Manha

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Me pega de manhã e faz manha. Não quer se levantar. Solta um muxoxo e resmunga de lado. Beijo meu queixo, pingue-pongue na mesa de jantar. Tudo do seu jeito, tudo a seu tempo, pede por favor.

Roga desculpas, fala muito obrigado, voz manhosa de quem sabe o que quer. Extremos de acesso: paixão e frieza, fogo e água. Bote de jaguar, beijo colado, depois é arisco, bichinho selvagem. Distancia quando quer estar perto. Esquece da hora, da mina, não sabe lugares, caminhos, se deixa levar.

E aí magoa, depois perdoa, insiste, livre de amarras. Tensiona, pressiona, livre de pudores. Carinho, bagunça, simplicidade, teimosia, livre de magia. Pesa em seu corpo e sua consciência, ainda intacta, diz preu não guardar rancor, livre de pavor.

Amanhã vai embora, diz que me adora.
Semana que vem retorna e faz manha.
Tudo do seu jeito, tudo a seu tempo, pede por favor.

Ana.

(Foto retirada daqui.)
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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

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