Ô Mico!

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E por falar em situações inusitadas, muitas vezes eu acho que sou a rainha dos micos! Se bem que, pelo menos aqui no blog já tenho a Donária como minha forte concorrente… (aquela do taxi que não era taxi pra mim foi o cúmulo!) Tem uma amiga da época do Colégio, então, que era “palosa” demais, até a gente que não tinha nada a ver com a “pála” acabava entrando no meio da história, eu mesma já fui vítima das pálas antológicas da Fê.
Teve um dia em que descíamos juntas as escadas do Loyola, conversando, a Fê gesticulando as mãos e os braços para todas as direções (coisa de italiano, né – a família dela tem raízes na “bota”). Lá de baixo, vinha subindo um garoto uns 2 anos mais velho que a gente – nós devíamos ser do 1º ano e ele do 3º – ao qual chamávamos de “Luquinhas” (apesar de ele nunca ter notado a nossa existência, até aquele dia pelo menos, nós sabíamos o seu nome), achávamos gatinho e coisa e tal. Fernanda se empolgou, e contava o caso cada vez mais de forma mais enfática e, é claro, gesticulando mais.
No exato momento em que cruzamos com ele na escadaria, a Fê, de tanto gesticular, acabou batendo a mão na bunda do menino (e eu prefiro pensar que realmente foi sem querer). Só que já estávamos mais pro final das escadas, e na portaria do Colégio tinha uma grande multidão, querendo ir embora. Pois não é que a Fernanda me bate a mão no bumbum do dito cujo, sai correndo e se enfia no meio da multidão, e eu lá, parada, sem entender nada do disparo da dona Fernanda, e o menino olhando prá mim com uma cara… pensando que eu é que tinha “passado a mão” nele, quase me batendo. Só quando eu consegui me enfiar na multidão e sair para a calçada do lado de fora, foi que eu dei de frente com a Fê, com a cara mais vermelha deste mundo, passando mal de tanto rir de mim, me explicando o ocorrido. Vocação para pagar micos, é comigo mesmo!
Há alguns anos antes do fato acima, estava eu, minha mãe e meu pai fazendo caminhada na Praça da Liberdade numa fim de tarde de um agradável domingo. Meu pai, piadista que é, resolveu dar a volta pela ‘contra-mão’ na praça, no intuito de “ver se achava alguém conhecido’ – pois andando na ‘contra-mão’ a gente vê os rostos das pessoas, né.
Eu e mamãe continuamos na mesma direção, prá marcar o tempo que íamos demorar prá reencontrar com o papai na praça. Demos uma volta e nada. Duas, nada. Três, nada de Cláudio Costa. Na quarta volta, resolvemos ficar paradas no mesmo lugar, tentando localizá-lo no meio do povo. Olhei para a minha direita e vi o papai, lá na frente, caminhando conversando com uma mulher, loura.
– “Olha o papai ali, mãe!” E saí correndo na direção, no intuito de “dar um flagrante” nele, que muito animadamente conversava com aquela mulher, que nunca tínhamos visto antes.
Tomei distância e saí em disparada, e chegando perto, de um pulo só agarrei o papai pelas costas. Momento slow motion: eu no ar, pulando pra alcançar as costas do meu pai, pensando ” nossa, o papai tá mais alto, mais cabeludo, com as costas mais largas!” Falei, agarrada às costas como se fosse um macaquinho:
– “Ê pai, te peguei no flagra, heim? Quem é essa aí?”
Foi quando os dois pararam (o “meu pai” e a loura) e fui tirada das costas, o homem tentando se explicar prá mulher, que eu não era filha dele, e eu olhando prá cara do homem, assustada “Uai, você não é o meu pai”!
Na mesma velocidade em que corri em direção do homem, virei e corri em direção da mamãe, e foi quando eu vi, ela e meu pai, dando gargalhadas de tanto rir de mim confundindo meu pai com outro homem. Todos me olhando, sem exceção. Ai, que vergonha, que mico!!!
E o Chevete do meu pai? Teve uma época que tínhamos um Chevete branco, muito arrumadinho, era o xodó da casa, até meu pai comprar o Monza (que está conosco desde 1987 – já é peça de museu!). O Chevete, meio enciumado, começou a dar problema atrás de problema, vivia na oficina. Num belo dia, resolveu disparar a buzina, e por onde a gente passava era:
– Pan-pan-paaaaaaannnnnn! Pan-pan-paaaaaaaannnnn! (Detalhe que a gente nem encostava na buzina, ela tinha vontade própria!)
Eu, no auge da minha aborrecência (lá pros 13, 14 anos), fazia todas as ginásticas e esgotava todos os argumentos possíveis para que meu pai me levasse no colégio de Monza, e não de Chevete. Mesmo assim, eu descia do carro no quarteirão de cima, prá ninguém me ver chegando no Colégio de carona com o “papai”.
Só que, como sempre, naquele dia em específico, o Monza é que foi parar na oficina, e meu pai foi me levar de Chevete com a buzina disparada no Colégio. Obviamente que eu pedi prá descer antes, mas parece que meu pai queria me ver com vergonha, e insistiu prá me deixar na porta!
O pior: era dia de Olimpíadas do Colégio, e estava todo mundo na porta, fazendo torcida, concentração, etc, e a minha chegada sendo anunciada:
– Pan-pan-paaaaaaannnnnnnnnn! Pan-pan-paaaaaaannnnnnnn! Tchau, filhinha, dá um beijo no pai!
O que eu queria era dar um soco nele e desaparecer!
Pois é, pessoal, com esse histórico aí, nem precisa de diploma de bacharel em pagar micos, né não?

Beijos

Ana Letícia

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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

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