Arquivo do autor:Ana Letícia

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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

e…?

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e a curiosidade?

e a vontade de saber o q vai acontecer?
e a ansiedade?
e a vontade de pegar o telefone e ligar?
e marcar um horário e ir?
e a vontade de ouvir?
e a vontade de ouvir o que eu quero ouvir?
e a vontade de sumir e parar de suspirar?
e o medo de surtar?
e o ódio de não conseguir parar de pensar?
e a loucura que é pensar?
e acreditar?
e não saber o que fazer?
e escolher?
e sentir?
e saber quando?
e saber como?
e saber onde?
e viver?

ah… cansei.

Ana.

(texto e foto: “vertigem“)

Nada mudou…

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Sem cabeça
Está tudo igual. Nenhuma nuvem fora do lugar. Nenhum suspiro de brisa a envolver, nenhuma gota salgada para afogar. Os livros continuam os mesmos, empilhados no criado mudo. Este continua imóvel e sem palavras, subserviente e submisso aos desígnios de sua concepção. A cama há muito não é arrumada, e a porta do armário, entreaberta, denota a bagunça mental em que se encontra a dona de tantos objetos cármicos e inspirados.

Estava assim quando ela se foi. Está assim quando voltou. Estará assim quando partir novamente para mais uma aventura desaventurada dos desejos, desarranjos e desenhos de caracóis e caramelos. E assim deixará seu corpo estender no tapete, e ele então flutuará por entre as nuvens, as mesmas nuvens iguais, em seus devidos lugares. E é como se o vento não ventasse… Pois se tudo igual está, o tempo não passa a lua não vem o dinheiro não basta e a noite se faz dia como que num piscar de olhos.

E é neste mesmo micro-instante que sua vida esvai. É nesta migalha de momento, neste abrir e fechar quase que imperceptível de pálpebras, que reside o valor de sua ínfima vida humana no pulsar gigantesco dos pulsos da humanidade, nos bilhões de anos de Planeta Terra.

“Mudaram as estações, nada mudou. […]
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou.”

(Por Enquanto – Renato Russo)

Ana.

(foto: auto-retrato “sem cabeça“)

Macabelando

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Das taras que um dia eu tive


T de tamanco

T de tan-tan
T de tramela
T de testa
T de “T grande”
T de T.A.R.A!

Leia você também… no Macabelagem, o blog literário do Projeto Macabéa.

… E vem aí… TRAPICHES, sua revista eletrônica sobre cultura e arte! Aguardem …

Ana.

Meu mundo…

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A natureza é exótica
O que dizer aos fracos?
É o mesmo que diria aos fortes?
É o mesmo que se faz quando cai a noite e você, calada e sozinha no escuro do seu ser, se joga na cama dos devaneios envolta num cobertor de pena, dúvida, e lamentações?
Aos fracos, uma pitada de pimenta.
Aos fortes, licor de maracujá.
À noite, um bom livro, taça de champagne e fogo para o incêndio atear.
Se sou forte ou fraca, se sou escura ou vazia, se sou um muro de auto-estima que se move em carrossel, não importa. Nada disso importa.
O meu mundo é só meu. E ai de quem quiser pisar nele.

Ana.

(texto e foto)

menino

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Menino
menino do rio
tomei esta foto como um beijo
menino do rio
teu coração é um flerte
de coisas boas e intensas
menino do rio
tome estas linhas como uma carícia
uma carinha de felicidade
um sorriso e um beijo
um queijo
um doce de leite
um afago com cafuné
menino do rio
não fiques triste
há tanto para viver
oh! menino do rio
não chores mais
menino não chores assim
menino do rio
te dou cheiro de chuva, de pão assado
perfume de baunilha e jasmim
boca, voz rouca, alecrim e aipim
frito ou amassado
você escolhe
menino do rio
eu te quero tanto
e tão bem
menino do rio
o vento gelado já vem
o que te provoca arrepios
é o mesmo que te sopra a alma
te infla de vida
e te faz viver.

Ana.

(poema + foto)

Aonde vamos chegar?

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Como se não bastasse:

1) usar salto alto e ou sapatos desconfortáveis;
2) colocar silicone, fazer lipo-aspiração, cirurgia plástica e afins;
3) usar make-up;
4) passar ácido no rosto, fazer limpeza de pele de quando em quando e ainda por cima, peeling;
5) usar roupas apertadas e ou desconfortáveis;
5) por causa do n° 4, fazer dieta pra caber nas roupas;
6) malhar – idem n° 5;
7) passar formol no cabelo pra acalmar as madeixas;
8) gastar horrores por mês pra ficar na moda, bonita, em forma, arrumada, etc;
9) ficar menstruada todo mês, com direito a cólicas;
10) ter TPM todo mês;
11) usar sutiã;
12) fazer manicure e pedicure (acreditem em mim, é um saco, dá a maior gastura);
13) depilar “as partes”;
14) engravidar, carregar um bebê na barriga por 9 meses, deixando-a potencialmente flácida e com estrias, e ainda sentir as dores do parto, amamentar (vendo os peitos murcharem e caírem vertiginosamente)…
15) ser gostosa, inteligente, trabalhadora, cuidar da casa, dos filhos, do marido, pagar as próprias contas, chupar cana e assoviar ao mesmo tempo…………………………….;
etc etc etc etc…

Ainda me inventaram um tal batom para inchar e tornar os lábios mais quentes…. (sim, no sentido da temperatura…)
Meda disso, gentem!

E ainda ouço uma dessas hoje à tarde: “O batom é pra usar na boca, tá?”

G-zúis! Onde vamos parar? Parem o mundo que eu quero descer…
(rs)

Becitos miles (pois este post me lembrou minha amiga Roma Dewey… por onde andará?), sem o tal batom, diga-se de passagem. 😉

Ana.

E lá vou eu

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niemeyer 184

Sou jovem, sim, pessoas passaram por mim. Sim, sou madura até demais, muitas vezes. Noutras, sou infantil como uma menina de 7 anos. Sim, sofri. Sim, vivo minha vida com plenitude. Sim, falo palavrão, e sim, me arrependo depois de proferi-los. Não, não tenho medo de errar, de jogar, de cair. Eu me levanto, eu quebro a cara, e dou a outra face.
Sim, já experimentei muita coisa, já fiz coisa certa, já fiz coisa errada. Já sofri conseqüências, já odiei, já fui odiada. Já fiz sofrerem por mim, já sofri pelos outros, sofri com os outros, já me preocupei. Não me deixo de preocupar. Preocupo-me com quem eu gosto, gosto de graça, nem sempre gosto de quem me gosta, gosto de cuidar, de ser cuidada.

Penso muito, faço muito. Sou dualidade, paixão e razão. Eterno conflito. No geral, sigo meu coração, e lido bem com isso. Ouço minha intuição, e então meu coração fala mais alto, bate mais forte, ensurdecedor. Nem sempre sigo minha intuição. Mas sei que deveria. E intuição nada tem a ver com razão. A razão é o contrário disso tudo. É lógica, fria e matemática. Definitivamente, são raras as vezes que dou ouvidos à razão. Deveria mais?

Sou jovem, sim, mas já vivi muito, nesta contradição louca entre juventude e vivência. E vivo ainda, até a última gota. Tenho esperanças infinitas. Viajo em meus pensamentos, em minhas palavras, provocadas pelas suas, pelos sons, por um telefonema, pelo sorvete, pelo remédio, por um amor Grand’Hotel.

Aponto para o céu e vôo alto.
E lá vou eu. De ponta cabeça.
Mais uma vez.

Ana.

Quero

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Quero beber
Quero dormir
Quero esconder
Quero sentir
Quero amar
Quero sumir
Quero sonhar
Quero curtir
Quero espairecer
Quero sair
Quero ir embora
Quero apagar
Quero ser
Quero crescer
Quero aparecer
Quero parar
Quero descer
Quero acreditar
Quero ter
Quero querer…

Ana.

(foto e texto)

Aí tu se vira!

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É… Mas está ruim pra todo mundo. Esses dias mesmo, o Pacheco virou para mim e falou:
– Mermão, me arruma 2 mangos aí preu pegar o busú, pois a situação aqui está periclitante. Emprestei um dinheiro aí pro Maneco, que ficou de me pagar hoje… Rá! Adivinha?
– Puts… Aê, toma aqui então teus 2 mangos. Mas olha, vou ter que te cobrar amanhã, senão vai fazer falta pra mim também, sacolé?
– Pó deixáááá maluco. Eu não sou o Maneco não… Aquele caloteiro…
– Hum… Aê Pacheco, e a minha irmã que pegou dengue?
– Nuoooossa… nem me fale Tão… Meu sobrinho tá de Dengue também, internado lá no corredor do Posto de Saúde do bairro porque nos hospitais não têm mais vaga.
– Pôôô… Estimo melhoras, cara.

E por falar em dengue… E minha mulé rapá, tá é com dengo! Outro dia deu pra querer me negar fogo, a danadinha. Tem mais de semana já que estou na seca. Ela tá é fazendo charme, porque eu não consegui tirar férias do serviço, que nem tinha prometido a ela. Dá pra acreditar?
– Aff. O pior é que dá, viu Tão. Mas lá em casa eu não deixo barato isso não. Não agüento essas manhas de mulher. Não passo falta não, sabe como? Ou eu pego à força, ou então… bem, já sabe né? Quem não dá assistência…
– É… pois é… Abre espaço pra concorrência né… hehehe E por falar nela… Tô pensando até em aceitar a proposta daquela secretária lá da firma, viu. A mulher tá dando de cima meeeesmo, maluco! Tu precisa ver. Um dia aí me deu um bombom. Até então tudo bem. No outro me levou um CD. E fica dando umas piscadinhas, sácomé?
– Sóóó… hehehehehe
– Pois é. Ontem mesmo ela foi trabalhar de saia, Pachecão, de saia. Passou rebolativa pela minha mesa uma, duas, três vezes, indo e voltando. Da quarta vez, parou na minha frente, sentou-se no tampo da mesa e ficou puxando assunto. Disse, que comprou a saia na loja tal, se eu tinha gostado, e blábláblá, que queria ir ver o filme tal…. Cineminha… Pff. Até parece que se eu sair com aquela mulher eu levo ela pro cinema! Vou levar é pra outro lugar, isso sim!
– uahahahaha! Tá esperando o quê, cumpadi? Se fosse eu já tinha mandado ver legal… Tá dando bobeira…
– Tô é esperando a grana entrar, pô! Num tá sobrando nem pro cafezinho… O carro tá na oficina e lá vai ficar. O conserto ficou caro e não tenho como pagar o mecânico. A patroa não sai da minha cola, mas também não libera nem a tarraqueta, e eu tô cheio de conta pra pagar… Tá fácil não… Vou sair com a mulher como, de ônibus? Lanchar no cachorro quente da esquina? Tenho dinheiro para pagar motel não, rapá…
– É… tá fácil não…
– Mas… fazer o quê, né?
– Fazer o quê… Viver, né, cumpadi?
– É… Sobreviver…
– Demorô…
– Já é…

Ana.

Conversinhas hipotéticas (ou não)

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– O que faz acordada até essa hora?
– Penso em ti, oras.
– E por quê?
– Não consigo parar de pensar naquele assunto… Não pode ser verdade…

[…]

– Agora que você já sabe de meus segredos, não pode mais rir de mim!
– [risos]
– Eu falei que não poderia rir!
– [risos]

[…]

– Oie!
– Oi.
– Tudo bem?
– Beleza pura. E aí?
– Tudo ok.
– Humm. Então tá.

[…]

– Bom dia! Tudo bem?
– Querendo ficar… Aliás, já estou quase bom. Aquela parada do triângulo amoroso do signo está dando certo, aparentemente…
– Ahn?
– É, do e-mail que você me mandou.
– Ah é? Triângulo? Então cê arrumou outra?
– Outra, como? Se nem tenho uma?
– Eu heim…

[…]

– Você me viu on-line hoje de manhã?
– Não.
– Ok… estranho…
– Nem teria como, eu não entrei no MSN de manhã.
[risos]
– Ah tá. É que acho que clonaram o meu então.
– Eita.
– Pois é.

[…]

– Estou de cara até agora com a tal história.
– Pois é.
– Eu não consigo parar de pensar nisso.
– E eu então???
– Como é possível?
– Não sei. Para mim é impossível.

[…]

Siempre que te pregunto / que cuando, como y donde / tu siempre me respondes Quizas, Quizas, Quizas
Y asi pasan los dias / y yo desesperado / y Tu, Tu contestando
Quizas, Quizas, Quizas

(Helmut Lotti – Quizas, Quizas, Quizas)

Ana.
(devaneios e foto.)