Arquivo da categoria: Conto

Lado B

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Oxigênio

Às vezes tudo o que consigo fazer é parecer pior que jamais pretendi.
Ficar a 1000 léguas de distância ao fim de tudo, do lado oposto ao que pretendia estar.
Esta é a minha arte.
Mandar quando não posso mandar
Não falar quando preciso falar
Chorar na hora errada
Rir nos piores momentos
Soar estranha como um sino que desafina
Ao fim da tarde de um domingo de mormaço em seus braços.
E me pergunto: por que sou assim?
Então me diz que não estou errada
E que vai dar tudo bem
E que o mundo é pequeno demais para todos os problemas insignificantes
E é aí que eu sei que desandei
Como creme de leite que talha
Ou o leite que entorna quando ferve em demasio.
O que fazer?
Apagar o fogo, assoprar o leite e rezar
Pra espuma baixar
Limpar a ferida
Enxugar as lágrimas
E que a maquiagem não borre
Jamais.

Ana.

(Texto e foto: Oxigênio.)

Os nossos

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Balanço

Então ouvi os sons
Criança correndo, brincadeira com balão
Risos ativos, passos corridos, pique-esconde, escorregador
Então pensei
Nosso quintal
Nossos a saltar
Nossos frutos
Nossos sonhos
Nossos dias, corpos nus
Cem palavras soltas
Sem ar
Então abri os olhos.

Ana.

(Ana: Texto e foto – Balanço. Modelo: Eduardo.)

***

Extra! Extra!

Amanhã sairá uma entrevista com meu avô, o Soié do blog Ontem & Hoje, no jornal “Folha de São Paulo”!
(Sim, meu avô, de 85 anos recém completados, também é blogueiro.)

Prestigiem!!!
www.ontem-hoje.blogspot.com

Inté mais ler…

Ana.

Duas faces

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Duas faces

Se até o espelho tem duas caras, o que dizer do Valete de Ouros? Num pé só, pula do cavalo e oferece bebida ao Rei.

O bispo, horrorizado, assiste a tudo de camarote em sua torre, uma taça de espumante na mão a delirar. Sonha mundos com tapetes voadores, donzelas inocentes e anjinhos a rezar. Os mesmos que hoje em dia trabalham como peões, em tabuleiros e plantações. Erguem tijolos sobre espadas, plantam flores entre os paus. Estacas que escalam copas e servem doce-de-leite ao jantar.

Uma canastra em forma de queijo da serra se posta, meia-cura, em cima d’uma emperiquitada Lua. Derrete-se em gotas puxa-puxa pelo Sol, o mesmo que nos aquece e queima os ralos belos cabelos castanhos da Rainha, envolta em manto azul aveludado com brocais. Nem percebe a fumaça a subir, de tão boba, esnobe a cacarejar empoleirada no seu canto, contando vantagem até a saliva viscosa babar. Mas não passa de dama matreira, donzela faceira que, de tanto pular, de galho em galho, há muito já se esqueceu o que é amar.

E o valete agora, onde está? Com o Coringão, a passear. Sozinhos nada podem fazer, mas se encontrarem uma rapariga num altar de Santo Antônio a rezar, nesta colarão até que alguém os mande soltar.

Parado como um dois de paus, pasta um cavalo com o porte de um ás. Já fora um garanhão, mas hoje nem pode sonhar. Abana o rabo prum mosquito, que pede pra pousar. Um pouco de companhia é de grande valia, minutos antes de cagar a escória do mundo atrás da moita, ou na água do mar.

Ana.

(Texto e foto.)

Duo

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Café da tarde

Dia vazio.
Nó no peito, também vazio.
Alma vazia de esperanças, rasas, ralas, profundas esperanças que (des) colorem o céu de branco e preto.
Mas quando tudo é assim, pouco, o outro lado está cheio. Recheio de palavras que não vão, pensamentos que não são, hesitações manifestantes.
A vida se enche de vento e se cerca de nós emaranhados, por entre assovios e cotoveladas. Nós, abraçados, aguardamos o dia que não vem.
A alma vazia de cores e plena de sons soturnos insufla o peito… Que se retrai.
Como? Não me perguntem. Não sou especialista.
Hoje o dia amanheceu assim.
Cheio de vento.
Vazio de vida.
Bicolor.

Ana.

(Texto e foto.)

Ensaio sobre a ignorância

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Um bom dia para pescar

Em sua ignorância, fecha a porta. Bate-a com força, e o estampido reverbera com ecos de vazio no coração, como um soar de tambores ante o precipício. Sai pisando forte, sobre folhas secas, crepitando o torrado da vida sob os próprios pés, como se matasse baratas, cobras e escorpiões que estalam vísceras vivas num piscar de olhos, num soar da sola de um All Star branco, como a cegueira de luz.

Vai embora sem nem olhar pra trás. Leva consigo um cobertor apenas (orgulho?), um par de penas de escrita em tinteiro, seu caderno de notas, mais aquele CD do Chico. Com isso, crê que a vida está completa. Mas para onde vai, se não tem janelas? Para onde leva seus pensamentos em nanquim?

Ao observá-lo, faço tempestade de rosas, pinto uma silhueta negra no céu azul. Ao longe, seguindo o caminho de tijolos amarelos trilhado por pequenos homens de paletó escuro, um pote o espera, no final do arco-íris. Não há ouro dentro dele, apenas um líquido quente e vermelho. Sangue? Não sente dor, nem cheiro de carne, não ouve gritos de horror! Nada disso. É apenas o próprio reflexo do amor que jorra de seus pulsos, a cada pulsar de pares, átrios e ventrículos.

E quando, finalmente, olha pra trás, vê que tudo permanece como deixou, em seus mesmos lugares: mamilos pelo chão, confetes pairando no ar, vapor de perfume de rosas, água quente em cachoeira. E então as lágrimas azuis se secam de imediato com as mechas de mel em camadas, que o abraçam ternamente como sempre o fizeram. O mesmo cheiro está lá, inebriante, e até o radinho de pilha AM toca uma melodia simples, a sua favorita desde então.

Decide ir embora mais uma vez, mas agora não estaria sozinho. Carregaria consigo sua casa, carregaria o seu cheiro, suas lembranças, seus livros e discos, em sua mente e seu ser, e, cheio de confiança e suspiros, caminharia por sua própria trilha de tijolos cravados de sua carne, seu suor, seu ser.

Ana.

(Texto e foto.)

Parou, olhou, chutou…

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Ignorância venenosa é pior que picada de cobra.

Prefiro as respostas imediatas às pensadas, medidas, dosadas. Mesmo que sejam apenas 45 segundos, estes seriam os mais demorados da minha vida. Não sei o significado que um procrastinador daria pra eles, mas com certeza não seria o de ignorar. Contudo, eu ainda constataria, com enorme certeza, que este sim seria o raciocínio mais rápido do mundo para se escolher meticulosamente palavras em doses pilulais, como remédio de criança, como paracetamóis de ação prolongada. Quando o que eu precisamente desejaria seria um tapa logo na testa, uma rajada de vento gelado e cortante, uma bolada no travessão, nos acréscimos da prorrogação.

Não pense que homeopatia não dói. É sim, muito doloroso engolir verdades comprimidas, cápsulas de português bem falado misturado com lágrimas veladas em glóbulos. Assim como dói agarrar boladas chutadas ao léu, tomar balas perdidas ou escarros de escárnio, gotículas de própolis pura em ferida aberta.

Mas a madrugada fria que me congela o pensamento traria consigo a ignorância e a certeza de que o assistiria parar na marca do pênalti e pensar. E desta vez, não seriam 45 segundos apenas.

E então, aos 46 minutos do segundo tempo, o árbitro apitaria, erguendo o braço, e depois o apontando ao centro do campo.

Fim de jogo. Um a um.

(Uma maca aparece campo adentro e encontra um coração despedaçado, juntando delicadamente cada retalho, a costurar com a delicadeza de rendas de bilros. Após três meses de fisioterapia, jogará novamente.)

BH_ 124

Ana.

(Texto e foto.)

Vale a pena ler de novo

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O post de hoje é um pequeno conto, publicado neste blog em 27 de julho de 2007… Nunca é tarde para ler de novo.

TATO E LINE

em…


:. As melhores surpresas .:

17:30h, no ponto de ônibus. Line sai do trabalho aliviada por não ter ficado nem um minuto a mais, e posta-se a esperar o Circular 01 – Contorno, para voltar para casa. Posta-se de costas pro passeio, de pé, olhando em direção ao outro lado da rua, onde pessoas pedalam bicicletas sem sair do lugar, dentro de uma sala fechada com luzes de boate: spinning in door, na Academia Corpo em Forma. Pensa rapidamente que está cansada demais de tudo pra aguentar uma ginástica destas após o trabalho.

Tato chega com sua mochila. Encabulado e exausto, toca no ombro de Line e sorri com os olhos:
– Oi… – Ele diz, meio sem jeito… Sem saber o que dizer, o “Oi” com voz embargada foi a única coisa que ele conseguiu proferir.

Line se vira assustada, e se espanta mais ainda ao ver Tato bem ali na sua frente. O abraça imediatamente, dando-lhe um beijo estalado no pescoço, próximo à orelha. Sente seu cheiro, escondido atrás dela, próximo do cacho de seus cabelos castanhos: shampoo de camomila, sabonete neutro, cravo, canela, homem. Os mesmos cheiros que ela sentira em seus livros, seu quarto, suas cartas. Ela se lembrava…
– Ahhnn? Como assim? Não acredito que está aqui! – Exclama, deixando transparecer uma alegria incontida em seu tom de voz.

As bochechas rosadas dele não a deixam enganar, corado de timidez e felicidade, tudo ao mesmo tempo. Traz ainda um envelope murcho em sua mão molhada de suor, ansiedade que ele tenta disfarçar.
– Vim te ver… E te entregar… isto. – Estende a mão com o envelope em direção a ela, ainda encabulado, fita o chão.

Line procura seus olhos e toma o envelope. Ele levanta a cabeça e a encara, respirando fundo. Com a outra mão, ela segura a mão livre dele, gelada. O abraça novamente, emocionada. Carinhosamente, ele toca seus lábios num beijo doce e leve. Ela sempre adorou o jeito meio sem jeito que ele a beijava quando não sabia o que fazer.

Agora ela olha para o envelope.
– Está meio vazio isso aqui, heim? – Ela percebe que o envelope amarelo, apesar de aberto, estava endereçado a ela. Dentro, vê um pequeno bilhete e um selo.
– É a resposta de sua carta, Line… – Tato diz, com convicção. Ele sabia que ela reagiria desta forma, já estava acostumado com seu jeito direto de dizer as coisas, sem papas na língua. Ele gostava daquilo, pois sabia que ela era incapaz de mentir.
– Sério? Poxa, eu escrevo 11 páginas procê, e cê me responde com apenas um bilhete e um selo? – Diz ela sorrindo, com um tom de comédia na voz, só pra provocá-lo…

Ele solta sua gargalhada característica, não cai nas provocações dela, apesar de adorar aquele jeitinho meio bravinho e brincalhão que só ela possuía. Ele a entendia e adorava!
– Não, Line: o bilhete, o selo, e EU, né? – Responde ele, apertando-a novamente contra seu peito. Os dois sorriem.

Ela finalmente retira o bilhete de dentro do envelope, dobrado ao meio. Abre e vê a foto dos dois, do último encontro, impressa em branco e preto. Embaixo, a letra dele, cuidadosamente grafada com caneta de tinta preta:

AS MELHORES SURPRESAS SÃO AS QUE VÊM DO CORAÇÃO.

***

Ana.
Photo by: -gadgetgirl-

Paixonite

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Todos os dias, tenho o hábito de descer até a portaria do meu prédio pra observar o movimento. No interior era assim, mas íamos pra janela ou pro alpendre de casa namorar, conversar, ou só olhar a rua mesmo. Aqui na cidade grande, da janela do meu apartamento – meu não, do Maurício, meu filho – é muito alto, e a copa das árvores atrapalham minha visão, que já não é das melhores.

Então um dia eu o vi. Um pouco mais jovem que eu, alto, forte. Cabelo grisalho, sempre muito bem penteados para trás. Um pão!!! Fiquei observando ele passar por mim e, para minha surpresa, chamou-me pelo nome!!!
– Maria!
– Oi… Sorri, meio sem graça, com as faces rubras.

Ele passou. Atravessou a rua e entrou no prédio da frente. Então ele morava ali! Passei a esperá-lo todos os dias. E sempre era assim. E assim fui me encantando a cada dia mais, me apaixonei por aquele homem misterioso que sabia meu nome sei lá como… Todo dia nos cumprimentávamos daquela forma. E todo dia eu me empetecava mais: passava batom e talco, colocava meu melhor vestido.

Outro dia, voltando do sacolão, nos encontramos. Frente a frente!
– Maria!
– Oi, tudo bem?
– Como vai você? E o Maurício, está bem?

E engatamos uma conversa muito agradável. Foi aí que descobri que ele se chamava Adalberto, e que era também viúvo, assim como eu. Muito inteligente e delicado. Me tratou tão bem! Mal poderia ele imaginar que eu, logo eu, estaria morrendo de amores por ele… Sonhando com aquele momento há tanto tempo… Sonhando tantas coisas mais. Até que…

– Maria… Posso passar lá na sua casa mais tarde? Pra conversarmos mais… E também eu quero falar com o Maurício, se ele concorda que conversemos mais…
– Claro! Pode ir. (Respondi, eufórica…)
– Sim, então passo lá mais tarde, tá bem?

Voltei pra casa correndo, nem guardei as compras. Maurício me disse que precisaria sair pra pagar umas contas no banco. Resolvi tomar meu banho logo, para esperar o Adalberto chegar. Parecia uma adolescente. O coração até palpitando! Preparei uma roupa bem bonita, estendi em cima da cama para vesti-la assim que me banhasse. Já estava debaixo do chuveiro, toda molhada, quando escuto o barulho do interfone. Era o Adalberto, claro. Tive certeza de pronto. E ele insistiu. Insistiu. Tocou váááárias vezes. E eu lá, rezando para que Maurício chegasse logo para abrir a porta, pois eu não podia sair do banho sem roupa! Não queria atender ao interfone assim. Como sofri naqueles minutos!!!

Até que… o interfone cessou.

Saí do banho, me arrumei. Pensei que ele fosse voltar. Esperei, esperei, esperei o interfone tocar novamente. Maurício voltou do banco. Nada de Adalberto. O sol se pôs no horizonte, nada de Adalberto. Não quis nem comer, esperando por Adalberto. Fui dormir, nada de Adalberto aparecer, ou ligar, ou dar sinal de vida.

No dia seguinte, esperei por ele na portaria do prédio, como de costume. Ele não apareceu, e nem no dia seguinte, e nem no outro, nem na semana seguinte. Já tem 1 mês que não vejo o Adalberto. Estou em frangalhos. Estou deprimida de paixão. Amar dói demais, gente! Vocês nem imaginam como meu coração está apertado. Só penso no Adalberto…

Por favor, alguém aí conhece o Adalberto?

***

Se é verdade ou não, já nem sei. Mas a história foi contada, mui detalhadamente, pela própria Dona Maria, uma senhora na casa de seus 80 anos, lúcida e lépida, freqüentadora e vizinha do salão de beleza aqui no bairro… Fiquei emocionada com tanta vida, tanta vontade de amar, de viver, de ser feliz, tanta falta de medo, e tanta abundância de emoções naquela mulher extraordinária.

🙂

Ah! E se alguém conhecer o Adalberto, me avise antes que Dona Maria morra de amores…

Ana.
(Foto: La Mariposa.)

Arsênico na relação

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várias 003

Então levantou-se, abriu a porta e, como quem não quer nada, sorriu. Sorriu como se nunca tivesse sorrido antes. Sorriu escancarando os dentes, abrindo bem a boca, deixando ver a língua bem vermelha, sentindo o bafo do último jantar – sopa de ervilha com bacon – soltando gargalhadas, uma atrás da outra, preenchendo o vazio do lugar que deixava em mim, reconhecendo em meus olhos lacrimosos a felicidade que um dia tivemos. Riu pra mim, riu de mim. Zombou de mim.
E num rompante de ódio e poder e excitação, quis correr ao seu encontro com a gana de um canibal. Queria comê-lo vivo, queria trucidar e retirar toda sua pele, queria que sofresse, e que sentisse a dor de estar me perdendo, pra sempre. Queria que reconhecesse que a culpa não foi minha, mas sim dele, o tempo todo. Gritei. Esgoelei. Joguei um vaso de porcelana em sua direção, que quebrou da quina da estante. Ele continuou rindo. Como você é ridícula – pensou. Pensei o mesmo, mas ao menos uma ridícula com razão, uma ridícula revoltada. E ele provocando.
Saiu sorrindo dali, como um psicopata deixa sua vítima escalpelada, maltratada, morta, esfaqueada, largada no meio do nada, sem sentir o menor remorso. Fechou a porta e não olhou pra trás. Permaneci ainda sentada na cama, chorando e vazia, com menos um vaso de porcelana. Com cacos pra catar, meus e os da peça de decoração, claro. Sem reação. Sem ninguém.
15 minutos depois o telefone tocou. Era ele. Atendi de birra, só pra ver o que mais tinha a me dizer. Logo descobri que não deveria ter perdido meu tempo. Disse que mandaria o boy do escritório trazer o meu aparelho de som e a escova-de-dentes – que estavam na casa dele – na segunda-feira. Mandei-o tomar naquele lugar.
(Um vidro de arsênico até que cairia bem numa hora dessas. Mas não, ele não merecia isso tudo.)
Liguei pro carinha da academia e combinei uma caminhada em volta da lagoa. Lavei o rosto, respirei fundo, e lá fui eu. Renovada, remarcada, remoída, re-amada.
Ana.
(texto e foto)
Ps.: Para minha amiga M.

Sinuca de Bico

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Sinuca!

Se você pensa que é só brincadeira
Peraí meu irmão, que tu tá errado
Entrei numa sinuca de bico de bobeira
E acabei saindo todo atazanado

Pode crer colega, fui jogar com uns caras feras
Numa maré de azar – você pode acreditar
Apostei tudo que eu tinha na carteira:
O cachorro, a mulher, a empregada

O cabra veio com o taco diamante
Me esnobou, jogou tudo e mais um pouco
Perdi a fé… Perdi a mulher amada
E no fim paguei ainda a cachaça!

E tem mais coisa, tu nem vai acreditar
Embriagado – desesperado – desorientado
Apostei a gema preciosa que sobrara

Sem as calças sem a carteira e a cabeça furada
Aqui estou:
Sem vida
Sem filha
Sem nada.

Ana.

(foto e texto)