TERROR NO EDIFÍCIO

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Um fato ocorrido na última sexta-feira no prédio em que resido, me chamou muito a atenção para duas coisas:
1. A violência está em qualquer lugar, não respeita credo, raça, lei ou idade;
2. A má distribuição de renda no nosso país gera constrastes sociais evidentes.
Vou explicar.
A filha de 14 anos de uma moradora aqui do prédio resolveu dar uma festa em nosso Salão de Festas para sua turma de colégio. Contratou D.J, fez os ingressos e vendeu para o pessoal da escola. Só se esqueceu de alguns detalhes: a) a norma de nosso condomínio é expressa quando diz que é proibido fazer festas com intuito comercial (ou seja, vendendo ingresso); b) a norma também é expressa quando diz que a reserva do salão deverá ser feita junto ao SÍNDICO do edifício, pelo PROPRIETÁRIO do apartamento, que deverá se responsabilizar por quaisquer danos e pela utilização do salão; e c) é proibido som alto após 22h no prédio, norma prevista não só em nossa Convenção, como também numa lei municipal chamada Estatuto da Cidade.
Que eu saiba, menina de 14 anos não pode ser PROPRIETÁRIA de imóvel, então a MÃE (ou pai) dela que deveria ter solicitado a reserva do salão para tais fins, etc e tal, ao SÍNDICO, que vem a ser meu querido e amado papai. É claro que não aconteceu nem uma coisa nem outra, e a menor de idade apenas “avisou” ao porteiro que iria dar uma festa naquele dia. O porteiro é tão inteligente que não repassou a mensagem prá nós, não perguntou nada de nada sobre a festa, e forneceu as chaves do salão prá “criança”. (Detalhe: na hora da festa, a mãe nem no prédio estava.)
Resultado: 22:45h, todo mundo querendo dormir, e aquela musiquinha que toca no programa Pânico na TV – no quadro da “Morte”, quando os caras fantasiados de “Morte” fazem “bunda-lêlê” pro pessoal nas ruas – tocando, na maior altura e sem parar, como se eu estivesse com o som ligado no meu quarto, “no talo”! Prá vocês terem uma idéia, nosso apartamento fica no 8º andar, e o salão, no 3º! Imaginem quem mora no 4º andar! Eu mal conseguia ouvir meus pensamentos! Papai resolveu descer até lá, prá saber o que estava ocorrendo, porque até então, a gente nem sabia se estava tendo festa, e de quem.
A menina, claro, ficou revoltada, tentando se esquivar, etc, mas a grosseria mesmo foi por parte do D.J., que não só recusava-se a abaixar o volume do som, como também desrespeitou meu pai, ameaçando-o inclusive de bater, etc, juntamente com um dos amiguinhos menores de idade bêbados (detalhe) da “dona da festa”. Onde já se viu desrespeitar um senhor (porque apesar de ter a cabeça jovem, meu pai tem mais de 50 anos, não posso negar), ameaçar de bater nele (muito mais fraco que qualquer jovem de 20 e poucos anos), só porque ele estava solicitando, na maior educação que o som da festa não atrapalhasse o sono de quem não tinha nada a ver com a balbúrdia!? Pois foi isto mesmo que aconteceu, levando meu pai a ter uma atitude mais enérgica e acabando com a festa imediatamente, sob pena de chamar a Polícia para prender o cidadão por desacato e ameaça. Choradeira, gritaria, etc, concordaram em ir embora. (Detalhe que a essas alturas, já passavam das 23:30h.)
Eis que meu pai resolve ir falar com o porteiro, e qual não é o seu susto ao encontrar, no portão de acesso ao edifício, mais de 50 pessoas tentando forçar a abertura do portão, brigando com o porteiro!? E o pior, gente: a maioria das pessoas que estavam no portão, era muito mal-encarada, mal-vestida, e aparentava marginais mesmo (deviam até estar armados) – uma vez que há uma favela perigosa não muito longe de casa. Eu e minha mãe olhando pela janela, horrorizadas, meu pai sem acreditar naquela visão dos infernos, e até a menina, que até então brigava com meu pai prá continuar a festa, calou a boca e se desesperou ao ver tantos marginais com (e sem também) o ingresso prá “Festinha” na mão!
A Polícia foi chamada através do 190 imediatamente. Vocês acham que alguém chegou? Nem um pê-emezinho montado a cavalo apareceu prá contar história, não nas próximas 3 horas que se seguiram.
Após um bom tempo, chega um carro de outra moradora do edifício, e o porteiro teve que abrir prá ela entrar, e coisa óbvia, os marginais entraram junto! Foram para o salão, eu e mamãe tremendo de nervoso, nesta hora papai já tinha subido prá falar com a gente e ligado mais umas 2 vezes prá PM, e o porteiro indefeso nada podendo fazer. Recomeçaram a festa, religaram o som, começaram a beber, etc. A menina ficou um tempão fazendo escândalo com o porteiro, mas ao ver que o pessoal estava recomeçando a gostar de sua “festinha”, retornou para o salão de festas.
Quando ela percebeu que a bagunça irira recomeçar, pediu aos presentes que fossem embora, pois a PM chegaria a qualquer momento, etc. Só que foi aí que os marginais que invadiram o prédio a ameaçaram de roubar seus tênis, e invadir o restante do edifício, pois estavam com armas, e saquear todos os apartamentos.
Não sei na verdade o que aconteceu depois. Só sei que meu pai ficou na casa do vizinho do 6º andar, tentando falar com os outros moradores do prédio que se precavessem, e ligassem também à Polícia.
Parece que os marginais previram exatamente quanto tempo a PM demoraria para chegar, e acabaram indo embora (após beber e comer tudo, claro, fazendo muita gritaria de baixo-nível), e qual não foi a nossa surpresa quando, nem bem se passaram 5 minutos que eles tinham ido embora, quando um carro de polícia estacionou ao lado do prédio…
Só sei que, no fim, continuamos todos vivos e inteiros, apesar de termos ido dormir com ajuda de calmantes mais ou menos às 2:30h da madrugada.
Olha, eu não tenho preconceito contra pessoas que moram na favela. Eu tenho MEDO de quem, além de morar na favela, se utiliza do poder da massa para fazer mal a cidadões de bem. Nós nem ricos somos, não roubamos ou sobornamos ninguém, não promovemos a corrupção, e não passamos de vítimas de um sistema capitalista que só nos torna cada dia mais pobres, e os ricos cada dia mais ricos. Eu não me acho superior a ninguém só porque moro num edifício, num bairro bom da cidade, com elevador e salão de festas. Minha superioridade é intelectual e emocional, e nisto eu posso ser superior até mesmo ao Presidente da República, ao Ministro das Telecomunicações! Não é onde vivo que me torna melhor, mas a minha contribuição para o mundo, para a minha sociedade e comunidade. Graças a Deus eu tive oportunidade de estudar numa universidade pública (uma das melhores do Brasil). E agora estou contribuindo para a sociedade, trabalhando, estudando mais e pesquisando, tentando melhorar a Justiça e aproximar as leis do nosso povo.
Mas a violência não leva a nada, não faz ninguém melhorar de vida.
Pensem nisso quando saírem de casa para ir à escola, ou à faculdade, ou quando pegarem um táxi e almoçarem no shopping…
Agora, tirem suas próprias conclusões.
Abraços,
Ana Letícia.
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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

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