar que ser feliz. Me pinto e me viro do avesso. Faço chuva doce e arco-íris de mel. Enxergo passarinho verde, azul e multicolor. Falo sozinha, com o vento, rio de mim mesma, da minha cara de besta, e volto a sonhar.
Gosto de guiar os olhos e os olhares. Me enfeito e me faço mulher. Me acompanhe se puder, sou moça fatal, encontro mortal entre o bem e a boa, cara e boca, vem me beijar.
Anoiteceu e sou gata borralheira. Virou manchete e preciso descansar. O caso é outro, não posso me atrasar. Sono da beleza me espera, jeito simples a me convencer que o melhor é fazer chover, caçar arco-íris e ouvir passarinho cantar, sino a tocar, céu a brilhar, horizonte a escutar, faz-de-conta pra brincar.
Sou feliz, tenho onde me deitar.
Ana.
(texto e foto)
A maldição do banheiro feminino
O pior é saber disso e, ainda assim, presenciar coisas toscas… Aqui existe uma senhorita (?) que nunca dá descarga para o nº 1, quem dirá para o nº 2! Acreditamos ser a mesma que também não lava as mãos (ela sempre sai da cabine quando não tem ninguém do lado de fora aguardando e vai embora sem nem abrir a torneira para despistar). Nunca ninguém conseguiu pegá-la em flagrante delito, apesar das inúmeras tentativas. Ela nem dá descarga, nem lava as mãos. Eca!
Será a mesma senhora porquinha que só joga o papel usado fora do lixo? Será ela que também erra na mira e faz suas necessidades no chão? Quanta porcaria para uma só pessoa… Minha tese é de que existem umas ‘ogrinhas’ por aqui que adoram por a culpa nos outros. Cada uma é especialista numa nojeira. Enquanto há quem deixe o absorvente aberto e na vista de todos por cima do lixo, há quem deixe respingar xixi no assento do vaso e nem se preocupe em limpar. Penso se é proposital… É uma falta de respeito! Como diria Boris Casoy, é uma ver-go-nha.
Vai ver existe um carma dentro de cada banheiro feminino. Uma maldição, sei lá. Já que os pequenos cartazes pregados nas paredes pedindo mais educação não têm dado resultado, muito menos nossas infrutíferas investigações, o jeito é rezar e apelar pro santo especialista em banheiros… Alguém aí conhece algum?





