Quando um é bom

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Por: Bela

Nós, humanos, temos uma péssima mania: a de não nos contentarmos com o que podemos ter. Já surgiram várias teorias que tentaram explicar essa síndrome do “eterno insatisfeito”, mas nenhuma chegou a uma conclusão significativa. No entanto, sempre constatamos os efeitos dessa insatisfação que nos atinge nos atos mais corriqueiros do dia a dia.

Vai tomar uma bola de sorvete? Assim que acaba, pensamos: Ah, eu quero mais! Voltou ao trabalho depois de um mês de férias? Ah, preciso de mais férias! Chegou domingo à noite e a musiquinha do fantástico teima em não desgrudar do seu cérebro? Ah, bem que o fim de semana podia ter três dias!

Não tem como fugir, sempre que uma coisa nos agrada, nos proporciona algum tipo de prazer, somos impulsionado por um sentimento de ganância que não nos deixa ficar satisfeitos e nos impulsiona a querer sempre mais.

Então, surgiu a sabedoria popular – às vezes nem tão sábia – que criou, não se sabe de onde, como, e muito menos porquê, a máxima: um é pouco, dois é bom, três é demais. Não sei se esta máxima é uma expressão de repúdio ao exagero, mas como eu tenho a mania de tentar descobrir o que tem por trás das expressões populares, e para minha alegria – já que um dos meus grandes prazeres é justamente contradizer a sabedoria popular – descobri que isso não é lá muito correto! Aliás, generalizar nunca é bom, e sempre pode nos colocar em grandes enrascadas. Não podemos, também, desprezar uma grande lição: tudo é relativo, e em toda história, tem um lado bom e um lado ruim. É assim mesmo: vivendo e aprendendo! Por isso, às vezes um é bom, dois é pouco, e três é demais, mas às vezes, um é demais, dois é bom e três é pouco. Existem até situações em que um é pouco, dois é demais e três é bom! Bom, chega dessa ladainha e acompanhe comigo, caro leitor, algumas das minhas conclusões:

Quando um é bom

Cereja no sundae. Ora, a cereja foi colocada ali para coroar a sobremesa, não teria a menor graça se fosse mais de uma!

Namorado. Se um dá trabalho, imagina dois, ou pior, três? Humanamente inviável.

Estagiário. O que você não está a fim de fazer ele está lá para resolver o problema.

Quando um é pouco

Final de semana. Deveriam vir em dupla, ou emendar de vez em quando. Só para a gente parar de ficar esperando por eles durante os outros 5 dias da semana (porque sexta e sábado são os únicos dias em que nos livramos desse pensamento).

Perfume. Tem que ter um para cada ocasião! Um pra sair à noite, um para trabalhar, um para os dias quentes, um para dias frios, um para ocasiões especiais, um para ocasiões especialíssimas. Isso não é desculpa para consumismo não, é necessidade mesmo!

Estagiário. Depois de ter um desses, nunca mais se vive sem, e sempre se quer mais.

Quando um é demais

Menudo – sei que eram quatro, mas um já era demais, não acham?

Celular. Toca na hora em que você não pode ou não quer atender, e sempre que você precisa dele, acaba a bateria.

Irmão. Não merece explicação.

Quando dois é bom

Avós. Enquanto a especialidade de uma é bolo de laranja, a da outra é geléia de goiaba. Tem melhor combinação?

Ouvidos. Um de cada lado da cabeça. Assim funciona bem demais. Agora, imagina se a gente tivesse um terceiro para limpar? Eu não dou conta!

Manicure. Enquanto uma faz as unhas do pé, a outra faz as unhas da mão. Tempo economizado em dobro.

Quando dois é pouco

Par de meia. Meias sempre deveriam vir em trio, porquê eu sempre perco um pé e a meia fica completamente inutilizável! Tenho uma gaveta cheia de meias sem par, e isso é um grande desperdício! Esta alternativa também pode ser válida para os brincos.

Estagiários. O que você não faz, um não dá conta de fazer e o outro enrola.

Quando dois é demais

Pernas. Na hora da depilação. Com cera quente. Ui!

Gêmeos.

Dupla sertaneja.

Quando três é bom

Dentes. Viveria feliz com três deles. Não sei porquê inventaram de colocar 32 aqui dentro, eu nem uso todos de uma só vez!

As meninas super poderosas. Elas dão conta de tudo.

Quando três é pouco

Ferrero Rocher. Eles vêm em trio no mesmo pacotinho, mas nunca são suficientes para saciar a nossa gula.

Estagiários. Nunca é demais. E quanto mais você tem, mais vai querer.

As mineiras uai, uai! E eu sou a maior prova disso! (brincadeirinha, gente!)

Quando três é demais

Trio Los Panchos. Essa é pleonasmo. Qualquer coisa que faça menção a música mexicana e a palavra “pancho” na mesma sentença não pode ser coisa boa, não importa se vem em dupla, trio ou sozinho.

III Reich.

Trigêmeos. Só espero não pagar língua…

Quando 1 é bom...
1 é bom, 2 é pouco e 3 é demais?
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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

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