Arquivo da categoria: Ana

Vagalumes e conta-gotas

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A quem poderia ser grande, dou o meu anão de jardim.
Àqueles que riram do meu cabelo, dou-lhes um cacho – de bananas – para guardarem de lembrança.
A você que me nunca me viu chorar, dou uma mini-garrafa com água do mar.

Se você nunca passou por aqui, dou-lhe um pedaço de papel para que anote aí:
O oposto de uma grande verdade é outra grande verdade…
E o oposto de uma grande mentira, o que é o que é?
É ladrão de mulher.

E ao palhaço que um dia sorriu pra mim, dou uma lágrima e uma caixa de clear-skin.
E à moça que espera na janela, dou um aceno de mão e uma rosca de canela, rosa alaranjada, cravínea na lapela, dentes brancos e um tapa na pantera.
À banda que me viu passar, dou um chicote e um serrote, fagote, pandeiro e caixote. Microfone sem fio, batuque na cozinha, capoeiristas e um violoncelo, que é pra rimar com amarelo.

Você que nunca me amou, dou um mamão e um espetinho de coração – de galinha – com farofa e milho verde, vinagrete e molho bechamel. Pinga com mel.

Canto uma cantiga antiga e dou uma paleta de cores pra pintar. Te pinto um sorriso na cara, e te encanto numa careta. Vai um café au chocolate? A-dô-lê-tá.

Puxo o rabo de cavalo da menina ao lado. Dou uma meia usada prum pé dum muleque. Vou na gangorra, brinco de masmorra, rio, torturo, faço amor com um sonho. Na pracinha escureceu.

Vagalume de estrelas e perfume de morfeu.
Me deu um beijo e morreu.

“… que sonhos traz o sono da morte, quando ao fim desenrolarmos
toda a meada mortal: isso nos põe suspensos…”

(W. Shakespeare – “To be or not to be”)

Texto e foto: Ana.

A Amiga

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Falava sempre aos amigos, de uma tal Donária. Nunca ninguém a viu, mas parecia ser uma amiga engraçada, sempre com os casos mais esdrúxulos a contar. Todos perguntavam, em coro:
– Dô-o-quê?
– Do-ná-ria!
– Que nome diferente!
– Pois é…

Donária era sua companhia para as aventuras mais hilárias. Jogar pedra no rio, catar coquinho, fazer guerrinha de mamona, pular o muro de casa, roubar manga do vizinho, beber até cair, dançar no balcão do bar… e por aí vai.
– Mas que doida esta Donária, heim?

Atiçava a curiosidade de todos. Donária já fora loira, já tivera os cabelos lisos, já fizera permanente nos cachos e usara lentes violeta. Donária já fora para a Europa, já lera todas as obras de Graciliano Ramos, já tivera a coleção inteira do Iron Maiden, já fora num show dos Beatles e já beijara o Jim Morrison. Donária era amiga da filha do Cartola!
– Essa Donária é danadinha mesmo, heim?

Aprendera a nadar com a Donária. A sorrir, a brincar, a dançar e a chorar com a Donária. Era ela quem lhe ensinava as maldade dos homens, e lhe contava das maravilhas mundo afora. Era ela que falava inglês com sotaque britânico perfeito, e que inventava os apelidos mais engraçados para os outros.
– E que dia vamos conhecer essa tal Donária?

Certo dia, ligou para a mãe, dizendo que estava no Shopping com a Donária, na loja tal. Mas sua mãe era esperta, pegou o carro e foi pra lá. E qual não foi a sua surpresa quando a mãe ali chegou, perguntando por Donária?

Donária era sua amiga… Imaginária!


Texto e foto: Ana.

Ps.: Este texto é para a Donária, que não é amiga imaginária!

Ao medo

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Paraliza, refrigera, condena.

Achei que nem estava ali. Do meu lado não, tenho certeza. E mais um passo meu à frente e você surge, imponente, turrão, a própria Grande Muralha da China, instransponível e monumental. Me empurra de volta, guilhotina de sonhos, catapulta de horrores.

Por que faz isso comigo? Gosta de me irritar?
Não faz a mínima questão, não é mesmo? Brinca com meu brinco, me olha, me joga, me pinta, me acusa. Me chama de querer bem, ignora, me esfrega na cara sua covardia, teimosia.

Diz uma coisa: é chato ser chato? Pois eu penso que até se diverte com isso. Zomba com a cara dos outros. Protege seus erros, recua… Justifica que assim tenta poupar os outros do próprio mal. Balela.

Você se esconde. Vive no crepúsculo, nas metáforas, no chove-não-molha, não chora, sem jogo, sem dor. E não vê que é assim que joga mais… Receio da chuva? Um gole d’água no peito faz até bem. Bebe e aceita um lampejo de cristal nos olhos faiscantes, e um girassol brota em seu ouvido, e sussura sobre moças de vestido de cetim azul e bigodes de gatos e flocos de neve e… A luz se apaga, o cinza te consome… Mais uma vez.

Menino assustado, você não passa disso. Sobressaltos com a própria sombra, vive à margem da grande imagem do que pode vir a se tornar. E assim, não alcança, nunca, a tela do cinema do filme da tua vida.

Eu sei, você sofre com isso. Inventa diversões e casos engraçados, histórias que nunca viverá, foge do assunto, finge que nem é com você. E ainda assim, sofre.

Mas eu sei que você queria ser livre pra atravessar o céu num suspiro, abraçar o mundo com um dedo, e carregar o suor das flores no cheiro da chuva. E você me inveja por isso.

Pois eu sei,
eu faço,
eu sinto,
eu choro,
eu brinco,
eu coro.

Eu sou mais eu. Amora e tangerina, baunilha com orquídeas em flor. Mais um passo e caio do edifício, na difícil tentativa de viver.

Prefiro o salto (alto).


Texto e foto: Ana.

CONGADO

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CONGADO
(Para meu primo Haroldo.)

Vem tum-tum
Tum-tum chegou
Passa tum-tum
Que eu tô aqui

Ilê tum-tum
Tum-tum lá vem
Bate tum-tum
Que eu bato também

Tum-tum é rei
Rainha também
Tum-tum é de pedra
De sal e de água
Tum-tum vem da terra
Princesa de África
Tum-tum vem do solo
De mãe, de pai

Tum-tum é de ouro
Minério de ferro
Bate tum-tum
Que eu bato também.

Texto, foto e vídeo: Ana

Em Movimento

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Olho em frente e montanhas se movem, de verde, de rocha, de ferro. Parece um cenário montado, um palco pronto para eu estrelar no precipício da vida.

Ao lado, um mar, ondas de azul, musgo esmeralda, pra lá, pra cá. Oceano pronto para um mergulho, navegação, pescaria de sonhos, cometas, quem sabe fisgar uma estrela, e fazer dela meu abatjour?

A chuva refresca minhas secas retinas geladas, ar preso no peito que aperta e cresce e dói, e se verte em berros mudos de água e sal. Vapor d’água que sobe e acaricia meus pés, brota do chão e faz cócegas nas pernas, brinca em meu corpo cansado, entregue ao calor. O mesmo corpo jogado de lado, esgotado após o encontro com o seu. O mesmo corpo que boia no céu de brigadeiro de colher, e mergulha em busca de faíscas de ouro granulado, pequenas pérolas que você larga no caminho.

Ensaio não é hora, e nem lugar. Merda pra mim, e que se acendam as luzes e se abram as cortinas. Subi no palco e vou dançar. Olhei através do vidro, vou me jogar. Quero o mar todinho… Todas as montanhas, o ar, as estrelas e o infinito são meus também. Me passa um pôr do sol? Me empresta aquela curva e o laranja pra brotar? Uma nuvem pra apagar, e a chuva a descolorir… Ao lado um riacho e uma casinha branca, com árvores e cancela, porta, janela, e um caminho de pedras. Vou correndo na frente, com um cesto de flores na mão, e já estou lá, acenando, a te esperar.

Cansei de catar coquinho. Melhor é respirar.

Ana (texto e foto).

Mundo Animal

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Era uma vez uma família de peixes. Peixo-Pai (enérgico e observador, o mais temido surubim daquelas bandas do rio, mais conhecido como “Suru-Barão, o grande Chefão”), Peixa-Mãe (a primeira-dama), Peixe-filho (de sexualidade duvidosa, não gostava de comer os outros peixes, sonhava fazer faculdade de moda e virar personal stylist das celebridades, e desejava sair do armário em breve para assumir seu lado vegetariano perante a sociedade), Peixete-Filha (digamos assim: menina de vida leviana, só pensava em beijar na boca e ser feliz, baladas noite afora na Peichá – boate famosa do bairro – era com ela mesma!).Um belo dia, Suru-Barão e primeira-dama resolveram viajar, para ver de perto e participar, pela primeira vez, da pororoca do Amazonas. Eles eram muito ligados a esportes radicais, sabe como? Não deu outra: Peixe-filho e Peixete resolveram dar umas voltinhas, e ir a uma festa do povinho popular da “Faculdade de Predadores Fluviais – curso só para Surubins, Jacarés-do-papo-amarelo e Cia Ltda.”. Festa estranha, gente esquisita. O pessoal resolveu puxar um fumo feito de uma alga importada da Índia, e daí saíram a vagar pela imensidão do rio, para praticar uma de suas maiores diversões: correr atrás azucrinando cardumes de lambaris-catadores-de-lixo. Seus pais sempre disseram para que ficassem longe das drogas, e não andarem sozinhos à noite com gente estranha… Mas, filhos são filhos, não é? Nunca escutam o que os pais falam…

O que aconteceu? Perderam a turminha de vista na “viagem astral” causada pelo fumo, e daí avistaram objetos estranhos. Pensaram ser delírio, pois nunca tinham visto nada parecido com aquilo… Uma luz piscando, além da superfície, parecia uma segunda Lua… Barulho de tapas na água… Um enorme gancho com um peixinho nunca dantes comido… Foram chegando perto… Uma espécie de caixa feita com objetos compridos e ocos, cheios de ar, verdes e transparentes, enfileirados… Pareciam garrafas, sabe como? Mais perto… Peixete estava curiooooosa!!! Peixe-filho morrendo de dó do peixinho preso no gancho… Ficou parado… olhando… hipnotizado… olhos cheios d’água… Mó viagem, morou?

Até que… Zás! A última visão deles foi de um ser gigantesco com uma espécie de avental branco e galochas de plástico.

Voltando do passeio, excitadíssimos para contar suas aventuras para os filhotes, Peixo e Peixa não os encontraram. Na porta de entrada, um bilhete:

“Pô bicho, teus filhos estavam conosco na festinha da galera, e foram vistos pela última vez perto margem direita do rio, ao lado da Alameda das Vitórias-Régia. Não levem nada nem ninguém, apenas vão buscá-los, pois a localidade não é pra grã-fino que nem vocês, e ali tem que ficar de olho aberto, saca?”

Desesperados, Peixo e Peixa foram atrás de suas crias. Suru-Barão preocupadíssimo com Peixete, que devia estar de mini-saia e maquiagem… E ser sequëstrada com tais trajes não pegaria bem para o pai, que almejava um lugar na “Câmara do Topo da Cadeia Alimentar de Rio Azul”. Já Peixa, chorava copiosamente, pensando que seu filhinho deveria estar passando fome nas mãos dos raptores, pois só ela sabia fazer alga refogada do jeito que ele gostava, al dente

Chegando ao local do crime… BAAAAMMMM! Era uma vez uma família de peixes…Querem saber onde foram parar???

Perguntem à dona das fotos, ou olhem no seu álbum do flickr o resto da trajetória dos “cadáveres” da família!Conclusão: “Nem toda história tem um desfecho feliz!”

ou

“Não é só peixe que morre pela boca.”

surubim na brasa 1

Concepção original e vegetarianismo: Didt’s
Receita escrita por: Cláudio Costa.

Churrasco: Ângelo

Adaptação, criação, fotos do churrasco, viagem astral: Ana.

Ps.: A foto no topo do texto foi retirada deste link.

Inspiração

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O desespero tomou conta de mim: não sei o quê escrever, sobre o quê falar, nada, nada, nada. Não quero falar de política, quanto menos redigir um monólogo sobre o dinheiro.

Preciso trabalhar, mas a chatice de todos os assuntos não me permite criar uma interpretação interessante e estimulante. As coisas se tornam monótonas, lentas, paralizadas, sem cores, sem vida, sem nada.

O vazio tomou conta de mim, como o vento chegou e varreu um horizonte belo… No entorno, destruição, queimadas, desabrigo, desatenção, desestímulo. Lágrimas secas que deixam vestígios de sal na fronte modificada, refletindo o brilho solar de um astro em decadência quando o ser clama por ele.

Deixo a cabeça pender para trás e respiro fundo…
Expiro de uma só vez. Abro os olhos e nada mudou.

Preciso de… Inspiração.

“Um encantamento, cuja tensão monstruosa se dissolve numa torrente de lágrimas, no qual o passo ora toma de assalto, ora se torna vagaroso, involuntariamente; um estar-fora-de-si completo, com a consciência mais distintiva de um sem-número de tremores e transbordamentos finíssimos, que são sentidos até os dedos dos pés; uma profundidade venturosa, na qual o mais dolorido e o mais sombrio não têm efeito de antítese, mas sim de condição, de desafio, como se fosse uma cor necessária no interior de uma tal abundância de luz; um instinto de relações rítmicas, que cobre vastos espaços – a longitude, o desejo de um ritmo estendido ao longe é quase a medida para a força da inspiração, uma espécie de equilíbrio contra sua pressão e sua tensão

Tudo acontece, no mais alto grau, de maneira involuntária, mas como se fosse um tempo de sentimentos de liberdade, de incondicionalidade, de potência, de divindade

Tudo se oferece como se fosse a expressão mais próxima, a mais correta, a mais simples…

Todas as coisas vêm acariciantes em busca do teu discurso e te adulamTudo o que é ser quer se tornar palavra, tudo o que é vir-a-ser quer aprender a falar contigo.

Esta é a minha experiência da inspiração; não duvido que se deva remontar séculos para achar alguém que me possa dizer: é todavia a minha.”

(Friedrich Nietzsche – Assim Falou Zaratustra)

Não tenho nada a ensinar, nada a dizer. Tenho muito a aprender…

Ana.

Ps.: Ilustração encontrada em Letras ao Vento, pelo Google Imagens.

BH 40 Graus

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Hoje eu achei que iria ficar louca de tanto calor… Achei não, enlouqueci, pirei. Pois onde já se viu escrever um texto desses de uma vez?
O dia já começou atrasado: de tanto calor, esquecemos todos do despertador. Apenas o sol acordou antes, já estava quente e com raios brilhantes, postado lá no céu, alto, sorridente, zombava da gente. Ultra-violeta ou não, vou logo tratar de me proteger. FPS 30, que é para não enrubecer.
– Será que hoje vai fazer frio?
Pensei em voz alta, forçando a barra para vestir uma blusinha meia-estação.
– Tá louca? Tem chance não!
Respondeu meu irmão, revoltado por ter de ir enternado, se internar no escritório, para desenterrar 10 petições iniciais, 5 agravos e 01 embargo declaratório.
Chego ao trabalho, e por questão de 40 segundos, não me atrasei.
– Ufa! – logo pensei.
Abro o armário, e dou de cara com uma sindicância, a ser instauranda em caráter de urgência. Tenho que tomar tenência, agir com obediência, e não ter tanta implicância com tantas coisas chatas para resolver e analisar.
E de tanta água que bebi, e de tanta chatice que engoli, me deu ânsia, até incontinente fiquei, o banheiro foi meu amigo, companheiro de desidratação. Pelo menos era o local mais fresco da repartição.
– Cuidado para não pegar uma insolação!
No almoço, correria só. Chegando à academia, olho o termômetro da rua: BH 40 graus. E eu fazendo ginástica, tentando não derreter… Aproveitei para me entreter:
– Será que malhar no calor emagrece mais?
Comi correndo, voltei correndo. O banho de nada adiantou.
– Só andou dali até aqui, e já suou!?
Disse o secretário, ao me ver toda molhada, estranhando a doutora, que só anda perfumada.
E assim segui o dia, suando em cima do processo.
Espero que isso não me cause um abscesso.

Texto e foto: Ana.

É logo ali

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O texto de hoje vocês vão ler e comentar lá no MARMOTA!

É logo ali, texto escrito a 4 mãos…

(Obra minha e da Marília Alvarenga.)

Ana.

(Foto encontrada no site: Dr. Megavolt’s Hideout.)

De conflitos, de Lua, e de paz

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Eu vivo sempre no mundo da lua
Porque sou um cientista homeopata
futurista e lunático
Eu vivo sempre no mundo da lua
Tenho alma de
artista sou um gênio
sonhador e romântico
Eu vivo sempre no mundo da lua
Porque sou um aventureiro
desde o meu primeiro passo
no infinito
Eu vivo sempre no mundo da lua
Porque sou inteligente
se você quer vir com a gente
venha que será um barato
Pega carona nesta cauda de cometa
ver via láctea
estrada tão bonita
Brincar de esconde-esconde
numa nebulosa
voltar pra casa
em um lindo balão azul.

(Lindo Balão Azul – Guilherme Arantes)

Se um dia eu te quero, no outro eu te venero, te ligo, te chamo, te faço minha mulher. Dia seguinte é outro dia: posso te querer e não saber, posso te amar, mas num segundo te odiar, posso não fazer e fingir que nem percebi.

Altero minha percepção, me embriago, fico assim, leve, fazendo de conta que sou feliz. Tem gente que acredita, e então o que me aflige some como que por mágica… Mas eu sei que tudo continua ali, da mesma forma, do mesmo jeito, a mesma merda. Quanto mais ignoro, mais me desespero, e o dia seguinte vem como uma pedra, em que eu me bato, me lavo, me torturo, sofro, e carrego comigo, minha cruz.

Porque eu vivo sempre no mundo da Lua, só faço o que quero, e não na hora sua. Se quiser vir comigo, vai ter que ser assim. Não te ignoro, apenas não sei ver, agir, sorrir. Será que meu medo é de viver? E tenho mais o que fazer, porque sou inteligente, tenho alma de artista, sou um gênio sonhador e romântico, cientista, homeopático, futurista e lunático. Sou rock n’ roll, sou do mundo, sou da terra, sou do mar, sou fogo, sei o que sou, e eu vou fundo, sigo em frente, e não volto atrás.

Assim, me vou, como quem não quer nada, como alguém que nem veio. Sou um fantasma, e tu és minha fada, mas aí eu sumo, e não assumo, dou meu jeito, te engano, me envergonho, sempre me envergonho. Despeço-me com um beijo, evaporo no teu cheiro, com que me tortura e me faz sentir você.

Então vem fazer o que eu quero, vem comigo ao mundo da Lua, ser artista, inteligente, futurista e romântico. Vem viver de carona, de ar, de brisa do mar, de dor, de amor (dor de amor?)… Um momento, paro e penso: e minha pedra? Ela também vai, não pode ficar pra trás, não te quero mais. Sou conflito, sou guerra, sou paz.

Ana.

Foto: Lua-Cheia, Jornal da Poesia.