João Lenjob: Conversa Fiada

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Excepcionalmente hoje, as atividades extra-curriculares da administradora deste espaço durante o restante da semana não permitiram que a crônica “Lenjobesca” fosse postada pela manhã, como é de praxe… Mas ‘anfan’, chega de papo pra boi dormir. Aí vai ela!

PPJL

Conversa Fiada

Ao pé da letra, conversa fiada seria um papo para um pós-pagamento. Entretanto, no vocabulário popular, conversa fiada é a formosa conversa jogada fora. De gente que não tem o que fazer? Nem sempre. Geralmente é de gente que tem o que conversar. Vai muito além do limite individual convencional. Muitas vezes o assunto é ligeiro, médio ou totalmente pilhérico e outras vezes o assunto é até muito sério, mas que pos suas eventualidades do momento ou do local, chegam a destino sem a contribuição do verídico e acaba se tornando um absurdo.

Este nosso famoso papo furado pode viajar por diversos lugares e datas… Pode ser tema carnavalesco ou notícias do cotidiano como esporte, religião, economia e cultura, mas tem papel relevante e deixa de ser furado ou fiado quando a sua fonte é política. Seria um disparate, um papo furado ou conversa fiada sobre a política brasileira? Não! É a realidade mesmo. É a única divergência desta nossa crônica.

Sobretudo, a conversa fiada torna-se muitas vezes dúvida ao receptor de uma mensagem, indiferente a coerência dela. Se o indivíduo perdeu no xadrez tendo de frente a rainha e duas torres. Ou se perde no jogo de cartas “Buraco”, com mais de mil de frente e quase no final. Ou o sobrevivente daquele acidente de carro cujo resultado, é um carro plenamente destruído. Pode-se acreditar em disco voador? Milagres e seres folclóricos e super-heróis de mentira. E o de verdade?

Observa-se também a tonalidade variante conforme o emissor. Tem indivíduo que pode se exaltar, tentar, querer, aumentar ou até extrapolar. De nada adianta. Não existe um ser capaz de acreditar que aquele foi o emitente do despautério, por se tratar de uma pessoa íntegra, séria. Por outro lado, um contador de causos, experiente no quesito “lábia”, pode de todos os possíveis meios, tentar contar algo verdadeiro, real, sincero e até necessitar de crédito caso o assunto em pauta seja urgente, mas este, coitado, não será respeitado por seus ouvintes.

Lugar onde se tem com grande freqüência a conversa fiada é o típico e famoso velório. Ao chegar a um, a primeira tolice é observada logo na porta, onde um sujeito indaga com o outro o motivo do falecimento do defunto. Comenta-se anorexia e o rebate é contaminação pelo vírus do HIV, mas na realidade foi uma pneumonia crônica.

No primeiro corredor do ambiente fúnebre também há uma senhora, dizendo a outra que a vítima estava falida e a outra senhora dizendo que não, que o pai havia combinado de quitar todas as dívidas, só que a moça acabou indo desta para melhor, mas sempre teve suas contas em dia, deixou de herança para os entes queridos duas casas, dois carros e uma série de bens.

Por fim, apareceu um camarada fazendo o maior discurso da cidade, dizendo que cicrana era uma mulher de caráter, integridade, nobreza, fineza, que era exemplar, boa filha, excelente mãe, irmã prestativa, amiga zelosa, moça prendada, trabalhadeira e tantas outras qualidades que fica até difícil de acreditar que cabe tanto numa pessoa só, mas o impertinente rapaz não conhecia a moça que falecera… Não se sabe se o camarada estava lá contratado ou se dava início ali a um grande futuro político!

Tem também o dia bom para cometer tal gafe. É só recordar do tal primeiro de abril. Neste dia, quem se esquece que ele representa o dia da mentira, acaba caindo inúmeras vezes e sempre que diz que vai pegar alguém, acaba esquecendo.

Muitos podem acreditar que esta crônica foi com verdadeiro teor, cunho relevante e sério. Mas não, foi uma tamanha conversa fiada.

João Lenjob *
* João é poeta e mineiro, e escreve neste blog toda 6ª feira. Nos outros dias da semana, adora uma conversa fiada puxada numa mesa de bar, porque este sim, João, lugar melhor não há!
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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

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