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A sementinha do espírito natalino

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A minha mais antiga lembrança de Natal remonta às ceias organizadas em família, na qual eu e meus priminhos disputávamos as asas do Peru a tapas enquanto esperávamos, inquietos, a chegada do Papai Noel à meia noite. Acontece que tudo isso perdeu muito o charme quando descobrimos que o esperado bom velhinho era ninguém menos que o tio Zé, que, apesar de um tanto magrela para a fantasia, só foi descoberto quando sua barba de algodão caiu estatelada em cima do sofá.
Depois disso, o Natal perdeu um pouco de sua alegria. Algumas pessoas queridas se foram, deixando no ar a saudade de suas risadas; o Papai Noel, após perder sua dignidade, nunca mais nos visitou; e, enfim, e eu meus priminhos crescemos, o que culminou numa ceia sem crianças para alegrar o ambiente.
Hoje em dia a ceia de Natal se resume a um jantar caprichado entre adultos prontos para se empanzinar, e um amigo-oculto sem graça de presentes esperados e obsoletos.
Enfim, encontro-me no “limbo” do Natal: grande demais para esperar o Papai Noel, mas ainda não tão “grande” para ser o Papai Noel de alguém.
Por isso não me desespero se ainda não consegui fazer germinar novamente a pequena semente de espírito natalino que teima em permanecer infértil dentro de mim. Eu sei que ela existe e está escondida em algum cantinho por aqui, mesmo que eu ainda não a tenha encontrado…
Bela

Meu Papai Noel

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Eu devia ter uns oito anos quando decidi que o bom velhinho de roupa vermelha e barba branca não existia.
Renato, meu amigo e vizinho da mesma idade, alegava já saber desse segredo desde o ano passado, pois no dia do Natal, seu primo, um verdadeiro e abominável pestinha, ganhou uma linda bicicleta, enquanto ele, que tinha se comportado bem o ano todo, teve de se contentar com uma mísera caixinha de Lego.
Não que o Lego não seja um presente genial“, disse Renato, tentando disfarçar sua decepção, mas, decididamente o carrinho do primo era algo muito mais desejável, o sonho de qualquer garoto dessa idade. “Se Papai Noel existisse de verdade, não daria um carrinho daquele ao meu primo” concluiu (e devia estar certo, pois o menino o quebrou no mesmo dia).
Mas uma determinada hora, cansado de esconder sua decepção, Renato procurou sua mãe, chorando, para saber a razão do descaso do Papai Noel e dela recebeu a notícia de que ele não existia de verdade, que quem comprova os presentes de Natal eram os próprios pais das crianças, e que, por isso estes eram dados de acordo com as possibilidades financeiras de cada um.
A boa notícia é que Renato ficou feliz com esta explicação, pois assim ficou comprovado que ele não tinha sido mal julgado pelo Papai Noel, e curtiu sua caixa de Lego como deveria ter feito desde o início, sem perder sua fama de bom menino.
Mas eu não acreditei nessa versão dos fatos apresentada por Renato, e queria comprovar pessoalmente que o velhinho barbudo e barrigudo não existia. Assim, me preparei para dormir debaixo do pinheiro na noite de Natal, e conferir quem é que deixava os presentes lá.
Minha mãe arrumou minha cama no sofá, naquela noite, e eu me deitei, acreditando que conseguiria me manter acordada até a hora em que os presentes deveriam “aparecer”. Mas o inesperado aconteceu, e eu dormi…
Abri os olhos de mansinho, e eles estavam lá, embrulhados em papel brilhante e fitas coloridas, debaixo das luzinhas pisca-pisca do pinheiro.
Levantei com um pulo e fui tirar minha irmã da cama.
Na maior algazarra, estávamos as duas abrindo os presentes, rasgando furiosamente os embrulhos e espalhando as fitas e os papéis pelo chão, admirando ruidosamente nossas Barbies, walkmans, etc. quando ouvimos um murmúrio vindo do quarto dos nossos pais.
No minuto seguinte, meu pai entrou na sala, de pijama amassado e com uma inconfundível cara de sono, e, com a voz que normalmente era reservada para as broncas, disse:

-“Olhem que horas são!

Me virei para o relógio na parede e constatei, espantada, que eram apenas três horas da manhã.

Papai sorriu e nos abraçou.

E eu descobri que Papai Noel existe sim, mesmo que ele não use roupas e gorro vermelho e não ostente longas barbas brancas.
Bela

Dicas (pré) natalinas

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Eu sei, ainda falta praticamente um mês para o Natal, mas nunca é cedo para nos informamos sobre como evitar gastos estratosféricos tão comuns nesta data. Além de tudo, dizem que mineiro é econômico e prevenido, e as mineiras, como boas representantes da mineirice, não costumamos perder o trem, uai!

Acontece que nessa época do ano, muitos cidadãos felizes por estarem com o décimo terceiro no bolso (o que certamente não é o meu caso) acabam torrando o que seria uma graninha bem razoável em gastos inúteis e despesas desnecessárias e começam o ano no vermelho, logo quando pipocam os abomináveis mas não adiáveis impostos (IPTU, Seguro Obrigatório, IPVA, etc.).

Por isso, economizar neste Natal pode render ótimos frutos para 2007, pois tem algo pior do que iniciar o ano novo cheio de dívidas?

Então, se prestarmos atenção, veremos que pequenos detalhes acabam por fazer muita diferença no bolso, mas quase nenhuma na alegria das festividades que imperam nessa data.

Quer ver só? Confira as dicas abaixo:

* Planejar, antes de tudo.
Sabe aquela caderneta guardada há séculos no fundo da gaveta? Pode desenterrar! Para evitar gastos desnecessários, você deve saber exatamente o que comprar, e pra isso vale usar da velha e boa listinha. Presente pra tia avó? Vai pra listinha. Cartão pro namorado? Também! E não se esqueça de acrescentar na listinha o Peru, a grande estrela onipresente do Natal. O objetivo da listinha é evitar cair na tentação de comprar coisas desnecessárias e ficar perambulando pelos corredores dos supermercados e shoppings, garantia de gastos inúteis e amargos arrependimentos.

* Pesquisar, pesquisar, pesquisar.
A dica seguinte é dar uma de Sherlock Holmes e pesquisar no maior número de lojas e supermercados possível à procura do melhor preço. Uma boa dica é pesquisar também em lojas virtuais, pois os livros, por exemplo, costumam ser até 20% mais baratos nas livrarias online, que, inclusive, costumam nem cobrar frete na época do Natal.

* O que todo mineiro sabe fazer: pechinchar!
Já decidiu a compra? Antes de pagar, não deixe de pechinchar para obter um desconto. De dez tentativas, ao menos uma terá êxito. Tente pelo menos obter um desconto para pagamento à vista, que deve ser de no mínimo 5% . Deixa disso de ter vergonha de pechinchar, pois pode fazer uma diferença enorme no final. Como a sábia vovó preguava, vergonha é roubar e não poder carregar!

* Não deixar para amanhã o que você pode (e deve) pagar hoje.
Tenha na cabeça que o objetivo final é começar o ano sem dívidas. Para isso é bom que as compras sejam feitas à vista, preferencialmente em cash (tá bom, pode ser cartão de débito). Para isso, deixe o cartão de crédito e o talão de cheques em casa para resistir às indecorosas propostas de pagamento em parcelas a perder de vista…

* Não deixar para amanhã o que você pode comprar hoje.
Você entendeu certo: o segredo é antecipar a compra. Os preços tendem a estar mais baixos no início de dezembro, quando os lojistas tentam atrair o consumidor para as compras de Natal, iniciando a campanhas publicitárias. Pode apostar, já na segunda quinzena do mês, os preços começam a subir, e atingem seu auge com a proximidade das festas, e só baixam novamente no dia 23 e 24, quando os supermercados e lojas tentam se livrar do excesso da mercadoria que não foi vendida. Mineiro (ou não) bom é aquele que não deixa nada pra última hora. Senão, tem que se contentar com os restos, o que é inadmissível!

* Prestar atenção no mercado.
Ao contrário do que todo mundo imagina, esse ano alguns produtos importados podem sair mais baratos que os nacionais. Comparados ao ano passado, os importados chegarão às prateleiras brasileiros 10% mais baratos em razão da queda do dólar. Os panetones importados, por exemplo, terão preço 6% menor que os nacionais, os vinhos e espumantes estarão 7% mais em conta. Sem falar naquele chocolatinho chique pode muito bem fazer papel de presente pra sua sogra chocólatra sem pesar na receita.

* Valorizar o Brasil.
Sempre achei que devíamos nos desprender do estereótipo europeu do Papai Noel com bota de couro até o joelho e casaco de pele rebordado em pleno verão de 42 graus. Me admira muito que as criancinhas brasileiras ainda acreditem no bom velhinho! Mas o paradigma do Natal Europeu também deve ser quebrado no que se refere à mesa natalina. Pratos gordurosos e pesados não caem bem no verão brasileiro, pois são mais adaptados ao inverno! Além disso, castanhas, nozes e avelãs são mais comuns em países europeus e, portanto, mais caros no Brasil. Assim para fugir dos gastos e tornar a ceia um pouco mais brasileira o ideal seria substituir os alimentos tipicamente europeus por frutas frescas e secas brasileiras. Que tal uma bela cesta de ameixas, pêssegos, nectarinas, pêras, e maçãs, como sobremesa?

* Pôr a mão na massa!
Cozinhe no lugar de comprar pratos prontos, que normalmente são muito mais caros! Inclusive, isso tornará a sua ceia muito mais pessoal e aconchegante, pois o sabor da comida caseira não se compara a nenhum buffet, por melhor que ele seja! E na hora de preparar a comida, não quebre a cabeça pensando em algo sofisticado ou complicado: para agradar, basta que seja preparada com carinho. Valorize sempre o seu toque pessoal na preparação do prato!

* Seguir a moda: criar, personalizar, customizar!
Quem disse que seguir a moda custa o olho da cara? Na crista da onda das maiores tendências da moda, customize o seu presente! Como assim? Criando alternativas para presentear as pessoas queridas sem gastar muito, com a vantagem de acrescentar um caráter pessoal aos seus presentes! Com certeza o presenteado se sentirá ainda mais valorizado. Nessa hora, vale tudo, quanto mais criativo melhor: crie estampas personalizadas para simples camisetas brancas (tie-die, por exemplo); aprenda a fazer trufas e monte uma linda caixinha de chocolates por um preço mínimo, etc. No meu caso, eu sempre gravo um CD para meus amigos mais próximos, com uma cartinha simpática, e tenho certeza de que todos adoram. A Ana, por sua vez, presenteia os amigos com lindos arranjos em origami! São uma beleza, vocês precisam ver!

Enfim, ainda é cedo para desejar um feliz natal para o querido leitor, mas espero que vocês tenham ótima disposição (e paciência) para preparar a festença, pois, como dizia um grande professor meu, o melhor da festa é esperar por ela!

Bela

Meus queridos e velhos diários

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Ontem aconteceu uma coisa muito peculiar comigo. Arrumando o meu armário (o que por si só já é uma coisa peculiar, mas esse texto não é sobre isso) eu reencontrei uma pilha enorme de agendas e de cadernos antigos de anotações, nos quais eu escrevia algumas observações sobre o dia a dia, relatava acontecimentos marcantes, idéias interessantes que surgiam do nada, fazia listas de afazeres e, claro, também registrava algumas confidências. E isso desde 1995, quando eu ainda conseguia contar a minha idade usando as duas mãos e um único pé!

Mantive esse hábito por longos anos (OK, confesso, faço isso até hoje, mesmo achando arcaico anotar coisas em pedaços de papel) e reler esses “diários” antigos sempre me marca pelas emoções que isso me desperta. Às vezes nem me lembro mais do acontecimento que motivou determinada anotação, ou sequer tenho uma vaga lembrança dos personagens de algum evento, mas na maioria das vezes os meus cadernos são hilários! Como estou boazinha hoje, resolvi compartilhar com vocês algumas das observações que me divertiram ontem.

14 de novembro de 1994
Hoje o M. me pegou brincando de barbie no quarto da minha irmã. Será que ele reparou que eu estava brincado mesmo? Disfarcei fingindo que estava só colocando uma roupinha na Cremilda para a minha irmã, mas eu tive que emprestar a MINHA barbie pra ela, o que eu ODEIO. Chato, chato, chato.

Ainda brincava de boneca mas já tinha interesse no sexo oposto. Acho que era normal, as meninas de hoje é que são precoces demais. No entanto, parece que eu estava mais preocupada com a boneca do que com o menino. Mas para o ato cruel de batizar a boneca de “Cremilda” eu não tenho desculpas

25 de fevereiro de 1995
Encontrei com o M. hoje. Ele me deu um ursinho de pelúcia (na verdade dois, porque é uma mãe panda abraçando um filhote). Pena que eu odeio esses bonecos feiosos, não servem pra nada. Vimos “Cemitério Maldito” e até que foi legal. Acho que pode até dar certo porque ele não gosta de futebol e nem arrotou depois de beber Coca-Cola.

Será que essa era a idéia que eu fazia do homem ideal? Mas eu deveria estar enganada, porque definitivamente NÃO deu certo. E eu não gostava de ursinho de pelúcia porque não ia combinar nem um pouco com meu morcego tamanho real pregado na parede do quarto (e que fazia barulho de morcego de verdade!).

05 de Abril de 1997
A partir de hoje quero começar a fazer tudo diferente. Quero ser uma nova pessoa, aquela que eu deveria ser há muito tempo. Já deveria te percebido o quanto me desviei do meu caminho!

Credo, o que eu será que eu tinha feito? Fiquei até com medo e preocupada, mas não consegui lembrar de nada específico…

12 Setembro de 1998
Saiba ter calma para decidir. Hesitar é normal. Só encontramos as respostas quando não estamos mais aqui. Agora o que vale é cumprir o seu plano, e na hora certa procurar ajuda.

Parece mensagem psicografada, mas também não lembro de ter mexido com isso em algum momento da minha vida.

16 de Abril de 1999
O fim de semana na Suissa (sic) foi legal, mas ultimamente não ando com ânimo pra essas coisas. Só fico pensando na hora de voltar pro Brasil. Será que vai ser estranho? Recebi carta da Ana hoje. Parece que ela está se divertindo na faculdade. Na verdade, todo mundo está se divertindo, só eu é que fico em casa esperando alguém escrever pra mim, o que, meu amigo, não acontece todo dia. Peguei o carteiro entregando as cartas e ele parece o Ed Harris.

Depois disso aprendi que Suíça em português é com ç. E se eu soubesse como hoje eu sinto saudade de lá, acho que teria aproveitado mais. E essa Ana que estou falando aí é a mesma do blog, viu Anita? Tenho todas as cartas que você me enviou nesse ano guardadinhas! Agora, me dirigir ao caderno como “meu amigo” é inédito! Quanto ao carteiro, ele era mesmo a cara do ator americano Ed Harris, disso eu lembro!

27 de outubro de 2000
Minhas promessas pro ano que vem são:
1) emagrecer 3 quilos
2) arrumar meu quarto (sem enfiar a bagunça toda no armário)
3) passar hidratante todo dia
4) marcar dentista
5) anotar os cheques emitidos (fazer talão!!!)
6) aprender a tocar violão
7) beber no mínimo dois litros de água por dia

Acho que vou repetir essas promessas esse ano. Até hoje a única coisa que eu fiz foi ir ao dentista!

Bela

Madeleines perfeitas!

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Finalmente descobri a receita perfeita de Madeleine (aquele tão famoso bolinho imortalizado pelo escritor francês Marcel Proust, ao qual eu já fiz referência várias vezes aqui).

Interessante é que a receita segue uma lógica e uma sistemática análogas à obra do escritor.

Também há um segredo na confecção das Madeleines, um segredo de perfeccionista que faz toda a diferença, assim como as longas e bem construídas frases do escritor francês (calma que eu vou revelar o segredo logo aí embaixo).

Reparem que as quantidades dos ingredientes são proporcionais, e o resultado final, pura delícia: um gostinho de infância, uma mistura singela de suavidade e sofisticação.

Deguste com chá e com a leitura do capítulo 2 do volume 1 de Em Busca do Tempo Perdido (não é a parte que fala da Madeleine, mas na minha opinião, esse capítulo constitui uma obra à parte,e sintetiza todos os leitmotivos da Busca).

125 g de açúcar
125 g de farinha
125 g de manteiga
2 ovos
2 limões (só a casca, raladinha)
2 colheres (de café) de fermento

Bata os ovos com o açúcar, até formar uma mistura clara e fofa. Acrescente a farinha e o fermento peneirados, e bata até incorporar. Acrescente a manteiga derretida e as casquinhas de limão. Deixe descansar por 20 minutos (esse é o imprescindível segredo da perfeição) e despeje em forminhas untadas, preenchendo-as até 2/3. Asse por 15 minutos no forno pré-aquecido a 220 °C , e desenforme quando ainda estiverem mornas. Rende aproximadamente 16 madeleines, mas é claro que isso depende do tamanho da forma. As minhas são pequenas, menores que as de muffin, pra vocês terem uma idéia.

Bela.

* Foto by eatzycath’s.

Madeleines perfeitas!

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Finalmente descobri a receita perfeita de Madeleine (aquele tão famoso bolinho imortalizado pelo escritor francês Marcel Proust, ao qual eu já fiz referência várias vezes aqui).

Interessante é que a receita segue uma lógica e uma sistemática análogas à obra do escritor.

Também há um segredo na confecção das Madeleines, um segredo de perfeccionista que faz toda a diferença, assim como as longas e bem construídas frases do escritor francês (calma que eu vou revelar o segredo logo aí embaixo).

Reparem que as quantidades dos ingredientes são proporcionais, e o resultado final, pura delícia: um gostinho de infância, uma mistura singela de suavidade e sofisticação.

Deguste com chá e com a leitura do capítulo 2 do volume 1 de Em Busca do Tempo Perdido (não é a parte que fala da Madeleine, mas na minha opinião, esse capítulo constitui uma obra à parte,e sintetiza todos os leitmotivos da Busca).

125 g de açúcar
125 g de farinha
125 g de manteiga
2 ovos
2 limões (só a casca, raladinha)
2 colheres (de café) de fermento

Bata os ovos com o açúcar, até formar uma mistura clara e fofa. Acrescente a farinha e o fermento peneirados, e bata até incorporar. Acrescente a manteiga derretida e as casquinhas de limão. Deixe descansar por 20 minutos (esse é o imprescindível segredo da perfeição) e despeje em forminhas untadas, preenchendo-as até 2/3. Asse por 15 minutos no forno pré-aquecido a 220 °C , e desenforme quando ainda estiverem mornas. Rende aproximadamente 16 madeleines, mas é claro que isso depende do tamanho da forma. As minhas são pequenas, menores que as de muffin, pra vocês terem uma idéia.

Bela.

* Foto by eatzycath’s.

Mistérios da Gastronomia

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Assim como todos os ramos do conhecimento humano, a gastronomia pode nos reservas muitas surpresas, pois o paladar é um dos sentidos mais aptos a nos proporcionar prazer e sensações indescritíveis.
No entanto, as surpresas proporcionadas pela gastronomia não se restringem ao sabor da combinação dos alimentos e da preparação dos mesmos. Ao contrário, a culinária pode ser muito mais surpreendente do que o singelo prazer de degustar uma apetitosa iguaria, a começar pela investigação dos ingredientes que compõe a sua guloseima preferida.
Mas, preste atenção, a surpresa da qual eu estou falando não é necessariamente boa ou ruim. Às vezes a gente simplesmente não sabe. Não entendeu? Acompanhe comigo e veja se você sabe do que são feitos ou de onde vêm os seguintes quitutes:

Pipoca Guri

Pipoca Guri é aquela pipoca doce que vem num saquinho cor de rosa choque e que todo mundo já deve ter provado, nem que seja na infância. E se não fez isso, não teve infância. Alguns acham que a pipoca é feita de arroz. Arroz? Não sei. Minha mãe diz que são feitas com milho de canjica. Eu só sei que as “pipocas” parecem molares super crescidos e tortos, mas também não sei explicar por qual razão algumas são crocantes e doces enquanto outras são duras, escuras e amargas. Porquê, heim?

Queijo Polenguinho

Na embalagem vem escrito que é queijo fundido. Fui pesquisar e descobri que o queijo fundido é “resultante da fusão de variados tipos de queijos, o que permite a obtenção, pelo calor e adição de sais especiais, de uma pasta homogênea, de grande brilho e sabor uniforme”. Pasta de queijos? Me pergunto: que queijos são esses? De onde vêm esses queijos? Para onde vão esses queijos? Sei que minhas perguntas permanecerão sem resposta, mas espero que o responsável pela indústria dos polenguinhos não tenha uma irmã como a minha cujo tênis tem o exato aroma de um queijo gorgonzola.

Cereja Maraschino

Alguns devem estar se perguntando o que é a cereja maraschino, mas calma, eu explico: trata-se daquela cereja redondinha, vermelho vivo, que geralmente é colocada em cima de sundaes e bolos de aniversário. Mas eu sei que aquilo não é cereja coisa nenhuma. Primeiro, porque a cereja maraschino é transparente, o que decididamente a cereja de verdade não é. Depois, eu amo cereja, e simplesmente odeeeeeeio cereja maraschino. Vai dizer que é a mesma coisa? Inclusive, aquilo pra mim não passa de uma bolinha de chuchu tingida e melecada de calda.

Torresmo

Acho que sei o que é, mas eu me recuso a acreditar que alguém em sã consciência possa se deliciar com pedaços de gordura e pele de porco fritos. É muito ruim para ser verdade. Alguns torresmos têm até pêlo! E o gosto indelével de borracha queimada que fica na boca? Estranho, muito estranho…

Tender

Que diabos vem a ser isso, um “tender”? Ou vocês acreditam na existência de um leitão super desenvolvido na forma de bolinha com casquinha crocante e vermelha que só dá o ar da sua graça no Natal? Pois eu prefiro acreditar em Papai Noel! Acho que o tender só pode se originar do mesmo porquinho de Chernobyl geneticamente modificado e cromossomicamente alterado usado na elaboração dos hambúrgueres daquela famosa lanchonete americana que todo mundo sabe o nome. Ou seriam os hambúrgueres de Minhocuçu? Mas espere aí, isso já é outra história…

Geléia de Mocotó

Alguém já foi numa delicatessen ou padaria e voltou com potinhos de geléia de morango, damasco, framboesa e… mocotó? Pois é, nem eu. O pior é que tal é o nome da infame substância semi-gelatinosa supostamente extraída de cascos de bovinos! Vai ver geléia de mocotó não é geléia mesmo, e só usam esse nome para enganar as criancinhas! Só sei que na minha única e remota experiência com a dita cuja descobri que tem cheiro e aspecto de pneu velho e aposto que a intragável mistura foi desenvolvida em alguma perigosa usina nuclear, talvez as mesmas dos porquinhos do Tender.

Champignon de Paris

Compramos em vidrinhos os simpáticos cogumelos que usamos em molhos, tortas, strogonoff, etc. Mas serão mesmos os champignons simples cogumelos? E mais, cogumelos de Paris? Acho que isso não passa de conversa fiada, pois os insípidos e borrachudos ingredientes são todos iguaizinhos entre si, e se parecem mesmo é com mini-clones de alguma espécie alienígena, com direito até a chapeuzinho! Alías, alguém já ouviu falar em plantação de champignons em Paris? Me engana que eu gosto!
Chips
Pra mim, isso não passa de um maligno experimento da Elma Chips. Só gostaria de saber quem teve a temerária idéia de combinar textura isopor com sabor artificial de algum queijo duvidoso, e, ainda, adicionar essência chulé antes de vender a gororoba resultante como salgadinho para crianças inocentes. Isso deveria ser crime hediondo, gente.

Isso tudo sem falar no ovo cozido que misteriosamente apresenta um tom arroxeado no limite entre clara (que deveria ser branca) e a gema. Essa anomalia geralmente é encontrada em pizzas sabor portuguesa encomendadas naquelas pizzarias de fundo de quintal, sabe-se lá porquê. E a Coca Cola? Dizem até que alguns usam para limpar motor de caminhão e desentupir pias. Bom, é melhor parar por aqui mesmo, pois já está chegando a hora do almoço.

Bom apetite para todos!

Bela

Se é pra resumir…

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Eu bem sei que os afazeres triviais do dia a dia acabam por consumir quase todo o tempo livre do qual dispomos para nos distrair. E eu, assim como muitos dos que vêem nos visitar aqui no blog, costumo passar grande parte do meu tempo livre lendo!

Apesar de passar quase o dia inteiro lendo petições, artigos, leis, notícias, etc., sempre termino um dia com um livro na mão. É um costume antigo, um ritual quase mágico que já virou rotina: não importa a hora em que eu me deite, é sagrado ler algumas páginas de um livro antes de dormir. Teimo em dizer que sem essa leitura diária eu nem conseguiria cair no sono, mas a bem da verdade, às vezes acordo de madrugada com a luz acesa e o livro na cara.

Então, voltando ao que eu estava dizendo no início do texto, às vezes nos falta tempo para nos distrair, e, para quem gosta de ler, simplesmente falta tempo para ler! Pois, para se deleitar com este singelo afazer é necessária uma certa preparação: é preciso conjugar silêncio, conforto, e, claro um exemplar de uma excelente obra literária, porque, sem esse último, o que era para ser um prazer acaba se tornando uma grande perda de tempo… Realmente, não há nada pior do que um livro ruim, mas, em compensação, também é difícil descrever as delícias que apenas um bom livro pode nos proporcionar!

O que me entristece é que existem tantos bons livros no mundo, muito mais do que eu poderei ler nessa vida, e é um grande desperdício de oportunidade eu não conseguir ler todos os livros que eu tenho vontade! Como seria bom se houvesse como resumir aqueles imensos volumes… Pensando nisso, imaginei como seria difícil a tarefa de resumir alguns dos grandes clássicos da literatura:

Guerra e Paz – Leon Tolstoi – 1340 páginas
Um rapaz não quer ir à guerra porque está apaixonado. Napoleão invade a Rússia. A mocinha casa-se com outro.

Os sofrimentos do jovem Wether – Goethe – 212 páginas
Rapaz sofre por um amor não correspondido. Não agüenta ver a sua amada noiva de outro e suicida-se.

Madame Bovary – Gustave Flaubert – 431 páginas
Um médico do interior se casa com um moça bem educada e bonita, criada num convento. Um dia eles vão a um baile da aristocracia. De volta à sua vida comum, ela entra em depressão, se endivida e arruma alguns amantes, até tudo perder a graça e ela se envenenar com arsênico.

Romeu e Julieta – Shakespeare – 223 folhas
Dois adolescentes se apaixonam, mas suas famílias são contra o romance. Um padre tem uma idéia idiota para tentar com que eles fiquem juntos, mas ambos não entendem o plano do padre e acabam se matando pensando que o outro tinha morrido.

Em busca do Tempo perdido – Marcel Proust – 1600 páginas
Um menino se entristesse profundamente por não receber um beijo da mãe antes de dormir. Quando adulto, ele come um bolinho molhado no chá e se lembra da sua infância. Ele frequenta muitas festas estranhas com gente esquisita e tudo termina num baile em que todos estão muito velhinhos.

Édipo Rei – Sófocles – 180 páginas
Rapaz mata o pai, casa com mãe e fura seus próprios olhos, tudo isso porquê ninguém prestou atenção numa profecia.

E o vento levou – Margareth Mitchell – 962 páginas
Uma garota rica e mimada apaixona-se por amigo de infância, mas não é correspondida. Ele se casa com outra. Todos ficam pobres, muitos parentes morrem. Ela se casa três vezes, e se descobre apaixonada pelo último marido quando ele não quer mais nada com ela.

***

Falem a verdade, perdeu toda a graça, não? Eu quero minhas 4.948 páginas de volta!

Bela

Tarde demais…

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Uma das maiores tristezas da vida é descobrir, tarde demais, que uma pessoa é insubstituível na sua vida…
Às vezes nos parece que um amor é meio morno, quase sem graça, e que se acabar, tanto faz.
Uma amizade que vemos sem grandes promessas, complicada e trabalhosa, nos parece desnecessária e até mesmo condenada ao fracasso.
E assim, com o desinteresse, o descuido, o descaso, a amizade e o amor acabam mesmo!
E, só daqui a muitos anos descobrimos que nada era mais forte e raro do que aqueles sentimentos, que essas pessoas que dispensamos sem nenhuma cerimônia são na verdade pessoas especiais, incomparáveis, insubstituíveis!
Tarde demais é uma expressão cruel.
Tarde demais é uma hora morta.
Tarde demais é uma página virada.

Nunca é tarde para pedir perdão, mas pode ser tarde demais para ser perdoado.

Nunca é tarde para reconhecer um erro, mas às vezes pode ser tarde demais para corrigir o mal que já foi feito.
Nunca é tarde para dizer “sinto sua falta”, mas a nossa ausência já pode ter sido suprida por outra pessoa, e não dá mais para recuperar aquele lugarzinho que já foi nosso.
Tarde demais é um lugar perdido no tempo. Não é lá que devemos deixar florescer nossas descobertas.
BELA

Um sorriso de 500 anos

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Mona Lisa, a mais famosa e extraordinária obra do pintor renascentista Leonardo da Vinci está fazendo aniversário!

Especula-se que Leonardo começou o retrato em 1503 e levou três anos para terminá-lo. Hoje, a pintura a óleo sobre madeira de álamo encontra-se exposta no Museu do Louvre, em Paris, onde foi projetada uma elaborada sala especialmente para abrigá-la, a “Salle des États”.

Quem teve a chance de ver pessoalmente essa pintura com certeza já se perguntou sobre a razão de seu sucesso: de fato, a Mona Lisa, também conhecida como La Gioconda ou, em francês, La Joconde, é uma pintura de dimensões modestas, e os estragos do tempo são perceptíveis a olho nu, nos pigmentos escurecidos e nas pequenas fissuras da madeira.

Acontece que o que torna a Mona Lisa uma obra notável não é percebido apenas com uma análise estética. Nunca uma obra de arte foi tão reproduzida, comentada, estudada, e sobre nenhuma obra de arte existem tantas controvérsias!

A começar pela identidade de seu “sujeito”, pois não se sabe ao certo quem a Mona Lisa retrata. Alguns estudiosos italianos dizem que a mulher de expressão introspectiva e um pouco tímida, para não dizer conservadora, foi a esposa de Francesco del Giocondo, um rico comerciante de seda de Florença e uma figura proeminente no governo florentino na época do renascimento.

Para a cientista Lillian Schwartz, a Mona Lisa nada mais é do que um auto-retrato de Leonardo, porém, travestido (?) de mulher. Esta teoria baseia-se no estudo da análise digital das características faciais do rosto de Leonardo e dos traços da modelo. Dizem que ao comparar um auto-retrato de Leonardo com a mulher do quadro, ficou evidente que as características dos dois rostos se alinham perfeitamente. Os críticos desta teoria sugerem que as similaridades são devidas ao fato de que ambos os retratos usados para a comparação foram pintados pela mesma pessoa, ou seja, a técnica e o próprio estilo de Leonardo ensejaram a similitude entre as duas figuras. Essa constatação não impediu essa teoria de se tornar famosa, pelo contrário: a afirmação de que Mona Lisa é na verdade um auto-retrato foi citada até por Dan Brown no livro O Código Da Vinci!
Já para o historiador Maike Vogt-Lüerssen, que se dedicou ao estudo da iconografia da Mona Lisa por 17 anos, a mulher por trás do famoso sorriso só pode ser a Duquesa de Milão, Isabel de Aragão, na corte de quem Leonardo da Vinci trabalhou como pintor por 11 anos. O estudioso chegou a essa conclusão ao verificar que o padrão do vestido verde escuro de Mona Lisa indica que a modelo é um membro da casa de Visconti-Sforza, família à qual pertencia a Duquesa. Além disso, alega que ao comparar cerca de 50 retratos de Isabel de Aragão, representada como a Virgem ou Santa Catarina de Alexandria, para o qual ela serviu de modelo, conclui que a semelhança com a Mona Lisa que conhecemos hoje é evidente, o que o leva a concluir que a Mona Lisa é o primeiro retrato oficial da nova Duquesa de Milão.
Como vocês podem ver, não há nenhum estudo conclusivo sobre a identidade da modelo da Mona Lisa, o que sem dúvida contribui para cercá-la de uma aura de mistério e assegurar a sua fama mundial.
Num curso de história da Arte que eu fiz há alguns anos atrás, o professor também apresentou uma teoria para explicar o fascínio que a Mona Lisa exerce sobre quem dela se aproxima. Segundo ele, Leonardo, que além de pintor e desenhista talentoso também foi um exímio inventor e cientista (quando não se entretinha com ocupações menos “nobres” como inventar jogos de salão e roupas extravagantes para a aristocracia), criou, nada mais, nada menos, que um efeito inusitado na pintura, capaz de reter a atenção do apreciador sem, no entanto, chamar a sua atenção especificamente para este fato. Explico: Leonardo da Vinci criou um cenário irreal para a modelo, que posa, descontraída em primeiro plano, enquanto no fundo, não há continuidade na paisagem retratada, onde vemos uma espécie de cachoeira, árvores mirabolantes e vegetação extravagante, estradas tortuosas que não levam a lugar algum. Segundo meu professor, é esse cenário, esse “fundo” da pintura que nos atrai para a contemplação, e não o sorriso da Mona Lisa, e isso não passou de um “artifício” do original Leonardo para atrair a admiração de seu público.

Enfim, apesar das inúmeras lendas que pairam sobre ela (e aqui abordamos apenas algumas), a única conclusão a que podemos chegar é que olhar persistente, o sorriso enigmático da Mona Lisa, apesar de sua idade, continua a seduzir a multidão e a fascinar os mais desprevenidos. Uma pintura inestimável, símbolo do maior museu do mundo e de um grande e talentoso artista.

Parabéns, Leonardo!
Parabéns, Mona Lisa!

Bela