"Chapa Éguia" – Diários de uma viagem

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Roupas na mala, protetor solar na bolsa, “comida no papinho e pé no caminho”…

Partimos para uma viagem para Cabo Frio, prá variar.

O Uno “Milho” é valente, subiu e desceu Serras, ultrapassando caminhões, ônibus, respondendo bem ao ser acionado, economizando a “gasosa” prá nós.

Na baixada fluminense, eis que surge o Jolivan. Amigo, calmo, inesperado. Nos acompanhou um bom tempo na estrada reta e quente, margeada por fazendas com vacas, garças, urubus, mato, muito mato… enfim, os latifúndios de um Brasil que não cumpre a sua função social.

Jolivan era um caminhão, e por incrível que pareça, sua presença quase constante durante toda a estrada da baixada nos divertiu. Primeiro pelo nome, nada convencional. Pensamos inclusive em sugerí-lo a um amigo, cuja mulher está grávida, para dar nome ao bebê (sacanagem!)… Segundo, pelo tamanho da coisa: mais de 18m de comprimento. E terceiro, porque nos protegeu de alguns motoristas apressadinhos (pois foi graças ao Joliva´s que não nos colidimos), e um carro de polícia (isso mesmo!) que insistiu em ultrapassar-nos (ó Uno “Milho” e o Jolivan) na faixa contínua! (Temos foto para comprovar, é verdade!). Jolivan, amigo, nos deixou, ao passarmos por Magé. Ficou num engarrafamento monstro, graças ao péssimo planejamento da pista que colocou um ponto de ônibus bem na saída do trevo…. Vai entender. Melhor prá nós, porque pudemos acelerar até os 100 km/h, ao invés dos 60 km/h “seguros” que o Jô-jô nos deixava fazer, e assim chegamos mais rápido ao nosso destino: Região dos Lagos.

Durante toda a estrada, além das paisagens e dos animais que enfeitavam os terrenos às margens, várias placas com os mesmos dizeres nos intrigaram: “AQUI – CHAPA ÉGUIA”

Mas que diabos era aquilo? “Chapa éguia”? Não seria “chapa égüa”? Mas o que era “chapa égüa”, se fosse mesmo isso que as placas queriam dizer? Pensamos logo numa expressão mineiresca: “chapar os melão” = tomar todas, beber tudo que eu conseguir e mais um pouco, beber até cair, etc e etc. Vai ver que lá naquelas bandas cariocas “chapa égüa” (ou éguia) era o mesmo que “chapar os melão”, e que tinha um buteco na beira da estrada dos bons prá tomar daquela “água que passarinho não bebe”… Vai entender, né?

Foi aí que nos veio a luz: outra placa, desta vez industrializada, e não escrita à mão como as outras: “AQUI – CHAPA E GUIA”. Uai, mas não era “Chapa éguia”? Não minha gente, a pessoa que “cuidadosamente” manufaturou toscamente as outras placas esqueceu de dar um espaço entre o “e” e o “guia”, fazendo com que nós, exímios conhecedores da língua portuguesa (hã-hã, tá bom…), deduzíssemos de cara que ali haveria um acento agudo no “e”!!! Sacaram? Ligando ao fato de que haviam 10 caminhões para cada carro no local, CHAPA e GUIA são as pessoas que ajudam a fazer o carregamento do caminhão e que guiam os caminhoneiros, muitas vezes de outros estados longínqüos aos seus destinos… Aaaaaaahhhhhh booooooommmmm!

Acho que depois desta aula de português despedir-me-ei de vocês, mas semana que vem estarei de volta, ok?

Beijos,

Ana Letícia.

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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

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