A Nova Lei de Murphy – Parte I

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Ontem foi 1º de Maio. Dia do Trabalhador. Se o trabalhador trabalha todos os dias, não sei porquê a necessidade de se dedicar um único dia a ele, afinal, por ser o burro de carga que move a engrenagem do país, merecia coisa melhor. O mesmo se aplica ao Dia da Mulher, Dia do Índio, Dia da Árvore… e por aí vai. Atípicamente, a CUT – historicamente a grande agitadora do 1º de Maio – ontem ficou quietinha, quietinha… Afinal, agora assume posições dominantes no cenário político de nosso país. É até engraçado ver o pessoal da direita comemorando e fazendo palanque com o Dia do Trabalhador…
Mas não, não vim aqui para falar sobre o 1º de Maio, seria repetitivo demais (pesquisando a palavra “Trabalhador” na “pesquisa de Blogs” do Google, encontrei 17.424 ocorrências em 0,43 segundos!!!). No entanto, para não sair muito do tema, exporei abaixo alguns dos novos princípios por mim constatados – e comprovados empíricamente – da tão famosa e famigerada Lei de Murphy, desta vez sendo aplicada num local que todo trabalhador que se preze conhece muito bem…

No ônibus


  1. Vc chega no ponto e o seu ônibus acabou de passar, sendo que ele só passa de 20 em 20 minutos… Como se já não bastassem os 20 minutos em pé na calçada esperando o próximo (porque em BH não é todo lugar que tem banquinho pra sentar nem marquise pra te proteger do sol), você está carregando bolsa, pasta, sacola com compras, sombrinha e blusa de frio, e ainda tem de aturar os ambulantes gritando e repetindo no seu ouvido: “Salão de beleza, salão de beleza é o salão! É 2 pra cortar, escova é 5!”; “Bala de goma, 3 por 1 real! Bala de goma, 3 por 1 real!”…
  1. Vc entra no ônibus e, como não tem trocado, dá uma nota de R$ 10,00 pro trocador, que NUNCA tem troco pra te dar na hora. Você tem q ficar esperando um mísero troquinho de 8 reais e poucos em pé, segurando no ônibus pra não cair com uma mão, e com a outra carregando bolsa, pasta, sacola com compras, sombrinha, blusa de frio e a carteira…
  1. Ufa, o ônibus está vazio… Mas alegria de pobre trabalhador dura pouco, e a Lei de Murphy tarda mas não falha! Rapidinho todas as cadeiras são ocupadas, e antes que você se sente, vem uma gorda com 3 crianças num braço e 10 sacolas de supermercado na mão e se senta – ocupando as 4 últimas cadeiras vagas.
  1. Enfim, a gorda desce e você consegue se sentar. Que sorte! (Você pensa…) Logo vê que não há mais locais vagos e como você era a única pessoa de pé, fica toda orgulhosa e aliviada por ter conseguido um banco duro pra descansar as pernas, e ainda por cima no mais alto deles, pertinho da janela!… O ônibus para no ponto: entra apenas 1 senhor. O tiozinho, coitado, de bermuda e camiseta regata, todo suado, encaminha-se para o fundo do ônibus, agora ele é o único passageiro em pé, e por isso tem a liberdade de poder escolher o lugar para ficar. E toma Lei de Murphy! Claro que o tio resolve ficar parado bem do seu lado, de pé, no busão… Obviamente que ele usa desodorante vencido e ainda levanta o braço para segurar no busão, posicionando assim sua axila peluda e suada (pra não falar SOVACO com cecê) a aproximadamente 4,3 cm de distância do seu nariz!!!
  1. Quando você acha que a coisa não poderia piorar… O bus fica lotado, o tiozinho não é mais o único a usar desodorante vencido, o sol bate forte na janela, nem um ventinhozinho sequer. As pessoas começam a descer… Ao pedirem licença pro tiozinho, o mesmo inclina o corpo (e o sovacão suado) mais e mais em direção ao seu rosto, e o seu abdômen avantajado (isto é, barrigão de chop) chega a encostar em seu braço (ai, que nojo! E ai, que ódio!)… O passageiro do seu lado já está todo espremido, igual sardinha em lata, mais precisamente entre você e o vidro da janela do ônibus, e o pior: já te olha meio torto, provavelmente pensando que você é que tem cecê, e ainda por cima que é a maior folgada!


Texto por: Ana

Ps.: Sabe o que é INCLUSÃO? Então renove seus conceitos… Só no BOCALIBRE.

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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

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