Arquivo do autor:Ana Letícia

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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

Entre pés e costelas

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Objetos :-)

(ou: Devaneios sobre ossos quebrados alheios)


Sempre torci o pé e para mim isso sempre foi uma coisa “normal” e corriqueira. Sou completamente viciada em esportes e na escola jogava queimada, ginástica olímpica, corrida, futebol, natação, ping-pong, basquete, handball, vôlei… Não parava quieta e minhas muitas atividades físicas sempre causaram dores musculares e algumas leves contusões, nada que me prejudicasse muito.

Só que essa “normalidade” toda, um dia se tornou estranha pra mim, depois de uma conversa com minha tia, que é psicóloga. Este papo ocorreu após o seguinte acontecimento: estava em minha casa, num dia de folga do treino, rodopiando como uma louca meus fouettés an tournant. Eis que escorrego, viro o pé e caio no chão, da mesmíssima forma que eu já caíra inúmeras vezes nos treinos na escola de ballet. A diferença foi que a torção no pé foi bem feia, inchou muito, e por pura sorte não rompi todos os ligamentos do tornozelo (assim disse o ortopedista durante a consulta)…

Nesta época, minha vida estava uma loucura e não sabia onde iria parar com tanta gandaia, não sabia o que queria da vida, entre outras coisitas que permeiam a mente e a vida de alguns adolescentes tardios (como eu). Segundo minha tia, esta torção no pé simbolizou minha falta de rumo e acabou que, obrigatoriamente, me forçou a parar e repensar sobre minha breve vida, durante as muitas sessões de fisioterapia a que tive que comparecer a fim de andar e dançar de forma normal novamente. E não é que deu certo?

Pensando por este lado, faria sentido, então, alguém quebrar a costela quando se está passando por dificuldades emocionais, sentimentais, quando se está insatisfeito com escolhas que se anda fazendo, “amorosamente” falando… Pensem bem, o esqueleto humano é composto por 206 ossos (segundo a wikipedia), e o ossinho localizado no tórax – a costela – foi o escolhido por Deus para confeccionar a mulher, aperfeiçoando (em termos) sua criação original – o homem…

Religiões e devaneios à parte, na dúvida na dúvida é melhor prestar mais atenção no chão em que pisamos – e não fazer fouettés an tournant em piso com sinteco!

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Terapia do Papel

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O menino aprendeu a usar as palavras.

A terapia do papel continua, uma saga que não terá fim, ao menos não enquanto me restar tinta e caderno, ainda que não disponha de uma “Montblanc” ou sequer de um “Moleskine” (ambos virtuosos iniciados em “mo”!?).

Ando cheia da unha que cresce, obrigando o esmalte a ser substituído precocemente.
Ando cheia do porteiro azul e da cobra com gestos de bebê chorão. A mim não enganam, não perderei a razão.
Ando cheia das consultas e do soar do telefone, do aparelho ortodônitico e da gordura localizada.
Quero cuidar de patas quebradas, do amor que resiste.
Quero descansar à base de água de côco, sol, sal e mar.

Mas… Ainda estou aqui;
Ciao, vou ao bar.

Ana.

(Texto: Ana Letícia)
Foto de uma página da seção FOCO da Revista Caras, 2008.

Arrebatador (*)

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Sem cabeça
(*) Texto original publicado aos 14.06.2007.


Vou parar de fingir que não estou nem aí. Vou parar de fazer ironias e dizer coisas sem sentido, e nunca falar o que eu quero de verdade. Vou parar de fingir que estou tranquila no meu canto e que não penso em você a todo instante.

Vou parar de fingir que não quero falar com você todos os dias e parar de fazer o tipo “ocupada todo o tempo”. Não mais fingirei que não fico todos os dias te esperando dar um sinal de vida, tomar mais uma pílula que seja de sua atenção.

Não vou mais fingir que não me decepciono, que toda a minha agressividade, ironia e sarcasmo não são em decorrência de faltas e atitudes.

Não falarei mais com você sobre coisas não corriqueiras, mas sobre como foi o meu dia, perguntarei como foi o seu, admitirei que faço planos, sonho, penso e programo um monte de coisas, erro, grito, xingo, faço xixi e tremo choro quando estou com raiva.

Vou parar de fingir que não me lembro do seu toque, da sua voz. Vou parar de fingir que não me apaixonei por você.

Quero ouvir todas as suas letras, não só as entrelinhas. Quero parar de decifrar símbolos, palavras, reações. Quero simplesmente ouvir que me quer e nada mais. Simples assim.

Vou te falar uma só coisa: esta não é só mais uma historinha de amor, dessas que a gente menciona pros amigos, filhos e netos, um caso, uma aventura, algo que morreu por aí.

Vou parar de enrolar e dizer de uma só vez: eu quero que seja arrebatador.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Andares

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Esquadros

Falta algum tempo que eu não sei quanto é.
Angústia é não saber de mais nada quando já se sabe muito.
Sobram lágrimas sobre os pés pintados que eu não sei onde vão.
Felicidade é saber
Amor é querer
Cotidiano é sofrer
Viver é morrer.

Ana.

(Ana Letícia: foto e texto.)

A Casa Grande

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Casa Grande & Senzala

Ontem, Thiago publicou uma crônica intitulada “Arquitetura da Casa Grande“, que por algum motivo me fez lembrar da notória briga entre os Ministros do nosso Tribunal Supremo (STF), a tal discussão que caiu no gosto da mídia e foi campeã de audiência no ‘iutubiu‘.

Na fazenda do meu bisavô (foto acima), empregado não entrava dentro da “casa grande”, nem sequer subia a escadaria da varanda, que dava na entrada da casa. A comida deles nem era ali servida, quando muito, colocavam-na em marmitas ou pratos de metal lá embaixo, no primeiro degrau, o mais perto do chão possível.

Minha mãe e tia não podiam sequer aparecer ou brincar na varanda, pois “os homens” poderiam vê-las. E as ditas empregadas domésticas, da cozinha pra dentro da casa, não podiam passar. Eram proibidas até mesmo de levar os comes e bebes à mesa, onde a família se sentava e aguardava o almoço. Arrumar os quartos, então, fora de cogitação! Se assim o fizessem, sei lá, deviam ser até penalizadas com chibatadas, como se escravas ainda fossem… (Quem arrumava a casa, limpava o chão, colocava à mesa? Minha mãe e sua irmã, minha tia, oras!)

Imaginem então o quão próximo de nós está esta realidade discriminatória… De uma certa forma, é até fácil entender como o pensamento “racial” e “preconceituoso” se desenvolveu e foi incutido nas cabeças de grande parte dos brasileiros… Afinal de contas, Casa Grande e Senzala fomos, e em alguns confins do Brasil, ainda somos até hoje, infelizmente! Os da “alta sociedade” atual, que são da idade de nossos pais ou mais velhos, vivenciaram essa realidade muito de perto, quando crianças ainda, e para eles esse comportamento sempre foi passado como algo certo, natural, normal…

Por isso penso que ser muito difícil mudar isso de cima pra baixo… Educação começa do berço! As crianças é que devem ser bem EDUCADAS, humanamente falando, não só nas escolas, mas em suas casas por suas famílias também… Princípios, moral, caráter, respeito, igualdade, humildade, fraternidade, e amor ao próximo.
Fica chato bater na mesma tecla…
Mas falta AMOR no mundo.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

INFORMATIVO – MINEIRAS UAI

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Caros leitores,

O presente “Mineiras, uai!” no WORDPRESS foi criado para que, futuramente, eu possa migrar todo o conteúdo do blogspot para cá. Enquanto isso não se concretiza (se é que algum dia, de fato, conseguirei fazer esta proeza), continuo publicando meus textos, poemas, fotografias e devaneios no:

www.mineirasuai.blogspot.com.

Portanto, se estão em busca de atualizações, corram pra , ou assinem o feed para serem notificados: http://feeds.feedburner.com/mineirasuai.

Aguardo suas visitas e comentários por !

Até mais ler…

Ana.
falecom.mineirasuai@gmail.com
http://www.mineirasuai.blogspot.com

Os dentes e os trapos

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A terra é redonda

O dia passa lentamente, as horas escoam pelos cantos da mesa, já nem sei onde estou. Minhas palavras, que não são poucas, mal são ouvidas, balbuciadas por mim nas horas de torpor. Em meio a tanta gente, vejo você em seu olhar leonino, penetrando entranhas e sugando minha carne com a ferocidade de um gatinho assustado querendo se aconchegar.

Do outro lado da rua, um pomar de águas-vivas sobrevive à sequidão sentimental, que atualmente cisma em jogar dardos com seu parceiro noturno, animador de festas, passatempo de andarilhos e agente inebriante de algumas mentes que se esqueceram de um dia brilhar. E, ao cruzar contigo, me deixo invadir pela onda de seus fartos cabelos. Submersa em meias palavras, curo a ressaca do dia que se tornou noite, após longos caminhos de fumaça vermelha e vapor de poeira estelar. Ignoro o veneno que me queima a pele, causado por viva água, bela e suculenta, fingindo gostar de sofrer, de rolar em chão de espinhos gelatinosos.

Uma missão cumprida na sujeira azul de um planeta chamado Eu, varrendo pensamentos e espantando carniceiros. Roubam a vida das águas, lhes retiram o sal. Sem suor, sem lágrimas, corro a seu encalço, lhe prendo as vestes sob postes e luares e tasco um belo de um beijo que nunca se esquecerá.

O mundo some e o dia acaba, esquecemos de tudo e falamos de um nada tão distante que nem sabemos da dor que se fez riso. Do branco do seu dente cariado ou do redemoinho que restou de meus trapos.

Ana.

(Ana Letícia: texto e foto.)

Sobre a "dita cuja" (gripe) suína…

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Em meio às árvores...

Na dúvida é não facilitar…
Na dúvida é amar ao próximo como ama a ti mesmo.
Prestem atenção: como ama a ti mesmo.
Há um tom de egoísmo na pregação de Inácio de Loyola (e na doutrina Jesuíta)?
Já ouvi muita gente falar muita besteira sobre isso. Sempre discordei veementemente.
Egoísmo é importar-se com o seu vizinho só porque ele é pobrezinho e não pode ficar doente, pra não transmitir doença pra você!
Mas amar a si próprio é fundamental para que possamos amar o outro. Só assim conseguimos olhar o que tem lá fora: quando a gente se volta para dentro e percebe o quão frágeis todos nós somos. E é aí que enxergamos a única certeza que podemos ter em vida – a morte! E assim, todos somos iguais, vulneráveis, egoístas, incapazes de dizer “eu te amo” com amor verdadeiro, na hora que dá vontade. Pensamos em ações e reações, pesamos riscos, fazemos seguro de vida, carro, imóvel…
E assim, fazemos mal.
E assim, faz mal aquele que despeja lixo nos rios, polui o ar, faz mal não respeitar o direito do próximo, faz mal não amar, não se colocar no lugar do outro.
Menos preconceito.
Mais amor
Sorrisos
Aplausos
Cores.
VIDA.

(Clique para ouvir)

Ana.

(Foto e texto: Ana Letícia.)

Preciso dizer mais alguma coisa?

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Mamãe

“Mamãe,

Você é tan linda, mais tan linda, que parece uma tolipa vermelia no jardim!”

(Eu, quando tinha 6 anos.)

Ana Letícia.

Foto: Minha mãe, 2008.

Cruzadas

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Lua Gigante

E eu que nunca fui santa, um dia aprendi
A subir no salto e não cair em falso
Pés que se cruzam numa rua torta chamada amor.

E eu que nunca fui besta, um dia freira tornei
Na sexta-feira me atrasei, beata virei, num reza e lava sem parar
Mãos que se cruzam em prece e tocam o coração de quem passar.

E nós que somos tudo e não somos nada
Que somos juntos e estamos surdos
Calados no meio do barulho do mundo
Gritamos na rua torta pra ninguém escutar
Cruzamos os dedos e caímos juntos
E tocamos os pés com o luar
As mãos sob lençóis pescam paisagens e anzóis

Amor de dois
Dor depois.

Ana.

(Foto e texto: Ana Letícia.)