QUEM LÊ, VIAJA!

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Ontem, ao sair do trabalho, fui dar uma voltinha básica num dos shopping mais bonitos daqui, o BH Shopping (quem não gosta de lá?). Dentre todas as lojas, a que me chama mais atenção e na qual eu passo horas olhando os produtos é a Leitura. Realmente eu viajo quando entro nesta loja, fico impressionada com os milhares de livros que tem lá, de todos os tipos e para todos os gostos, bonitos, coloridos, divertidos… de drama, suspense, folhetim, poesia, auto-biografia, religião, noticiário, charges, histórias românticas, educacionais… para ler em casa, no trabalho, no ônibus, numa horinha de folga, num final de semana tranqüilo (lembram-se do Desejo Hedonista?).

Olhando e lendo rapidamente os livros entre uma prateleira e outra, lembrei-me de alguns livros que li e marcaram a minha vida, infância, adolescência e agora o mundo adulto.

Do fundo do baú… recordo-me dos inúmeros “contos de fadas”, contados por meus pais e professores, que me faziam viajar em estórias fascinantes. “Alice no país das maravilhas”, “Branca de Neve e os sete anões”, “O Chapeuzinho Vermelho”, “ O pequeno Polegar”, “A gata borralheira”, “As viagens de Guliver”, “Rapunzel”, “O gato de botas”, dentre tantos outros nos quais eu sempre me equiparava a algum personagem. Coisas de crianças…

Depois de saber leituras básicas, outros tantos desafios apareceram, livros mais grossos, estórias mais emocionantes e então descobri o mundo de um cachorrinho danadinho chamado Samba nos livros de Maria José Dupré: “Cachorrinho Samba” e “Cachorrinho Samba na floresta” me divertiram muito. Um outro livro que sempre relia era “Lambe o dedo e vira a página”, de Ricardo da Cunha Lima. Este livro tinha várias técnicas de linguagem que não me tirava a concentração. Numa das páginas o texto era escrito em forma de um caracol, noutra o único texto era (…) “estava tudo deserto, e realmente não tinha mais nada naquela página.

Da 5ª à 8ª séries adorava os livros que contavam estórias de grupos de amigos, em armações super legais, como “A droga da obediência” e “Pântano de Sangue”, de Pedro Bandeira, que trazia como protagonistas o grupo de estudantes Os Karas. Muito legais! Além destes, livros sobre viagens me faziam literalmente viajar, como “Pepedro nos caminhos da Índia”, de Aparecida Andrés e Maria Helena Andrés, e “Histórias do mundo para crianças”, de Monteiro Lobato.

Amadurecendo mais, a leitura de livros clássicos como “Dom Casmurro” e “Esaú e Jacó”, de Machado de Assis, “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco, “Memórias de um sargento de milícias”, de Manoel Antônio de Almeida, “Iracema”, de José de Alencar e “Casa de pensão”, de Aluísio Azevedo, foram introduzidos em minha vida e, então, o gosto pela leitura foi fortalecido e passou a ser uma história de amor. Às vezes passava horas sentada na cama lendo um livro e enquanto não terminasse não fazia outra coisa.

Na fase pré-vestibular, com a quantidade de livros que era necessário ler para entrar pra faculdade, o gosto pela leitura tomou rumos novos, poesias, prosas, contos foram desabrochando em meu mundo. “Laços de família”, de Clarice Lispector, “Estrela da Manhã”, de Manoel Bandeira, “Casa de buginganga”, de Rubens Alves, “Sentimento do Mundo”, de Carlos Drummond de Andrade, “A lira dos vinte anos”, de Álvares de Azevedo, “Itinerário de Pasárgada”, de Manuel Bandeira, “O Ateneu”, de Raul Pompéia.

Durante a faculdade, confesso que diminuí a leitura de livros literários, devido aos livros jurídicos que passaram a ter um lugar especial em minha vida (amo o Direito!). Mas foi nesta época que despertei meu interesse pelos escritores mineiros e descobri em Roberto Drummod uma leitura maravilhosa, que recomendo a todos: “Hilda Furacão”, “O cheiro de Deus” e “Os mortos não dançam valsa”.

E daí por diante, outros livros e livros se juntaram a minha coleção especial, de alguns já me lembro vagamente, mas outros ficarão marcados para sempre, como o clássico “O pequeno príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, que sabiamente afirma que (…) “tu te tornas eternamente responsável por tudo aquilo que cativas. “Ilusões, as aventuras de um messias indeciso”, de Richard Bach também deixou marcas ao dizer que (…) “somos todos impostores neste mundo, todos fingimos ser alguma coisa que não somos. Não somos corpos andando por aí, não somos átomos nem moléculas, somos idéias imortais e indestrutíveis do Ser, por mais que acreditemos em outras coisas…

De todos os livros que já li, os que mais me marcaram foram os livros que retrataram a vida do povo brasileiro, e destaco aqui “MORTE E VIDA SEVERINA” , de João Cabral de Melo Neto, que com sua forma poética tão bem descreve a vida:

E não há melhor resposta
Que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão como a ocorrida:
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina:
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.

A leitura não é só conhecimento, é educação, é formação.

Boa leitura!

Beijos Lú
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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

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