Esdrúxulo? Vocês acham?

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Será que é esdrúxulo?

Esdrúxulo? O quê?

Advinha?

DO-NÁ-RI-A. Isso aí, meu nome. Nossa, quantas vezes respondi em tom baixíssimo quando perguntavam meu nome… Morria de vergonha! Somente eu e minha vovó tivemos o “desprazer” de ter um nome tão diferente (pensava eu).
Lá em Cipotânea, minha vó é conhecida por todos. Ela é figura importante na cidade. Foi ela a primeira diretora formada, da primeira (e única) escola estadual que tem na cidade, que eu me formei e minha mãe deu aula.
Como a única pessoa que conheço com esse nome é a minha vó, sempre associei que era nome de velha. Isso não é coisa da minha cabeça não, até hoje, pelo telefone, algumas pessoas (desconhecidas) me chamam de senhora… fico p. da vida.
Minha vovó tem descendência italiana, por isso o nome. Mas, na verdade, segundo aqueles livrinhos de nome, Donária vem do latim que significa: “presente, dádiva”! E segundo algumas crenças, Donária era uma deusa grega que foi para o Sul da Itália. A família de minha vó veio da Sicília (Sul da Itália). Coincidência, não!?

Nossa, com tantos elogios: dádiva, presente, deusa…ulalá… Tô importante demais da conta! Mas, mesmo assim, não gostava muito.
Aprendi a gostar do meu nome: acho legal, tem fundamento, um porquê. Hoje falo com bastante orgulho, e nem ligo quando as pessoas brincam: canária, otária, doriana, Dona Maria…
Gosto mais ainda depois da crônica do Ziraldo, que foi publicada no Caderno de Cultura do Estado de Minas na última sexta-feira (05/11/2004). O título é “Uma Krônika Karinhosa(clique aqui para ler o texto na íntegra, no Acrobat Reader). Amo o Ziraldo, além de ser mineiro, é um excelente desenhista e escritor.
“Ter o nome que meu pai inventou pra mim não me fazia sentir diferente. Até um dia em que, numa escola de SP, estando a dar autógrafos, perguntei a um dos meninos seu nome e ele disse: “Schenazzi, com SC e dois ZZ”. Eu disse: “Isto é seu sobrenome, rapaz, quero saber o seu nome.” E ele: “Bota Schenazzi, pô, se não ninguém vai saber que é pra mim. Eu me chamo Bruno, mas tem mais de cem Brunos aqui nesta escola, caramba!” E tinha outros tantos Andrés, e Fredericos, os nomes da moda na época.” (Ziraldo)
Apesar do meu nome não ter sido inventado, acho-o único, porque não foi nada de modismo, foi uma homenagem. Não uma homenagem à cantores, poetas, artistas, e sim, uma homenagem simples a uma das pessoas que mais amo nesta vida. E confesso: tem um belo nome: Donária!

Mas quando estou em lugares agitados, com música alta, para facilitar prefiro falar Dô, porque, caso contrário, corro o risco de ficar de ficar metade da noite repetindo e explicando o meu nome, e a outra metade aguentando risadinhas e erros, ai, é um saco!!!
Às vezes, falo que me chamo Maria, porque é simples e fácil. E a pessoas ficam insistindo: “Só Maria?” . Aí eu falo: “Sim”. Elas não acreditam e perguntam de novo. Quando resolvo falar a verdade, só ouço isso: “Pô garota pára de fazer hora com a minha cara com esse nome esdrúxulo aí!” Se é simples, não acreditam. Se é complicado, acreditam menos ainda…

Beijos da DONÁRIA!



Menino Maluquinho, by Ziraldo.

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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

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