O Castelo

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E o CASTELO DO POETA está no ar!

Trata-se de um portal alternativo, um canal de arte, cultura, eventos, cinema, poesia, literatura, entre outros, capitaneado pelo poeta João Lenjob.

Em breve colaborarei por lá…

Acessem e divirtam-se!

www.castelodopoeta.blogspot.com

O Castelo do Poeta

Ana.

Na Espera

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Na espera

Calor na alma
Calor seco
Ventila calor
Ventila dor
Cadê o vento?
Se foi.
Casou com o sol
E nem me olha mais.
Apago as luzes pra ver se ele vem,
Mas o calor continua
Calo na alma
Calor na calma
E a cama me chama:
Vem dormir!?
Sonhar com o vento,
Com a chuva que não vem…
Vem cair na grama
Sem grana
Sem sentir e sem descansar
Cansada do ranso
Do banzo
Do banjo a tocar
Me jogo n’água
Tiro a anágua debaixo da saia
E me abano com palha
Até o fogo pegar.

Ana.

 

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Poesia em você

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Kibe poético

Não precisa ser poeta
Para ver poesia em gente, coisa, passarinho, avião…
Traduzir em palavras o sentir
O pensar
O gostar
É simples!
É só não se deixar constranger
É deixar fluir
Pensamentos que vêm e vão
Um mar de letras
O vai e vem da rede
Sentindo a brisa que vem de ti…

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Segundas Impressões

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Ontem eu vi um eremita carregando sua casa nas costas.
Andava cambaleante, claudicando rua afora.
Justo onde não se vê pobreza (marginalizada, afastada e excluída do plano).
Um avião que se pilota em duas torres e dois pratos, de onde se ignora os que estão aos seus pés.
É logo ali, onde a cidade dorme, no buraco do tatu, que se escondem pedras, fumos, ternos e mendigos.
Sujos, lutam por mais um pouco de vício que os sustentam no ar e levam para outros caminhos.
A viagem dura pouco, é barata, é imunda.
E o eremita a tatear, procurando o chão e um lugar para cair e se esticar.

Ana.

Texto e foto: Ana Letícia.

Sinal

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Dê sinal de vida

Dê sinal de vida, acenda um farol.
Um sinal apenas, uma luz, uma faísca,
Grite chore, diga que exista
Diga que eu existo, que estou aqui, sou, penso, faço, choro.
Olhe para os lados, cuidado ao caminhar…
Pare, pense, escute. Na linha do trem ou na vida
É tão mais fácil andar!
Mas não se esqueça do sinal de vida
Dê vida
Sinal divino
Acene, peça pra parar.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Primeiras Impressões

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Poltrona 24 A - Vôo 6681 Webjet

Vôo levemente atrasado, encontro amigo na sala de embarque. Wi-fi não funciona e os altos falantes anunciam a todo momento em português e inglês macarrônico. Passageiros que devem embarcar.

Poltrona do meio, vizinhos sonolentos. Bebê chorando ao lado e, no banco de trás, um garoto de 9 ou 10 anos não para quieto um só minuto.

Velocidade: 800 km/h, altura de vôo cruzeiro. Fecho os olhos para cochilar, mas o garoto do banco de trás não me permite ter este luxo.

Revista superficial, lanche mixuruco. Duas horas depois, avisto quadras e ruas planejadas ao longe, avenidas largas e o Lago Paranoá.

Pouso suave, terra firme, cabeça longe…

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

A cozinha é deles?

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Estranho a gente ouvir dizer por aí que lugar de mulher é na cozinha… Ora, é muito mais fácil ouvirmos falar de grandes chefs homens que mulheres, certo?

A questão é que meu amigo Luiz Afonso Escosteguy, mais conhecido como @ochato, lançou um desafio aos “cuecas” de plantão: qual é a melhor receita de… MIOJO!!!???

Para completar, faço parte do júri – um time interestadual composto ainda por Luma, Sandra Pontes e Kaia (a esposa d’o Chato).

Visitem o site para maiores informações! http://cozinhadoshomens.wordpress.com/

Ana Letícia.

Mais 30

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Pensava que quando o dia chegasse, fosse me sentir diferente. De fato, dá um certo tremor nas pernas, a gente se olha no espelho e por mais que se veja igual a todos os dias, o olhar minucioso enxerga coisas que não existem em lugares não imaginados.

Mas é sério, há anos pensava que, ao acordar neste dia, veria alguma transformação radical em mim. Pensava que me sentiria (mais) adulta, (mais) inteligente, (mais) mulher. Pensava que estaria ou mais feia ou mais bonita, ou mais magra ou mais gorda. Pensava que ficaria loira ou que não estaria ali.

Já cheguei a pensar que nunca estaria me olhando naquele espelho daquele quarto naquele exato ponto geográfico. Que talvez eu já tivesse cabelos brancos ou muitas tranças, rodopiando longe daqui. Que teria filhos e que eles já teriam meus netos.

Pensei que o mundo seria diferente… Mais colorido? Mais preto e branco?

A verdade é que o mundo já mudou. Já foi multicor e já foi cinza tantas vezes pelos meus olhos. Eu já mudei. Já emagreci e engordei feito sanfona em festa de São João, já pintei meus cabelos sem estarem brancos e há dias em que me acho bela, noutros, nem tanto.

A verdade é que já sou adulta e mulher, que minha inteligência deixa a desejar em alguns momentos, pois não sou nenhum Einstein. Já me aceito assim, nem bonita nem feia, um dia fatal, outro normal, gata borralheira ou cinderela, brava, calma, baixa, chique, simples. Minhas pernas já não são mais as mesmas, assim como minha flexibilidade também já teve dias melhores.

Mas hoje não estou velha. Nem sábia. Nem gorda. Nem magra.

Mas… Estou preparada: que venham mais 30!

Ana.

Melô do Fim de Ano

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Melô do Fim de Ano
Pois assim têm sido meus últimos dias do ano…

RODA VIVA
(Chico Buarque)

Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente, ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva e carrega o destino prá lá

Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente até não poder resistir
Na volta do barco é que sente o quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva a mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva e carrega a roseira prá lá

A roda da saia, a mulata, não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata, a roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa, viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva e carrega a viola prá lá

O samba, a viola, a roseira, um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa, faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva e carrega a saudade prá lá…

***
Até mais ler.
(Semana que vem.)

Ana.

(Foto: Ana Letícia. Letra: Chico Buarque de Hollanda.)

Caridade ou Maldade? Manifesto contra os falsos bazares e liquidações

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R. Mutt

Era plena 4ª feira, chuvinha ameaçando cair na capital dos mineiros. Mesmo traumatizada com o banho frio involuntário do dia anterior, que me pegou desprovida de sombrinha, resolvi conferir o bazar de uma grife famosa na sua loja do Bairro de Lourdes. Este foi o primeiro dia do bazar, que terminou no dia seguinte, tendo sido anunciado em blogs de moda e twitter da marca como “oportunidade incrível” de se comprar peças de coleções anteriores com 70% de desconto, e ainda beneficiar uma instituição de caridade.

Até aí, tudo muito bom, tudo muito bem. Almocei mais cedo que o normal e fui com mais duas amigas. Chegando lá, nenhuma placa na porta da loja, nenhum “boa tarde, sejam bem vindas”, apenas uma vendedora, que nos percebeu meio perdidas no meio da linda e colorida coleção primavera verão 2009/2010, e disse meio debochadamente que o bazar era no andar de cima, sem maiores explicações, direcionamento, simpatia, nada. E se estivéssemos lá pela coleção nova? Mas… Continuemos a história.

A construção onde fica a loja é belíssima – uma casa dos anos 50 toda reformada, clean, em tons de branco, bege, e madeira de cor clara, contrastando com vidro e um lindo jardim de inverno. Seguindo a indicação da vendedora, subimos a escadaria e nos deparamos com uma saleta pequena e escura com 3 araras abarrotadas, muita roupa embolada jogada no chão e clientes revirando tudo. Até aí, nada tão estranho para um bazar.

O anormal mesmo eram os preços NADA amigos, mesmo com o álibi de doar para a caridade e os 70% de desconto, que só eram dados após cálculos feitos na única calculadora, dividida entre quase 50 clientes. Casacos e macacões de cores horrendas e tecido idem (um linho que, em razão da cor escura e desbotada ao mesmo tempo, mais parecia um pano de chão sujo), tamanhos enormes e desproporcionais, amarrotados, da coleção de 1900 e lá vai pedrada, pela “bagatela” de 1700 reais. Menos 70% disso dá o quê? 510 reais! Não do meu bolso.

Falando nisso, a única bolsa a venda no bazar era de TECIDO, saindo por mais ou menos 500 reais (com o desconto) – preço de uma boa bolsa de COURO na Equipage ou Arezzo, por exemplo. Chapéu de feltro de 380 por 120 reais. Na Zara tem chapéus também lindos e estilosos por 70 reais, em média. Estola de PELÚCIA de 1600 por 480 reais!? Na Renner tem por 69,90! Nem comento os sapatos tamanho 42. Oi?

Pensam que é só isso? Para completar a situação, além de não ter provadores individuais, não era permitido utilizar os do andar de baixo, então num corredorzinho mais ou menos escondido as moças vestiam e desvestiam essas “maravilhas” do último século (literalmente). Uma de minhas amigas comentou que parecia que os preços tinham sido majorados a níveis absurdos nas etiquetas, tudo para você se impressionar com os tais 70% de desconto, e depois, é claro, tomar aquele susto com o preço real – que ainda continuava nada justo por aquela peça démodé. Para falar a verdade, os mesmos preços que seriam pagos na loja sem liquidação, com todo o conforto, por uma peça da estação.

A falta de acessibilidade para deficientes físicos também me chamou a atenção. Tem escada pra entrar na loja, degraus para distinguir níveis no primeiro andar, e escadaria até o segundo andar. Nada de elevador ou rampas de acesso. Durante o tempo em que estive lá, havia uma cliente de cadeira de rodas que teve de contar com a ajuda dos 2 seguranças da loja para poder entrar, subir até o bazar, descer pra ir embora, etc. No mínimo, constrangedor.

Juro que vi um vestido laranja de seda, da coleção de verão 2008/2009, que na liquidação da loja do Shopping no meio do ano (na qual sobre os preços normais é aplicado um desconto de 50%) estava mais barato que neste tal bazar beneficente. Bonito o vestido? Sim. Mas ainda assim, caro. E só tinha um vestido de resto, sem opção de cores e tamanhos. Preferível comprar na liquidação do Shopping, não?

Caridade de verdade é alguém ter a coragem de comprar roupas feias como as que vimos lá no bazar; caridade da cliente para com a grife, claro. Roupa antiga se compra em brechó – e bem mais barata, diga-se de passagem.

Ana.

Texto e foto: Ana Letícia.
Revisão e testemunha ocular: Izabela Baptista e Renata Viana.