Arquivo da tag: Ana

Xis

Padrão
Fecha os olhos
Chiado miado contido
Chia no meu rosto
Roxo
Chega chorando
Chama por mim
Chia
Quer chantagem
Chiado manhoso
Manchado
Clama por manchetes
Chama por coquetes
Xinga a chuva
Sai na rua
Café com chocolate
Chope e chimpanzé
Chispa chiando
Chega a hora
De ir embora
Tanto chiou
Caiu
Chorou
Coração ficou
Chamando por ti.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Da dor de se amar demais

Padrão

Poderia me abstrair de tudo e dizer, e acreditar, simplesmente, que me basta um amor tolo, como o tempo de duração do filamento de uma lâmpada comum, tácito, plácido, de desejo, pura e simples, explícito em tons pastéis, lânguido e preguiçoso. Não, não posso. Não sou assim.

Não costumo economizar. Há de sobra empolgação, falta de noção. Sou moça de horas, de dias, de anos, anos-luz. Mulher da dor de se amar demais e de se entregar, de ser perfeccionista com tudo o que faço e sinto.

Não há nada pela metade. Meias-palavras, meia foda, meia-calça. Meia-luz, pode até ser. Mas nem 8, nem 80. Ou é ZERO, ou é CEM. E vou de 1 segundo a 1000 km/h (e vice-versa) de olhos fechados, na fração de um momento, na feição, na emoção, no olhar, na letra, na ponta dos pés, no pingo do i. E é aí que mora o perigo!

E de tanto querer, há tanto sofrer. Tanta responsabilidade, tanta dor. E há tanto prazer… E há o lembrar, e há o sentir, e há o cheirar, e há o gostar. Pois não há amor sem gosto, lembrança sem cheiro, música sem gozo.

E depois daquele beijo, há a quebra. Há o limite ultrapassado, e tudo se torna tão bom quanto uma fotografia perfeita, a luz que aquece e ilumina seus loiros pelos, como num quadro de um filme, como um filamento de ouro deliberadamente largado, esquecido, sobre suas vestes… E tudo fica tão engraçado quanto numa comédia de palhaços tristes, tão natural quanto deitar na relva e sentir o cheiro da chuva, acariciar seu cão, dormir abraçadinho, mesmo quando não se está com sono, comer banana com queijo e lamber o fundo do prato até não sobrar um resquício de amor sequer.

Ana.

Texto e Foto: Ipê Amarelo: by Ana Letícia.

PROJETO MACABÉA

Padrão

“Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.” (Clarice Lispector – A Hora da Estrela.)

Me chamem de louca. Mas ao menos não estou sozinha. Existe toda uma corja ao meu lado, um bando de malucos que amam, respiram, vivem, sentem, querem, respeitam, criticam, escutam, veneram, lêem, trabalham… CULTURA! (Vejam a listinha “básica” do Comitê Gestor, aí na barra lateral.)

E não é que o projeto está começando a sair do papel? O Macabéa está começando a tomar corpo, forma, cores, rostos, nomes. E tem tudo para ser um sucesso… Sabem por quê?

O Macabéa será, de início, um site/blog que tenha a capacidade de ser uma revista sem deixar de ser um simples blog. Será um portal especializado na divulgação e discussão das tendências do meio e das inovações na criação artística. Um projeto que tenha a aptidão para ser um portal cultural sem se perder em armadilhas técnicas e dificuldades operacionais. Que possa ser divulgado com facilidade e tenha a destreza de reunir pessoas afins e leitores desavisados. Que sirva para Josés e Serafins, para blogueiros viciados a poetas, literatas, artistas, estudantes e jovens em fase de inclusão digital. Acima de tudo nosso projeto deve gerar conhecimento, entretenimento, interatividade, inovação e um perfume de cidadania. (Palavras do pai da coisa: André Oliveira.)

Gostaram? Pois então aguardem as cenas dos próximos capítulos…

Ana.

Página em Branco

Padrão

Me fita
Me encara
Me ameaça
Foge
Some
Desaparece no limbo.

Dedos deslizantes em toques rápidos e suaves

Prazer, barulho, idéias
Prazer
Leve pressão, mera impressão.

Paro um pouco…
Sigo em frente, o movimento não pode parar.
A dança continua, aqui, ali.

Página em branco.
Página em branco e preto.

Arquivo.
Salvar.
Sair.
Off.

Ana.

Mundo Animal

Padrão

Era uma vez uma família de peixes. Peixo-Pai (enérgico e observador, o mais temido surubim daquelas bandas do rio, mais conhecido como “Suru-Barão, o grande Chefão”), Peixa-Mãe (a primeira-dama), Peixe-filho (de sexualidade duvidosa, não gostava de comer os outros peixes, sonhava fazer faculdade de moda e virar personal stylist das celebridades, e desejava sair do armário em breve para assumir seu lado vegetariano perante a sociedade), Peixete-Filha (digamos assim: menina de vida leviana, só pensava em beijar na boca e ser feliz, baladas noite afora na Peichá – boate famosa do bairro – era com ela mesma!).Um belo dia, Suru-Barão e primeira-dama resolveram viajar, para ver de perto e participar, pela primeira vez, da pororoca do Amazonas. Eles eram muito ligados a esportes radicais, sabe como? Não deu outra: Peixe-filho e Peixete resolveram dar umas voltinhas, e ir a uma festa do povinho popular da “Faculdade de Predadores Fluviais – curso só para Surubins, Jacarés-do-papo-amarelo e Cia Ltda.”. Festa estranha, gente esquisita. O pessoal resolveu puxar um fumo feito de uma alga importada da Índia, e daí saíram a vagar pela imensidão do rio, para praticar uma de suas maiores diversões: correr atrás azucrinando cardumes de lambaris-catadores-de-lixo. Seus pais sempre disseram para que ficassem longe das drogas, e não andarem sozinhos à noite com gente estranha… Mas, filhos são filhos, não é? Nunca escutam o que os pais falam…

O que aconteceu? Perderam a turminha de vista na “viagem astral” causada pelo fumo, e daí avistaram objetos estranhos. Pensaram ser delírio, pois nunca tinham visto nada parecido com aquilo… Uma luz piscando, além da superfície, parecia uma segunda Lua… Barulho de tapas na água… Um enorme gancho com um peixinho nunca dantes comido… Foram chegando perto… Uma espécie de caixa feita com objetos compridos e ocos, cheios de ar, verdes e transparentes, enfileirados… Pareciam garrafas, sabe como? Mais perto… Peixete estava curiooooosa!!! Peixe-filho morrendo de dó do peixinho preso no gancho… Ficou parado… olhando… hipnotizado… olhos cheios d’água… Mó viagem, morou?

Até que… Zás! A última visão deles foi de um ser gigantesco com uma espécie de avental branco e galochas de plástico.

Voltando do passeio, excitadíssimos para contar suas aventuras para os filhotes, Peixo e Peixa não os encontraram. Na porta de entrada, um bilhete:

“Pô bicho, teus filhos estavam conosco na festinha da galera, e foram vistos pela última vez perto margem direita do rio, ao lado da Alameda das Vitórias-Régia. Não levem nada nem ninguém, apenas vão buscá-los, pois a localidade não é pra grã-fino que nem vocês, e ali tem que ficar de olho aberto, saca?”

Desesperados, Peixo e Peixa foram atrás de suas crias. Suru-Barão preocupadíssimo com Peixete, que devia estar de mini-saia e maquiagem… E ser sequëstrada com tais trajes não pegaria bem para o pai, que almejava um lugar na “Câmara do Topo da Cadeia Alimentar de Rio Azul”. Já Peixa, chorava copiosamente, pensando que seu filhinho deveria estar passando fome nas mãos dos raptores, pois só ela sabia fazer alga refogada do jeito que ele gostava, al dente

Chegando ao local do crime… BAAAAMMMM! Era uma vez uma família de peixes…Querem saber onde foram parar???

Perguntem à dona das fotos, ou olhem no seu álbum do flickr o resto da trajetória dos “cadáveres” da família!Conclusão: “Nem toda história tem um desfecho feliz!”

ou

“Não é só peixe que morre pela boca.”

surubim na brasa 1

Concepção original e vegetarianismo: Didt’s
Receita escrita por: Cláudio Costa.

Churrasco: Ângelo

Adaptação, criação, fotos do churrasco, viagem astral: Ana.

Ps.: A foto no topo do texto foi retirada deste link.

(No Subject)

Padrão
Vontade de me esconder do mundo
Fechar a porta e a janela
E não deixar ninguém entrar.

Apago a luz e ainda está claro.
Fecho os olhos e ainda posso te ver
Seu sorriso, seu sarcasmo

Seu poder
Seu ar de vitória e sua falsidade
Nossa… Que maldade!
Falar assim de alguém que nem tem paz?

Sim, sou má
Sim, sou triste
Sim, sou feliz
Sim, sou chata
Sim, sou orgulhosa
Sim, sou bipolar
E sim, tenho você.

E acabo por aqui
Já nem tento me esconder
Não tenho mais por quê
A janela escancarou
E a chuva molhou tudo que estava guardado
Meu coração mofou.
A porta se abriu
E você entrou.

Ana.
30/09/2007.
*****************************

E por falar em poesia…
Estão todos convidados!

A Fina Flor vem a BH, com direito a café, performance, lançamento do “Mulher de Minutos” e Savassi!

Dia: 10/10/2007 – 4ª feira
Local: Alexandrina Café – R. Pernambuco, 797 – Savassi
Horário: a partir das 19h
Poesia em Movimento: 20:30h
Apoio: Mineiras, Uai!
Alvarenga Sempre
Fábrica de Histórias
Cachaça Âmbar

Ana.

Inspiração

Padrão

O desespero tomou conta de mim: não sei o quê escrever, sobre o quê falar, nada, nada, nada. Não quero falar de política, quanto menos redigir um monólogo sobre o dinheiro.

Preciso trabalhar, mas a chatice de todos os assuntos não me permite criar uma interpretação interessante e estimulante. As coisas se tornam monótonas, lentas, paralizadas, sem cores, sem vida, sem nada.

O vazio tomou conta de mim, como o vento chegou e varreu um horizonte belo… No entorno, destruição, queimadas, desabrigo, desatenção, desestímulo. Lágrimas secas que deixam vestígios de sal na fronte modificada, refletindo o brilho solar de um astro em decadência quando o ser clama por ele.

Deixo a cabeça pender para trás e respiro fundo…
Expiro de uma só vez. Abro os olhos e nada mudou.

Preciso de… Inspiração.

“Um encantamento, cuja tensão monstruosa se dissolve numa torrente de lágrimas, no qual o passo ora toma de assalto, ora se torna vagaroso, involuntariamente; um estar-fora-de-si completo, com a consciência mais distintiva de um sem-número de tremores e transbordamentos finíssimos, que são sentidos até os dedos dos pés; uma profundidade venturosa, na qual o mais dolorido e o mais sombrio não têm efeito de antítese, mas sim de condição, de desafio, como se fosse uma cor necessária no interior de uma tal abundância de luz; um instinto de relações rítmicas, que cobre vastos espaços – a longitude, o desejo de um ritmo estendido ao longe é quase a medida para a força da inspiração, uma espécie de equilíbrio contra sua pressão e sua tensão

Tudo acontece, no mais alto grau, de maneira involuntária, mas como se fosse um tempo de sentimentos de liberdade, de incondicionalidade, de potência, de divindade

Tudo se oferece como se fosse a expressão mais próxima, a mais correta, a mais simples…

Todas as coisas vêm acariciantes em busca do teu discurso e te adulamTudo o que é ser quer se tornar palavra, tudo o que é vir-a-ser quer aprender a falar contigo.

Esta é a minha experiência da inspiração; não duvido que se deva remontar séculos para achar alguém que me possa dizer: é todavia a minha.”

(Friedrich Nietzsche – Assim Falou Zaratustra)

Não tenho nada a ensinar, nada a dizer. Tenho muito a aprender…

Ana.

Ps.: Ilustração encontrada em Letras ao Vento, pelo Google Imagens.

BH 40 Graus

Padrão
Hoje eu achei que iria ficar louca de tanto calor… Achei não, enlouqueci, pirei. Pois onde já se viu escrever um texto desses de uma vez?
O dia já começou atrasado: de tanto calor, esquecemos todos do despertador. Apenas o sol acordou antes, já estava quente e com raios brilhantes, postado lá no céu, alto, sorridente, zombava da gente. Ultra-violeta ou não, vou logo tratar de me proteger. FPS 30, que é para não enrubecer.
– Será que hoje vai fazer frio?
Pensei em voz alta, forçando a barra para vestir uma blusinha meia-estação.
– Tá louca? Tem chance não!
Respondeu meu irmão, revoltado por ter de ir enternado, se internar no escritório, para desenterrar 10 petições iniciais, 5 agravos e 01 embargo declaratório.
Chego ao trabalho, e por questão de 40 segundos, não me atrasei.
– Ufa! – logo pensei.
Abro o armário, e dou de cara com uma sindicância, a ser instauranda em caráter de urgência. Tenho que tomar tenência, agir com obediência, e não ter tanta implicância com tantas coisas chatas para resolver e analisar.
E de tanta água que bebi, e de tanta chatice que engoli, me deu ânsia, até incontinente fiquei, o banheiro foi meu amigo, companheiro de desidratação. Pelo menos era o local mais fresco da repartição.
– Cuidado para não pegar uma insolação!
No almoço, correria só. Chegando à academia, olho o termômetro da rua: BH 40 graus. E eu fazendo ginástica, tentando não derreter… Aproveitei para me entreter:
– Será que malhar no calor emagrece mais?
Comi correndo, voltei correndo. O banho de nada adiantou.
– Só andou dali até aqui, e já suou!?
Disse o secretário, ao me ver toda molhada, estranhando a doutora, que só anda perfumada.
E assim segui o dia, suando em cima do processo.
Espero que isso não me cause um abscesso.

Texto e foto: Ana.

É logo ali

Padrão
O texto de hoje vocês vão ler e comentar lá no MARMOTA!

É logo ali, texto escrito a 4 mãos…

(Obra minha e da Marília Alvarenga.)

Ana.

(Foto encontrada no site: Dr. Megavolt’s Hideout.)

De conflitos, de Lua, e de paz

Padrão

Eu vivo sempre no mundo da lua
Porque sou um cientista homeopata
futurista e lunático
Eu vivo sempre no mundo da lua
Tenho alma de
artista sou um gênio
sonhador e romântico
Eu vivo sempre no mundo da lua
Porque sou um aventureiro
desde o meu primeiro passo
no infinito
Eu vivo sempre no mundo da lua
Porque sou inteligente
se você quer vir com a gente
venha que será um barato
Pega carona nesta cauda de cometa
ver via láctea
estrada tão bonita
Brincar de esconde-esconde
numa nebulosa
voltar pra casa
em um lindo balão azul.

(Lindo Balão Azul – Guilherme Arantes)

Se um dia eu te quero, no outro eu te venero, te ligo, te chamo, te faço minha mulher. Dia seguinte é outro dia: posso te querer e não saber, posso te amar, mas num segundo te odiar, posso não fazer e fingir que nem percebi.

Altero minha percepção, me embriago, fico assim, leve, fazendo de conta que sou feliz. Tem gente que acredita, e então o que me aflige some como que por mágica… Mas eu sei que tudo continua ali, da mesma forma, do mesmo jeito, a mesma merda. Quanto mais ignoro, mais me desespero, e o dia seguinte vem como uma pedra, em que eu me bato, me lavo, me torturo, sofro, e carrego comigo, minha cruz.

Porque eu vivo sempre no mundo da Lua, só faço o que quero, e não na hora sua. Se quiser vir comigo, vai ter que ser assim. Não te ignoro, apenas não sei ver, agir, sorrir. Será que meu medo é de viver? E tenho mais o que fazer, porque sou inteligente, tenho alma de artista, sou um gênio sonhador e romântico, cientista, homeopático, futurista e lunático. Sou rock n’ roll, sou do mundo, sou da terra, sou do mar, sou fogo, sei o que sou, e eu vou fundo, sigo em frente, e não volto atrás.

Assim, me vou, como quem não quer nada, como alguém que nem veio. Sou um fantasma, e tu és minha fada, mas aí eu sumo, e não assumo, dou meu jeito, te engano, me envergonho, sempre me envergonho. Despeço-me com um beijo, evaporo no teu cheiro, com que me tortura e me faz sentir você.

Então vem fazer o que eu quero, vem comigo ao mundo da Lua, ser artista, inteligente, futurista e romântico. Vem viver de carona, de ar, de brisa do mar, de dor, de amor (dor de amor?)… Um momento, paro e penso: e minha pedra? Ela também vai, não pode ficar pra trás, não te quero mais. Sou conflito, sou guerra, sou paz.

Ana.

Foto: Lua-Cheia, Jornal da Poesia.