CIDADE JARDIM

Padrão

Hoje me deu vontade de falar sobre a minha cidade. Já escrevemos um bocado sobre ela por aqui, como nos textos sobre o Mercado Central, a Feira de Artesanato da Av. Afonso Pena, o clima, alguns restaurantes legais, as mulheres mineiras, os patrimônios históricos, nosso modo de falar, entre muitos outros “causos”.

A questão é que este final de semana ocorreu um evento muito legal por aqui, o Mercado das Pulgas, que este ano foi na Casa do Conde de Santa Marinha, e estive lá no domingo pra conferir. No Café do Conde, vi uma foto que me chamou muito a atenção: a Avenida Afonso Pena, em vista aérea, em fotografia datada dos idos de 1940… Era só árvores frondosas, que ocupavam as duas margens da avenida e cobriam quase toda a pista com sua copa! Que maravilha! Lembrei-me então de como é hoje, com seu canteiro central único, com arvorezinhas fracas e mal tratadas…

E aí a minha mente viajou. Imaginei-me andando por aquela avenida, muito antes de ter sonhado em nascer, sentindo a brisa fresca das manhãs de outono, observando o céu azul e sem nuvens da minha capital… Os homens andando de chapéu e bengala, as mulheres de vestidos longos e luvas… Bondinho, charretes, os primeiros automóveis… A capital era a própria “Cidade Jardim” (elogio que comparava BH a Paris)!

Back to 2005, lembrei da Avenida Prudente de Morais, que antes (na época da Afonso Pena sombreada pelos fícus), entre Cidade Jardim e Santo Antônio, era apenas mais uma avenida residencial. Hoje em dia – saiu até uma matéria no caderno Divirta-se do Estado de Minas de umas semanas pra trás – está carregada de lojas comerciais, e muitos, muitos barzinhos com mesas e cadeiras na calçada. Um casal de amigos paulistas esteve aqui conhecendo a cidade, e fomos num desses bares com eles no sábado à noite. Sinceramente, EU NÃO RECOMENDO.

Infelizmente, uma das coisas mais tristes e chatas que existe hoje (pelo menos que eu saiba é assim desde que eu nasci) é a questão dos meninos de rua. Imagina você lá, tomando sua cerveja gelada, de 5 em 5 minutos chega alguém assim meio que por trás, te oferecendo balas, chicletes, flores, brinquedinhos, ou então te pedindo “um trocado”. Acho isso algo extremamente desagradável, e de muito mau gosto. Não volto mais lá, juro. É um absurdo, porque os donos dos bares não fazem nada, nem pra ajudar (de alguma forma) os meninos, nem pra alertar a Prefeitura (pra ela fazer alguma coisa). Eles ficam andando livremente entre as mesas, tentando vender ou ganhar alguma coisa. Sabe o que é o pior? Provavelmente seus pais estão lá nas ruas também, “guardando” os carros e “arrecadando” o dinheiro que os filhos ganham, tarde da noite, isso pra não dizer o pior.

Está aí uma coisa que não devia existir na BH da primeira metade do século XX. E está aí uma coisa que não devia existir em lugar ou época nenhuma do mundo. Lugar de criança ou é na escola, ou é em casa, brincando ou dormindo.

No entanto, é uma pena que as coisas estejam deste jeito. Queria poder fazer alguma coisa além de NÃO dar dinheiro a essas pessoas, numa tentativa infeliz de tentar acabar com essa situação. Queria que a minha cidade voltasse a ter belos jardins, como os da Praça da Liberdade, constantemente cuidados, que parassem de jogar o lixo no meio da rua, que não cortassem mais belas árvores como eram as da Afonso Pena… Enfim, queria tantas coisas pra esta cidade tão linda (que não é o Rio, mas é maravilhosa também)!

Mas a única coisa que eu posso fazer, é amá-la deste jeito, e tentar mandar uma mensagem a todos vocês, que lêem diariamente (ou não) “o Mineiras, Uai!”, para que cobrem das autoridades com mais veemência, em suas cidades, em BH, onde for.

Um grande beijo a todos,

Ana Letícia.


A Praça Sete e a Avenida Afonso Pena, em 1930. Esta foto é do Fotoblog “Belo Horizonte Antiga“, vale à pena ir lá conferir as outras fotos.
Anúncios

Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

COMENTE!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s