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E lá vou eu

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niemeyer 184

Sou jovem, sim, pessoas passaram por mim. Sim, sou madura até demais, muitas vezes. Noutras, sou infantil como uma menina de 7 anos. Sim, sofri. Sim, vivo minha vida com plenitude. Sim, falo palavrão, e sim, me arrependo depois de proferi-los. Não, não tenho medo de errar, de jogar, de cair. Eu me levanto, eu quebro a cara, e dou a outra face.
Sim, já experimentei muita coisa, já fiz coisa certa, já fiz coisa errada. Já sofri conseqüências, já odiei, já fui odiada. Já fiz sofrerem por mim, já sofri pelos outros, sofri com os outros, já me preocupei. Não me deixo de preocupar. Preocupo-me com quem eu gosto, gosto de graça, nem sempre gosto de quem me gosta, gosto de cuidar, de ser cuidada.

Penso muito, faço muito. Sou dualidade, paixão e razão. Eterno conflito. No geral, sigo meu coração, e lido bem com isso. Ouço minha intuição, e então meu coração fala mais alto, bate mais forte, ensurdecedor. Nem sempre sigo minha intuição. Mas sei que deveria. E intuição nada tem a ver com razão. A razão é o contrário disso tudo. É lógica, fria e matemática. Definitivamente, são raras as vezes que dou ouvidos à razão. Deveria mais?

Sou jovem, sim, mas já vivi muito, nesta contradição louca entre juventude e vivência. E vivo ainda, até a última gota. Tenho esperanças infinitas. Viajo em meus pensamentos, em minhas palavras, provocadas pelas suas, pelos sons, por um telefonema, pelo sorvete, pelo remédio, por um amor Grand’Hotel.

Aponto para o céu e vôo alto.
E lá vou eu. De ponta cabeça.
Mais uma vez.

Ana.

Quero

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Quero beber
Quero dormir
Quero esconder
Quero sentir
Quero amar
Quero sumir
Quero sonhar
Quero curtir
Quero espairecer
Quero sair
Quero ir embora
Quero apagar
Quero ser
Quero crescer
Quero aparecer
Quero parar
Quero descer
Quero acreditar
Quero ter
Quero querer…

Ana.

(foto e texto)

A maldição do banheiro feminino

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Todo homem se pergunta por que as mulheres gostam de ir juntas ao banheiro. É claro que a maioria das vezes é para fofocar. No caso do meu trabalho… a gente vai é para INVESTIGAR. Para tentar descobrir quem foi a fdp querida que fez merda por lá. (Literalmente! )São simplesmente revoltantes as cenas que presenciamos nos banheiros femininos, e deixo aqui registrados meu protesto e indignação! A maioria da mulherada não tem respeito nem educação. No meu local de trabalho até mesmo as faxineiras já relataram fatos horrendos. Disseram que preferem mil vezes limpar o banheiro masculino ao feminino…

O pior é saber disso e, ainda assim, presenciar coisas toscas… Aqui existe uma senhorita (?) que nunca dá descarga para o nº 1, quem dirá para o nº 2! Acreditamos ser a mesma que também não lava as mãos (ela sempre sai da cabine quando não tem ninguém do lado de fora aguardando e vai embora sem nem abrir a torneira para despistar). Nunca ninguém conseguiu pegá-la em flagrante delito, apesar das inúmeras tentativas. Ela nem dá descarga, nem lava as mãos. Eca!

Será a mesma senhora porquinha que só joga o papel usado fora do lixo? Será ela que também erra na mira e faz suas necessidades no chão? Quanta porcaria para uma só pessoa… Minha tese é de que existem umas ‘ogrinhas’ por aqui que adoram por a culpa nos outros. Cada uma é especialista numa nojeira. Enquanto há quem deixe o absorvente aberto e na vista de todos por cima do lixo, há quem deixe respingar xixi no assento do vaso e nem se preocupe em limpar. Penso se é proposital… É uma falta de respeito! Como diria Boris Casoy, é uma ver-go-nha.

Vai ver existe um carma dentro de cada banheiro feminino. Uma maldição, sei lá. Já que os pequenos cartazes pregados nas paredes pedindo mais educação não têm dado resultado, muito menos nossas infrutíferas investigações, o jeito é rezar e apelar pro santo especialista em banheiros… Alguém aí conhece algum?

Ana.

Foto retirada deste site.

 

Realismo Impossível

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Sabem quando você não tem nada a dizer? E acaba falando demais por não ter nada a dizer? Ou então não fala nada, e aí a situação piora? Pois é.
Sabem quando você precisa falar algo, e a pessoa precisa ouvir, mas você não tem nem sequer vontade de falar ou ligar ou escrever contando? Sabem quando fica entalado? Sabem quando a respiração engasga e a garganta aperta, e a sua vontade é de gritar ou bater ou xingar ou chorar? Pois é.
E quando você se sente vazia e gelada, após engolir um balde d’água gelada, queimando tudo por dentro, sabem? E quando a gente descobre que acreditou demais, deu muita corda e ninguém deu a mínima, sabem também? Pois é.
Então aposto que sabem quando, alguns minutos depois de um rompante de ódio e raiva você se sente mais leve, mais livre… Ou quando a gente solta um pássaro de uma gaiola e o vê voando livremente, a priori levando uns golpes do vento, meio cambaleante, mas depois flutuando no ar, planando, voando alto, para cima, sentindo a liberdade… Ou quando dá um primeiro beijo, ou quando tem um encontro interessante, ou quando se sente solteiro, mas não sozinho, já que tem a você próprio… Pois é.
Eu, passional, no sentir, no viver, no gostar, no gozar, no me jogar completamente, sofro demais. Amo demais. Mas ao menos, vivo demais. Talvez eu precise mudar. Ou não.
Pelo menos eu não bebo (muito), e estou vivendo (bem, obrigada). Tem gente que não bebe (pouco) e não está morrendo: já morreu.

(Stricto et lato sensu.)

Seja realista... Exija o impossivel.

(Seja realista… Exija o impossível.)

Texto e foto: Ana.

Ao medo

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Paraliza, refrigera, condena.

Achei que nem estava ali. Do meu lado não, tenho certeza. E mais um passo meu à frente e você surge, imponente, turrão, a própria Grande Muralha da China, instransponível e monumental. Me empurra de volta, guilhotina de sonhos, catapulta de horrores.

Por que faz isso comigo? Gosta de me irritar?
Não faz a mínima questão, não é mesmo? Brinca com meu brinco, me olha, me joga, me pinta, me acusa. Me chama de querer bem, ignora, me esfrega na cara sua covardia, teimosia.

Diz uma coisa: é chato ser chato? Pois eu penso que até se diverte com isso. Zomba com a cara dos outros. Protege seus erros, recua… Justifica que assim tenta poupar os outros do próprio mal. Balela.

Você se esconde. Vive no crepúsculo, nas metáforas, no chove-não-molha, não chora, sem jogo, sem dor. E não vê que é assim que joga mais… Receio da chuva? Um gole d’água no peito faz até bem. Bebe e aceita um lampejo de cristal nos olhos faiscantes, e um girassol brota em seu ouvido, e sussura sobre moças de vestido de cetim azul e bigodes de gatos e flocos de neve e… A luz se apaga, o cinza te consome… Mais uma vez.

Menino assustado, você não passa disso. Sobressaltos com a própria sombra, vive à margem da grande imagem do que pode vir a se tornar. E assim, não alcança, nunca, a tela do cinema do filme da tua vida.

Eu sei, você sofre com isso. Inventa diversões e casos engraçados, histórias que nunca viverá, foge do assunto, finge que nem é com você. E ainda assim, sofre.

Mas eu sei que você queria ser livre pra atravessar o céu num suspiro, abraçar o mundo com um dedo, e carregar o suor das flores no cheiro da chuva. E você me inveja por isso.

Pois eu sei,
eu faço,
eu sinto,
eu choro,
eu brinco,
eu coro.

Eu sou mais eu. Amora e tangerina, baunilha com orquídeas em flor. Mais um passo e caio do edifício, na difícil tentativa de viver.

Prefiro o salto (alto).


Texto e foto: Ana.

Da dor de se amar demais

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Poderia me abstrair de tudo e dizer, e acreditar, simplesmente, que me basta um amor tolo, como o tempo de duração do filamento de uma lâmpada comum, tácito, plácido, de desejo, pura e simples, explícito em tons pastéis, lânguido e preguiçoso. Não, não posso. Não sou assim.

Não costumo economizar. Há de sobra empolgação, falta de noção. Sou moça de horas, de dias, de anos, anos-luz. Mulher da dor de se amar demais e de se entregar, de ser perfeccionista com tudo o que faço e sinto.

Não há nada pela metade. Meias-palavras, meia foda, meia-calça. Meia-luz, pode até ser. Mas nem 8, nem 80. Ou é ZERO, ou é CEM. E vou de 1 segundo a 1000 km/h (e vice-versa) de olhos fechados, na fração de um momento, na feição, na emoção, no olhar, na letra, na ponta dos pés, no pingo do i. E é aí que mora o perigo!

E de tanto querer, há tanto sofrer. Tanta responsabilidade, tanta dor. E há tanto prazer… E há o lembrar, e há o sentir, e há o cheirar, e há o gostar. Pois não há amor sem gosto, lembrança sem cheiro, música sem gozo.

E depois daquele beijo, há a quebra. Há o limite ultrapassado, e tudo se torna tão bom quanto uma fotografia perfeita, a luz que aquece e ilumina seus loiros pelos, como num quadro de um filme, como um filamento de ouro deliberadamente largado, esquecido, sobre suas vestes… E tudo fica tão engraçado quanto numa comédia de palhaços tristes, tão natural quanto deitar na relva e sentir o cheiro da chuva, acariciar seu cão, dormir abraçadinho, mesmo quando não se está com sono, comer banana com queijo e lamber o fundo do prato até não sobrar um resquício de amor sequer.

Ana.

Texto e Foto: Ipê Amarelo: by Ana Letícia.

CONFLITOS ARMADOS – vol. II

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Trabalho x Viagens

Pausa. Tomei um café (péssimo, por sinal) com adoçante, é claro. Comi uma bolacha integral. Light, é claro. 😉
Tento ver o infinito. Só reparo no parapeito da janela… A floreira de cima tem uma goteira, que chega a formar estalactites… As gotículas que pingam na floreira de baixo, estão a formar estalagmites…
Aula de geografia no trabalho (?), e eu aqui viajando!

Aninha x Ana

Introspecção e reflexão no dia de hoje. Um pouco down, talvez. Tento abraçar o mundo com minhas mãos, mas só posso dar um passo de cada vez. Quero resolver o problema dos outros, os meus não. Mas só consigo mesmo é ser uma chata.
Desculpem minha crise… já já, passa.

Tudo para me esconder e disfarçar… Por que será que eu faço isso?

Cazuza x Cássia Eller

“Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia

Que ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia
E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio pra dar alegria

(Tá, agora eu consegui ficar deprê. :-P)

Ana.

CONFLITOS ARMADOS – vol. I

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Patroas x Domésticas

Minha blusa de liganete preta, novinha, que eu nem terminei de pagar ainda e só usei uma vez, está estragada, queimada de ferro de passar roupa, com fios puxados e esgarçada em algumas partes. Preciso dizer mais? No further comments.

Homens x Mulheres

Cueca. Calcinha, calcinha de renda, de algodão, de lycra, de cotton, calcinha de lacinho, calçola, fio-dental.

Meia. Meia-calça, meia soquete, meia de ginástica, meia de ballet, meia 7/8, meia fina, meia grossa, meia com bumbum, meia sem a ponteira, meia que emagrece, meia que tira celulite, meia que comprime a barriga, meias Kendall.
Calça comprida. Calça jeans, calça cigarrete, calça social, calça corsário, calça preta, calça de ginástica, calça bailarina, calça pantalona, calça boca-de-sino, calça pescador.
Pente. Escova de pentear, escova de escovar, secador de cabelos, chapinha, pente de madeira, pente-fino.
Sunga. Biquíni, maiô, bolsa de praia, protetor solar, canga, cadeira, guarda-sol, óculos escuro, creme para pentear os cabelos, toalha, saída de praia.
Tênis. Scarpin, salto-agulha, plataforma, sandália de dedo, channel, bota de cano alto, bota de cabo baixo, bota peter-pan, sapato bonequinha, sapatilha, anabela.
Carteira. Bolsa, espelho, caneta, bloquinho de papel, telefone celular, carregador, batom, gloss, corretivo, blush, rímel, lápis de olho, o.b., modess, escova, pente, óculos, óculos escuros, desodorante, neosaldina.
Ponto final. Et cetera.
Desejo x Ideal x Realidade
O desejo é o inimigo da realidade. Porque eu digo isso? Ora, pois quando desejamos algo, criamos em nossa mente um ideal de situação, tentamos planejar tudo para alcançarmos este ideal. No entanto nos esquecemos que, por ser IDEAL, nunca se tornará realidade, já que se situa no plano das idéias, e o que está na mente, não está na realidade.

A situação ideal, a circunstância ideal, utópica, nunca existirá. E sempre colocamos e criamos situações por trás de circunstâncias, e vice-versa, como se nós mesmos impuséssemos obstáculos instransponíveis para o alcance daquele desejo. Aí é que eu pergunto: será que realmente desejamos aquilo que pensamos desejar? Se ao criarmos estas barreiras esperando que o ideal ocorra – e este, por ser utópico, nunca se realizará – significa que não obteremos o que desejamos, e, sabendo disso, é possível concluir que, na verdade, não o desejamos tanto assim… Pois, se realmente quiséssemos com todas as nossas forças, não nos boicotaríamos tanto, impondo tantas dificuldades para nós mesmos e para os outros.

(To be continued… or not.)

Texto, foto e viagem na maionese por: Ana.

L’adieu a Belle

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A hesitação em publicar aqui as seguintes palavras refletem a a tristeza de dizer adeus…

Uma grande amiga, uma maravilhosa escritora, que prima pela perfeição em tudo que fala ou faz.

Pois é, pessoas, a Bela decidiu não mais publicar seus escritos por aqui… Quem quiser ler mais de suas palavras terá que aguardar… Quem sabe um livro? Uma peça processual? Uma sentença?

Vindo da Belle, não duvido de nada, esta garota talentosa, inteligente e muito perspicaz promete uma carreira de sucesso, uma vida de brilhos e brios, perfeita, como ela é!

Então, amiga Bela, obrigada por todos os textos, todos os helps, pela companhia, pela compreensão e paciência…

Beijos das…

Mineiras, Uai!

Ana e Dô.
(Que já foram 3, foram 4, ficaram 3 novamente, e agora são só 2!)

Arrebatador

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Vou parar de fingir que não estou nem aí. Vou parar de fazer ironias e de dizer coisas sem sentido e de nunca falar nada que eu quero de verdade. Vou parar de fingir que estou tranquila no meu canto e que não penso em você a todo instante.

Vou parar de fingir que não quero falar contigo todos os dias, e parar de fazer o tipo “ocupada todo o tempo”. Vou admitir que fico te esperando dar um sinal de vida todos os dias, pr’eu tomar mais uma pílula que seja de sua atenção.

Não vou mais fingir que não me decepciono quando você não me liga, e que toda a minha agressividade, ironia e sarcasmo não são em decorrência da sua falta de atitude. Não que você não faça nada, claro que reconheço seus esforços, e acho lindas as coisinhas que você faz, por mais minúsculas que sejam; mas acho que fiz e tenho feito muito, talvez até demais, para te mostrar o que sinto e o que quero.

Não falarei mais com você sobre coisas corriqueiras, sobre como foi o meu dia, nem te perguntarei como foi o seu. Admitirei que já fiz planos, que já sonhei e já pensei e já programei um monte de coisas pra nós dois.

Não vou mais fingir que não me apaixonei por você. Eu sei e você sabe que coincidências assim, como as nossas, não acontecem sem um propósito, muito menos, são coisas corriqueiras, que poderiam acontecer com qualquer um. Vou parar de fingir que eu não lembro o tempo todo do seu toque, das suas palavras, e me recuso a achar que foi tudo uma viagem da minha cabeça, que errei feio, e que posso quebrar a cara, mais uma vez.

Eu quero que você fale com todas as letras, e não mais nas entrelinhas. Eu quero parar de tentar decifrar seus escritos, suas palavras faladas e suas reações. Eu quero simplesmente ouvir da sua boca que você me quer e nada mais, que quer me ver de novo, e que podemos ser felizes juntos, ou que, pelo menos, quer tentar.

Vou te falar uma coisa: eu não quero que esta seja só mais uma historinha de amor, dessas que a gente conta pros amigos, pros filhos e netos, um caso, apenas uma aventura, e que morre por aí.

Vou parar de enrolar e te dizer de uma só vez: eu quero que seja arrebatador.

Ana *

(Texto por: Ana Letícia *. Foto by LaMariposa.)

* Inspirado na maravilhosa prosa poética de Brena Brás.