Arquivo da categoria: Ana

Vale a pena ler de novo

Padrão

O post de hoje é um pequeno conto, publicado neste blog em 27 de julho de 2007… Nunca é tarde para ler de novo.

TATO E LINE

em…


:. As melhores surpresas .:

17:30h, no ponto de ônibus. Line sai do trabalho aliviada por não ter ficado nem um minuto a mais, e posta-se a esperar o Circular 01 – Contorno, para voltar para casa. Posta-se de costas pro passeio, de pé, olhando em direção ao outro lado da rua, onde pessoas pedalam bicicletas sem sair do lugar, dentro de uma sala fechada com luzes de boate: spinning in door, na Academia Corpo em Forma. Pensa rapidamente que está cansada demais de tudo pra aguentar uma ginástica destas após o trabalho.

Tato chega com sua mochila. Encabulado e exausto, toca no ombro de Line e sorri com os olhos:
– Oi… – Ele diz, meio sem jeito… Sem saber o que dizer, o “Oi” com voz embargada foi a única coisa que ele conseguiu proferir.

Line se vira assustada, e se espanta mais ainda ao ver Tato bem ali na sua frente. O abraça imediatamente, dando-lhe um beijo estalado no pescoço, próximo à orelha. Sente seu cheiro, escondido atrás dela, próximo do cacho de seus cabelos castanhos: shampoo de camomila, sabonete neutro, cravo, canela, homem. Os mesmos cheiros que ela sentira em seus livros, seu quarto, suas cartas. Ela se lembrava…
– Ahhnn? Como assim? Não acredito que está aqui! – Exclama, deixando transparecer uma alegria incontida em seu tom de voz.

As bochechas rosadas dele não a deixam enganar, corado de timidez e felicidade, tudo ao mesmo tempo. Traz ainda um envelope murcho em sua mão molhada de suor, ansiedade que ele tenta disfarçar.
– Vim te ver… E te entregar… isto. – Estende a mão com o envelope em direção a ela, ainda encabulado, fita o chão.

Line procura seus olhos e toma o envelope. Ele levanta a cabeça e a encara, respirando fundo. Com a outra mão, ela segura a mão livre dele, gelada. O abraça novamente, emocionada. Carinhosamente, ele toca seus lábios num beijo doce e leve. Ela sempre adorou o jeito meio sem jeito que ele a beijava quando não sabia o que fazer.

Agora ela olha para o envelope.
– Está meio vazio isso aqui, heim? – Ela percebe que o envelope amarelo, apesar de aberto, estava endereçado a ela. Dentro, vê um pequeno bilhete e um selo.
– É a resposta de sua carta, Line… – Tato diz, com convicção. Ele sabia que ela reagiria desta forma, já estava acostumado com seu jeito direto de dizer as coisas, sem papas na língua. Ele gostava daquilo, pois sabia que ela era incapaz de mentir.
– Sério? Poxa, eu escrevo 11 páginas procê, e cê me responde com apenas um bilhete e um selo? – Diz ela sorrindo, com um tom de comédia na voz, só pra provocá-lo…

Ele solta sua gargalhada característica, não cai nas provocações dela, apesar de adorar aquele jeitinho meio bravinho e brincalhão que só ela possuía. Ele a entendia e adorava!
– Não, Line: o bilhete, o selo, e EU, né? – Responde ele, apertando-a novamente contra seu peito. Os dois sorriem.

Ela finalmente retira o bilhete de dentro do envelope, dobrado ao meio. Abre e vê a foto dos dois, do último encontro, impressa em branco e preto. Embaixo, a letra dele, cuidadosamente grafada com caneta de tinta preta:

AS MELHORES SURPRESAS SÃO AS QUE VÊM DO CORAÇÃO.

***

Ana.
Photo by: -gadgetgirl-

Inspiração #2

Padrão
Brasilia_ 119

Preciso escrever algo.
Um texto
Uma peça literária
Um poema
Uma letra de música. Um tema. Um aceno.
Quero uma frase, uma palavra interessante
Um poema pronto, desses que brotam da mente
Quando se escuta um som
Vê uma imagem
Ou observa gente comum da janela.
Não leve por outro lado, não quero vinho
Escutar nada
Não quero sentar no chão, Sentir o aroma da lareira.
Quero pena
Papel
Até caneta.
Quero fluência, escrita, falada, ouvida
Cantada.
Quero
Quietude na boca
Revolução no pensamento.
Quero a faca
A maca
O anzol
E algo que rime com demência.
Incontinência?
Penitência?
Quero filme mudo na sala de estar.
Almofada para sentar.
Pronto.
Quero acordar.

Ana.

(Texto e foto.)

Manha

Padrão

Me pega de manhã e faz manha. Não quer se levantar. Solta um muxoxo e resmunga de lado. Beijo meu queixo, pingue-pongue na mesa de jantar. Tudo do seu jeito, tudo a seu tempo, pede por favor.

Roga desculpas, fala muito obrigado, voz manhosa de quem sabe o que quer. Extremos de acesso: paixão e frieza, fogo e água. Bote de jaguar, beijo colado, depois é arisco, bichinho selvagem. Distancia quando quer estar perto. Esquece da hora, da mina, não sabe lugares, caminhos, se deixa levar.

E aí magoa, depois perdoa, insiste, livre de amarras. Tensiona, pressiona, livre de pudores. Carinho, bagunça, simplicidade, teimosia, livre de magia. Pesa em seu corpo e sua consciência, ainda intacta, diz preu não guardar rancor, livre de pavor.

Amanhã vai embora, diz que me adora.
Semana que vem retorna e faz manha.
Tudo do seu jeito, tudo a seu tempo, pede por favor.

Ana.

(Foto retirada daqui.)

A cidade que parece não ter gente

Padrão
Brasilia_ 202

E a cidade que parece não ter gente é a cidade dos automóveis… Porque lá ninguém anda pelas ruas…
É a cidade dos cartões postais, dos monumentos e dos lagos e eixos monumentais.

É a cidade do céu azul e do horizonte infinito, do verde mais verde e do sol causticante.
É a cidade dos narizes sofredores, da sede e da poeira.
É a cidade das fontes, dos espelhos d’água e do avião voando baixo. Ou alto. No planalto.

Nessa cidade onde o traço reto é mais curvo, e a curva é mais suave, as distâncias são medidas por eixos, e se encurtam pelo afeto.
Os abraços são mais longos e as despedidas mais indesejadas.
Os amigos são família, os cachorros são família, e a piscina é indispensável.

Umidificador de ar?

Só lá mesmo. Onde a roupa é mais seca em menos tempo, e o ponto mais alto da cidade é uma torre de tv, no meio do plano piloto.
É lá onde a igreja parece mãos em prece, os espaços são mais vazios e maiores, e as ruas não têm nomes.
É lá que o homem manda e desmanda, e ainda assim, é lá que a beleza não tem explicação.

Terra de calango. Terra de deserto, de cerrado, de terra vermelha e de grama verde.
Terra de amigos, de beleza, exuberância, diversidade, cultura.
Terra brasilis.

Brasília.
Brasil.

Ana.
(foto e texto)

– Para Bela, Lê, Paulo e curriola, Autinha, Waldir, meninos e netinha, D. Hilda, netos e bisnetos.

SOUL

Padrão
Joaninha

Sou fada, sou bicho, sou alado passarinho, sou minha mente, minha alma, minha gêmea, minha sina. Joaninha, boneca de louça, coração-corpo-mente-pulsação. Quente soul… E.T?


Sou preguiça de malandro, sou Jorge na Lua nua, sou cálida noite em lago espelhada.

Sou um raio de sol a iluminar os passos do menino num domingo no pasto, no vasto mundo…


Sou Raimundo? Joaquina, Roberto e João? Sou Mariazinha e sou Pedro, que amava Tereza, que se jogou do precipício por não saber enxergar que abaixo de seus pés está o caminho, e que basta caminhar.

Ana.

(texto e foto)

8

Padrão
– Saltar de pára-quedas
Afinal de contas, quem nunca sonhou em voar, em ser passarinho? Acho que deve ser deliciosamente apavorante…
– Viajar pelo mundo
Afinal de contas, viajar é bom demais. Eu amo. E faço isso sempre que posso (ou seja, sempre que o $ me permite – coisa que não tem sido muito freqüente, infelizmente…). E conhecer lugares, pessoas e culturas diferentes é sempre muito enriquecedor…

– Voltar a dançar
Afinal de contas, isso é uma coisa que todo início de ano eu falo: este ano eu volto pro Ballet. Mas nunca cumpro. Dou desculpa na falta e dinheiro, de tempo, de forma (ou excesso de formas arredondadas)… Sim, um dia eu volto pro Ballet. E pra dança de salão. E pra dança contemporânea. Promessa pública!

– Publicar um livro
Afinal de contas, nem sei na realidade se quero fazer isso mesmo. Mas acho que seria legal.

– Casar e ter filhos
Afinal de contas, quem não quer ter uma família? Com certeza é algo que nos completa, principalmente quando os exemplos por perto são tão bons….

– Fazer aula de canto
Afinal de contas, eu amo cantar mas não tenho a menor noção. E já sonhei ser uma grande cantora quando era criança! Claro que não quero ser profissional, mas acho q seria prazeroso saber cantar de verdade. (Pra mim e para aqueles que têm que conviver comigo… rs).

– Estudar arquitetura
Ou Decoração. Ou design de móveis. Ou os 3. Afinal de contas, eu sempre gostei, e admiro muito, e acho deliciosamente artístico e moderno, e me ligo nas tendências e leio e converso sobre. E sou fã do Niemeyer e de muitos outros.

– Aprender várias línguas
Afinal de contas, ninguém mais sobrevive neste mundo só com o inglês. Espanhol, italiano e francês são minhas metas mais próximas. Depois, quem sabe, uma alemão e russo? Sei não. O céu é o limite, Babel tb.

Este foi o meme a mim repassado pela Grazielle do Conjunto de Palavras. Eu deveria escrever sobre 8 coisas que tenho de fazer antes de abotoar o paletó. Parece fácil mas não foi. Sei que talvez nem tenha dito 1/10 das coisas que gostaria de fazer antes de bater as botas. Algumas são meio que impróprias para o horário/local. Outras eu tenho vergonha de dizer, de tão ridículas… Mas enfim. Acho que ninguém vai ler isso daqui mesmo! 😛

A Nayra, do Transparecendo, me enviou um meme sobre os 5 livros que eu já li que eu mais gostei. Aproveito para deixar o link deste texto, de julho de 2007, no qual escrevi justamente sobre isso. Já o livro que mais odiei foi o “Mentiras no Divã”, do Irvin D. Yalom, mesmo autor de “Quando Nietzche Chorou”. Trust me, é péssimo. E podem me bater, pois detestei “Vidas Secas” também, do Gracilianos Ramos. Sorry, não gostei e pronto. Foi mal.

Inté.

Ana.

Ps.: Queiroz, passo a bola – ou melhor, o “meme” – pra vc. 😉

(Photo by La Mariposa)

e…?

Padrão
e a curiosidade?

e a vontade de saber o q vai acontecer?
e a ansiedade?
e a vontade de pegar o telefone e ligar?
e marcar um horário e ir?
e a vontade de ouvir?
e a vontade de ouvir o que eu quero ouvir?
e a vontade de sumir e parar de suspirar?
e o medo de surtar?
e o ódio de não conseguir parar de pensar?
e a loucura que é pensar?
e acreditar?
e não saber o que fazer?
e escolher?
e sentir?
e saber quando?
e saber como?
e saber onde?
e viver?

ah… cansei.

Ana.

(texto e foto: “vertigem“)

Nada mudou…

Padrão
Sem cabeça
Está tudo igual. Nenhuma nuvem fora do lugar. Nenhum suspiro de brisa a envolver, nenhuma gota salgada para afogar. Os livros continuam os mesmos, empilhados no criado mudo. Este continua imóvel e sem palavras, subserviente e submisso aos desígnios de sua concepção. A cama há muito não é arrumada, e a porta do armário, entreaberta, denota a bagunça mental em que se encontra a dona de tantos objetos cármicos e inspirados.

Estava assim quando ela se foi. Está assim quando voltou. Estará assim quando partir novamente para mais uma aventura desaventurada dos desejos, desarranjos e desenhos de caracóis e caramelos. E assim deixará seu corpo estender no tapete, e ele então flutuará por entre as nuvens, as mesmas nuvens iguais, em seus devidos lugares. E é como se o vento não ventasse… Pois se tudo igual está, o tempo não passa a lua não vem o dinheiro não basta e a noite se faz dia como que num piscar de olhos.

E é neste mesmo micro-instante que sua vida esvai. É nesta migalha de momento, neste abrir e fechar quase que imperceptível de pálpebras, que reside o valor de sua ínfima vida humana no pulsar gigantesco dos pulsos da humanidade, nos bilhões de anos de Planeta Terra.

“Mudaram as estações, nada mudou. […]
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou.”

(Por Enquanto – Renato Russo)

Ana.

(foto: auto-retrato “sem cabeça“)

Macabelando

Padrão
Das taras que um dia eu tive


T de tamanco

T de tan-tan
T de tramela
T de testa
T de “T grande”
T de T.A.R.A!

Leia você também… no Macabelagem, o blog literário do Projeto Macabéa.

… E vem aí… TRAPICHES, sua revista eletrônica sobre cultura e arte! Aguardem …

Ana.

Meu mundo…

Padrão
A natureza é exótica
O que dizer aos fracos?
É o mesmo que diria aos fortes?
É o mesmo que se faz quando cai a noite e você, calada e sozinha no escuro do seu ser, se joga na cama dos devaneios envolta num cobertor de pena, dúvida, e lamentações?
Aos fracos, uma pitada de pimenta.
Aos fortes, licor de maracujá.
À noite, um bom livro, taça de champagne e fogo para o incêndio atear.
Se sou forte ou fraca, se sou escura ou vazia, se sou um muro de auto-estima que se move em carrossel, não importa. Nada disso importa.
O meu mundo é só meu. E ai de quem quiser pisar nele.

Ana.

(texto e foto)