CIDADE JARDIM

Padrão

Hoje me deu vontade de falar sobre a minha cidade. Já escrevemos um bocado sobre ela por aqui, como nos textos sobre o Mercado Central, a Feira de Artesanato da Av. Afonso Pena, o clima, alguns restaurantes legais, as mulheres mineiras, os patrimônios históricos, nosso modo de falar, entre muitos outros “causos”.

A questão é que este final de semana ocorreu um evento muito legal por aqui, o Mercado das Pulgas, que este ano foi na Casa do Conde de Santa Marinha, e estive lá no domingo pra conferir. No Café do Conde, vi uma foto que me chamou muito a atenção: a Avenida Afonso Pena, em vista aérea, em fotografia datada dos idos de 1940… Era só árvores frondosas, que ocupavam as duas margens da avenida e cobriam quase toda a pista com sua copa! Que maravilha! Lembrei-me então de como é hoje, com seu canteiro central único, com arvorezinhas fracas e mal tratadas…

E aí a minha mente viajou. Imaginei-me andando por aquela avenida, muito antes de ter sonhado em nascer, sentindo a brisa fresca das manhãs de outono, observando o céu azul e sem nuvens da minha capital… Os homens andando de chapéu e bengala, as mulheres de vestidos longos e luvas… Bondinho, charretes, os primeiros automóveis… A capital era a própria “Cidade Jardim” (elogio que comparava BH a Paris)!

Back to 2005, lembrei da Avenida Prudente de Morais, que antes (na época da Afonso Pena sombreada pelos fícus), entre Cidade Jardim e Santo Antônio, era apenas mais uma avenida residencial. Hoje em dia – saiu até uma matéria no caderno Divirta-se do Estado de Minas de umas semanas pra trás – está carregada de lojas comerciais, e muitos, muitos barzinhos com mesas e cadeiras na calçada. Um casal de amigos paulistas esteve aqui conhecendo a cidade, e fomos num desses bares com eles no sábado à noite. Sinceramente, EU NÃO RECOMENDO.

Infelizmente, uma das coisas mais tristes e chatas que existe hoje (pelo menos que eu saiba é assim desde que eu nasci) é a questão dos meninos de rua. Imagina você lá, tomando sua cerveja gelada, de 5 em 5 minutos chega alguém assim meio que por trás, te oferecendo balas, chicletes, flores, brinquedinhos, ou então te pedindo “um trocado”. Acho isso algo extremamente desagradável, e de muito mau gosto. Não volto mais lá, juro. É um absurdo, porque os donos dos bares não fazem nada, nem pra ajudar (de alguma forma) os meninos, nem pra alertar a Prefeitura (pra ela fazer alguma coisa). Eles ficam andando livremente entre as mesas, tentando vender ou ganhar alguma coisa. Sabe o que é o pior? Provavelmente seus pais estão lá nas ruas também, “guardando” os carros e “arrecadando” o dinheiro que os filhos ganham, tarde da noite, isso pra não dizer o pior.

Está aí uma coisa que não devia existir na BH da primeira metade do século XX. E está aí uma coisa que não devia existir em lugar ou época nenhuma do mundo. Lugar de criança ou é na escola, ou é em casa, brincando ou dormindo.

No entanto, é uma pena que as coisas estejam deste jeito. Queria poder fazer alguma coisa além de NÃO dar dinheiro a essas pessoas, numa tentativa infeliz de tentar acabar com essa situação. Queria que a minha cidade voltasse a ter belos jardins, como os da Praça da Liberdade, constantemente cuidados, que parassem de jogar o lixo no meio da rua, que não cortassem mais belas árvores como eram as da Afonso Pena… Enfim, queria tantas coisas pra esta cidade tão linda (que não é o Rio, mas é maravilhosa também)!

Mas a única coisa que eu posso fazer, é amá-la deste jeito, e tentar mandar uma mensagem a todos vocês, que lêem diariamente (ou não) “o Mineiras, Uai!”, para que cobrem das autoridades com mais veemência, em suas cidades, em BH, onde for.

Um grande beijo a todos,

Ana Letícia.


A Praça Sete e a Avenida Afonso Pena, em 1930. Esta foto é do Fotoblog “Belo Horizonte Antiga“, vale à pena ir lá conferir as outras fotos.

CIDADE JARDIM

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Hoje me deu vontade de falar sobre a minha cidade. Já escrevemos um bocado sobre ela por aqui, como nos textos sobre o Mercado Central, a Feira de Artesanato da Av. Afonso Pena, o clima, alguns restaurantes legais, as mulheres mineiras, os patrimônios históricos, nosso modo de falar, entre muitos outros “causos”.

A questão é que este final de semana ocorreu um evento muito legal por aqui, o Mercado das Pulgas, que este ano foi na Casa do Conde de Santa Marinha, e estive lá no domingo pra conferir. No Café do Conde, vi uma foto que me chamou muito a atenção: a Avenida Afonso Pena, em vista aérea, em fotografia datada dos idos de 1940… Era só árvores frondosas, que ocupavam as duas margens da avenida e cobriam quase toda a pista com sua copa! Que maravilha! Lembrei-me então de como é hoje, com seu canteiro central único, com arvorezinhas fracas e mal tratadas…

E aí a minha mente viajou. Imaginei-me andando por aquela avenida, muito antes de ter sonhado em nascer, sentindo a brisa fresca das manhãs de outono, observando o céu azul e sem nuvens da minha capital… Os homens andando de chapéu e bengala, as mulheres de vestidos longos e luvas… Bondinho, charretes, os primeiros automóveis… A capital era a própria “Cidade Jardim” (elogio que comparava BH a Paris)!

Back to 2005, lembrei da Avenida Prudente de Morais, que antes (na época da Afonso Pena sombreada pelos fícus), entre Cidade Jardim e Santo Antônio, era apenas mais uma avenida residencial. Hoje em dia – saiu até uma matéria no caderno Divirta-se do Estado de Minas de umas semanas pra trás – está carregada de lojas comerciais, e muitos, muitos barzinhos com mesas e cadeiras na calçada. Um casal de amigos paulistas esteve aqui conhecendo a cidade, e fomos num desses bares com eles no sábado à noite. Sinceramente, EU NÃO RECOMENDO.

Infelizmente, uma das coisas mais tristes e chatas que existe hoje (pelo menos que eu saiba é assim desde que eu nasci) é a questão dos meninos de rua. Imagina você lá, tomando sua cerveja gelada, de 5 em 5 minutos chega alguém assim meio que por trás, te oferecendo balas, chicletes, flores, brinquedinhos, ou então te pedindo “um trocado”. Acho isso algo extremamente desagradável, e de muito mau gosto. Não volto mais lá, juro. É um absurdo, porque os donos dos bares não fazem nada, nem pra ajudar (de alguma forma) os meninos, nem pra alertar a Prefeitura (pra ela fazer alguma coisa). Eles ficam andando livremente entre as mesas, tentando vender ou ganhar alguma coisa. Sabe o que é o pior? Provavelmente seus pais estão lá nas ruas também, “guardando” os carros e “arrecadando” o dinheiro que os filhos ganham, tarde da noite, isso pra não dizer o pior.

Está aí uma coisa que não devia existir na BH da primeira metade do século XX. E está aí uma coisa que não devia existir em lugar ou época nenhuma do mundo. Lugar de criança ou é na escola, ou é em casa, brincando ou dormindo.

No entanto, é uma pena que as coisas estejam deste jeito. Queria poder fazer alguma coisa além de NÃO dar dinheiro a essas pessoas, numa tentativa infeliz de tentar acabar com essa situação. Queria que a minha cidade voltasse a ter belos jardins, como os da Praça da Liberdade, constantemente cuidados, que parassem de jogar o lixo no meio da rua, que não cortassem mais belas árvores como eram as da Afonso Pena… Enfim, queria tantas coisas pra esta cidade tão linda (que não é o Rio, mas é maravilhosa também)!

Mas a única coisa que eu posso fazer, é amá-la deste jeito, e tentar mandar uma mensagem a todos vocês, que lêem diariamente (ou não) “o Mineiras, Uai!”, para que cobrem das autoridades com mais veemência, em suas cidades, em BH, onde for.

Um grande beijo a todos,

Ana Letícia.


A Praça Sete e a Avenida Afonso Pena, em 1930. Esta foto é do Fotoblog “Belo Horizonte Antiga“, vale à pena ir lá conferir as outras fotos.

CIDADE JARDIM

Padrão

Hoje me deu vontade de falar sobre a minha cidade. Já escrevemos um bocado sobre ela por aqui, como nos textos sobre o Mercado Central, a Feira de Artesanato da Av. Afonso Pena, o clima, alguns restaurantes legais, as mulheres mineiras, os patrimônios históricos, nosso modo de falar, entre muitos outros “causos”.

A questão é que este final de semana ocorreu um evento muito legal por aqui, o Mercado das Pulgas, que este ano foi na Casa do Conde de Santa Marinha, e estive lá no domingo pra conferir. No Café do Conde, vi uma foto que me chamou muito a atenção: a Avenida Afonso Pena, em vista aérea, em fotografia datada dos idos de 1940… Era só árvores frondosas, que ocupavam as duas margens da avenida e cobriam quase toda a pista com sua copa! Que maravilha! Lembrei-me então de como é hoje, com seu canteiro central único, com arvorezinhas fracas e mal tratadas…

E aí a minha mente viajou. Imaginei-me andando por aquela avenida, muito antes de ter sonhado em nascer, sentindo a brisa fresca das manhãs de outono, observando o céu azul e sem nuvens da minha capital… Os homens andando de chapéu e bengala, as mulheres de vestidos longos e luvas… Bondinho, charretes, os primeiros automóveis… A capital era a própria “Cidade Jardim” (elogio que comparava BH a Paris)!

Back to 2005, lembrei da Avenida Prudente de Morais, que antes (na época da Afonso Pena sombreada pelos fícus), entre Cidade Jardim e Santo Antônio, era apenas mais uma avenida residencial. Hoje em dia – saiu até uma matéria no caderno Divirta-se do Estado de Minas de umas semanas pra trás – está carregada de lojas comerciais, e muitos, muitos barzinhos com mesas e cadeiras na calçada. Um casal de amigos paulistas esteve aqui conhecendo a cidade, e fomos num desses bares com eles no sábado à noite. Sinceramente, EU NÃO RECOMENDO.

Infelizmente, uma das coisas mais tristes e chatas que existe hoje (pelo menos que eu saiba é assim desde que eu nasci) é a questão dos meninos de rua. Imagina você lá, tomando sua cerveja gelada, de 5 em 5 minutos chega alguém assim meio que por trás, te oferecendo balas, chicletes, flores, brinquedinhos, ou então te pedindo “um trocado”. Acho isso algo extremamente desagradável, e de muito mau gosto. Não volto mais lá, juro. É um absurdo, porque os donos dos bares não fazem nada, nem pra ajudar (de alguma forma) os meninos, nem pra alertar a Prefeitura (pra ela fazer alguma coisa). Eles ficam andando livremente entre as mesas, tentando vender ou ganhar alguma coisa. Sabe o que é o pior? Provavelmente seus pais estão lá nas ruas também, “guardando” os carros e “arrecadando” o dinheiro que os filhos ganham, tarde da noite, isso pra não dizer o pior.

Está aí uma coisa que não devia existir na BH da primeira metade do século XX. E está aí uma coisa que não devia existir em lugar ou época nenhuma do mundo. Lugar de criança ou é na escola, ou é em casa, brincando ou dormindo.

No entanto, é uma pena que as coisas estejam deste jeito. Queria poder fazer alguma coisa além de NÃO dar dinheiro a essas pessoas, numa tentativa infeliz de tentar acabar com essa situação. Queria que a minha cidade voltasse a ter belos jardins, como os da Praça da Liberdade, constantemente cuidados, que parassem de jogar o lixo no meio da rua, que não cortassem mais belas árvores como eram as da Afonso Pena… Enfim, queria tantas coisas pra esta cidade tão linda (que não é o Rio, mas é maravilhosa também)!

Mas a única coisa que eu posso fazer, é amá-la deste jeito, e tentar mandar uma mensagem a todos vocês, que lêem diariamente (ou não) “o Mineiras, Uai!”, para que cobrem das autoridades com mais veemência, em suas cidades, em BH, onde for.

Um grande beijo a todos,

Ana Letícia.


A Praça Sete e a Avenida Afonso Pena, em 1930. Esta foto é do Fotoblog “Belo Horizonte Antiga“, vale à pena ir lá conferir as outras fotos.

EU NÃO GOSTAVA DO PAPA

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Não, gente, não sou eu quem “não gostava do papa!”.
Ao contrário: eu nasci no final de 1979, e em 1980 o Papa veio ao Brasil, inclusive aqui em Belo Horizonte (temos até uma praça, lindíssima, em homenagem a ele, a “Praça do Papa” – nome muito “original”, eu sei). Foi uma comoção geral, mas eu ainda era muito novinha, ainda não entendia nada. Mas no finalzinho de 1980, a TV fez uma grande respectiva sobre o ano que terminara, e o principal assunto era a visita do João Paulo II. Eram mostradas pessoas gritando “- Viva o Papa! Viva o Papa!”. E eu, como uma neném esperta, aprendendo a falar, repetia, encantada com as imagens daquele senhor branquinho: “-Viva a Pata! Viva a Pata!”
Na verdade, o título deste post é o título de uma crônica do Arnaldo Jabor, que foi publicada no dia 05/04/2005 no Jornal O Globo. (Qualquer pessoa pode ter acesso ao jornal on-line, é só fazer um cadastro no site.) Transcrevi o texto aqui pois é imperdível, vale à pena ler.
Hoje de manhã, eu vi uma homenagem feita pela TV Italiana (RAI) ao Papa e fiquei muito emocionada, não que eu seja fã incondicional dele ou da Igreja, e não que eu seja católica praticante, mas realmente foi lindo.

Eu não gostava do Papa João Paulo II

Escrevo enquanto vejo a morte do Papa na TV. E me espanto com a imensa emoção mundial. Espanto-me também comigo mesmo: “Como eu estou sozinho!” — pensei. Percebi que tinha de saber mais sobre mim, eu, sozinho, sem fé alguma, no meio desse oceano de pessoas rezando no Ocidente e Oriente.
Meu pai, engenheiro e militar, me passou dois ensinamentos: ele era ateu e torcia pelo América Futebol Clube. Claro que segui seus passos. Fui América até os 12 anos, quando “virei casaca” para o Flamengo (mas até hoje tenho saudade da camisa vermelha, garibaldina, do time de João Cabral e Lamartine Babo) e parei de acreditar em Deus.
Sei que “de mortuis nihil nisi bonum” (“não se fala mal de morto”), mas devo confessar que nunca gostei desse Papa. Por quê? Não sei.
É que sempre achei, nos meus traumas juvenis, que Papa era uma coisa meio inútil, pois só dava opiniões genéricas sobre a insânia do mundo, condenando a “maldade” e pedindo uma “paz” impossível, no meio da sujeira política.
Quando João Paulo entrou, eu era jovem e implicava com tudo. Eu achava vigarice aquele negócio de fingir que ele falava todas as línguas. Que papo era esse do Papa? Lendo frases escritas em partituras fonéticas… Quando ele começou a beijar o chão dos países visitados, impliquei mais ainda. Que demagogia! — reinando na corte do Vaticano e bancando o humilde…
Um dia, o Papa foi alvejado no meio da Praça de São Pedro, por aquele maluco islâmico, prenúncio dos tempos atuais. Eu tenho a teoria de que aquele tiro, aquela bala terrorista despertou-o para a realidade do mundo. E o Papa sentiu no corpo a desgraça política do tempo. Acho que a bala mudou o Papa. Mas fiquei irritadíssimo quando ele, depois de curado, foi à prisão “perdoar” o cara que quis matá-lo. Não gostei de sua “infinita bondade” com um canalha boçal. Achei falso seu perdão que, na verdade, humilhava o terrorista babaca, como uma vingança doce.
E fui por aí, observando esse Papa sem muita atenção. É tão fácil desprezar alguém, ideologicamente… Quando vi que ele era “reacionário” em questões como camisinha, pílula e contra os arroubos da Igreja da Libertação, aí não pensei mais nele… Tive apenas uma admiração passageira por sua adesão ao Solidariedade do Walesa mas, como bom “materialista”, desvalorizei o movimento polonês como “idealista”, com um Walesa meio “pelego”.
E o tempo passou. Depois da euforia inicial dos anos 90, vi que aquela esperança de entendimento político no mundo, capitaneado pelo Gorbatchev, fracassaria. Entendi isso quando vi o papai Bush falando no Kremlin, humilhando o Gorba, considerando-se “vitorioso”, prenunciando as nuvens negras de hoje com seu filhinho no poder. Senti que o sonho de entendimento socialismo-capitalismo ia ser apenas o triunfo triste dos neo-conservadores. O mundo foi piorando e o Papa viajando, beijando pés, cantando com Roberto Carlos no Rio.
Uma vez, ele declarou: “A Igreja Católica não é uma democracia”. Fiquei horrorizado naquela época liberalizante e não liguei mais para o Papa “de direita”.
Depois, o Papa ficou doente, há dez anos. E eu olhava cruelmente seus tremores, sua corcova crescente e, sem compaixão alguma, pensava que o Pontífice não queria “largar o osso” e ria, como um anticristo.
Até que, nos últimos dias, João Paulo II chegou à janela do Vaticano, tentou falar… e num esgar dolorido, trágico, foi fotografado em close, com a boca aberta, desesperado. Essa foto é um marco, um símbolo forte, quase como as torres caindo em NY. Parece um prenúncio do Juízo final, um rosto do Apocalipse, a cara de nossa época. É aterrorizante ver o desespero do homem de Deus, do Infalível, do embaixador de Cristo.
Naquele momento, Deus virou homem.
E, subitamente, entendi alguma coisa maior que sempre me escapara: aquele rosto retorcido era o choro de uma criança, um rosto infantil em prantos! O Papa tinha voltado a seu nascimento e sua vida se fechava. Ali estava o menino pobre , ex-ator, ex-operário, ali estavam as vítimas da guerra, os atacados pelo terror, ali estava sua imensa solidão igual à nossa.
Então, ele morreu. E ontem, vendo os milhões chorando pelo mundo, vendo a praça cheia, entendi de repente sua obra, sua imensa importância. Vendo a cobertura da Globo, montando sua vida inteira, seus milhões de quilômetros viajados, da África às favelas do Nordeste, entendi o Papa.
Emocionado, senti minha intensíssima solidão de ateu. Eu estava fora daquelas multidões imensas, eu não tinha nem a velha ideologia esfacelada, nem uma religião para crer, eu era um filho abandonado do racionalismo francês, eu era um órfão de pai e mãe.
Aí, quem tremeu fui eu, com olhos cheios d’água. E vi que Karol Wojtyla, tachado superficialmente de “conservador”, tinha sido muito mais que isso. Ele tinha batido em dois cravos: satisfez a reacionaríssima Cúria Romana implacável e cortesã e, além disso, botou o pé no mundo, fazendo o que italiano algum faria: rezar missa para negões na África e no Nordeste, levando seu corpo vivo como símbolo de uma espiritualidade perdida.
O conjunto de sua obra foi muito além de ser contra ou a favor da camisinha. Papa não é para ficar discutindo questões episódicas. É muito mais que isso. Visitou o Chile de Pinochet e o Iraque de Saddam e, ao contrário de ser uma “adesão alienada”, foi uma crítica muito mais alta, mostrando-se acima de sórdidas políticas seculares, levando consigo o Espírito, a ideia de Transcendência acima do mercantilismo e ditaduras.
E foi tão “moderno” que usou a “mídia” sim, muito bem, como Madonna ou Pelé. E nisso, criticou a Cúria por tabela, pois nenhum cardeal sairia do conforto dos palácios para beijar pé de mendigo na América Latina.
João Paulo cumpriu seu destino de filósofo acima do mundo, que tanto precisa de grandeza e solidariedade.
Sou ateu, sozinho, condenado a não ter fé, mas vi que se há alguma coisa de que precisamos hoje é de uma nova ética, de um pensamento transcendental, de uma espiritualidade perdida.
João Paulo na verdade deu um show de bola.
(Arnaldo Jabor – O Globo – 05/04/2005)


“A bênção, João de Deus / Nosso povo te abraça / Tu vens em missão de paz / Sê bem-vindo / e abençoa este povo que te ama”. (É ou não é de arrepiar?)

Abraços a todos,

Ana Letícia.

EU NÃO GOSTAVA DO PAPA

Padrão

Não, gente, não sou eu quem “não gostava do papa!”.
Ao contrário: eu nasci no final de 1979, e em 1980 o Papa veio ao Brasil, inclusive aqui em Belo Horizonte (temos até uma praça, lindíssima, em homenagem a ele, a “Praça do Papa” – nome muito “original”, eu sei). Foi uma comoção geral, mas eu ainda era muito novinha, ainda não entendia nada. Mas no finalzinho de 1980, a TV fez uma grande respectiva sobre o ano que terminara, e o principal assunto era a visita do João Paulo II. Eram mostradas pessoas gritando “- Viva o Papa! Viva o Papa!”. E eu, como uma neném esperta, aprendendo a falar, repetia, encantada com as imagens daquele senhor branquinho: “-Viva a Pata! Viva a Pata!”
Na verdade, o título deste post é o título de uma crônica do Arnaldo Jabor, que foi publicada no dia 05/04/2005 no Jornal O Globo. (Qualquer pessoa pode ter acesso ao jornal on-line, é só fazer um cadastro no site.) Transcrevi o texto aqui pois é imperdível, vale à pena ler.
Hoje de manhã, eu vi uma homenagem feita pela TV Italiana (RAI) ao Papa e fiquei muito emocionada, não que eu seja fã incondicional dele ou da Igreja, e não que eu seja católica praticante, mas realmente foi lindo.

Eu não gostava do Papa João Paulo II

Escrevo enquanto vejo a morte do Papa na TV. E me espanto com a imensa emoção mundial. Espanto-me também comigo mesmo: “Como eu estou sozinho!” — pensei. Percebi que tinha de saber mais sobre mim, eu, sozinho, sem fé alguma, no meio desse oceano de pessoas rezando no Ocidente e Oriente.
Meu pai, engenheiro e militar, me passou dois ensinamentos: ele era ateu e torcia pelo América Futebol Clube. Claro que segui seus passos. Fui América até os 12 anos, quando “virei casaca” para o Flamengo (mas até hoje tenho saudade da camisa vermelha, garibaldina, do time de João Cabral e Lamartine Babo) e parei de acreditar em Deus.
Sei que “de mortuis nihil nisi bonum” (“não se fala mal de morto”), mas devo confessar que nunca gostei desse Papa. Por quê? Não sei.
É que sempre achei, nos meus traumas juvenis, que Papa era uma coisa meio inútil, pois só dava opiniões genéricas sobre a insânia do mundo, condenando a “maldade” e pedindo uma “paz” impossível, no meio da sujeira política.
Quando João Paulo entrou, eu era jovem e implicava com tudo. Eu achava vigarice aquele negócio de fingir que ele falava todas as línguas. Que papo era esse do Papa? Lendo frases escritas em partituras fonéticas… Quando ele começou a beijar o chão dos países visitados, impliquei mais ainda. Que demagogia! — reinando na corte do Vaticano e bancando o humilde…
Um dia, o Papa foi alvejado no meio da Praça de São Pedro, por aquele maluco islâmico, prenúncio dos tempos atuais. Eu tenho a teoria de que aquele tiro, aquela bala terrorista despertou-o para a realidade do mundo. E o Papa sentiu no corpo a desgraça política do tempo. Acho que a bala mudou o Papa. Mas fiquei irritadíssimo quando ele, depois de curado, foi à prisão “perdoar” o cara que quis matá-lo. Não gostei de sua “infinita bondade” com um canalha boçal. Achei falso seu perdão que, na verdade, humilhava o terrorista babaca, como uma vingança doce.
E fui por aí, observando esse Papa sem muita atenção. É tão fácil desprezar alguém, ideologicamente… Quando vi que ele era “reacionário” em questões como camisinha, pílula e contra os arroubos da Igreja da Libertação, aí não pensei mais nele… Tive apenas uma admiração passageira por sua adesão ao Solidariedade do Walesa mas, como bom “materialista”, desvalorizei o movimento polonês como “idealista”, com um Walesa meio “pelego”.
E o tempo passou. Depois da euforia inicial dos anos 90, vi que aquela esperança de entendimento político no mundo, capitaneado pelo Gorbatchev, fracassaria. Entendi isso quando vi o papai Bush falando no Kremlin, humilhando o Gorba, considerando-se “vitorioso”, prenunciando as nuvens negras de hoje com seu filhinho no poder. Senti que o sonho de entendimento socialismo-capitalismo ia ser apenas o triunfo triste dos neo-conservadores. O mundo foi piorando e o Papa viajando, beijando pés, cantando com Roberto Carlos no Rio.
Uma vez, ele declarou: “A Igreja Católica não é uma democracia”. Fiquei horrorizado naquela época liberalizante e não liguei mais para o Papa “de direita”.
Depois, o Papa ficou doente, há dez anos. E eu olhava cruelmente seus tremores, sua corcova crescente e, sem compaixão alguma, pensava que o Pontífice não queria “largar o osso” e ria, como um anticristo.
Até que, nos últimos dias, João Paulo II chegou à janela do Vaticano, tentou falar… e num esgar dolorido, trágico, foi fotografado em close, com a boca aberta, desesperado. Essa foto é um marco, um símbolo forte, quase como as torres caindo em NY. Parece um prenúncio do Juízo final, um rosto do Apocalipse, a cara de nossa época. É aterrorizante ver o desespero do homem de Deus, do Infalível, do embaixador de Cristo.
Naquele momento, Deus virou homem.
E, subitamente, entendi alguma coisa maior que sempre me escapara: aquele rosto retorcido era o choro de uma criança, um rosto infantil em prantos! O Papa tinha voltado a seu nascimento e sua vida se fechava. Ali estava o menino pobre , ex-ator, ex-operário, ali estavam as vítimas da guerra, os atacados pelo terror, ali estava sua imensa solidão igual à nossa.
Então, ele morreu. E ontem, vendo os milhões chorando pelo mundo, vendo a praça cheia, entendi de repente sua obra, sua imensa importância. Vendo a cobertura da Globo, montando sua vida inteira, seus milhões de quilômetros viajados, da África às favelas do Nordeste, entendi o Papa.
Emocionado, senti minha intensíssima solidão de ateu. Eu estava fora daquelas multidões imensas, eu não tinha nem a velha ideologia esfacelada, nem uma religião para crer, eu era um filho abandonado do racionalismo francês, eu era um órfão de pai e mãe.
Aí, quem tremeu fui eu, com olhos cheios d’água. E vi que Karol Wojtyla, tachado superficialmente de “conservador”, tinha sido muito mais que isso. Ele tinha batido em dois cravos: satisfez a reacionaríssima Cúria Romana implacável e cortesã e, além disso, botou o pé no mundo, fazendo o que italiano algum faria: rezar missa para negões na África e no Nordeste, levando seu corpo vivo como símbolo de uma espiritualidade perdida.
O conjunto de sua obra foi muito além de ser contra ou a favor da camisinha. Papa não é para ficar discutindo questões episódicas. É muito mais que isso. Visitou o Chile de Pinochet e o Iraque de Saddam e, ao contrário de ser uma “adesão alienada”, foi uma crítica muito mais alta, mostrando-se acima de sórdidas políticas seculares, levando consigo o Espírito, a ideia de Transcendência acima do mercantilismo e ditaduras.
E foi tão “moderno” que usou a “mídia” sim, muito bem, como Madonna ou Pelé. E nisso, criticou a Cúria por tabela, pois nenhum cardeal sairia do conforto dos palácios para beijar pé de mendigo na América Latina.
João Paulo cumpriu seu destino de filósofo acima do mundo, que tanto precisa de grandeza e solidariedade.
Sou ateu, sozinho, condenado a não ter fé, mas vi que se há alguma coisa de que precisamos hoje é de uma nova ética, de um pensamento transcendental, de uma espiritualidade perdida.
João Paulo na verdade deu um show de bola.
(Arnaldo Jabor – O Globo – 05/04/2005)


“A bênção, João de Deus / Nosso povo te abraça / Tu vens em missão de paz / Sê bem-vindo / e abençoa este povo que te ama”. (É ou não é de arrepiar?)

Abraços a todos,

Ana Letícia.

EU NÃO GOSTAVA DO PAPA

Padrão

Não, gente, não sou eu quem “não gostava do papa!”.
Ao contrário: eu nasci no final de 1979, e em 1980 o Papa veio ao Brasil, inclusive aqui em Belo Horizonte (temos até uma praça, lindíssima, em homenagem a ele, a “Praça do Papa” – nome muito “original”, eu sei). Foi uma comoção geral, mas eu ainda era muito novinha, ainda não entendia nada. Mas no finalzinho de 1980, a TV fez uma grande respectiva sobre o ano que terminara, e o principal assunto era a visita do João Paulo II. Eram mostradas pessoas gritando “- Viva o Papa! Viva o Papa!”. E eu, como uma neném esperta, aprendendo a falar, repetia, encantada com as imagens daquele senhor branquinho: “-Viva a Pata! Viva a Pata!”
Na verdade, o título deste post é o título de uma crônica do Arnaldo Jabor, que foi publicada no dia 05/04/2005 no Jornal O Globo. (Qualquer pessoa pode ter acesso ao jornal on-line, é só fazer um cadastro no site.) Transcrevi o texto aqui pois é imperdível, vale à pena ler.
Hoje de manhã, eu vi uma homenagem feita pela TV Italiana (RAI) ao Papa e fiquei muito emocionada, não que eu seja fã incondicional dele ou da Igreja, e não que eu seja católica praticante, mas realmente foi lindo.

Eu não gostava do Papa João Paulo II

Escrevo enquanto vejo a morte do Papa na TV. E me espanto com a imensa emoção mundial. Espanto-me também comigo mesmo: “Como eu estou sozinho!” — pensei. Percebi que tinha de saber mais sobre mim, eu, sozinho, sem fé alguma, no meio desse oceano de pessoas rezando no Ocidente e Oriente.
Meu pai, engenheiro e militar, me passou dois ensinamentos: ele era ateu e torcia pelo América Futebol Clube. Claro que segui seus passos. Fui América até os 12 anos, quando “virei casaca” para o Flamengo (mas até hoje tenho saudade da camisa vermelha, garibaldina, do time de João Cabral e Lamartine Babo) e parei de acreditar em Deus.
Sei que “de mortuis nihil nisi bonum” (“não se fala mal de morto”), mas devo confessar que nunca gostei desse Papa. Por quê? Não sei.
É que sempre achei, nos meus traumas juvenis, que Papa era uma coisa meio inútil, pois só dava opiniões genéricas sobre a insânia do mundo, condenando a “maldade” e pedindo uma “paz” impossível, no meio da sujeira política.
Quando João Paulo entrou, eu era jovem e implicava com tudo. Eu achava vigarice aquele negócio de fingir que ele falava todas as línguas. Que papo era esse do Papa? Lendo frases escritas em partituras fonéticas… Quando ele começou a beijar o chão dos países visitados, impliquei mais ainda. Que demagogia! — reinando na corte do Vaticano e bancando o humilde…
Um dia, o Papa foi alvejado no meio da Praça de São Pedro, por aquele maluco islâmico, prenúncio dos tempos atuais. Eu tenho a teoria de que aquele tiro, aquela bala terrorista despertou-o para a realidade do mundo. E o Papa sentiu no corpo a desgraça política do tempo. Acho que a bala mudou o Papa. Mas fiquei irritadíssimo quando ele, depois de curado, foi à prisão “perdoar” o cara que quis matá-lo. Não gostei de sua “infinita bondade” com um canalha boçal. Achei falso seu perdão que, na verdade, humilhava o terrorista babaca, como uma vingança doce.
E fui por aí, observando esse Papa sem muita atenção. É tão fácil desprezar alguém, ideologicamente… Quando vi que ele era “reacionário” em questões como camisinha, pílula e contra os arroubos da Igreja da Libertação, aí não pensei mais nele… Tive apenas uma admiração passageira por sua adesão ao Solidariedade do Walesa mas, como bom “materialista”, desvalorizei o movimento polonês como “idealista”, com um Walesa meio “pelego”.
E o tempo passou. Depois da euforia inicial dos anos 90, vi que aquela esperança de entendimento político no mundo, capitaneado pelo Gorbatchev, fracassaria. Entendi isso quando vi o papai Bush falando no Kremlin, humilhando o Gorba, considerando-se “vitorioso”, prenunciando as nuvens negras de hoje com seu filhinho no poder. Senti que o sonho de entendimento socialismo-capitalismo ia ser apenas o triunfo triste dos neo-conservadores. O mundo foi piorando e o Papa viajando, beijando pés, cantando com Roberto Carlos no Rio.
Uma vez, ele declarou: “A Igreja Católica não é uma democracia”. Fiquei horrorizado naquela época liberalizante e não liguei mais para o Papa “de direita”.
Depois, o Papa ficou doente, há dez anos. E eu olhava cruelmente seus tremores, sua corcova crescente e, sem compaixão alguma, pensava que o Pontífice não queria “largar o osso” e ria, como um anticristo.
Até que, nos últimos dias, João Paulo II chegou à janela do Vaticano, tentou falar… e num esgar dolorido, trágico, foi fotografado em close, com a boca aberta, desesperado. Essa foto é um marco, um símbolo forte, quase como as torres caindo em NY. Parece um prenúncio do Juízo final, um rosto do Apocalipse, a cara de nossa época. É aterrorizante ver o desespero do homem de Deus, do Infalível, do embaixador de Cristo.
Naquele momento, Deus virou homem.
E, subitamente, entendi alguma coisa maior que sempre me escapara: aquele rosto retorcido era o choro de uma criança, um rosto infantil em prantos! O Papa tinha voltado a seu nascimento e sua vida se fechava. Ali estava o menino pobre , ex-ator, ex-operário, ali estavam as vítimas da guerra, os atacados pelo terror, ali estava sua imensa solidão igual à nossa.
Então, ele morreu. E ontem, vendo os milhões chorando pelo mundo, vendo a praça cheia, entendi de repente sua obra, sua imensa importância. Vendo a cobertura da Globo, montando sua vida inteira, seus milhões de quilômetros viajados, da África às favelas do Nordeste, entendi o Papa.
Emocionado, senti minha intensíssima solidão de ateu. Eu estava fora daquelas multidões imensas, eu não tinha nem a velha ideologia esfacelada, nem uma religião para crer, eu era um filho abandonado do racionalismo francês, eu era um órfão de pai e mãe.
Aí, quem tremeu fui eu, com olhos cheios d’água. E vi que Karol Wojtyla, tachado superficialmente de “conservador”, tinha sido muito mais que isso. Ele tinha batido em dois cravos: satisfez a reacionaríssima Cúria Romana implacável e cortesã e, além disso, botou o pé no mundo, fazendo o que italiano algum faria: rezar missa para negões na África e no Nordeste, levando seu corpo vivo como símbolo de uma espiritualidade perdida.
O conjunto de sua obra foi muito além de ser contra ou a favor da camisinha. Papa não é para ficar discutindo questões episódicas. É muito mais que isso. Visitou o Chile de Pinochet e o Iraque de Saddam e, ao contrário de ser uma “adesão alienada”, foi uma crítica muito mais alta, mostrando-se acima de sórdidas políticas seculares, levando consigo o Espírito, a ideia de Transcendência acima do mercantilismo e ditaduras.
E foi tão “moderno” que usou a “mídia” sim, muito bem, como Madonna ou Pelé. E nisso, criticou a Cúria por tabela, pois nenhum cardeal sairia do conforto dos palácios para beijar pé de mendigo na América Latina.
João Paulo cumpriu seu destino de filósofo acima do mundo, que tanto precisa de grandeza e solidariedade.
Sou ateu, sozinho, condenado a não ter fé, mas vi que se há alguma coisa de que precisamos hoje é de uma nova ética, de um pensamento transcendental, de uma espiritualidade perdida.
João Paulo na verdade deu um show de bola.
(Arnaldo Jabor – O Globo – 05/04/2005)


“A bênção, João de Deus / Nosso povo te abraça / Tu vens em missão de paz / Sê bem-vindo / e abençoa este povo que te ama”. (É ou não é de arrepiar?)

Abraços a todos,

Ana Letícia.

Diretamente da ITÁLIA!

Padrão

Bom, como a Lú, jornais, revistas e todos os outros meios de comunicação, já falaram sobre o Papa, não tem porque falar mais. Só lamento muito, pois sou católica e acho que perdemos um homem ilustre, mas, ele já estava tão velhinho, né!
Aproveitando a Itália, vou escrever em homenagem a um dos meus admiradores! Hahaha
Ciumenta? Estranha? Eu?
Acho que não! Meu caro Giacomo, você está equivocado!
Vou explicar tudinho. É que eu correspondo com um italiano, já faz uns 03 aninhos. Vou contar como foi:
“Era uma vez…há mais ou menos 03 anos, fui numa boite dançar um pouco. Na verdade, eu não gosto muito de boite, mas vou a cada 03 ou 06 meses, só para dançar e gastar as enegias. Não gosto tanto porque os freqüentadores são todos iguais pro meu gosto. Então, estava eu dançando, olhava pro lado, só mulher loura, cheia de brilho…blábláblá…olhava pro outro, só playboy, de camisa pra dentro, geralmente da marca Pollo ou CK, topete lotado de gel e preocupados em quantidade e saciar a vontade animal, nunca de conversar. Há exceções, ok! Foi quando avistei do outro lado um ser cabeludo, de barba, de camisa pra fora e, parecia que estava um pouco irritado. Logo pensei: “Ah, achei um carinha que deve estar odiando toda essa gente igual e deve gostar de coisas mais diferentes.” Fiquei olhando para o “gatinho” quase 1 hora, e nada, ele não dançava, não olhava e nem conversava com os amigos dele. Estava morrendo de curiosidade. “Tenho mania de ir nos lugares mais badalados e ficar analisando as pessoas.” Foi quando ele foi no bar pegar uma bebida, e eu estava do lado, advinham? Ele nem deu bola de novo. Fiquei morrendo de vergonha de chegar e conversar, mas, a curiosidade e o álcool me deixou mais tranqüila. Depois de horas, resolvi esbarrar nele, sem querer, é claro. Pedi desculpas, ele olhou pra mim e não disse nada. Voltei para o bar e fiquei olhando indignada. Aí pensei: “agora, é questão de honra!” Então me aproximei como quem não quer nada e fiz a pergunta mais idiota do mundo: “Você está gostando da noite?” hahahaha… Aí ele enrolou a língua, logo percebi que ele era estrangeiro. Ah não ninguém merece, demorei horas só olhando para o cara e ele ainda é gringo! Então falei: “Não nada não!” E fui saindo, não estava com a menor paciência de ficar fazendo mímica pro cara me entender. Foi quando, aleluia, ele puxou o meu braço e tentou conversar comigo, com a ajuda do amigo dele, é claro! O rapaz era italiano, que fofo! Retirando o que eu disse, tive que sujeitar às mímicas. Mas, até que não foi tão ruim, dava pra entender quase tudo. A noite foi ótima. Esse episódio foi num sábado, em agosto de 2002. Sendo que, ele iria retornar ao seu país na segunda –feira. No domingo ele me ligou para nos encontrar-mos, mas, um pivete tinha acabado de levar meu óculos e eu estava muito assustada, resolvi não sair, pensei que não fosse dar em nada.
Depois disso, nos correspondemos quase todos os dias, falamos sobre tudo! Ele escreve um português um pouco estranho, mas dá pra entender. “

O penúltimo e-mail que o italianinho me mandou, ele contou que estava trabalhando um bar e uma garota conversou com ele em português. Segundo ele, lembrou de mim e começou a arranhar um português com ela. Na mesma hora a garota ligou para sua amiga aqui no Brasil (Vitória) e deu o celular para que ele conversasse com ela… Olha que petulância.!!!
Fiquei indignada e dei uma crise de ciúmes no e-mail que eu escrevi respondendo! Mas, brincadeira, né galera! Como vou ter ciúmes de um cara que mora em Pésaro- Itália?! Não tem nem lógica! Mas, tinha que dar meu “show”! Faz parte!
Aí, ele escreveu um outro e-mail nesta segunda, exatamente assim:
“Oi Dò,
quanto vocè exagera!! Conversei com uma garota brasileira que mora em Vitoria, achavo bom de contar-te que falei em portugues com ela, a historia de trocar-te era sò brincadeira… vocè tem mais ciumes duma italiana!!…
E ainda mais, vocè fica com raiva quando na verdade, lendo seus blog, parece vocè todo dia encontra homem super!!! Paciencia!… Entendi desde a primeira vez que vocè é uma meninha um pouco estranha… E’ tambem por isso que gosto de vocè!… (risos) “

Olha que absurdo, até parece que sou cheia de namorados…. Estava até comentando isso com a Izabela ( minha amiga) pelo telefone ontem, acho que eu falo muito e faço de menos. Eu só conheço as pessoas, mas morro de vergonha de sair ou de falar alguma coisa mais séria. Pode não parecer, mas, no quesito namoro, sou muito, muito tímida!
Como diz um amigo:
“Você é igual biscoito de polvilho, só faz barulho!” Mas é verdade.
Giacomo, meu lindo, eu já disse que vou me casar com um italiano, e vai ser você mesmo! hahahaha
E eu nem sou muito de sair, é que quando saio aproveito pra caramba! E só apronto, mas nada de tão sério.
Mudando de assunto, mas continuando na Itália, leiam outro trecho do e-mail do “meu amor” :
“Nestes dias parece que a Italia fica no centro do mundo por causa da morte do papa, na verdade aqui todo mundo chora pra ele pois nos somos costumados aos trabalhos dos papas e esta vez nao hà pessoa quem pode falar mau sobre ele, foi talvez o maior papa e personagem do 900. Eu acho que tem muita possibilidade que o proximo papa serà mexicano ou brasileiro… “
Fala sério, adoraria que fosse um brasileiro, mas, estamos longe disso, ah, quem sabe!? Só sei que pode ser de qualquer outro país, menos da Argentina, pelo amor de Deus. Se Deus tiver um pezinho no Brasil, nunca vai deixar um Papa argentino assumir o Vaticano. (brincadeirinha, galera)
Opnião: Adoraria que o novo Papa fosse aquele nigeriano, seria ótimo termos um Papa negro e de um país pobre como a Nigéria.
Ufa, como escrevi, isso que porque eu acabei de sair de uma prova de Administração financeira.
Bjoca em especial para o Giacomo e para vocês todos!!
Dodô!

Diretamente da ITÁLIA!

Padrão

Bom, como a Lú, jornais, revistas e todos os outros meios de comunicação, já falaram sobre o Papa, não tem porque falar mais. Só lamento muito, pois sou católica e acho que perdemos um homem ilustre, mas, ele já estava tão velhinho, né!
Aproveitando a Itália, vou escrever em homenagem a um dos meus admiradores! Hahaha
Ciumenta? Estranha? Eu?
Acho que não! Meu caro Giacomo, você está equivocado!
Vou explicar tudinho. É que eu correspondo com um italiano, já faz uns 03 aninhos. Vou contar como foi:
“Era uma vez…há mais ou menos 03 anos, fui numa boite dançar um pouco. Na verdade, eu não gosto muito de boite, mas vou a cada 03 ou 06 meses, só para dançar e gastar as enegias. Não gosto tanto porque os freqüentadores são todos iguais pro meu gosto. Então, estava eu dançando, olhava pro lado, só mulher loura, cheia de brilho…blábláblá…olhava pro outro, só playboy, de camisa pra dentro, geralmente da marca Pollo ou CK, topete lotado de gel e preocupados em quantidade e saciar a vontade animal, nunca de conversar. Há exceções, ok! Foi quando avistei do outro lado um ser cabeludo, de barba, de camisa pra fora e, parecia que estava um pouco irritado. Logo pensei: “Ah, achei um carinha que deve estar odiando toda essa gente igual e deve gostar de coisas mais diferentes.” Fiquei olhando para o “gatinho” quase 1 hora, e nada, ele não dançava, não olhava e nem conversava com os amigos dele. Estava morrendo de curiosidade. “Tenho mania de ir nos lugares mais badalados e ficar analisando as pessoas.” Foi quando ele foi no bar pegar uma bebida, e eu estava do lado, advinham? Ele nem deu bola de novo. Fiquei morrendo de vergonha de chegar e conversar, mas, a curiosidade e o álcool me deixou mais tranqüila. Depois de horas, resolvi esbarrar nele, sem querer, é claro. Pedi desculpas, ele olhou pra mim e não disse nada. Voltei para o bar e fiquei olhando indignada. Aí pensei: “agora, é questão de honra!” Então me aproximei como quem não quer nada e fiz a pergunta mais idiota do mundo: “Você está gostando da noite?” hahahaha… Aí ele enrolou a língua, logo percebi que ele era estrangeiro. Ah não ninguém merece, demorei horas só olhando para o cara e ele ainda é gringo! Então falei: “Não nada não!” E fui saindo, não estava com a menor paciência de ficar fazendo mímica pro cara me entender. Foi quando, aleluia, ele puxou o meu braço e tentou conversar comigo, com a ajuda do amigo dele, é claro! O rapaz era italiano, que fofo! Retirando o que eu disse, tive que sujeitar às mímicas. Mas, até que não foi tão ruim, dava pra entender quase tudo. A noite foi ótima. Esse episódio foi num sábado, em agosto de 2002. Sendo que, ele iria retornar ao seu país na segunda –feira. No domingo ele me ligou para nos encontrar-mos, mas, um pivete tinha acabado de levar meu óculos e eu estava muito assustada, resolvi não sair, pensei que não fosse dar em nada.
Depois disso, nos correspondemos quase todos os dias, falamos sobre tudo! Ele escreve um português um pouco estranho, mas dá pra entender. “

O penúltimo e-mail que o italianinho me mandou, ele contou que estava trabalhando um bar e uma garota conversou com ele em português. Segundo ele, lembrou de mim e começou a arranhar um português com ela. Na mesma hora a garota ligou para sua amiga aqui no Brasil (Vitória) e deu o celular para que ele conversasse com ela… Olha que petulância.!!!
Fiquei indignada e dei uma crise de ciúmes no e-mail que eu escrevi respondendo! Mas, brincadeira, né galera! Como vou ter ciúmes de um cara que mora em Pésaro- Itália?! Não tem nem lógica! Mas, tinha que dar meu “show”! Faz parte!
Aí, ele escreveu um outro e-mail nesta segunda, exatamente assim:
“Oi Dò,
quanto vocè exagera!! Conversei com uma garota brasileira que mora em Vitoria, achavo bom de contar-te que falei em portugues com ela, a historia de trocar-te era sò brincadeira… vocè tem mais ciumes duma italiana!!…
E ainda mais, vocè fica com raiva quando na verdade, lendo seus blog, parece vocè todo dia encontra homem super!!! Paciencia!… Entendi desde a primeira vez que vocè é uma meninha um pouco estranha… E’ tambem por isso que gosto de vocè!… (risos) “

Olha que absurdo, até parece que sou cheia de namorados…. Estava até comentando isso com a Izabela ( minha amiga) pelo telefone ontem, acho que eu falo muito e faço de menos. Eu só conheço as pessoas, mas morro de vergonha de sair ou de falar alguma coisa mais séria. Pode não parecer, mas, no quesito namoro, sou muito, muito tímida!
Como diz um amigo:
“Você é igual biscoito de polvilho, só faz barulho!” Mas é verdade.
Giacomo, meu lindo, eu já disse que vou me casar com um italiano, e vai ser você mesmo! hahahaha
E eu nem sou muito de sair, é que quando saio aproveito pra caramba! E só apronto, mas nada de tão sério.
Mudando de assunto, mas continuando na Itália, leiam outro trecho do e-mail do “meu amor” :
“Nestes dias parece que a Italia fica no centro do mundo por causa da morte do papa, na verdade aqui todo mundo chora pra ele pois nos somos costumados aos trabalhos dos papas e esta vez nao hà pessoa quem pode falar mau sobre ele, foi talvez o maior papa e personagem do 900. Eu acho que tem muita possibilidade que o proximo papa serà mexicano ou brasileiro… “
Fala sério, adoraria que fosse um brasileiro, mas, estamos longe disso, ah, quem sabe!? Só sei que pode ser de qualquer outro país, menos da Argentina, pelo amor de Deus. Se Deus tiver um pezinho no Brasil, nunca vai deixar um Papa argentino assumir o Vaticano. (brincadeirinha, galera)
Opnião: Adoraria que o novo Papa fosse aquele nigeriano, seria ótimo termos um Papa negro e de um país pobre como a Nigéria.
Ufa, como escrevi, isso que porque eu acabei de sair de uma prova de Administração financeira.
Bjoca em especial para o Giacomo e para vocês todos!!
Dodô!

CARTA DO PAPA AOS JOVENS

Padrão
Em profundo sinal de respeito, triste pela morte do nosso querido Papa, publico para vocês parte da carta que o Santo Pe. Papa enviou aos jovens, em agosto de 2004, e que por felicidade, minha amiga Flávia pode receber das mãos dele, quando esteve em Roma, no exato mês.
Esta carta é um convite do Papa para os jovens do mundo inteiro participarem, em agosto, da Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá em Colônia, na Alemanha.
Em outra oportunidade, num congresso que participei da Juventude Feminina de Schoesntatt, em Londrina/PR, no ano de 2000, ouvi uma palavra do Papa escrita diretamente para nós, jovens. Assim ele dizia:
“Jovens do mundo inteiro, tenham a santa ousadia, de serem os santos do novo milênio”.
Não foi por acaso que Karol Wojtila foi escolhido para ocupar o cargo de Papa, membro superior da Igreja, não era adorado apenas pelos católicos, mas por toda uma infinidade de fiéis em Cristo.
Agora ele está com Deus!
Beijos a todos, Lú
MENSAGEM DO PAPA A COLÔNIA 2005: A IGREJA NECESSITA DE SANTOS

O Papa João Paulo II afirmou que “a Igreja necessita de santos” para renovar a humanidade para que esta, consciente, guie os jovens do mundo em seu caminho à próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que realizar-se-á em agosto de 2005, na cidade de Colônia, na Alemanha, que terá como tema: “Viemos Adorar-te” (Mt 2,2)

Eis alguns trechos da carta do Papa aos jovens:

“Queridíssimos jovens:

Este ano celebramos a XIX Jornada Mundial da Juventude meditando sobre o desejo demonstrado por alguns gregos que, pelo motivo da Páscoa, chegaram a Jerusalém, dizendo: “Queremos ver Jesus” (Jo 12,21). Agora nos encontramos a caminho de Colônia, onde acontecerá, em agosto de 2005, a XX Jornada Mundial da Juventude.
“Viemos Adorar-te” (Mt 2,2): este é o tema da próxima JMJ. Este tema permite que os jovens de cada continente recorram idealmente ao itinerário dos Reis Magos, cujas relíquias são veneradas, segundo uma tradição da Igreja naquela cidade alemã, e que possam encontrar, como eles, ao Messias de todas as nações.

É importante, queridos amigos, aprender a escutar os signos com os quais Deus nos chama e nos guia. Quando se está consciente de estar-se guiado por Ele, o coração experimenta uma autêntica e profunda alegria, acompanhada de um desejo vivo de encontrar-Lhe e de um esforço perseverante de segui-Lo docemente.
“Entraram na casa, viram a criança com sua mãe, Maria” (Mt 2,11). Nada de extraordinário a primeira vista. Entretanto, aquela criança era diferente das demais: é o filho primogênito de Deus que se desfez de sua glória (cf. Fl 2,7) e veio a Terra para morrer na Cruz. Desceu entre nós e se fez pobre para nos revelar a glória divina que contemplaremos no Céu, nossa pátria celestial.
Quem poderia ter inventado um signo de amor maior? Permanecemos extasiados ante o mistério de um Deus que se humilha para assumir nossa condição humana até imolar-se por nós na cruz (cf. Fl 2,6-8). Em sua pobreza, veio para oferecer a salvação aos pecadores. Aquele que – como nos lembra São Paulo – “sendo rico, se fez pobre por amor de nós, para que todos sejam ricos por sua pobreza” (2Cor 8,9). Como não dar graças a Deus por tamanha bondade?

Analisando com fé o itinerário do Redentor desde a pobreza de sua Manjedoura até o abandono da Cruz, compreendemos melhor o mistério de seu amor que redime a humanidade. A criança, colocada suavemente numa manjedoura por Maria, é o Homem-Deus que veremos pregado na Cruz. O mesmo Redentor está presente no sacramento da Eucaristia. No estábulo de Belém se deixou adorar, através da pobre aparência de um recém-nascido, por Maria, José e o pastores; na Hóstia consagrada o adoramos sacramentalmente presente em corpo, sangue, alma e divindade, e Ele se oferece a nós como alimento de vida eterna. A santa Missa se converte agora num verdadeiro encontro de amor com Aquele que se doa inteiramente a nós. Não duvidem, queridos jovens, em responder-Lhe quando os convida “ao banquete de bodas do Cordeiro” (cf. Ap 19,9). Escutai-o, preparem-se adequadamente e aproximem-se do Sacramento do Altar, especialmente neste Ano da Eucaristia (outubro de 2004 a outubro de 2005) que se quer declarar para toda a Igreja.

“E prostrando-se, Lhe adoraram” (Mt 2,11). Se a criança que Maria traz em seus braços os Reis Magos reconhecem e adoram como sendo o esperado por todos e anunciado pelos profetas, nós podemos adora-lo hoje na Eucaristia, e reconhecê-lo como nosso Criador, único Senhor e Salvador.
“Abriram seus cofres e lhe ofereceram dons de incenso, ouro e mirra” (Mt 2,11). Os dons que os Reis Magos ofereceram ao Messias simbolizam a verdadeira adoração. Por meio do ouro sublinham a divindade real; com o incenso o reconhecem como o sacerdote da nova Aliança; ao oferecer-lhe a mirra celebram o profeta que derramará o próprio sangue para reconciliar a humanidade com o Pai.
Queridos jovens, ofereçam também ao Senhor o ouro de sua existência, ou seja, a liberdade de seguir-lhe por amor respondendo fielmente ao seu chamado; elevem até Ele o incenso de sua oração ardente, para sua glória; oferecer-lhe a mirra é dizer o afeto cheio de gratidão a Ele, verdadeiro Homem.

Queridos jovens, a Igreja necessita de autênticos testemunhos para a nova evangelização; homens e mulheres cuja vida tenha sido transformada pelo encontro com Jesus; homens e mulheres capazes de comunicar esta experiência aos demais. A Igreja necessita de santos. Todos estamos chamados à santidade, e só os santos podem renovar a humanidade

Queridíssimos jovens encaminhados idealmente até Colônia, o Papa os acompanha com sua oração. Que Maria, “mulher eucarística” e Mãe da Sabedoria, os ajude em seu caminhar, ilumine suas decisões e os ensine a amar o verdadeiro, o bom e o belo. Que Ela os conduza a seu Filho, o único que pode satisfazer as esperanças mais íntimas da inteligência e do coração do homem.

Com a minha benção!
Castelo Gandolfo, 06 de agosto de 2004.

JOÃO PAULO II

CARTA DO PAPA AOS JOVENS

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Em profundo sinal de respeito, triste pela morte do nosso querido Papa, publico para vocês parte da carta que o Santo Pe. Papa enviou aos jovens, em agosto de 2004, e que por felicidade, minha amiga Flávia pode receber das mãos dele, quando esteve em Roma, no exato mês.
Esta carta é um convite do Papa para os jovens do mundo inteiro participarem, em agosto, da Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá em Colônia, na Alemanha.
Em outra oportunidade, num congresso que participei da Juventude Feminina de Schoesntatt, em Londrina/PR, no ano de 2000, ouvi uma palavra do Papa escrita diretamente para nós, jovens. Assim ele dizia:
“Jovens do mundo inteiro, tenham a santa ousadia, de serem os santos do novo milênio”.
Não foi por acaso que Karol Wojtila foi escolhido para ocupar o cargo de Papa, membro superior da Igreja, não era adorado apenas pelos católicos, mas por toda uma infinidade de fiéis em Cristo.
Agora ele está com Deus!
Beijos a todos, Lú
MENSAGEM DO PAPA A COLÔNIA 2005: A IGREJA NECESSITA DE SANTOS

O Papa João Paulo II afirmou que “a Igreja necessita de santos” para renovar a humanidade para que esta, consciente, guie os jovens do mundo em seu caminho à próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que realizar-se-á em agosto de 2005, na cidade de Colônia, na Alemanha, que terá como tema: “Viemos Adorar-te” (Mt 2,2)

Eis alguns trechos da carta do Papa aos jovens:

“Queridíssimos jovens:

Este ano celebramos a XIX Jornada Mundial da Juventude meditando sobre o desejo demonstrado por alguns gregos que, pelo motivo da Páscoa, chegaram a Jerusalém, dizendo: “Queremos ver Jesus” (Jo 12,21). Agora nos encontramos a caminho de Colônia, onde acontecerá, em agosto de 2005, a XX Jornada Mundial da Juventude.
“Viemos Adorar-te” (Mt 2,2): este é o tema da próxima JMJ. Este tema permite que os jovens de cada continente recorram idealmente ao itinerário dos Reis Magos, cujas relíquias são veneradas, segundo uma tradição da Igreja naquela cidade alemã, e que possam encontrar, como eles, ao Messias de todas as nações.

É importante, queridos amigos, aprender a escutar os signos com os quais Deus nos chama e nos guia. Quando se está consciente de estar-se guiado por Ele, o coração experimenta uma autêntica e profunda alegria, acompanhada de um desejo vivo de encontrar-Lhe e de um esforço perseverante de segui-Lo docemente.
“Entraram na casa, viram a criança com sua mãe, Maria” (Mt 2,11). Nada de extraordinário a primeira vista. Entretanto, aquela criança era diferente das demais: é o filho primogênito de Deus que se desfez de sua glória (cf. Fl 2,7) e veio a Terra para morrer na Cruz. Desceu entre nós e se fez pobre para nos revelar a glória divina que contemplaremos no Céu, nossa pátria celestial.
Quem poderia ter inventado um signo de amor maior? Permanecemos extasiados ante o mistério de um Deus que se humilha para assumir nossa condição humana até imolar-se por nós na cruz (cf. Fl 2,6-8). Em sua pobreza, veio para oferecer a salvação aos pecadores. Aquele que – como nos lembra São Paulo – “sendo rico, se fez pobre por amor de nós, para que todos sejam ricos por sua pobreza” (2Cor 8,9). Como não dar graças a Deus por tamanha bondade?

Analisando com fé o itinerário do Redentor desde a pobreza de sua Manjedoura até o abandono da Cruz, compreendemos melhor o mistério de seu amor que redime a humanidade. A criança, colocada suavemente numa manjedoura por Maria, é o Homem-Deus que veremos pregado na Cruz. O mesmo Redentor está presente no sacramento da Eucaristia. No estábulo de Belém se deixou adorar, através da pobre aparência de um recém-nascido, por Maria, José e o pastores; na Hóstia consagrada o adoramos sacramentalmente presente em corpo, sangue, alma e divindade, e Ele se oferece a nós como alimento de vida eterna. A santa Missa se converte agora num verdadeiro encontro de amor com Aquele que se doa inteiramente a nós. Não duvidem, queridos jovens, em responder-Lhe quando os convida “ao banquete de bodas do Cordeiro” (cf. Ap 19,9). Escutai-o, preparem-se adequadamente e aproximem-se do Sacramento do Altar, especialmente neste Ano da Eucaristia (outubro de 2004 a outubro de 2005) que se quer declarar para toda a Igreja.

“E prostrando-se, Lhe adoraram” (Mt 2,11). Se a criança que Maria traz em seus braços os Reis Magos reconhecem e adoram como sendo o esperado por todos e anunciado pelos profetas, nós podemos adora-lo hoje na Eucaristia, e reconhecê-lo como nosso Criador, único Senhor e Salvador.
“Abriram seus cofres e lhe ofereceram dons de incenso, ouro e mirra” (Mt 2,11). Os dons que os Reis Magos ofereceram ao Messias simbolizam a verdadeira adoração. Por meio do ouro sublinham a divindade real; com o incenso o reconhecem como o sacerdote da nova Aliança; ao oferecer-lhe a mirra celebram o profeta que derramará o próprio sangue para reconciliar a humanidade com o Pai.
Queridos jovens, ofereçam também ao Senhor o ouro de sua existência, ou seja, a liberdade de seguir-lhe por amor respondendo fielmente ao seu chamado; elevem até Ele o incenso de sua oração ardente, para sua glória; oferecer-lhe a mirra é dizer o afeto cheio de gratidão a Ele, verdadeiro Homem.

Queridos jovens, a Igreja necessita de autênticos testemunhos para a nova evangelização; homens e mulheres cuja vida tenha sido transformada pelo encontro com Jesus; homens e mulheres capazes de comunicar esta experiência aos demais. A Igreja necessita de santos. Todos estamos chamados à santidade, e só os santos podem renovar a humanidade

Queridíssimos jovens encaminhados idealmente até Colônia, o Papa os acompanha com sua oração. Que Maria, “mulher eucarística” e Mãe da Sabedoria, os ajude em seu caminhar, ilumine suas decisões e os ensine a amar o verdadeiro, o bom e o belo. Que Ela os conduza a seu Filho, o único que pode satisfazer as esperanças mais íntimas da inteligência e do coração do homem.

Com a minha benção!
Castelo Gandolfo, 06 de agosto de 2004.

JOÃO PAULO II