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Olhando nos Olhos

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Hoje, 14 de março, é o Dia Nacional da Poesia, criado em homenagem a Castro Alves.

Nos seus olhos” não foi o primeiro poema que declamei. Sempre gostei de brincar disso, mas nunca havia tentado em frente a uma câmera ligada apontada para mim – me sinto mais à vontade atrás das lentes.

O feito inédito foi presente do primo poeta João Lenjob,  projetando seu próximo livro, Verso Liso.

Mais sobre este e outros projetos no Castelo do Poeta.

Espero que gostem…

Ana.

Na Espera

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Na espera

Calor na alma
Calor seco
Ventila calor
Ventila dor
Cadê o vento?
Se foi.
Casou com o sol
E nem me olha mais.
Apago as luzes pra ver se ele vem,
Mas o calor continua
Calo na alma
Calor na calma
E a cama me chama:
Vem dormir!?
Sonhar com o vento,
Com a chuva que não vem…
Vem cair na grama
Sem grana
Sem sentir e sem descansar
Cansada do ranso
Do banzo
Do banjo a tocar
Me jogo n’água
Tiro a anágua debaixo da saia
E me abano com palha
Até o fogo pegar.

Ana.

 

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Poesia em você

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Kibe poético

Não precisa ser poeta
Para ver poesia em gente, coisa, passarinho, avião…
Traduzir em palavras o sentir
O pensar
O gostar
É simples!
É só não se deixar constranger
É deixar fluir
Pensamentos que vêm e vão
Um mar de letras
O vai e vem da rede
Sentindo a brisa que vem de ti…

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Segundas Impressões

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Ontem eu vi um eremita carregando sua casa nas costas.
Andava cambaleante, claudicando rua afora.
Justo onde não se vê pobreza (marginalizada, afastada e excluída do plano).
Um avião que se pilota em duas torres e dois pratos, de onde se ignora os que estão aos seus pés.
É logo ali, onde a cidade dorme, no buraco do tatu, que se escondem pedras, fumos, ternos e mendigos.
Sujos, lutam por mais um pouco de vício que os sustentam no ar e levam para outros caminhos.
A viagem dura pouco, é barata, é imunda.
E o eremita a tatear, procurando o chão e um lugar para cair e se esticar.

Ana.

Texto e foto: Ana Letícia.

Xis

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Fecha os olhos
Chiado miado contido
Chia no meu rosto
Roxo
Chega chorando
Chama por mim
Chia
Quer chantagem
Chiado manhoso
Manchado
Clama por manchetes
Chama por coquetes
Xinga a chuva
Sai na rua
Café com chocolate
Chope e chimpanzé
Chispa chiando
Chega a hora
De ir embora
Tanto chiou
Caiu
Chorou
Coração ficou
Chamando por ti.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

5.000 minutos

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(Versão em Português para “5.000 minutes“)

Fibras

Gosto de mel e gotas de chuva
Cheiro de flores do campo e grama molhada
Minha casa chama por meu nome
Escrito em pétalas por gotas de orvalho douradas
Como medalhas de metal que flutuam em seu mar
Azul e branco

Às longas conversas
Brindarei
Ao longo beijo
Direi:
5.000 minutos não são o bastante
5.000 beijos são o que eu quero
A cada noite
A cada raio de sol
Até o vento varrer a alma
E a lua sussurrar frias palavras de prata
E a noite pular de fora de seus sonhos

Até lá
Brilhante e calma em seus braços
Um pequeno inseto clamando por uma gota
Apenas um gostinho
De mel…

Gosto de mel…
Muito mais doce que vinho.

Ana.

(texto e foto)

O Espantalho

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Som na caixa:

Remexendo em meus guardados e velharias, encontrei muitas coisas… Agendas cheias de adesivos e confissões de adolescente (só besteira, sem comentários), desenhos, (semi) projetos de quartos e casas nunca construídos, fotos do Mikhail Barishnikov, autógrafos dos Titãs e da Ana Botafogo, telefones de todos os colegas do colégio, da faculdade, do ballet, do inglês, professores de piano, galera do volley, do handball e do time de futebol feminino…
Cartas, muitas cartas… de amigos que moraram fora do país; de amigos só de carta mesmo (que nunca vi na vida), de ex-namorados, de admiradores (hã-hã); cartões de aniversário, de despedida, postais; convites de casamento, de formatura, de festas de 15 anos (saudades dessa época!); fitas de vídeo, de toca-fitas, CD’s e tudo mais… (sim, guardo tudo, e é muita, muita coisa!)

Mas o que mais gostei de achar foram 16 páginas manuscritas – por mim mesma – guardadas bem no fundinho de uma das pastas… Há tempos eu pensava sobre aquelas folhinhas, me lembro perfeitamente do dia em que as escrevi, há quase 07 anos atrás, linha após linha, no meio da madrugada! Eu era uma menina ainda, assustada, mas ainda assim imponente, me achava meio perdida entre o mundo adulto e a adolescência meio tardia, inconseqüente demais e responsável – também demais – tudo ao mesmo tempo, e com a vida inteira pela frente, mas me acabando pouco a pouco, insistindo em histórias malucas, roupas estranhas, idéias fixas e com medo de ser adulta (mas já o sendo, em tantos outros sentidos).

Não contarei aqui o que aconteceu naquele dia, o que me fez escrever 16 páginas seguidas, sem parar, acordando no dia seguinte com a mão calejada e dolorida, a caneta em cima da cama e muitas folhas de papel esparramadas por todos os cantos… Minha cabeça roda, roda, roda, e não chego a lugar nenhum, mas só sei que me lembro de tudo, e minhas antigas emoções vêm à tona e se confundem com a mente e com os sentimentos da mulher que sou agora, 07 anos depois.

Mas isto eu compartilharei com vocês:

O ESPANTALHO
Olhos que não vêem
Mãos que não tocam mais
Um dia tocaram sim
A música do acaso
O tecido aveludado…
Será verdadeiro?
O sentido, do tecido, do cheiro?

Na fotografia, retrato atordoado
De olhos amendoados
Esconderijo do menino assustado
Espantado
Espantalho.

O homem de lata queria um coração, e eu só pensava em ir pra casa…

Pela estrada dos tijolos amarelos
Andei
Chorei
Me conformei
Mas a pergunta ainda estava no ar
Junto com outras ocultas palavras
Carregas contigo?
Minhas cartas, onde estão?
Onde vão suas mãos, que não posso ver?
Onde miram seus olhos, que não os posso ter?

És atração para os corvos,
Espantalho
Menino assustado
Não temas aqueles que te mutilam,
São eles a razão de sua existência.

(Belo Horizonte, 23/05/2000, 02h 18m)

Ana.

Ps.: O lindo desenho do espantalho que ilustra o poema acima foi feito por Sara Neves, de 11 anos, “diretora” do site “Biblioteca Vila Deanteira“.

Mulheres e Mineiras

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Pessoas,

Ontem teria sido meu dia de publicar algum texto por aqui. Mas isso não vem ao caso, pois sexta-feira era dia da Donária e a mesma se esquivou de seus afazeres também (mais uma vez…). A verdade é que lembrei-me do dia de hoje – 08 de Março – e achei melhor escrever algo no Dia Internacional da Mulher, uma vez que representamos toda uma “classe” de mulheres e mineiras no mundo “bloguístico”. (Mentira, é que ontem não tive tempo mesmo!)

Pra variar, falta-me inspiração… Mas não é preciso apenas 10% de inspiração e 90% de transpiração??? Vai ver que estou é preguiçosa mesmo…. Ah, mas hoje é meu dia, então posso, certo?

Recebi este texto lindo do Iunes Salomão, amigo e ex-colega da turma de faculdade, e tomei a liberdade de publicá-lo aqui, ainda que sem o consentimento dele (por favor, Iunes, não venha me cobrar direitos autorais, heim?).

Mulheres

Em quantas faces se enconde,
a beleza da mulher?
Esta pergunta não se responde,
nem o mais sábio sequer.

A mulher é ímpar,
em qualquer condição.
Faz do grotesco seu par,
e das “tripas, coração”.

Procura sempre o caminho,
mesmo estando na pobreza.
Com equilíbrio e carinho,
na alegria e na tristeza.

Carrega o filho no ventre,
depois o carrega nos braços.
Nos seios ela o nutre,
ensina-lhe os primeiros passos.

Ninguém no mundo é tão hábil,
em amar com tanta entrega.
A mulher, sexo frágil,
o mundo inteiro carrega.

Dona de casa e profissional,
procurando o sustento dos seus.
Força e raça excepcional,
Dom dado por Deus.

Há sempre aqueles que desprezam,
tamanha dedicação.
Na verdade eles invejam,
tanta aptidão.

Reflexos da Virgem Maria,
anjos, na terra encarnados.
Dos homens, amiga e guia,
herdeira de Sacros legados.

Parabéns, Mulheres pelo seu dia!

Iunes Salomão
08/Março/2005

Em compensação, Alessandro Franco, outro membro de nossa comunidade de ex-colegas da Fac. Direito da UFMG, me mandou isso:

“Prezados,

Hoje, dia internacional da mulher, resolvemos tecer algumas considerações sobre as causas de existir o dia internacional da mulher, enquanto todos os demais são os dias internacionais dos homens.

Vocês acham que é fácil ser homem?

1) Quem é obrigado a erguer os pés quando ela está fazendo faxina?
R: O prestativo homem!

2) Quem se veste como pingüim no dia do matrimônio?
R: O humilde homem!

3) Quem é que, apesar do cansaço e do stress, jamais poderá fingir um orgasmo?
R: O sincero homem!

4) Quem é obrigado a sustentar a amante esbanjadora?
R: O abnegado homem!

5) Quem se expõe ao stress por chegar em casa e não encontrar a comida quentinha, as crianças com o banho tomado, a roupa lavada, a cozinha limpa e o drink já posto sobre a mesa?
R: O doce homem!

6) Quem corre o risco de ser assaltado e morto na saída da boate, cada vez que participa dessas reuniões noturnas com os amigos, enquanto a mulher está bem segura em casa na sua caminha?
R: O desprotegido homem!

7) Quem é o encarregado de matar as baratas da casa?
R: O valente homem!

8) Quem segura a ´´cauda do rojão´´ quando chega em casa com marca de batom na camisa e é obrigado a dar explicações que nunca são aceitas?
R: O incompreendido homem!

9) Quem é que toma banho e se veste em menos de vinte minutos?
R: O ágil homem!

10) Quem é que tem de gastar consideráveis somas em dinheiro comprando presentes para o dia das mães, da esposa, da secretária e outras festas inventadas pelo homem para satisfazer à mulher?
R: O dadivoso homem!

11) Quem jamais conta uma mentira?
R: O ético homem!

12) Quem é obrigado a ver a mulher com os rolinhos nos cabelos e a cara cheia de cremes?
R: O compreensivo homem!

13) Quem tem que passar por uma TPM calado todo mês?
R: O calmo homem!”

Brincadeiras de parte, fica aqui a homenagem de 3 mulheres, mineiras, a todas as mulheres do mundo, lembrando de nosso importante papel na sociedade de hoje, como profissionais, mães, irmãs, donas-de-casa, namoradas, esposas… E quem é que disse que não dá pra “chupar cana e assoviar” ao mesmo tempo?

Ana Letícia