Entre pés e costelas

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Objetos :-)

(ou: Devaneios sobre ossos quebrados alheios)


Sempre torci o pé e para mim isso sempre foi uma coisa “normal” e corriqueira. Sou completamente viciada em esportes e na escola jogava queimada, ginástica olímpica, corrida, futebol, natação, ping-pong, basquete, handball, vôlei… Não parava quieta e minhas muitas atividades físicas sempre causaram dores musculares e algumas leves contusões, nada que me prejudicasse muito.

Só que essa “normalidade” toda, um dia se tornou estranha pra mim, depois de uma conversa com minha tia, que é psicóloga. Este papo ocorreu após o seguinte acontecimento: estava em minha casa, num dia de folga do treino, rodopiando como uma louca meus fouettés an tournant. Eis que escorrego, viro o pé e caio no chão, da mesmíssima forma que eu já caíra inúmeras vezes nos treinos na escola de ballet. A diferença foi que a torção no pé foi bem feia, inchou muito, e por pura sorte não rompi todos os ligamentos do tornozelo (assim disse o ortopedista durante a consulta)…

Nesta época, minha vida estava uma loucura e não sabia onde iria parar com tanta gandaia, não sabia o que queria da vida, entre outras coisitas que permeiam a mente e a vida de alguns adolescentes tardios (como eu). Segundo minha tia, esta torção no pé simbolizou minha falta de rumo e acabou que, obrigatoriamente, me forçou a parar e repensar sobre minha breve vida, durante as muitas sessões de fisioterapia a que tive que comparecer a fim de andar e dançar de forma normal novamente. E não é que deu certo?

Pensando por este lado, faria sentido, então, alguém quebrar a costela quando se está passando por dificuldades emocionais, sentimentais, quando se está insatisfeito com escolhas que se anda fazendo, “amorosamente” falando… Pensem bem, o esqueleto humano é composto por 206 ossos (segundo a wikipedia), e o ossinho localizado no tórax – a costela – foi o escolhido por Deus para confeccionar a mulher, aperfeiçoando (em termos) sua criação original – o homem…

Religiões e devaneios à parte, na dúvida na dúvida é melhor prestar mais atenção no chão em que pisamos – e não fazer fouettés an tournant em piso com sinteco!

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)
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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

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