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João Lenjob: Sabe-Não Sabe

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Hoje nosso poeta publicou aqui uma prosa bem interessante… Você sabe do que eu estou falando? Pode até saber, ou não, quer dizer, você é quem sabe. Não sabe?

PPJL

Sabe-Não Sabe
Estamos no tempo do “sabe-não sabe”. No momento triste que não sabemos se ou quando podemos acreditar em quem oferece pifiamente seu interesse puro e inocente de governar, de representar. Chegamos num merecido ponto de não correspondência. O declínio chegou ao limite. Até então faltava ser vítima de esquerdistas.

Há pouco tempo atrás, nossos atuais políticos eram aqueles que fortaleciam e protegiam o lado popular, creditavam nossas esperanças e orientavam nossas cegueiras. Descobriram o buraco celeste brasileiro e omitiram os mensalões dos oposicionistas. Não sabemos ainda por quê, mas hoje temos certeza que houve sobretudo benefício com isso. Ao mudar de plano, literalmente de lado, foram-se as pessoas, nossos políticos, deixando só os seus postos, assim como seus ideais, mentiras, corrupções e promessas. No final, ninguém sabia de nada.

Estes representantes que julgam o caixa dois de empresas pequenas foram os mesmos que o usaram em favores pessoais. Um crime legítimo que, segundo eles mesmos, dá cadeia. É verdade, acontece com pessoas não favorecidas e não protegidas pelas leis que quem domina e faz delas o que quer são os próprios governantes.

Ainda vivemos sob a falta de qualidade de vida. O país passa por um momento delicado, quando o povo começa a desacreditar nas promessas e em tudo o que acontece hoje e está exibido em jornais ou revistas, só de corrupções generalizadas. Nas estradas onde não se é aplicado a necessária estrutura que deveria sair dos pagamentos dos impostos. Na saúde onde não se tem medicamentos e em muitos lugares não tem nem atendimento. Novamente, cadê o dinheiro dos impostos? No saneamento básico medíocre. Nas altas taxas de juros que é uma violência contra o contribuinte, e até no esporte.

Governantes negaram a cassação da oligarquia esportiva brasileira. É vergonha que não cabe mais e ninguém sabia de nada. Hoje talvez, possamos gastar menos tempo numa viagem de ônibus do que de avião, e só por causa de benefícios específicos e trabalhos mal feitos. Isso não acontece só em virtude do tempo parado em sala de espera ou nas filas de “chek-in”. A nossa estrutura aérea inteira é um desastre, o Brasil está um desastre. Isso porque eles não precisam disso. Todos têm aviões especiais, helicópteros, jatos e viajam por nada, por todos os cantos do mundo, com sorrisos estampados que envergonham muito mais seus eleitores, esbanjando uma situação propícia ao fracasso.

O que passamos hoje não começou de pouco tempo pra cá. Estas pessoas negativas estão na frente do país desde o império, aproveitando-se da inocência do povo para garantir de forma esperta seus benefícios. Uma crueldade, imoralidade, com finalidade de “ganhar dinheiro”.

O voto que parecia ser tão precioso, hoje está fardado ao nada. Normal não querer votar, eleger um deputado, presidente. Sabemos em quem estamos votando?
Não, não sabemos de nada.

João Lenjob *
www.lenjob.blogspot.com
joaolenjob@yahoo.com.br

* João escreve neste blog toda sexta-feira, e esta já é a 4ª crônica dele por aqui. Nos outros dias da semana ele filosofa um tiquim sobre a politicagem no país, se irrita com isso, vai ao Mineirão xingar ao juíz, e depois escreve poemas no seu blog pra descarregar…

João Lenjob: Sonhar Acordado

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Na crônica de hoje, nosso correspondente especial dá uma de expert em sonhos. E num é que o resultado ficou bacana? Ó só:

PPJL

Sonhar Acordado
Um dia aprendi a sonhar e que podia sonhar. Daí, eu percebi que sonhar acordado era muito melhor do que dormir e deixar simplesmente o momento levar ou conduzir os sonhos conforme sua natureza. Prefiro sonhar acordado a escolher o que sonhar. Sentir-me feliz com esperanças criadas, emanadas de cotidianos que a vida produz. Com realidades que talvez jamais sacie, mas que me delicio ao esperá-las, imaginá-las, acreditar nelas e criar então tamanhas e inúmeras expectativas. Projetar, organizar e até oferecer.
O mais interessante é que sonhamos até para os outros, numa generosa forma de crer que isso facilitará a construção, elaboração e conclusão deste foco, e quase sempre por pensamentos de zelo e afeto, acordados. Claro! Quando visamos algo, temos a alegre esperança de que haverá a realização deste e, conseqüentemente, a luta é mera vertência de um sonho. Visamos, sobretudo, algo para o amanhã sempre que concluímos um dia. Interessamos por algo que não aconteceu e sempre existe a tentativa óbvia de querer o melhor, mesmo que a situação esteja de fato “preta”; mesmo que estejamos passando por momentos negativos e mesmo quando somos pessimistas. Nestes momentos somos positivos, sonhamos acordados.

A realidade dificulta expressivamente muitos sonhos, mas sempre sobra espaço para fugir dela. Pensamos em conquistar coisas e alternativas incomuns. Sermos personagens de tevê ou cinema, talvez até conquistá-los, e mais “misses” e “misters”, atletas, modelos, políticos, carros, imóveis, loterias, trabalhos, vestibulares, vitórias, alegrias, curas e enfim, um dia amanhã que seja melhor que o de hoje, de ontem ou sempre de um passado bem próximo.

O sonho acordado é tão bom e tão divertido que nele não há tristeza, não há pranto, não há melancolia e muito menos solidão. Somente o objetivo, a vontade e a torcida que o resultado venha interessante, mesmo quando ele é de fato assim tão complicado e difícil de acontecer. Sonhar acordado não é resultado de pesquisas diversas, e sim o perfil adequado de onde nos espelhamos. Por isso é tão importante ter estes momentos de esperança. O sonho acordado é o maior de ser e fazer feliz. Meio de acreditar e deixar-se lutar. Sonhar acordado é muito bom, muito melhor do que dormindo. É o crer na gente e também na vida.

João Lenjob *
http://www.lenjob.blogspot.com/
joaolenjob@yahoo.com.br

* João escreve neste blog toda sexta-feira, e eu tô adorando isso! 🙂

João Lenjob: Gerundismo

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Hoje é sexta-feira, e quem “vai estar falando pra vocês” é nosso colunista semanal…

PPJL

Gerundismo
Tanto se fala hoje deste tal de Gerundismo. Muitos ainda nem conhecem tal termo, mas o importante é que ele está em super alta por diversos meios de comunicação. A expressão, ainda criança na lingüística portuguesa, nasceu nas entrelinhas usadas por operadores de Telemarketing e curiosamente se alastrou. Pensa-se até em mudar as normas da língua, pois perante elas, a expressão é aceitável. Ou seja, não erraria quem usasse o Gerundismo. Mas o que é?
Gerundismo é um tremendo excesso de verbos, cujo último o gerúndio está no presente, para uma ação de cunho futuro, descartando o tão estudado, nos níveis fundamental e médio, “futuro do pretérito”.
– Alô! Por gentileza, qual o preço do produto “xis”?
– Um momento senhor, que eu vou estar olhando.
Assim é a resposta de um atendente, usuário deste incrível molde de utilizar três verbos juntos para um único sujeito, numa única ação. É um desperdício de verbos, concordam? Se usada duplamente, a resposta seria:
– Um momento senhor que vou olhar.
E de maneira mais útil, o mesmo usuário poderia proporcionar ao receptor da mensagem a resposta, em tom simples:
– Um momento senhor que olharei.
Quem conversa neste tão citado método atual do gerundismo tem que ir, depois estar e no final agir, ou melhor, estar agindo. Incrível como foi nascer tão errônea composição! Avaliando o caso de forma técnica, seria extremamente complicada a sua criação. Importante recordar que o gerúndio simples é normal, correto, bem aceito e pertence às normas e regras da ortografia de nossa língua.
– Onde está Fulano?
Jogando bola.
Existem ainda casos elementares:
– É dando que se recebe.
As frases não poderiam ser outras… Portanto, existe sim um abuso, que não deixa de ser um engasgável estilo de conversar. No dia-a-dia da vida, pode-se relacionar o uso do gerundismo com o uso do cigarro. Um vício. É errado? Sim. É prejudicial? Pode ser. É proibido? Não.
Este termo absurdo virou polêmica depois de ter sido proibido por alguns governos. Seria o mesmo que proibir o uso do cigarro. A causa, entretanto foi que o gerundismo deixou margem à conclusões de algumas solicitações. Ou a pessoa faz, ou estará fazendo. O “estará fazendo” tornou-se inaceitável para os ouvintes. O uso está aí, virou costume e triste, está virando hábito.
E a proibição? Será se esta moda também pega?
João Lenjob *
* João escreve neste blog toda sexta-feira, o nos outros dias da semana se diverte e se estressa tentando ensinar o correto uso do gerúndio para operadores de telemarketing…

João Lenjob: Romeu e Julieta

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Hoje é a estréia do nosso colunista semanal, de todas as sextas-feiras: com vocês… João Lenjob!

PPJL

Prezados leitores do “Mineiras Uai”,

Pintou um Mineiro na área! Sou o primo chato (*) da super talentosa (**) Ana, a mineirinha que escreve por aqui. Alguns leitores aqui já me conhecem até pessoalmente. Para os que não, sou também escritor, autor do livro “O Cavalo Livre de Tróia”, dentre outras escrituras encontradas por aí. Informo ser um enorme prazer compartilhar com esta querida prima o prazer da Literatura…

Abraços a todos!

João Lenjob
http://www.lenjob.blogspot.com/
joaolenjob@yahoo.com.br

Romeu e Julieta
Esta história começou há séculos, e até hoje está em evidência nos sentimentos das pessoas. Desde o Brasil Colônia, algumas bravas pessoas buscavam em florestas, matas, vales, cavernas, rios, riachos e córregos as mais preciosas jóias, ou seja, os diamantes. Eram os bandeirantes, figuras marcantes, com percepção aguçada, acentuada e precisa. Os diamantes, no entanto, eram minerais belos por dentro e por fora, lapidados, de brilho intenso e incomum, e raros, muito raros. Ainda hoje se procura por todos os cantos do mundo os tais diamantes.
São as damas com a mesma proporção das tais encantadoras pedras, cuja beleza externa seja simplesmente uma vertência que só existe quando há a interna, de caráter, postura, respeito. Que seja de educação abundante, infinita a ponto de ser chamada de lapidada. Que tenha o brilho incomum da simplicidade e que seja, de fato, a pessoa rara.
Buscam, sobretudo os bandeirantes, por estes diamantes, a fim de cativá-los e por eles serem cativados, tendo entre eles a conquista recíproca. Buscam aqueles que guardam carinho, cuidado, zelo, afeto e aquele extremo valor a uma jóia realmente rara.
Existem rochas de todos os gêneros por aí. Do cascalho à ametista, do quartzo à brita. Existem também, pedristas, pedreiros ou outros nem tanto especialistas em pedras, e é fácil perceber quem é quem. O pedrista procura a beleza externa para servir de vitrine e o pedreiro gosta somente de trabalhar o que não achou perfeito. Os outros nem se fala. Não sabem nada de pedra. O bom é ter alma de um corajoso bandeirante. Encontrar uma pessoa, olhar para ela e ver o que ela fala com o olhar. Sentir o que ela sente. Reparar seu modo aperfeiçoado de se expressar. Conhecer o seu coração nobre, seu pensamento puro e curiosamente também maduro e por fim, deixar a circulação aumentar e a respiração se ofegar.
Nota-se clara e evidentemente o quão raros são diamantes e bandeirantes, pois muitas pessoas nem se preocupam em conhecer a majestade da índole, e sim só reparam na majestade física. Poucos querem saber o que pensam, fazem, projetam ou querem do escolhido. Muitos outros só desejam ver as roupas ou os bens que o outro possui. Bandeirantes não procuram o que se acaba. Pelo contrário, só o que não morre, o que se eterniza no peito e se preserva no pensar.
Eventual e ocasionalmente, movidos por desprazeres da vida, alguns até aprendem a se tornar um diamante ou bandeirante. Aprendem que podem ensinar e principalmente, ensinam que podem aprender, com a gana de um e a generosidade de outro. Com a vontade de um ou humildade de outro. No entanto, pessoas não são pedras… Mas existem mulheres que carregam as características tão preciosas como a de um diamante e homens que tem a bravura de um bandeirante.
Como dito previamente, esta história é antiga. Um exemplo clássico está na própria Literatura. O valente Romeu era um como um bandeirante, e a doce Julieta, um diamante puro, e seus atos fazem prova disso. Portanto, a forma mais fácil de saber o que você quer, é sabendo antes o que você é.
Romeu e Julieta sabiam.
Notas da Editora:
(*) O João não é nem um pouco chato… É ariano, sim… Mineiro, sim… Desconfiado, meio marrento, poeta, artista… Mas ele é legal!
(**) Corei… rsrs 😉