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Ali

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I am sailing

Me deixa dizer que não estou nem aí
Não estou nem aqui
Quanto menos ali
Me deixa esquecer o que senti
O que sei e o que não quero saber
Me deixa querer viver sem dormir
Não ouvir nada além de ir
E vir
Me deixe só
Sentidos
Arrepio nos ouvidos
Alegria boba
Um mergulho num mar de olhar
Saltarei piscando
Quem sabe voar?
E correndo vou
Até aí.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Dois

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Flor de espinhos

Excito linhas

Enxugo rugas

Endureço mamilos
Pistilos em flor

A boca que umedece
Me aquece

Transpira o que é do bom

Cavalga com deuses
Desce ao inferno
Riso, choro, poesia, música

Silêncio.

Dois. Pois, sejamos.
Sois.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Presente, Passado e Futuro

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Presente, Passado e Futuro

(Texto e Foto: Ana.)

Obs. 1: Clique no cartão para visualizá-lo em tamanho maior.

TRAPICHES 2 – JÁ ESTÁ NO AR!

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O segundo número da Revista Trapiches, nossa e-magazine sobre cultura, já está no ar, totalmente remodelada!

Esta é a capa:

Trapiches 2

Esperem só pra ver o conteúdo!

Acessando o site, vocês poderão ler todas as matérias, inclusive meus textos para a Revista Trapiches, nas seções:

  • “A Granel” – Matéria e entrevista com o cartunista de BH, Darío Velasco;
  • “Grãos” – Um mini-conto (Vício) e uma poesia (Escrivinhadeira);
  • “Olho Mágico” – Crônica sobre o filme Estômago, no Festival de Cinema de Tiradentes.

***

HOJE, em São Paulo, vai rolar um SARAU na Casa das Rosas (Av. Paulista, n°. 37), para o lançamento do n° 2 da Revista Trapiches, cria do Projeto Macabéa, a partir das 19h.

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Até mais ler!

Ana.

Ghost Writer

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Momento lembranças...

Vestido de fita
Cintura de pilão
Flanela, salopete
Saia de balão
Sinto muito se o seu cinto
Não é fino como o meu
Se eu não fosse pequenina
Mini-saia, pés-no-chão
Me amarrava em colo teu
E subia num balão
Vestida de chita
Ou pano de chão
Se eu me chamasse Rita
Seria mais uma rima
E não uma assombração.

Ana.

[Texto e foto (de foto): Momento Lembranças…]

Xis

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Fecha os olhos
Chiado miado contido
Chia no meu rosto
Roxo
Chega chorando
Chama por mim
Chia
Quer chantagem
Chiado manhoso
Manchado
Clama por manchetes
Chama por coquetes
Xinga a chuva
Sai na rua
Café com chocolate
Chope e chimpanzé
Chispa chiando
Chega a hora
De ir embora
Tanto chiou
Caiu
Chorou
Coração ficou
Chamando por ti.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

5,000 minutes

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(Para ler a versão em Português, clique aqui.)

Fibras

Taste of honey and raindrops
Smell of country flowers and wet grass
My home land calls my name
Written in small petals
By golden dew drops
Like metal medals floating on your blue and white sea

To the long talks I’ll toast
To the long kiss I’ll say
5,000 minutes isn’t enough
5,000 kisses is what I want
Each night
Each sunlight
Until the wind sweeps the soul
And the moon whispers cold and silver words
And the night pops out of your dreams

Until then
Bright and calm I’ll lay in your arms
A little bee bug crying for one drop
Just a small taste
Of honey…

Taste of honey…
Tasting much sweeter than wine.

Ana.

(poem and photo)

O Espantalho

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Som na caixa:

Remexendo em meus guardados e velharias, encontrei muitas coisas… Agendas cheias de adesivos e confissões de adolescente (só besteira, sem comentários), desenhos, (semi) projetos de quartos e casas nunca construídos, fotos do Mikhail Barishnikov, autógrafos dos Titãs e da Ana Botafogo, telefones de todos os colegas do colégio, da faculdade, do ballet, do inglês, professores de piano, galera do volley, do handball e do time de futebol feminino…
Cartas, muitas cartas… de amigos que moraram fora do país; de amigos só de carta mesmo (que nunca vi na vida), de ex-namorados, de admiradores (hã-hã); cartões de aniversário, de despedida, postais; convites de casamento, de formatura, de festas de 15 anos (saudades dessa época!); fitas de vídeo, de toca-fitas, CD’s e tudo mais… (sim, guardo tudo, e é muita, muita coisa!)

Mas o que mais gostei de achar foram 16 páginas manuscritas – por mim mesma – guardadas bem no fundinho de uma das pastas… Há tempos eu pensava sobre aquelas folhinhas, me lembro perfeitamente do dia em que as escrevi, há quase 07 anos atrás, linha após linha, no meio da madrugada! Eu era uma menina ainda, assustada, mas ainda assim imponente, me achava meio perdida entre o mundo adulto e a adolescência meio tardia, inconseqüente demais e responsável – também demais – tudo ao mesmo tempo, e com a vida inteira pela frente, mas me acabando pouco a pouco, insistindo em histórias malucas, roupas estranhas, idéias fixas e com medo de ser adulta (mas já o sendo, em tantos outros sentidos).

Não contarei aqui o que aconteceu naquele dia, o que me fez escrever 16 páginas seguidas, sem parar, acordando no dia seguinte com a mão calejada e dolorida, a caneta em cima da cama e muitas folhas de papel esparramadas por todos os cantos… Minha cabeça roda, roda, roda, e não chego a lugar nenhum, mas só sei que me lembro de tudo, e minhas antigas emoções vêm à tona e se confundem com a mente e com os sentimentos da mulher que sou agora, 07 anos depois.

Mas isto eu compartilharei com vocês:

O ESPANTALHO
Olhos que não vêem
Mãos que não tocam mais
Um dia tocaram sim
A música do acaso
O tecido aveludado…
Será verdadeiro?
O sentido, do tecido, do cheiro?

Na fotografia, retrato atordoado
De olhos amendoados
Esconderijo do menino assustado
Espantado
Espantalho.

O homem de lata queria um coração, e eu só pensava em ir pra casa…

Pela estrada dos tijolos amarelos
Andei
Chorei
Me conformei
Mas a pergunta ainda estava no ar
Junto com outras ocultas palavras
Carregas contigo?
Minhas cartas, onde estão?
Onde vão suas mãos, que não posso ver?
Onde miram seus olhos, que não os posso ter?

És atração para os corvos,
Espantalho
Menino assustado
Não temas aqueles que te mutilam,
São eles a razão de sua existência.

(Belo Horizonte, 23/05/2000, 02h 18m)

Ana.

Ps.: O lindo desenho do espantalho que ilustra o poema acima foi feito por Sara Neves, de 11 anos, “diretora” do site “Biblioteca Vila Deanteira“.