QUEM NÃO ARRISCA, NÃO PETISCA!

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A gente sempre fica imaginando que “se isso não tivesse acontecido…”, “se eu fizesse tal coisa seria diferente”… Se, se, se, se… epa! Calma lá! A vida não é feita de sesss, mas de momentos… não tem como a gente imaginar como seria determinada situação, se a posição tomada por nós tivesse sido outra. Claro que fazemos suposições boas e ruins, mas creio que toda escolha tende a ser para o alcance de nossa felicidade!

Uma vez li um texto que se chama “Empurre sua vaquinha”, onde a moral da história é que toda mudança tende a ser para melhor. E realmente creio nisso. Não fico vivendo de passado (“quem vive de passado é museu!”), lamentando do que não fiz, neste ponto me acho até ousada… e arrisco algumas coisas para tentar alcançar a felicidade. Se a decisão a tomar irá afetar vários fatores da minha vida, pondero mais. Lembrando de algumas fases, como por exemplo quando larguei um estágio com salário alto, para ganhar uma mixaria e aprender mais, vejo que no final fiz as escolhas corretas.

E até em relação às coisas do coração arrisco mais do que fico pensando, “se eu tivesse dado bola pro gatinho…”, “se me dissesse sim…” Acho que vivemos uma vida onde “quem não arrisca, não petisca”, e por isso tenho tido alguns progressos em minha história “O Cravo e a Rosa”. Só abrindo um parêntese, o Cravo esta semana deu à Rosa um arranjo de flores MARAVILHOSO, no dia de seu aniversário, e agradou a ela o máximo durante a noite. Ainda não é namoro, mas o amor realmente é lindo!!! Bem, mas este assunto será publicado em outro post.

Voltando aos “sess” da nossa vida… Li esta semana mais um dos excelentes textos do Fernando Veríssimo, que trata das alternativas da vida e do que poderia acontecer “se tudo fosse diferente”. Acho que vocês irão gostar!
Não vamos viver de lamentações, vamos viver pra valer a realidade e tentar fazer o melhor possível para alcançar a nossa felicidade!

Beijos a todos, Lú

Alternativas

Vivemos cercados pelas nossas alternativas, pelo que podíamos ter sido. Ah, se apenas tivéssemos acertado aquele número (Unzinho e eu ganhava a Sena acumulada), topado aquele emprego, completado aquele curso, chegado antes, chegado depois, dito “sim”, dito “não”, ido para Londrina, casado com a Doralice, feito aquele teste…
Agora mesmo neste bar imaginário em que estou bebendo para esquecer o que não fiz aliás, o nome do bar é Imaginário, sentou um cara do meu lado direito e se apresentou:

– Eu sou você, se tivesse feito aquele teste no Botafogo.
E ele tem mesmo a minha idade e a minha cara. E o mesmo desconsolo.
– Por quê? Sua vida não foi melhor do que a minha?
– Durante um certo tempo, foi. Cheguei a titular. Cheguei a seleção. Fiz um grande contrato. Levava uma grande vida. Até que um dia…
– Eu sei, eu sei… disse alguém sentado ao lado dele.
Olhamos para o intrometido. Tinha a nossa idade e a nossa cara e não parecia mais feliz do que nós. Ele continuou:
– Você hesitou entre sair e não sair do gol. Não saiu, levou o único gol do jogo, caiu em desgraça, largou o futebol e foi ser um medíocre propagandista.
– Como é que você sabe?
– Eu sou você, se tivesse saído do gol. Não só peguei a bola como mandei para o ataque com tanta perfeição que fizemos o gol da vitória. Fui considerado o herói do jogo. No jogo seguinte, hesitei entre me atirar nos pés de um atacante e não me atirar. Como era um “herói”, me atirei.
– Levei um chute na cabeça. Não pude ser mais nada. Nem propagandista. Ganho uma miséria do INSS e só faço isto: bebo e me queixo da vida. Se não tivesse ido nos pés do atacante…
– Ele chutaria para fora.
Quem falou foi o outro sósia nosso, ao lado dele, que em seguida se apresentou:
– Eu sou você se não tivesse ido naquela bola. Não faria diferença. Não seria gol. Minha carreira continuou. Fiquei cada vez mais famoso, e agora com fama de sortudo também. Fui vendido para o futebol europeu, por uma fábula. O primeiro goleiro brasileiro a ir jogar na Europa. Embarquei com festa no Rio…
– E o que aconteceu? perguntamos os três em uníssono.
– Lembra aquele avião da VARIG que caiu na chegada em Paris?
– Você…
– Morri com 28 anos.
– Bem que tínhamos notado sua palidez.
– Pensando bem, foi melhor não fazer aquele teste no Botafogo…
– E ter levado o chute na cabeça…
– Foi melhor, continuou, ter ido fazer o concurso para o serviço público naquele dia. Ah, se eu tivesse passado…
– Você deve estar brincando, disse alguém sentado a minha esquerda.
Tinha a minha cara, mas parecia mais velho e desanimado.
– Quem é você?
– Eu sou você, se tivesse entrado para o serviço público.
Vi que todas as banquetas do bar à esquerda dele estavam ocupadas por versões de mim no serviço público, uma mais desiludida do que a outra. As conseqüências de anos de decisões erradas, alianças fracassadas, pequenas traições, promoções negadas e frustração. Olhei em volta. Eu lotava o bar. Todas as mesas estavam ocupadas por minhas alternativas e nenhuma parecia estar contente. Comentei com o barman que, no fim, quem estava com o melhor aspecto, ali, era eu mesmo. O barman fez que sim com a cabeça, tristemente. Só então notei que ele também tinha a minha cara, só que com mais rugas.
– Quem é você? perguntei.
– Eu sou você, se tivesse casado com a Doralice.
– E?
Ele não respondeu. Só fez um sinal, com o dedão virado para baixo…
Sua vida não é feita de decisões que você não toma, ou das atitudes que você não teve, mas sim, daquilo que foi feito! Se bom ou não, penso, é melhor viver do futuro que passado.
Luís Fernando Veríssimo
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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

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