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SOUL

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Joaninha

Sou fada, sou bicho, sou alado passarinho, sou minha mente, minha alma, minha gêmea, minha sina. Joaninha, boneca de louça, coração-corpo-mente-pulsação. Quente soul… E.T?


Sou preguiça de malandro, sou Jorge na Lua nua, sou cálida noite em lago espelhada.

Sou um raio de sol a iluminar os passos do menino num domingo no pasto, no vasto mundo…


Sou Raimundo? Joaquina, Roberto e João? Sou Mariazinha e sou Pedro, que amava Tereza, que se jogou do precipício por não saber enxergar que abaixo de seus pés está o caminho, e que basta caminhar.

Ana.

(texto e foto)

e…?

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e a curiosidade?

e a vontade de saber o q vai acontecer?
e a ansiedade?
e a vontade de pegar o telefone e ligar?
e marcar um horário e ir?
e a vontade de ouvir?
e a vontade de ouvir o que eu quero ouvir?
e a vontade de sumir e parar de suspirar?
e o medo de surtar?
e o ódio de não conseguir parar de pensar?
e a loucura que é pensar?
e acreditar?
e não saber o que fazer?
e escolher?
e sentir?
e saber quando?
e saber como?
e saber onde?
e viver?

ah… cansei.

Ana.

(texto e foto: “vertigem“)

Nada mudou…

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Sem cabeça
Está tudo igual. Nenhuma nuvem fora do lugar. Nenhum suspiro de brisa a envolver, nenhuma gota salgada para afogar. Os livros continuam os mesmos, empilhados no criado mudo. Este continua imóvel e sem palavras, subserviente e submisso aos desígnios de sua concepção. A cama há muito não é arrumada, e a porta do armário, entreaberta, denota a bagunça mental em que se encontra a dona de tantos objetos cármicos e inspirados.

Estava assim quando ela se foi. Está assim quando voltou. Estará assim quando partir novamente para mais uma aventura desaventurada dos desejos, desarranjos e desenhos de caracóis e caramelos. E assim deixará seu corpo estender no tapete, e ele então flutuará por entre as nuvens, as mesmas nuvens iguais, em seus devidos lugares. E é como se o vento não ventasse… Pois se tudo igual está, o tempo não passa a lua não vem o dinheiro não basta e a noite se faz dia como que num piscar de olhos.

E é neste mesmo micro-instante que sua vida esvai. É nesta migalha de momento, neste abrir e fechar quase que imperceptível de pálpebras, que reside o valor de sua ínfima vida humana no pulsar gigantesco dos pulsos da humanidade, nos bilhões de anos de Planeta Terra.

“Mudaram as estações, nada mudou. […]
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou.”

(Por Enquanto – Renato Russo)

Ana.

(foto: auto-retrato “sem cabeça“)

Meu mundo…

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A natureza é exótica
O que dizer aos fracos?
É o mesmo que diria aos fortes?
É o mesmo que se faz quando cai a noite e você, calada e sozinha no escuro do seu ser, se joga na cama dos devaneios envolta num cobertor de pena, dúvida, e lamentações?
Aos fracos, uma pitada de pimenta.
Aos fortes, licor de maracujá.
À noite, um bom livro, taça de champagne e fogo para o incêndio atear.
Se sou forte ou fraca, se sou escura ou vazia, se sou um muro de auto-estima que se move em carrossel, não importa. Nada disso importa.
O meu mundo é só meu. E ai de quem quiser pisar nele.

Ana.

(texto e foto)

menino

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Menino
menino do rio
tomei esta foto como um beijo
menino do rio
teu coração é um flerte
de coisas boas e intensas
menino do rio
tome estas linhas como uma carícia
uma carinha de felicidade
um sorriso e um beijo
um queijo
um doce de leite
um afago com cafuné
menino do rio
não fiques triste
há tanto para viver
oh! menino do rio
não chores mais
menino não chores assim
menino do rio
te dou cheiro de chuva, de pão assado
perfume de baunilha e jasmim
boca, voz rouca, alecrim e aipim
frito ou amassado
você escolhe
menino do rio
eu te quero tanto
e tão bem
menino do rio
o vento gelado já vem
o que te provoca arrepios
é o mesmo que te sopra a alma
te infla de vida
e te faz viver.

Ana.

(poema + foto)

E lá vou eu

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niemeyer 184

Sou jovem, sim, pessoas passaram por mim. Sim, sou madura até demais, muitas vezes. Noutras, sou infantil como uma menina de 7 anos. Sim, sofri. Sim, vivo minha vida com plenitude. Sim, falo palavrão, e sim, me arrependo depois de proferi-los. Não, não tenho medo de errar, de jogar, de cair. Eu me levanto, eu quebro a cara, e dou a outra face.
Sim, já experimentei muita coisa, já fiz coisa certa, já fiz coisa errada. Já sofri conseqüências, já odiei, já fui odiada. Já fiz sofrerem por mim, já sofri pelos outros, sofri com os outros, já me preocupei. Não me deixo de preocupar. Preocupo-me com quem eu gosto, gosto de graça, nem sempre gosto de quem me gosta, gosto de cuidar, de ser cuidada.

Penso muito, faço muito. Sou dualidade, paixão e razão. Eterno conflito. No geral, sigo meu coração, e lido bem com isso. Ouço minha intuição, e então meu coração fala mais alto, bate mais forte, ensurdecedor. Nem sempre sigo minha intuição. Mas sei que deveria. E intuição nada tem a ver com razão. A razão é o contrário disso tudo. É lógica, fria e matemática. Definitivamente, são raras as vezes que dou ouvidos à razão. Deveria mais?

Sou jovem, sim, mas já vivi muito, nesta contradição louca entre juventude e vivência. E vivo ainda, até a última gota. Tenho esperanças infinitas. Viajo em meus pensamentos, em minhas palavras, provocadas pelas suas, pelos sons, por um telefonema, pelo sorvete, pelo remédio, por um amor Grand’Hotel.

Aponto para o céu e vôo alto.
E lá vou eu. De ponta cabeça.
Mais uma vez.

Ana.

Quero

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Quero beber
Quero dormir
Quero esconder
Quero sentir
Quero amar
Quero sumir
Quero sonhar
Quero curtir
Quero espairecer
Quero sair
Quero ir embora
Quero apagar
Quero ser
Quero crescer
Quero aparecer
Quero parar
Quero descer
Quero acreditar
Quero ter
Quero querer…

Ana.

(foto e texto)

Conversinhas hipotéticas (ou não)

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– O que faz acordada até essa hora?
– Penso em ti, oras.
– E por quê?
– Não consigo parar de pensar naquele assunto… Não pode ser verdade…

[…]

– Agora que você já sabe de meus segredos, não pode mais rir de mim!
– [risos]
– Eu falei que não poderia rir!
– [risos]

[…]

– Oie!
– Oi.
– Tudo bem?
– Beleza pura. E aí?
– Tudo ok.
– Humm. Então tá.

[…]

– Bom dia! Tudo bem?
– Querendo ficar… Aliás, já estou quase bom. Aquela parada do triângulo amoroso do signo está dando certo, aparentemente…
– Ahn?
– É, do e-mail que você me mandou.
– Ah é? Triângulo? Então cê arrumou outra?
– Outra, como? Se nem tenho uma?
– Eu heim…

[…]

– Você me viu on-line hoje de manhã?
– Não.
– Ok… estranho…
– Nem teria como, eu não entrei no MSN de manhã.
[risos]
– Ah tá. É que acho que clonaram o meu então.
– Eita.
– Pois é.

[…]

– Estou de cara até agora com a tal história.
– Pois é.
– Eu não consigo parar de pensar nisso.
– E eu então???
– Como é possível?
– Não sei. Para mim é impossível.

[…]

Siempre que te pregunto / que cuando, como y donde / tu siempre me respondes Quizas, Quizas, Quizas
Y asi pasan los dias / y yo desesperado / y Tu, Tu contestando
Quizas, Quizas, Quizas

(Helmut Lotti – Quizas, Quizas, Quizas)

Ana.
(devaneios e foto.)

Grânulos

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O hoje parece eterno mas não é
O ontem parece hoje, que parece amanhã
E se o SE fosse real
Eu não seria eu, e sim Josefa
Um minuto seria eterno
E a eternidade duraria o tanto que quiséssemos.
E se o SE fosse legal
A vida seria uma latinha de sorvete
E nós… Ah! O granulado do brigadeiro…
Pergunte ao pó
Ao pé pelo caminho
Pergunte ao hoje que nem mais hoje é
Pergunte ao amanhã que nem bem chegou!
Olhe pro passado que te abraçou
Como se o SE fosse moral
E o hoje, vital.

Ana.
(texto e foto)

Vôo passarinho

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Gosto de ver o mundo de cabeça pra baixo, de me sentir livre, passarinhar.

Gosto de sentir a grama nos pés, o pé no chão, o cheiro da terra molhada e o perfume de sol e de lua.
Gosto da pele morena, do ouro, do loiro, do azul, do verde, da montanha e de curvas generosas.
Gosto de sentir pétalas no ar, espuma no mar, conchinhas na areia caprichosamente colocadas, uma a uma, por uma mão invisível.
Gosto da mão invisível.
Gosto do ser e do ter. Gosto de sentir e de fazer.
Gosto do tão e do são.
Do cão, do pão, da canção na cabeça, na mesa, no bar.
Gosto de estar agora, aqui.
E de ponta cabeça vejo o céu.
E de ponta cabeça vejo eu mesma, de cabelos em pé.
E de cabelos em pé, vejo nuvens que viajam de avião, acenam e dão as mãos.
Vôo passarinho…
Vou passarinhar…

Ana.

(Foto* : La Mariposa)

* Curiosidade: Sim, sou eu a modelo da foto, fazendo um salto de ballet… O cenário é o farol de Porto Seguro, Bahia, no Centro Histórico. 🙂