Arquivo da tag: poema

Mulher Tola

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Frôzinha

Sorriso no canto dos lábios
Por quase nada
Ou por tão pouco
Dormir suada e acordar assustada
Pelo sonho que sonhei só
E agora o olhar se faz sorrir
(Mesmo sem correspondência)
E o nó na garganta se aperta
Para não escaparem as borboletas
Para não se espalhar a vontade… de escrever poesia
O que não me torna poetisa
Mas, sim, uma tola mulher
Vê se pode?

As borboletas voltaram
Junto a elas engulo saliva seca
Vontade de sair
De pular
De gritar.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

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Entre nuvens

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Cristal nublado

Vejo nuvens sobre mim
Tudo enquadrado
Vejo migalhas sobre a mesa
Nada doce
Nada em mente
Frutos verdes que despencam
Tal palavras sem sentido
Atenção que disperso sobre inanimados desenhos
Se me mostro sou errada
Me recolho e pioro
E a cada dia um cristal que se quebra
Uma gota que cai
E enche um copo
De esperança
De lágrimas
De sorrisos
De verbos soltos.
Abraços rotos
Tapinhas nas costas
Nunca mais.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Quando o blues se torna jazz

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Bacen, na chuva, na rua, pela janela do carro... (Quase submerso!)

Se te adoro por quase um minuto
Depois te odeio mais
Te ligo e desligo
Te vejo e me escondo
Te ouço e não sei o que dizer
Ouvindo blues, as lágrimas embargam vozes
e ouço do rádio: “I ain’t gonna worry my life anymore…”

Os gritos da vizinha não me acordam mais
Se penso muito, me confundo mais
E minha antena mal capta os sinais
Loucos, confusos, poucos

Perco a capacidade
Perco o sono
Perco o amigo
Perco a piada
Viro a piada nos meus pensamentos
Tão corajosa e franca
Tão diferente e medrosa
Fora deles
Sou grossa, sou bicho
Ora doce, ora aguardente

Me excedo menos que queria
Me contenho mais que deveria

Até achar um meio termo
Meia noite já passou
Não vejo estrelas pois meu céu não permite

E quando o blues se torna jazz
É preciso me despedir
Calar a boca e saber ouvir.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Poente

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Memorial JK 9

Um passarinho me contou
Que parou de chover
Contou do Sol e do seu sorriso falso
Da Lua e sua cara fácil
De suas palavras vazias e sua vida dupla
Nada era novidade
Só não quero ouvir o canto do pássaro
Não mais
Não caio no conto da carochinha
Que de carolinha não tem nada
Esqueço o mundo
Esqueço as horas
Mas não esqueço quem eu sou
Minha escola
E minha alma.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Torção e Distorção

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Containers e carro em movinento... #RJ #porto #rio

O não pertencer a lugar nenhum
E a ninguém
O não saber o que virá
Ou sentir
O não poder interpretar
Como agir
Ser forte e frágil
Alegre e triste
Ao mesmo tempo agora
E sempre
Ser poeta ou realista
Bailarina ou pessimista
Duas faces numa mesma moeda
Reluzente e suja
Valiosa e ordinariamente incomum
Ser
ou não ser
eu?

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Entre o destino e o delírio

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Arte de rua no #Sudoeste #Brasília #DF
Os acontecimentos dos últimos dias
Semanas
Meses
Me fazem crer que existe uma força maior
Que nos guia
E nos prega algumas peças
Seria o destino?
A gente se arma de amarras
Pra quê?
Ele vem (o destino?)
e as desata
Joga no lixo
Pisa e sacrifica
Aí você para e vê quanta força
e esforço
e pressa
Foram empregados
E pensa que aquilo tudo é natural
Mas e se a gente foi programado para ser assim?
Morrer assim?
E como fugir das armadilhas
E do fogo
Que te aprisiona?
Te domina e te cerca os pensamentos
Não consigo me acostumar com a ausência
Pois a presença me olha
Acachapante
E me joga na cara a realidade
Que um dia foi
A verdade que já é
Delirantemente
Humana
Fatal
E está morrendo… de calor.

Recados do Céu e da Terra

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Para meu grande amigo, primo, poeta, João, onde quer que você esteja…

JoaoViolao

Recado do Céu
“… ele fez uma poesia que bailasse sobre cada retina e que desfilasse toda a sua beleza em versos tantos. No seu juízo mais que perfeito, modelou com traços lapidados a sua criatividade. Seu recado veio em forma de vida, de olhar atento, sorriso vibrante e da cala, da fala precisas, mas que naturalmente abraçou, sentiu, beijou, amou, viveu a Terra.”

Recado da Terra
“… usou suas palavras fetais, vitais e fatais para escrever toda a sua natureza de forma que jorrasse os tempos e falasse com as estrelas em tantos versos. Com a perda do tino criou universos à sua majestade. Seu recado veio em forma de vida, de olhar tímido e sorriso constante, da fala e da cala sinceras, mas que naturalmente abraçou, sentiu, beijou, amou, viveu o Céu.”

Trechos de “Tantos Versos Tantos”, por João Lenjob, aos 15/04/2011.

João

Substantivo masculino, singular, complexo
Nome próprio do pai
Jeito próprio do filho
Sorriso constante, aberto
Sentimento transparente, transbordante
Como definir João?
Como não lembrar João?
Como esquecer João?
João não se esquece
É presença confiante
É vida, gana, festa, acontecimentos
Amizade para tantos quantos cabiam em seu coração
E eram muitos…
Poesia viva com jeito de menino
Música madura em palavras
Empolgação em cada gota de suor ou de lágrimas
Felicidade em minúsculas, pequenas coisas
Capazes de transformar um dia cinzento num belo arco-íris em seus versos
AMOR
Em maiúsculas.

Ana

(Texto por Ana Letícia.)

* Outras homenagens ao João:
Castelo do Poeta – Mima Carfer
Olha o Semblante – Thiago Quintella de Mattos
– Meu Flickr

Reminiscências

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Abaporus revisited edition! Achei o máximo a exposição dos alunos fo Colégio #CIMAN! #arte #pintura #Tarsila #Abaporu
Não sei se é disfarce ou sei lá o quê.
Essa coisa que me encanta e assusta, a novidade que chega (ou não)…
E quem vem lá?
Não vejo, não posso ver.
Por aqui, apenas restam molduras e trejeitos,
Reminiscências em cadernos, realidades ocultas… Incultas?
Verdadeiras tratativas criam objetos impossíveis, impassíveis.
E é assim: vivendo no acaso, brincando descompassadamente, catando desencontros.
E por acaso extrapolei o limite?
Passei da conta?
Pirei na batatinha?
Só sei que amei
Que amei
Que amei
Que
Amei
Amém.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia)

Sapatilhas e sonhos

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Hoje eu acordei com vontade de dançar
Sonhei que rodopiava e saltava, entre fouettés e grand jetés
Sapatilha furada de tanto ensaiar
Sonho de menina sobre pontas
Fitas de cetim e meia calça cor-de-rosa
Uma bailarina é uma bailarina o tempo todo
Saia, coque, arranjo de cabelo
E a maquiagem não pode faltar
Ser lúdico e musical
Ser leve e atemporal
Clássico ou contemporâneo
Ser etéreo e enérgico
Forte e frágil
Dançar é respirar

Ana.

Feliz dia da(o) bailarina(a) aos que dançam, aos que assistem, aos que gostam e admiram, aos que fotografam e aos que sonham!

(Texto e foto: Ana Letícia)

Poema fajuto

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Ganhei na exposição "Guayasamin" no Museu Nacional há mais de 1 semana e está viva até hoje!  #rosa #rose #flower

Escrevi um poema bonito
Poema ou poesia?
Texto escrito e narrado
Polido e podado
Guardei num cantinho da estante
Pra depois espiar
E quede ele?
Leinvem lá?
Escondeu atrás dum livro
Esperto que só
Não sai de jeito maneira
Tímido de dar dó
Como é que pode fugir assim de quem te criou?
Vê se toma tenência
Cresça e apareça
Poema poeminha
De bonzinho, só a cara!

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)