Sem condição!

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Hoje li uma matéria no EM que não entendi nada… Quer dizer, entendi, claro, mas fiquei sem saber o porquê de uma reportagem como aquela no 1º Caderno do maior jornal de Minas Gerais… Sério mesmo, parecia livro de ficção policial, ou até mesmo o Diário da Tarde num dia muito inspirado, ou ainda um Boletim de Ocorrência Policial escrito de forma um pouco mais literária. (Para quem não sabe, o DT é famoso por trazer longas páginas de crimes e prisões, acidentes, fotos sangrentas, etc.) Para vocês terem uma idéia, a reportagem sobre as eleições nos EUA teve somente a pág. 18 do “grande jornal dos mineiros”, quando, no mundo inteiro, é só o que se tem falado ultimamente… Nem uma notinha de capa foi dita sobre a briga na Bushlândia.

O título do artigo? Letras garrafais na primeira página do jornal: “PF PRENDE BANQUEIRO ESCONDIDO EM ARMÁRIO”. E logo mais adiante, na pág. 13 no Caderno de Economia (don´t ask), “A PRISÃO DO BANQUEIRO – FLAGRANTE NA MANSÃO”. Aaaaahhhh, fala sério! Dedicar quase a capa inteira do jornal, mais uma página ímpar inteirinha (para quem não sabe, as páginas ímpares são bem mais caras, pois são mais lidas, e então mais procuradas para publicidade de grande porte e assuntos de,digamos assim, interesse nacional.) descrevendo passo a passo a completa operação da Polícia Federal para prender o tal banqueiro? (Aquele que deu um cano de mais de R$ 47 milhões devido a fraudes no Banco Hércules e no Consórcio Mercantil.) Vocês não acreditam? Sem contar que, imagina só, neguinho lá no Paraná, Rio Grande do Sul ou Manaus (Amazonas), resolve ver qual a Manchete principal do jornal de maior circulação em Minas, e vê uma coisa dessas! É rir prá não chorar! Aí vai um trecho:

“9h15 de ontem. Um agente da Polícia Federal disfarçado de carteiro bate à porta da mansão da rua Josafá Belo, número 247. É o mesmo agente que, no ano passado, prendeu Tasso Assunção Costa, no mesmo horário, no mesmo local e com o mesmo disfarce de carteiro.”



E mais:

“9h16. Desta vez, o carteiro não manda chamar o dono da casa. Assim que a empregada abre a porta, avisa que é da Polícia Federal. Imediatamente, saem de dois carros estacionados na rua outros quatro agentes e delegados, estes sim vestidos com a tradicional roupa preta da PF e arma na cintura.”



Gente, além de ridículo, foi hilário! Quase morri de rir. Conferi o nome do jornal prá conferir se eu estava mesmo lendo o EM, e se aquilo ali era mesmo uma reportagem ou se algum trecho extraído de livro de ficção policial safado.

Agora, um fato que me deixou mais horrorizada, é que o tal banqueiro, foi pego quase entrando no seu esconderijo, que ficava atrás de um fundo falso no armário de sua casa. E olha que o sujeito tem, pasmem, 71 anos! Numa boa, gente, pegando um gancho no post da Lu de ontem, mas como um sujeito, pai de família, avô, sei lá, num bairro classe A de BH, IDOSO, tem a cara de pau de tentar se esconder da PF, e ainda por cima achar ruim, culpando seu advogado por ter sido “pego desavisado” sobre o mandado de prisão?

Ah, pelo amor de Deus! É muita cara de pau. O cara lesou centenas de clientes, quase 50 milhões de reais de prejuízo em pessoas inocentes como nós, que só tinham uma merreca de uma poupança no Banco, ou um consórcio prá comprar um UNO Mille! E coitadas das filhos(as) e netos(as) deste sujeito, ter o próprio pai/avô preso desta forma, fugindo, se escondendo… PQP!

Vocês acreditam que, segundo o EM, o Sr. Banqueiro fez uma cirurgia de extração de um carcinoma (tumor de pele), montando uma sala de cirurgia na sala de sua própria casa? Tudo prá não ser localizado em algum hospital, lógico. Fiquei horrorizada. Como o médico se submete a este tipo de coisa? Bem feito, agora a PF tá é atrás dele.

Nem preciso dizer que nada de dinheiro foi encontrado na casa do sujeito, apenas “jóias da família” e documentos, a bufunfa que é boa, necas.

“11h15. A PF termina o trabalho. Após relacionar os documentos encontrados na mansão e oficializar a apreensão dos mesmos, é hora de recolher o preso à Superintendência da PF, no Gutierrez. Depois de um banho, Tasso volta à sala vestindo jeans, camisa azul e sapato preto. Pega a pequena mala preparada pela mulher e pelas filhas. Não sai de casa, porém, sem reclamar, em tom baixo, da advogada que o atende no momento da prisão – conforme, aliás, já havia feito em 2003, quando foi detido na mesma mansão da Cidade Jardim. Naquela ocasião, Tasso reclamou do advogado. Disse que pagava muito dinheiro a ele para ser surpreendido com aquele mandado de prisão. Pelo visto, o ex-banqueiro continua achando a mesma coisa: que o dinheiro pode comprar a liberdade.(SERÁ QUE NÃO COMPRA MESMO NÃO? AGUARDEMOS ENTÃO…)



Fico por aqui, com um beijo a todos, e um fio de esperança de que nossa justiça um dia possa realmente melhorar, e não dependa de matérias sensacionalistas para que a população acredite nela.

Ana Letícia

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Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

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