Arquivo do autor:Ana Letícia

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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

Simplesmente… BELA!

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Desde o dia 13 de março de 2006, o “Mineiras, Uai!” inovou em sua formação original, apresentando à world wide web sua mais recente integrante no nosso mundinho bloguístico…

Como não poderia ser diferente, com sua inteligência, delicadeza e elegância ela vem trazendo ao blog novas idéias, novos textos, novos conhecimentos… Tudo com sua irreverência e sabedoria características!

E hoje, caros leitores, 08 de maio de 2007, festejamos mais um ano de vida desta pessoinha linda que, desde o princípio dos tempos deste site (nos idos de agosto de 2004), tem sido uma presença constante, uma mão amiga, um comentário certeiro e inteligente, e agora, há pouco mais de 01 ano, um membro imprescindível e querido neste espaço cibernético que vocês acompanham…

FELIZ ANIVERSÁRIO, BELA!!!

VOCÊ É MUITO IMPORTANTE PARA NÓS!!!


Bela

Gestos delicados em mãos de menina
Moça tatuada, com olhar certeiro
Suas palavras não mentem, jamais.
Escreve sua alma como quem diz um verso.
Canta e encanta, moça, menina…
És bela,
Izabela!

(Poema por Ana.)


Beijos,

Ana, Dô, Lú.

Tem coisa que só acontece em boteco…

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Todo ano é a mesma coisa. Mal são anunciados os bares participantes do “Comida di Buteco”, e haja paciência para andar pelas ruas adjacentes aos mesmos, encontrar vaga para estacionar em lugar seguro, esperar mais de hora na fila pela mesa, e por aí vai… Mas como todo dia é dia de cerveja na “capital mundial dos botecos”, não custa nada encarar tudo com muita descontração e sem stress, e de preferência com uma gelada descendo goela abaixo.

Of course, my horse, tem gente que vai pra boteco só para arrumar confusão. Briga com o flanelinha, briga com o garçon, briga com quem está ao lado esperando mesa, briga com o cara que controla a lista de espera… Enfim, pessoas de mal com a vida assim deveriam ser proibidas de freqüentar botecos. Ou restaurantes. Ou locais públicos. Isso, nem deveriam sair de casa. Melhor, nem deveriam nascer!!!

Mas acontece muita coisa interessante em botecos… Já reparou como é fácil fazer amizade nestes locais? Basta você olhar pra pessoa, comentar da temperatura polar da cerveja e pronto: viraram amigos de infância! Tem gente que até vai sozinha ao bar só pra isso, conversar com estranhos, bater um papo cabeça, e, quem sabe, iniciar uma amizade!

Nos barzinhos do Mercado Central daqui de Beagá isso é uma constante. Você conhece gente de tudo quanto é lugar, tudo quanto é jeito e classe social. Desde um pedreiro a um empresário de sucesso, uma executiva de multinacional, uma prostituta internacional… Lá todo mundo é igual, todos estão ali para se divertir, bicar uma branquinha (tomar cachaça), beber uma loirinha esperta (cerveja estupidamente gelada) e, claro, comer uma carnezinha na chapa acebolada com um jilozinho refogado (ou “afogado”, como diz o povo “da roça”). Qual a carne? Você escolhe: fígado, contra-filé, pernil… Hummmm, deu água na boca! O mais interessante é que os botecos do Mercado equivalem a um corredor de 3x6m, são dois em cada “corredor”, posicionados um em frente ao outro, sem mesas nem cadeiras, e, obviamente, fica todo mundo de pé. Não tem garçons tradicionais também, é claro, pois não caberia no diminuto espaço, disputado entre os beberrões e comilões de plantão! Os cozinheiros ficam na parte de dentro dos balcões, disputando no grito o cliente, como que numa guerra para ver quem é o mais simpático e ganha primeiro a empatia do transeunte que foi ao mercado inocentemente comprar rolhas, pano de prato, ração para hamster ou um peixinho fresco.

Outro dia fui num bar participante do “Comida de Buteco” deste ano, coisas engraçadas aconteceram, a começar pelo local: trata-se do quintal de uma casa de família, que depois vim a descobrir, pertencente a um ex-colega de colégio. Para entrar no boteco, você passa pela garagem da casa (com os carros da família lá dentro), atravessa a área de serviço, desse uma escadinha e chega até o quintal. Acesso para portadores de necessidades especiais? Pode esquecer… No entanto, o local é super aconchegante, é rústico, mas também muito aprazível, fresquinho, com uns espaços cobertos e outros não, tem televisão para ver os jogos do Galo (time do coração dos donos do estabelecimento), mesas redondas feitas com rodas de carro de boi antigas, algumas cadeiras são antigas, e outras, tocos improvisados (pedaços de tronco de árvore), e ainda muitas, muitas plantas espalhadas em todos os cantos, como todo quintal que se preze há de ter.

O nome do lugar também é bem sugestivo: “Pimenta com Cachaça”, iguaria também servida no estabelecimento por apenas R$ 2,00, àqueles apreciadores da tal misturinha… Já o delicioso tira-gosto concorrente tem um nome que é outro caso à parte: “Petisqueijo de filé ao molho PCC”. Antes que me perguntem, não sei o porquê de o delicioso molho de mostarda servido numa cumbuca de tomate maçã ter o nome de PCC. Mas hei de descobrir um dia…

Chegando lá, apenas 4 mesas na frente na lista de espera. ‘Bora aguardar um tiquim? Lógico, não deve demorar tanto assim…

– Está lotadaço! (Disse o “hostess”, com um walkie-talkie modernoso na mão.)
– Mas a comida deste boteco é boa, moço?
– Ô, se é!
– Esperaremos então. (Minha fome não permitiria outra fila de espera, em outro boteco em qualquer outro lugar.)

E dito e feito. Mesa para duas, nosso nome foi posto na listagem. Ficamos 2 horas esperando120 minutos de estômago roncando. E haja papo! Acabamos fazendo amizade com um rapaz (que aguardava seu amigo chegar) e com um casal (um japonês paulista e sua mulher – mineira, lógico!), que também aguardavam sua vez. Na hora em que fomos chamadas, anunciaram uma mesa para 7 pessoas…

– ‘Bora lá, entrar todo mundo junto? (Eu e minha educação…)
– Vocês não se importam? Queremos muito entrar… (Responderam em coro, com excitação.)
– Que nada, a mesa cabe mais gente mesmo! (Sem contar que já estávamos sem assunto, se é que é possível que duas mulheres cheguem a este patamar…)

E lá fomos nós. A mesa acomodou muito bem todos os 6, e o papo foi divertido, rimos até. Principalmente do amigo do rapaz, que já chegou lá “mamado”, depois de todo mundo, com uma long-neck na mão, contando “piadinhas de japonês” (de gosto duvidoso, claro) para o casal, e derramando tudo que estava em cima da mesa… Puxou um espetinho de nosso tira-gosto, o xuxou no molho PCC e ficou lá rodando o palito, uns 5 minutos… Quase perdi a respiração de tanto rir.

Bêbado é foda, não dá uma dentro. Bem que o coitado tentou, mas depois de 4 a 0, parei de contar os foras que ele levava e provocava…

Placar final: Galo 2 x 0 Avaí, pela Copa do Brasil, menos 10 reais na minha carteira, e abdominais feitos de tanto dar risada!

Ana.

Seja tolerante, seja feliz!

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Nesse fim de semana prolongado com o feriado aproveitei para viajar e fazer uma higiene mental, além de um bom exame de consciência.
Nem sempre páro e fico sozinha comigo mesma, pensando nos erros e acertos da vida corrida. Mas numa fazenda longe de BH, sem computador, sem tv ou rádio para incomodar, somente sentindo o cheiro do mato e ouvindo o som dos bichos e aves, pude estar comigo mesma. E acho que todas as pessoas deviam experimentar essa sensação, nem que seja uma vez no ano.
Assim, descobrimos o que incomodamos nos outros e em nós mesmas e o que podemos mudar.
Nessas idas e vindas de pensamento descobri que a falta de paciência e incompreensão são males que devemos descartar de nossas vidas e de todos os relacionamentos que temos (amizade, namoro, família, trabalho). Reparem vocês também qual é a causa de várias brigas que presenciam… Uma pessoa sempre quer se sobrepor à outra, não tem paciência de conversar, não compreendem situações. E o mundo anda de mau à pior!
Proponho que sempre estejamos abertas a mudanças para alcançar a felicidade!
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos…
É saber falar de si mesmo, é ter coragem para ouvir um não…
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta…
É beijar os filhos, curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem…
Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós…
É ter maturidade para falar “eu errei”, e ter ousadia para dizer “me perdoe”.
É ter sensibilidade para expressar “eu preciso de você”…
E ter capacidade de dizer “eu te amo”…
Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz
E quando você errar o caminho, recomece tudo de novo…
Pois assim você será cada vez mais apaixonado pela vida,
e descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita,
mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância,
usar as perdas para refinar a paciência…
usar as falhas para esculpir a serenidade…
usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência…
Jamais desista de si mesmo,
jamais desista das pessoas que você ama,
Jamais desista de ser feliz!
Pois é preciso ser feliz sempre!
Beijos,
Lú.

Diretamente da “ROÇA”!!!

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Cipolândia, Cipopeba, Inspontânea, Cipotâmia, Mesopotâmia, Cipó…… o quê???Não, nada disso é: CIPOTÂNEA, situada na Zona da Mata. É de lá que eu vim, é pra lá que vou sempre, lá é minha casa de verdade!

Estou eu aqui, (Papai Comédia, Mam´s e vovó Donária) novamente, falando dessa ilustre megalópole… rs.

Gosto de falar de lá, primeiro pelo óbvio: dá ibope (assim espero), e também porque, toda vez que vou pra lá, ficar com meus pais, a SURPRESA é elemento fundamental nessa aventura.

Pois bem, além de encontrar com amigos queridos e participar de conversas intermináveis sobre a infância, adolescência, travessuras, horários de chegar em casa (péssimo), namoros proibidos na cabana do Liu ( que pra nossa infelicidade, não existe mais) e rir e rir dos micos…. o comédia da vez ficou com o Sr. Nilton Souza, meu paizinho querido. Isso tudo por uma dúvida cruel que me acompanhou desde criança, ou melhor, ainda continua latejando em minha cabecinha!

Estávamos, eu, pap´s e mam´s, em casa na sexta-feira da Semana Santa, por volta das 23:30h ou mais, sentados e conversando, ou melhor, eu e papai adoramos nos desentender, brigamos o tempo todo, ele ama me irrirtar. Do nada, começamos a brincar e lembrei-me da dúvida cruel:

Eu: Pai, Lembra daquela brincadeira, à qual o senhor fazia comigo, em que eu estendia a mão e depois de uma sequência de perguntas e respostas, o senhor fazia cócegas em mim até morrer???

Papai: Claro que lembro.

Eu: Então. Faz de novo???

Papai: Menina, você está bem velhinha pra brincar assim, você não acha?

Eu: Por favor, pai (cara de dó)!

Papai: Tá bom, dá sua mão aqui, sua chata! (Perceberam a delicadeza do Senhor meu pai?)
COMEÇANDO…

Papai: Cadê o toucinho que estava aqui?

Eu: Gato comeu.

Papai: Cadê o gato?

Eu: Foi pro mato.

Papai: Cadê o mato?

Eu: Pegou fogo.

Papai: Cadê o fogo?

Eu: A água apagou.

Papai: Cadê a água?

Eu: Boi bebeu.

Papai: Cadê o boi?

Eu: Está amassando trigo.

Papai: Cadê o trigo?

Eu: A galinha espalhou.

Papai: Cadê a galinha?

Eu: Está botando ovo.

Papai: Cadê o ovo?

Eu: Frade bebeu…. (já está começando a ficar estranho)

Papai: Cadê o frade?

Eu: Está rezando missa.

Papai: Cadê a missa?

Eu: Não tenho idéia…

Papai: Responda, minha filha: “Está dentro da caixinha!”

Eu: Como assim pai, isso não existe. Pensa comigo, como uma missa vai parar dentro da caixinha é muita loucura! Você já ouviu falar nisso alguma vez?

Papai: Ah, menina deixa de ser complicada e responda que ela está dentro da caixinha, pra terminar a brincadeira logo.

Eu: Não pai, o senho tem que me explicar isso direitinho: Como uma missa vai parar dentro da caixinha e que caixinha é essa?

Papai (perdendo a paciência, que ele não tem): Donária, deixa de ser chata e fala, se não eu paro por aqui!

Eu: Tá bom então!

Papai: Cadê a missa?

Eu: está dentro da caixinha…absurdo total….

Papai: Cadê a caxinha?

Eu: Desceu rio abaixo…. (outro absurdo, imagine só, uma caixinha boiando no rio com uma missa dentro…. Sem noção!!!)

Papai: Cadê o rio?

Eu: Não sei…

Papai: Foi aqui aqui quiqui……..hahahahahaha……

Eu: Mas, pai e a missa dentro da caixinha, de onde vieram?

Papai: Não sei, só sei pra onde você vai agora: Pra cama que já passou da hora de você me dar um descanso….

Logo em seguida, perguntei à minha mãe:
– Mãe, será que a caixinha veio da “Dona Baratinha”!?

Meu pai, ouviu e disse:
– Oh Zilah, essa menina está ficando maluca? Esse povo aqui de casa, quanto mais velho, mais doido está ficando…

Se alguém souber sobre a caixinha? Adoraria saber também….

Bjocas da Do!

Uma rainha

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Há meses eu aguardava a estréia do filme Maria Antonieta da Sofia Coppola, e finalmente consegui assistí-lo semana passada.

Não decepcionou, pelo contrário, mas deixou um gostinho de quero mais no final, pois termina exatamente na melhor parte da história da rainha francesa, quando a família real é expulsa de Versallhes e fica à mercê dos revolucionários. É verdade que o filme deixa apenas entrever que a rainha foi uma personagem de um dos fatos históricos mais importantes da humanidade, e isso é imperdoável.

Maria Antonieta sempre foi uma personalidade controvertida. Desde que chegou à corte de Versalhes para se casar com o herdeiro do trono foi alvo das críticas e sátiras do povo francês, por simbolizar o luxo, a extravagância e a arrogância da aristocracia, tudo isso aliado ao fato de ser estrangeira, proveniente de uma das famílias mais poderosas da Europa, os Habsburgo.

A controvérsia começou ainda na época de sua morte, no fim do século XVIII: de um lado, tida como símbolo da arrogância da monarquia francesa e das falidas instituições do antigo regime, e de outro, admirada como uma mártir, sacrificada por fanáticos que se voltaram contra a ordem das coisas. Esse foi o objetivo dos biográfos de Maria Antonieta, resgatar a sua imagem como monarca, como representante de uma classe, e como mulher, com as limitações prórias de seu sexo na realidade histórica e cultural em que viveu.

O filme foi um pouco menos realista do que eu imaginava, sobretudo no que se refere às roupas, penteados e maquiagem usados na corte francesa na época. Talvez pela provável rejeição dos expectadores com o excesso de cabelos empoados (exigência imprescindível para frequentar a corte) e maquiagem carregada… Mas a produção também surpreende positivamente pelos toques de atualidade com músicas modernas e a incrível cena que foca um par de All Star no meio dos vários sapatos cheios de firulas da Rainha.

Mas acredito que o objetivo do filme tenha sido mostrar a rainha como mulher, em sua vida privada e íntima, ilustrando a máxima de que toda pessoa é o fruto de seu meio.

Maria Antonieta foi educada desde criança para ser um símbolo do poder das famílias reais, um ventre que traria ao mundo um herdeiro do trono francês, dando continuidade às linhagens e aos privilégios das classes dominantes. Com a perda de seu trono, Maria Antonieta pedeu tudo. Sua posição, sua fortuna, sua família e o respeito de seus súditos. E foi com muita coragem que ela viveu seus últimos anos de vida, suportando as humilhações dos revolucionários e as privações diárias a que era submetida, assim como a separação de sua família, a execução de seu marido, e seu próprio julgamento. E foi essa parte que o filme não mostrou…

Enfim, nos últimos anos, historiadores têm se esforçado para trazer à tona uma imagem mais equilibrada da rainha, nos mostrando que Maria Antonieta não foi uma mulher fútil e ingênua, como se imaginava, mas uma mestra em usar o glamour como arma para se firmar numa corte estranha e hostil, e uma mulher que lutou enquanto pôde por sua realização pessoal.

Virar ícone de uma época é destino para poucos, e assim aconteceu com Maria Antonieta. Por isso, conhecer um pouco da triste história de uma mulher que não soube reinar, mas que a tragédia conseguiu tornar uma grande mártir merece uma ida ao cinema (ou à locadora, em breve) e, obviamente, às livrarias.

***

As biografias mais completas e interessantes são as seguintes:

Maria Antonieta, Antonia Fraser (foto da mais recente edição) – Esta foi a biografia utilizada na elaboração do roteiro do filme de Sofia Coppola. A recente edição em português é bem traduzida e traz interessantes fotos das pessoas mais íntimas do círculo social da rainha. É bastante rica em detalhes, sem ser cansativa

Maria Antonieta, Evelyne Lever – Especialista na análise e compilação da correspondência de Maria Antonieta, a historiadora francesa traça um perfil da rainha baseado nas cartas enviadas a familiares e documentos oficiais.

Maria Antonieta, Stefan Zweig – É um trabalho mais conservador, que foca mais a rainha como personalidade pública, deixando em segundo plano sua vida íntima. É uma biografia que deve ser valorizada pelo rigor e exatidão históricos do período.

Texto por Bela.

Comida di Buteco – 8ª Edição

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Desde o dia 09 de abril, foi aberta a temporada de caça aos butecos na capital de Minas… Sim, o famoso campeonato de “tira-gostos” se iniciou e já está botando pra quebrar, agitando ainda mais a vida noturna de nossa BH.

Desta vez são 41 bares participantes, em 31 dias de botecagem, o atendimento sempre carinhoso, a cerveja sempre gelada, arte nos banheiros, música ao vivo, saborosos “tira-gostos”, e, claro, 4 dias de festa da “Saidera”, de 17 a 20 de maio, onde são revelados os vencedores deste ano…

Sim, o público vota na qualidade do petisco, na higiene do local e na temperatura da cerveja, e sua nota tem um peso de 70%, enquanto que as dos jurados contratados pelo festival, 30%.

Tudo isto porque tem coisas que só acontecem em butecos… Do cliente desconfiado à turma que ri alto e canta… Do bêbado que aluga o garçon às amizades que surgem do nada… Do encontro entre o prazer de beber e se socializar ao encanto do tira-gosto saboroso e do bom atendimento.

Para mais informações, acesse o http://www.comidadibuteco.com.br/site/principal.php.

Ana.

Olha quem está miando…

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Eu não entendo os humanos! Venho me esforçando há alguns anos, e ainda não consegui tirar nenhuma conclusão sobre seu comportamento bizarro.

Antes de tudo, os humanos se dividem em duas categorias: os que gostam de gatos e os que nos detestam. Sim, porque nesse caso não existe meio termo: ninguém é indiferente a um felino.

Mas, como eu ia dizendo, foi um humano que me jogou na rua, me separando dos meus irmãozinhos. Mas também foi um humano que me recolheu lá no meio da trincheira cheia de carros, molhado de chuva e esfomeado. Ele cuidou de mim com carinho, mas como na casa dele tinha um cachorro (eca!) que não gostou de mim, não pude ficar com ele.

Os humanos se acham muito espertos, mas esse, apesar de muito bonzinho, achou que eu era fêmea e me chamava de Bel. Até que um dia chegaram duas moças lá na casa dele, me pegaram no colo e me levaram embora numa caixa. Achei que elas eram simpáticas, mas elas me entregaram para um humano grande e sem pêlos na cabeça que me espetou com uma injeção, mexeu dentro das minhas orelhas e da minha boca, levantou o meu rabo para olhar o que tinha embaixo. Detestei, mas pelo menos ele descobriu que eu sou macho, pois isso já estava começando a me incomodar. Depois disso, as duas moças me levaram para a casa delas, me deram um pote com água e outro pote com ração. Nesse lugar também tinha outros dois humanos. Gostei deles de cara, até deitei no colo deles no mesmo dia! Nesse dia eu também ganhei um nome decente: Miró!

É, as duas moças até que eram legais…

Alguns humanos dizem que os gatos não gostam de pessoas, que são traiçoeiros, mas estão redondamente enganados! Falam isso porque nunca conviveram com gatos, e não sabem como podemos ser carinhosos, meigos e companheiros. Por coincidência, são esses mesmos humanos que falam que odeiam gatos. Por que será?

Mas, voltando a falar dos humanos, eu reparei que eles são cheios de manias.

Por exemplo, eles gostam de entrar na água! Não dá pra entender… Água é bom pra beber, pra brincar, mas entrar debaixo daquele jato uma vez por dia ultrapassa a minha felina compreensão! Não sei porquê eles não aprendem comigo a usar a língua para se limpar, é muito mais divertido e econômico.

Também não sei como eles conseguem passar tantas horas na frente daquela caixa barulhenta que fica lá na sala. Eu só acho interessante dormir em cima porque é quentinho. Mas quando meu rabo passa na frente, sei que vou ser xingado. Ah, mas é tão divertido ver a cara de raiva dos humanos! Eles também têm acessos de raiva quando eu deito em cima do livro que eles estão lendo, afio as unhas nas cadeiras da sala de visitas ou tento andar no parapeito das janelas!

Outra coisa que eu não entendo é por que eles passam o dia todo fora de casa quando é muito mais legal ficar cochilando na cama ou no sofá! Mas os humanos, pelo menos os meus, saem cedo e só voltam de noite pra casa. São uns bobos.

Olha, para terminar, só quero deixar bem claro que apesar de eu achar vocês um tanto esquisitinhos, adoro receber carinho e deitar em um colo, e sou muito grato por isso. E para aqueles que dizem não gostar de gatos, vocês não sabem o que estão perdendo!

Esses humanos…

Me dão carinho, comida, ratinhos de pelúcia…

Acho que eu sou um Deus!
Texto por: BELA

Música para os olhos

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O que dizer sobre esse cara? Posso parecer desrespeitosa, mas este aí ao lado, o Cartola, (vulgo “Angenor de Oliveira”), sempre foi tão presente em minha vida, enquanto estudante de piano, amante de música brasileira e filha de pai músico (blogueiro / psiquiatra / psicanalista / filósofo nas horas vagas), que quando o escuto sinto como que se ele sempre esteve aqui ao lado, naturalmente desfiando seu violão, com aquelas mãos de pedreiro e a destreza de uma fada!

As músicas, sempre melodiosas, trazem letras ricas, elaboradas, em um bom Português… Mas Cartola não era semi-analfabeto? Sim, dentre outras coisas também, que fizeram de sua vida um filme pronto para ser filmado, entrecortado de dramas, sucessos, tragédias, doenças, álcool e lirismo…

Para se ter uma idéia, sua primeira esposa ele conheceu num prostíbulo, quando ele tinha só 17 anos de idade. Além disso, ela era casada, e bem mais velha que ele. E só após muitos anos de ter ficado viúvo foi que Cartola reencontrou D. Zica, também viúva, sua amiga e namoradinha de infância. Daí vieram muitos filhos adotivos, o famoso bar Zicartola, por onde tocaram e cantaram tantos grandes nomes do samba e da MPB… Entre eles o Paulo Cesar. Quem? Paulinho da Viola!

“Ouça-me bem amor, preste atenção, o mundo é moinho, vai triturar seus sonhos tão mesquinhos, vai reduzir as ilusões ao pó…”

O filme “Cartola“, que tive o prazer de assistir nesta segunda-feira última, em companhia de ninguém mais, ninguém menos, que a nossa querida Dôdô, é um documentário que mistura ficção (pois ele é interpretado, quando criança, pelo ator Marcos Paulo Simião – que diga-se de passagem, ficou IDÊNTICO ao Angenor menino, pelas fotos antigas que são mostradas na película) e realidade, contando toda sua história de vida, desde o início, sua descoberta, seu sumiço, o retorno, a gravação do primeiro disco – quando ele já tinha 66 anos – etc, etc.

“Queixo-me às rosas, mas que bobagem, as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam, o perfume que roubam de ti… Ah!”

Além da própria história de vida do mestre, é contada também um pouco da história do Rio de Janeiro, todas aquelas paisagens que nós, mineiros apaixonados pelo Rio, conhecemos hoje em dia, são mostradas no filme nos anos 30, 40… A história do samba, a criação das primeiras escolas-de-samba, os primeiros desfiles, os sambas-enredo, as rodas-de-samba genuínas… Tudo isto, para quem é um amante de música, e, lógico, do samba, é de se maravilhar, é de deixar a gente num verdadeiro “estado de graça”, vontade de flutuar e sair dançando e cantando pela rua afora, na chuva! (Né, Dô? rsrs)

Enfim, Cartola é música para os olhos… Você sai da sala de projeção com a alma elevada… Todos cantam juntos suas músicas dentro do cinema, não tem como não se emocionar e querer bater palmas ao fim…

“A sorrir eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida!”

Bom, esta foi a minha dica cultural… Para quem curte cinema, documentários e samba, vale à pena assistir! Em BH, “Cartola” está em cartaz apenas no Cine Belas Artes, na Rua Gonçalves Dias, próximo à Praça da Liberdade.

Beijos,

Ana.

O Espantalho

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Som na caixa:

Remexendo em meus guardados e velharias, encontrei muitas coisas… Agendas cheias de adesivos e confissões de adolescente (só besteira, sem comentários), desenhos, (semi) projetos de quartos e casas nunca construídos, fotos do Mikhail Barishnikov, autógrafos dos Titãs e da Ana Botafogo, telefones de todos os colegas do colégio, da faculdade, do ballet, do inglês, professores de piano, galera do volley, do handball e do time de futebol feminino…
Cartas, muitas cartas… de amigos que moraram fora do país; de amigos só de carta mesmo (que nunca vi na vida), de ex-namorados, de admiradores (hã-hã); cartões de aniversário, de despedida, postais; convites de casamento, de formatura, de festas de 15 anos (saudades dessa época!); fitas de vídeo, de toca-fitas, CD’s e tudo mais… (sim, guardo tudo, e é muita, muita coisa!)

Mas o que mais gostei de achar foram 16 páginas manuscritas – por mim mesma – guardadas bem no fundinho de uma das pastas… Há tempos eu pensava sobre aquelas folhinhas, me lembro perfeitamente do dia em que as escrevi, há quase 07 anos atrás, linha após linha, no meio da madrugada! Eu era uma menina ainda, assustada, mas ainda assim imponente, me achava meio perdida entre o mundo adulto e a adolescência meio tardia, inconseqüente demais e responsável – também demais – tudo ao mesmo tempo, e com a vida inteira pela frente, mas me acabando pouco a pouco, insistindo em histórias malucas, roupas estranhas, idéias fixas e com medo de ser adulta (mas já o sendo, em tantos outros sentidos).

Não contarei aqui o que aconteceu naquele dia, o que me fez escrever 16 páginas seguidas, sem parar, acordando no dia seguinte com a mão calejada e dolorida, a caneta em cima da cama e muitas folhas de papel esparramadas por todos os cantos… Minha cabeça roda, roda, roda, e não chego a lugar nenhum, mas só sei que me lembro de tudo, e minhas antigas emoções vêm à tona e se confundem com a mente e com os sentimentos da mulher que sou agora, 07 anos depois.

Mas isto eu compartilharei com vocês:

O ESPANTALHO
Olhos que não vêem
Mãos que não tocam mais
Um dia tocaram sim
A música do acaso
O tecido aveludado…
Será verdadeiro?
O sentido, do tecido, do cheiro?

Na fotografia, retrato atordoado
De olhos amendoados
Esconderijo do menino assustado
Espantado
Espantalho.

O homem de lata queria um coração, e eu só pensava em ir pra casa…

Pela estrada dos tijolos amarelos
Andei
Chorei
Me conformei
Mas a pergunta ainda estava no ar
Junto com outras ocultas palavras
Carregas contigo?
Minhas cartas, onde estão?
Onde vão suas mãos, que não posso ver?
Onde miram seus olhos, que não os posso ter?

És atração para os corvos,
Espantalho
Menino assustado
Não temas aqueles que te mutilam,
São eles a razão de sua existência.

(Belo Horizonte, 23/05/2000, 02h 18m)

Ana.

Ps.: O lindo desenho do espantalho que ilustra o poema acima foi feito por Sara Neves, de 11 anos, “diretora” do site “Biblioteca Vila Deanteira“.

EU NÃO SABIA, E VOCÊ???

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Algumas pessoas acham que os provérbios populares estão fora de moda, mas para os meus e os seus pais, tios, avós e um tanto de pessoas mais “experientes”, os ditados estão na ponta da língua só esperando uma oportunidade para serem recitados. Há quem guarde ainda seus antigos caderninhos com vários deles anotados.

O curioso é que essas expressões se mantêm imutáveis ao longo dos anos, aplicando-se a exemplos morais, filosóficos e religiosos, e constituem uma parte importante da cultura popular. Sua origem é uma tarefa difícil para os historiadores e escritores, que já tentaram descobrir… Outros foram modificados pelas próprias pessoas, como num “telefone sem fio”. Não sei se para facilitar a oratória ou seu entendimento… Eis algumas modificações:

No popular se diz: “Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho carpinteiro”.
O correto seria: “Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro“.

“Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.”
Enquanto o correto é: “Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.”

“Cor de burro quando foge.”
O correto é: “Corro de burro quando foge!”

Outro que no popular todo mundo erra: “Quem tem boca vai a Roma.”
O correto é: “Quem tem boca vaia Roma.” (isso mesmo, do verbo vaiar)

Outro que todo mundo diz errado, “Cuspido e escarrado” – quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa.
O correto é: “Esculpido em Carrara.” (Carrara é um tipo de mármore)

Mais um famoso… “Quem não tem cão, caça com gato.”
O correto é: “Quem não tem cão, caça como gato” – Ou seja, sozinho!

Vai me dizer que você falava corretamente algum desses? Eu não!

Para quem quer tentar descobrir a fiel origem de alguns provérbios, separei esses:

Santinha do pau oco

Expressão que se refere à pessoa que se faz de boazinha, mas não é. Nos século XVIII e XIX os contrabandistas de ouro em pó, moedas e pedras preciosas utilizavam estátuas de santos ocas por dentro. O santo era “recheado” com preciosidades roubadas e enviado para Portugal.

Névoa baixa, sol que racha

Ditado muito falado no meio rural. A Climatologia o confirma. O fenômeno da névoa ocorre geralmente no final do inverno e começo do verão. Conhecida também como cerração, a névoa fica a baixa altitude pela manhã provocando um aumento rápido da temperatura para o período da tarde.

Sem eira nem beira” Significa pessoas sem bens, sem posses. Eira é um terreno de terra batida ou cimento onde grãos ficam ao ar livre para secar. Beira é a beirada da eira. Quando uma eira não tem beira, o vento leva os grãos e o proprietário fica sem nada. Na região nordeste este ditado tem o mesmo significado mas outra explicação. Dizem que antigamente as casas das pessoas ricas tinham um telhado triplo: a eira, a beira e a tribeira como era chamada a parte mais alta do telhado. As pessoas mais pobres não tinham condições de fazer este telhado , então construíam somente a tribeira ficando assim “sem eira nem beira”.

E por fim, que gosta dos ditados “cretinos”, ai vão algumas pérolas para dar risadas:

– “É chato ser bonito…mas é muito mais chato ser feio.”

– “O chato não é ser gostoso, o gostoso é ser chato.”
– “A fé remove montanhas…mas eu prefiro dinamite.”
– “Diz-me com quem andas…que te direi se vou contigo.”
– “A informática chegou para resolver problemas…que antes não existiam.”
– “Vencer não é tudo…é preciso também humilhar o adversário.”
– “Quem tudo quer… fica enchendo o saco pedindo!
– “Quando um não quer… o outro insiste!
– “Quem nunca comeu melado… nunca vai ter cárie!
– “Quem não tem cão… não gasta dinheiro com veterinário!
– “Nunca deixe para amanhã… o que você pode fazer depois de amanhã!
– “Depois da tempestade… o trânsito pára!
– “Antes tarde…do que mais tarde.
– “Há males que vêm para o bem… mas a maioria vêm para o mal mesmo.”
– “Quem não deve…tá sem dívida.”
– “Em terra de cego, quem tem um olho…é caolho!
– “Devo, não pago… nego enquanto puder.
– “Macaco que muito pula… tem problema psicológico, pensa que é um canguru.
– “Os últimos serão os primeiros… a tomar bronca pelo atraso.”
– “Dinheiro não traz felicidade. Então me dê seu dinheiro e seja feliz!
– “Tá bom porque tá ruim, seria melhor se estivesse pior.
– “Viva todos os dias como se fosse o último de tua vida. Um dia você acerta.”
– “Penso, logo desisto.”
– “Alface não pensa, logo não existe
– “Brasil: ame ou Miami.”
– “Tudo passa…, até a uva passa!”
– “Chifre não existe !!!! Isto é coisa que colocaram em sua cabeça!!!”
– “Nada é tão ruim que não possa piorar!
– “Em terra de sapo, mosquito não dá vôo razante.”
– “Pato novo não dá mergulho fundo.”
– “Quem ri por último… ou é surdo ou retardado!
E quem nunca morreu de rir com os provérbios trocados da Magda, personagem do programa “Sai de baixo”? Agora é a sua vez de fazer os trocadilhos, comece a semana feliz, divirta-se e “CALA A BOCA MAGDA!!!”