NOSSO PORTUGUÊS VAI DE MAL A PIOR

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Concordo plenamente com vários estudiosos do português brasileiro que nossa língua é uma das mais difíceis de se aprender, se comparada ao inglês, francês ou espanhol. Possuímos três tempos verbais com vários modos de conjugação, que confundem nossa cabeça na hora de empregá-los. Além disso, as concordâncias nominal e verbal e a regência verbal parecem “bichos-de-sete-cabeças”. Calma, mas tudo isso poderia ser mais fácil do que se imagina…
Digo fácil porque se levarmos em conta que aprendemos o português desde nosso primeiro ano de vida, com aquelas palavrinhas básicas “papai”, “mamãe”, mesmo apelidadas de “papá” ou “mama”, e estudamos sobre nossa língua desde o jardim de infância, com certeza chegaríamos ao final do Ensino Médio falando impecavelmente. SERÁ???
No domingo, 24 de setembro, fazendo um dos meus “bicos”, apliquei prova do ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio – e fiquei horrorizada com o português do brasileiro que vai de mal a pior. Esta prova avalia os alunos e suas respectivas instituições de ensino, para saber como está a educação brasileira. Além disso, algumas faculdades e universidades utilizam o resultado do ENEM como forma de avaliação dos alunos no vestibular.
Estou longe de ser considerada um exemplo de pessoa que corretamente emprega o português no dia-a-dia, até porque, como uma boa mineira, perco algumas sílabas em minhas frases (mineirim, pequeninim, ocê…). Mas o mínimo de técnica numa prova de redação com certeza eu tenho. Sei que um bom texto se divide em introdução, desenvolvimento e conclusão, é o básico!
O tema da redação do ENEM era “o trabalho infantil na realidade brasileira”. Dos 50 alunos que fizeram prova na sala onde trabalhei, li a redação de 20 e, em notas de 0 a 10, só daria média para um aluno. Isso porque a maioria deles têm idéias, mas não sabem desenvolvê-las.
Ninguém fugiu do tema, mas apenas 02 não igualaram o tema ao título da redação. Fora os que deixaram a redação sem título, acho que uns 03. Bem, o pior não foi isso. Todos da sala tinham pelo menos 18 anos, então numa média, com certeza, cursaram nada menos do que 12 anos de ensino do português. E ainda escrevem mal… A análise sintática ainda é confundida com a análise morfológica… coitada da vírgula, sempre no lugar errado, separando o sujeito do predicado. A concordância verbal nem tinha lugar no texto, “porque a miséria e a violência é causa do trabalho infantil”. Dói ouvir isso.
A culpa é de quem???
– Do governo, porque não dá condições aos professores de lecionarem as disciplinas com eficiência e prazer. No ensino estadual de Minas inventaram uma tal de “Escola Plural”, onde o aluno que não estuda, passa de ano sem aprender nada. Não há mais reprovações. O que o governo quer é índice de estudo e não qualidade.
– Dos professores, porque não desenvolvem uma didática de ensino que prenda os interesses dos alunos. Além disso, com a violência e rebeldia nas escolas, os professores não tem mais interesse de ensinar como antigamente.
– Dos próprios alunos, que não se dedicam aos estudos na escola e em casa, e ainda pensam em se formar, em serem o futuro do país.
Que futuro é esse que eles almejam? Um futuro de analfabetos civis e políticos. Um futuro onde uma elite minoritária, que teve condições de freqüentar boas escolas particulares, terá o poder, e mais uma vez existirão excluídos.
Eu tenho dó do Brasil, porque deste jeito continuará com brasileiros desqualificados, sem emprego, sem condições de vida, porque o mínimo de educação básica escolar não lhes foi dado.

E o nosso bom e velho Português, vai acabar???.

Beijos a todos,

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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

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