Arquivo da categoria: Causos

Prepare-se para a Copa!!!

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Os preparativos para a Copa do Mundo estão quase prontos, na verdade, já estão prontos, falta só o Brasil estrear no primeiro jogo. E vai ser empolgação!!!

Mas antes que nosso blog faça a cobertura completa dos jogos, depoimentos de jogadores, gols de virada, emoção de torcedores e tudo mais que compõe esse evento mundial, aí vão algumas dicas que podem mexer com nosso bolso. Veja bem, não vale rir e comemorar gols num dia, e chorar no outro com o tanto que se gasta…

Torcedor que se preze veste a camisa verde e amarela antes mesmo da estréia do Brasil na Copa. Uma camisa simples, dessas de lojão do Barro Preto (pra quem mora em BH sabe que é um bairro onde existem milhares de lojas de roupas, centro da moda de BH), custa em média R$15,00, mas nos próximos dias pode dobrar ou triplicar de preço. Para os torcedores com mais reservas, a camisa oficial está R$179,00, nas lojas e até R$159,00 em alguns sites (mas ai demora pra chegar e ninguém quer assistir a Copa sem uma camisinha amarela).

Por falar em camisinha, os ônibus coletivos de BH estão fazendo propaganda de preservativo verde amarelo. O preço ainda não sei, mas vale comemorar muito com segurança e respeito!

Apito e cornetas também não podem faltar nos jogos. Em média gastaremos de R$10,00 a R$20,00 nessas bobeirinhas.

Até as ruas costumam ser pintadas e enfeitadas com bandeirinhas, numa mistura divertida de Copa do Mundo com Festa de São João. Lá vão mais uns R$10,00 de cada vizinho para dividir as despesas.

Não tem muita graça assistir o jogo em casa, sem turma, sem refri/cerveja e pipoca. A Brahma já lançou uma safra exclusiva para a Copa, preço: em média R$ 3,00 a garrafa. Latinhas também estão nessa faixa de preço, não muda muito.

Claro que os mineiros butequeiros não vão tomar apenas uma latinha ou um copo, então multiplica-se o preço da cerva gelada pelo valor da emoção…

Pipoca na panela ou no microondas não sai por menos de R$ 3,00 o pacote. Claro que os lojistas aproveitam que a venda é grande para aumentar um pouquinho no valor da pipoca e o lucro ser maior. Tira gostos, batata frita, mandioquinha com carne de sol, amendoim e outros petiscos custam de R$5,00 a R$10,00.

Ah, mas um churrasco vem sempre a acalhar. Quem resiste? Comprar carnes boas e macias, fazer os triviais arroz, vinagrete, farofinha – hehehe – e uma sobremesa, de preferência de chocolate, para depois do jogo, hummm! Tudo isso não sai por menos de R$20,00 por pessoa.

Tudo bem, a gente paga, porque afinal a Copa do Mundo é só de 04 em 04 anos…

Não se esqueçam que estou fazendo uma média de preços com os valores de Minas, para quem está no Rio, SP, Brasília, esses preços aumentam um pouQUINHO…

Não vamos perder a conta…

Depois dos jogos, a tradicional comemoração na Praça da Bandeira e Av. Bandeirantes em BH. Subir a Av. Afonso Pena, encontrar uma vaga para estacionar há 1km de distância da muvuca, mas passar ali horas e horas numa festa maravilhosa. Ai lá vão mais uma, duas, três latinhas de refri ou cerva, e bastante sorriso no rosto e diversão. Nessa hora ninguém faz as contas, só vai embora pra casa quando o cansaço bate ou o bolso esvazia.

Nessa brincadeira não acrescentei o custo de gasolina para os deslocamentos, as despesas que o namorado paga pra mina, chiclets, balas e outras coisinhas mais. Além disso, tudo deve ser multiplicado pelo número de jogos do Brasil na Copa e já contando com a GRANDE FINAL!

Calma, calma, calma! Não estou escrevendo tudo isso para desmotivar os torcedores, mas só para lembrar que assistir aos jogos da Copa do Mundo tem preço, mas vibrar com a vitória… não tem preço!

Beijos, Lú

Festa do Penta (2002)

Prepare-se para a Copa!!!

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Os preparativos para a Copa do Mundo estão quase prontos, na verdade, já estão prontos, falta só o Brasil estrear no primeiro jogo. E vai ser empolgação!!!

Mas antes que nosso blog faça a cobertura completa dos jogos, depoimentos de jogadores, gols de virada, emoção de torcedores e tudo mais que compõe esse evento mundial, aí vão algumas dicas que podem mexer com nosso bolso. Veja bem, não vale rir e comemorar gols num dia, e chorar no outro com o tanto que se gasta…

Torcedor que se preze veste a camisa verde e amarela antes mesmo da estréia do Brasil na Copa. Uma camisa simples, dessas de lojão do Barro Preto (pra quem mora em BH sabe que é um bairro onde existem milhares de lojas de roupas, centro da moda de BH), custa em média R$15,00, mas nos próximos dias pode dobrar ou triplicar de preço. Para os torcedores com mais reservas, a camisa oficial está R$179,00, nas lojas e até R$159,00 em alguns sites (mas ai demora pra chegar e ninguém quer assistir a Copa sem uma camisinha amarela).

Por falar em camisinha, os ônibus coletivos de BH estão fazendo propaganda de preservativo verde amarelo. O preço ainda não sei, mas vale comemorar muito com segurança e respeito!

Apito e cornetas também não podem faltar nos jogos. Em média gastaremos de R$10,00 a R$20,00 nessas bobeirinhas.

Até as ruas costumam ser pintadas e enfeitadas com bandeirinhas, numa mistura divertida de Copa do Mundo com Festa de São João. Lá vão mais uns R$10,00 de cada vizinho para dividir as despesas.

Não tem muita graça assistir o jogo em casa, sem turma, sem refri/cerveja e pipoca. A Brahma já lançou uma safra exclusiva para a Copa, preço: em média R$ 3,00 a garrafa. Latinhas também estão nessa faixa de preço, não muda muito.

Claro que os mineiros butequeiros não vão tomar apenas uma latinha ou um copo, então multiplica-se o preço da cerva gelada pelo valor da emoção…

Pipoca na panela ou no microondas não sai por menos de R$ 3,00 o pacote. Claro que os lojistas aproveitam que a venda é grande para aumentar um pouquinho no valor da pipoca e o lucro ser maior. Tira gostos, batata frita, mandioquinha com carne de sol, amendoim e outros petiscos custam de R$5,00 a R$10,00.

Ah, mas um churrasco vem sempre a acalhar. Quem resiste? Comprar carnes boas e macias, fazer os triviais arroz, vinagrete, farofinha – hehehe – e uma sobremesa, de preferência de chocolate, para depois do jogo, hummm! Tudo isso não sai por menos de R$20,00 por pessoa.

Tudo bem, a gente paga, porque afinal a Copa do Mundo é só de 04 em 04 anos…

Não se esqueçam que estou fazendo uma média de preços com os valores de Minas, para quem está no Rio, SP, Brasília, esses preços aumentam um pouQUINHO…

Não vamos perder a conta…

Depois dos jogos, a tradicional comemoração na Praça da Bandeira e Av. Bandeirantes em BH. Subir a Av. Afonso Pena, encontrar uma vaga para estacionar há 1km de distância da muvuca, mas passar ali horas e horas numa festa maravilhosa. Ai lá vão mais uma, duas, três latinhas de refri ou cerva, e bastante sorriso no rosto e diversão. Nessa hora ninguém faz as contas, só vai embora pra casa quando o cansaço bate ou o bolso esvazia.

Nessa brincadeira não acrescentei o custo de gasolina para os deslocamentos, as despesas que o namorado paga pra mina, chiclets, balas e outras coisinhas mais. Além disso, tudo deve ser multiplicado pelo número de jogos do Brasil na Copa e já contando com a GRANDE FINAL!

Calma, calma, calma! Não estou escrevendo tudo isso para desmotivar os torcedores, mas só para lembrar que assistir aos jogos da Copa do Mundo tem preço, mas vibrar com a vitória… não tem preço!

Beijos, Lú

Festa do Penta (2002)

SOMOS BRASILEIRAS

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colagemCOPA04_com texto

E como todo brasileiro que se preze, somos aficcionadas pela seleção brasileira de futebol!

Afinal, tem coisa melhor que Copa do Mundo? Até para quem não gosta de futebol, na época da Copa todos ficam alegres (quando o Brasil ganha), todos ficam de mau-humor (quando o Brasil perde), e as cores que mais se vê pelas ruas são Verde e Amarelo, cores alegres que, segundo a cromoterapia, trazem esperança (verde) e riqueza (amarelo), e, claro, remetem às cores da bandeira do Brasil.

E o nosso blog não poderia deixar de exteriorizar esta paixão nacional… Para isso, preparamos novas fotos, banner e caixa de comentários!

  • A primeira foto, Robinho e Ronaldinho Gaúcho beijando a taça do penta, em 2002. (Por Antonio Scorza, tirada deste site.)
  • A segunda foto, é o estádio de Munique, que vai sediar a abertura do mundial no dia 09/06, com o jogo Alemanha X Costa Rica, retirada do portal Uai.
  • A bandeira do Brasil, terceira foto do banner, é da Nina Dalmolin.
  • Já a quarta foto mostra o melhor jogador do mundo, Ronaldinho Gaúcho, fotografado ao chegar em Weggis, na Suíça, onde é a concentração da nossa Seleção, por Antonio Scorza, retirada do portal Uai.
Legenda: Brasil rumo ao hexa!

SOMOS BRASILEIRAS

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E como todo brasileiro que se preze, somos aficcionadas pela seleção brasileira de futebol!

Afinal, tem coisa melhor que Copa do Mundo? Até para quem não gosta de futebol, na época da Copa todos ficam alegres (quando o Brasil ganha), todos ficam de mau-humor (quando o Brasil perde), e as cores que mais se vê pelas ruas são Verde e Amarelo, cores alegres que, segundo a cromoterapia, trazem esperança (verde) e riqueza (amarelo), e, claro, remetem às cores da bandeira do Brasil.

E o nosso blog não poderia deixar de exteriorizar esta paixão nacional… Para isso, preparamos novas fotos, banner e caixa de comentários!

  • A primeira foto, Robinho e Ronaldinho Gaúcho beijando a taça do penta, em 2002. (Por Antonio Scorza, tirada deste site.)
  • A segunda foto, é o estádio de Munique, que vai sediar a abertura do mundial no dia 09/06, com o jogo Alemanha X Costa Rica, retirada do portal Uai.
  • A bandeira do Brasil, terceira foto do banner, é da Nina Dalmolin.
  • Já a quarta foto mostra o melhor jogador do mundo, Ronaldinho Gaúcho, fotografado ao chegar em Weggis, na Suíça, onde é a concentração da nossa Seleção, por Antonio Scorza, retirada do portal Uai.
Legenda: Brasil rumo ao hexa!

SOMOS BRASILEIRAS

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E como todo brasileiro que se preze, somos aficcionadas pela seleção brasileira de futebol!

Afinal, tem coisa melhor que Copa do Mundo? Até para quem não gosta de futebol, na época da Copa todos ficam alegres (quando o Brasil ganha), todos ficam de mau-humor (quando o Brasil perde), e as cores que mais se vê pelas ruas são Verde e Amarelo, cores alegres que, segundo a cromoterapia, trazem esperança (verde) e riqueza (amarelo), e, claro, remetem às cores da bandeira do Brasil.

E o nosso blog não poderia deixar de exteriorizar esta paixão nacional… Para isso, preparamos novas fotos, banner e caixa de comentários!

  • A primeira foto, Robinho e Ronaldinho Gaúcho beijando a taça do penta, em 2002. (Por Antonio Scorza, tirada deste site.)
  • A segunda foto, é o estádio de Munique, que vai sediar a abertura do mundial no dia 09/06, com o jogo Alemanha X Costa Rica, retirada do portal Uai.
  • A bandeira do Brasil, terceira foto do banner, é da Nina Dalmolin.
  • Já a quarta foto mostra o melhor jogador do mundo, Ronaldinho Gaúcho, fotografado ao chegar em Weggis, na Suíça, onde é a concentração da nossa Seleção, por Antonio Scorza, retirada do portal Uai.
Legenda: Brasil rumo ao hexa!

Meus livros, meus amigos

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Desde pequena cultivo uma relação especial com os livros. Ainda me lembro dos meus livrinhos de pano, cheios de cores e desenhos, as bordas recortadas em ziguezague. Pena não terem sobrevivido aos ataques da minha irmã mais nova, naquela fase em que destruir é a melhor diversão!

No início, tinha que me contentar em ver as figuras, e as raras linhas de texto eram lidas por algum adulto complacente, geralmente minha madrinha ou minha mãe. Impossível esquecer o primeiro livro que eu li sozinha, por meus próprios meios. Não me agüentei de orgulho! Foi O Barquinho Amarelo, meu livro escolar, mas nem por isso eu o achava chato. Eu me lembro até hoje das ilustrações, das histórias e dos personagens. Lembro perfeitamente do Marcelo, do pé de Café, e claro, da triste cena do barquinho amarelo sumindo aos poucos depois da curva do riacho.

Minha avó bem que tentou me fazer gostar do Monteiro Lobato, mas nunca me identifiquei com o Sítio do Pica Pau Amarelo, principalmente porque na época já existia o programa de TV, e eu não simpatizava nem um pouco com o personagem da Cuca. Eu ainda não sabia, mas minha preferência se voltava para histórias mais reais, ou, pelo menos, menos inverossímeis.

Depois vieram as Meninas Exemplares e Os Desastres de Sofia, da Condessa de Ségur, que fizeram a alegria da minha infância. Minha pré-adolescência foi passada na companhia do Conde de Monte Cristo, dos Três Mosqueteiros e dos livros da Laura Ingalls (Uma casa na Floresta, À beira do Riacho, À margem da Lagoa Prateada e uma longa série…) e todos da Biblioteca das Moças, extinta coleção que fez sucesso entre as décadas de 40 e 60, e pertenciam às minhas tias paternas, hoje vovós respeitáveis! Os livros eram encapados com plástico de fundo preto e estampado com florzinhas verdes e brancas, e cheiravam muito forte a mofo. Mesmo assim, isso não me desencorajou, e por um bom tempo contei com as histórias românticas e politicamente corretas da mocinha que se casa por obediência aos pais mas acaba se apaixonando pelo marido atencioso; daquela que só se casaria por amor e também da outra que aprendia a duras penas a ser esposa e mãe perfeita.

Logo me cansei das Moças, e comecei a procurar personagens mais intrigantes e histórias mais densas. Assim cheguei até Dorian Gray e Jane Eyre, e outras preciosidades que minha mãe, com cuidado, destilava em pequenas porções. Não sosseguei enquanto ela não me deixou ler Dracula de Bram Stoker, que ela censurava com medo dos pesadelos que esta leitura certamente me traria. Nas férias, sorrateiramente, assaltava os armários da minha tia, e roubava volumes que lia à noite, debaixo das cobertas. E assim chegaram às minhas mãos primores como Os Miseráveis e outros nem tão significativos assim, o que me ajudou a entender porquê alguns livros merecem mesmo ser escondidos no fundo do armário.

Enfim, um belo dia, minha mãe, cansada de me ver suplicar por novas leituras, abriu o sua estante de livros para mim, e me deixou livre para escolher o que eu quisesse. Só permaneceu proibido O Castelo do Homem sem Alma, não por puritanismo, mas porque minha rinite alérgica simplesmente não permitia que eu abrisse o livro com o título mais intrigante que eu já vi. Ou melhor, li. Peguei o que alcancei mais fácil, na primeira prateleira. Lá estava um livro pequeno e encadernado em azul cujo título não estava impresso na lombada. O perfume. Definitivamente, estava inaugurada minha vida adulta na literatura.

E foi assim, aos poucos, que fui construindo a minha história, lado a lado com os livros. Alguns se tornam refúgios, uma ilha de calma, um mundo paralelo, no qual os personagens transcendem as páginas do livro e se transformam em amigos, paixões, confidentes. Há personagens mais vivos para mim do que pessoas de carne e osso: já chorei com eles, já me compadeci, já odiei e já viajei na companhia de muitos em busca de aventuras e de vingança. Já penetrei tão fundo em seus mundos que já os confundi com a realidade! Por isso eu digo que alguns livros são meus livros-amigos, aqueles que eu anseio por reencontrar depois de um dia difícil, debaixo das cobertas, como um porto seguro depois da tempestade. E apesar da certeza de que muitos logo se tornarão pó, me conforta a idéia de que eles já fazem parte da minha vida, e que carrego um pouco deles comigo na memória, e isso, ninguém pode me tomar. Nem o tempo, nem as traças.

Bela.

Meus livros, meus amigos

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Desde pequena cultivo uma relação especial com os livros. Ainda me lembro dos meus livrinhos de pano, cheios de cores e desenhos, as bordas recortadas em ziguezague. Pena não terem sobrevivido aos ataques da minha irmã mais nova, naquela fase em que destruir é a melhor diversão!

No início, tinha que me contentar em ver as figuras, e as raras linhas de texto eram lidas por algum adulto complacente, geralmente minha madrinha ou minha mãe. Impossível esquecer o primeiro livro que eu li sozinha, por meus próprios meios. Não me agüentei de orgulho! Foi O Barquinho Amarelo, meu livro escolar, mas nem por isso eu o achava chato. Eu me lembro até hoje das ilustrações, das histórias e dos personagens. Lembro perfeitamente do Marcelo, do pé de Café, e claro, da triste cena do barquinho amarelo sumindo aos poucos depois da curva do riacho.

Minha avó bem que tentou me fazer gostar do Monteiro Lobato, mas nunca me identifiquei com o Sítio do Pica Pau Amarelo, principalmente porque na época já existia o programa de TV, e eu não simpatizava nem um pouco com o personagem da Cuca. Eu ainda não sabia, mas minha preferência se voltava para histórias mais reais, ou, pelo menos, menos inverossímeis.

Depois vieram as Meninas Exemplares e Os Desastres de Sofia, da Condessa de Ségur, que fizeram a alegria da minha infância. Minha pré-adolescência foi passada na companhia do Conde de Monte Cristo, dos Três Mosqueteiros e dos livros da Laura Ingalls (Uma casa na Floresta, À beira do Riacho, À margem da Lagoa Prateada e uma longa série…) e todos da Biblioteca das Moças, extinta coleção que fez sucesso entre as décadas de 40 e 60, e pertenciam às minhas tias paternas, hoje vovós respeitáveis! Os livros eram encapados com plástico de fundo preto e estampado com florzinhas verdes e brancas, e cheiravam muito forte a mofo. Mesmo assim, isso não me desencorajou, e por um bom tempo contei com as histórias românticas e politicamente corretas da mocinha que se casa por obediência aos pais mas acaba se apaixonando pelo marido atencioso; daquela que só se casaria por amor e também da outra que aprendia a duras penas a ser esposa e mãe perfeita.

Logo me cansei das Moças, e comecei a procurar personagens mais intrigantes e histórias mais densas. Assim cheguei até Dorian Gray e Jane Eyre, e outras preciosidades que minha mãe, com cuidado, destilava em pequenas porções. Não sosseguei enquanto ela não me deixou ler Dracula de Bram Stoker, que ela censurava com medo dos pesadelos que esta leitura certamente me traria. Nas férias, sorrateiramente, assaltava os armários da minha tia, e roubava volumes que lia à noite, debaixo das cobertas. E assim chegaram às minhas mãos primores como Os Miseráveis e outros nem tão significativos assim, o que me ajudou a entender porquê alguns livros merecem mesmo ser escondidos no fundo do armário.

Enfim, um belo dia, minha mãe, cansada de me ver suplicar por novas leituras, abriu o sua estante de livros para mim, e me deixou livre para escolher o que eu quisesse. Só permaneceu proibido O Castelo do Homem sem Alma, não por puritanismo, mas porque minha rinite alérgica simplesmente não permitia que eu abrisse o livro com o título mais intrigante que eu já vi. Ou melhor, li. Peguei o que alcancei mais fácil, na primeira prateleira. Lá estava um livro pequeno e encadernado em azul cujo título não estava impresso na lombada. O perfume. Definitivamente, estava inaugurada minha vida adulta na literatura.

E foi assim, aos poucos, que fui construindo a minha história, lado a lado com os livros. Alguns se tornam refúgios, uma ilha de calma, um mundo paralelo, no qual os personagens transcendem as páginas do livro e se transformam em amigos, paixões, confidentes. Há personagens mais vivos para mim do que pessoas de carne e osso: já chorei com eles, já me compadeci, já odiei e já viajei na companhia de muitos em busca de aventuras e de vingança. Já penetrei tão fundo em seus mundos que já os confundi com a realidade! Por isso eu digo que alguns livros são meus livros-amigos, aqueles que eu anseio por reencontrar depois de um dia difícil, debaixo das cobertas, como um porto seguro depois da tempestade. E apesar da certeza de que muitos logo se tornarão pó, me conforta a idéia de que eles já fazem parte da minha vida, e que carrego um pouco deles comigo na memória, e isso, ninguém pode me tomar. Nem o tempo, nem as traças.

Bela.

Meus livros, meus amigos

Padrão

Desde pequena cultivo uma relação especial com os livros. Ainda me lembro dos meus livrinhos de pano, cheios de cores e desenhos, as bordas recortadas em ziguezague. Pena não terem sobrevivido aos ataques da minha irmã mais nova, naquela fase em que destruir é a melhor diversão!

No início, tinha que me contentar em ver as figuras, e as raras linhas de texto eram lidas por algum adulto complacente, geralmente minha madrinha ou minha mãe. Impossível esquecer o primeiro livro que eu li sozinha, por meus próprios meios. Não me agüentei de orgulho! Foi O Barquinho Amarelo, meu livro escolar, mas nem por isso eu o achava chato. Eu me lembro até hoje das ilustrações, das histórias e dos personagens. Lembro perfeitamente do Marcelo, do pé de Café, e claro, da triste cena do barquinho amarelo sumindo aos poucos depois da curva do riacho.

Minha avó bem que tentou me fazer gostar do Monteiro Lobato, mas nunca me identifiquei com o Sítio do Pica Pau Amarelo, principalmente porque na época já existia o programa de TV, e eu não simpatizava nem um pouco com o personagem da Cuca. Eu ainda não sabia, mas minha preferência se voltava para histórias mais reais, ou, pelo menos, menos inverossímeis.

Depois vieram as Meninas Exemplares e Os Desastres de Sofia, da Condessa de Ségur, que fizeram a alegria da minha infância. Minha pré-adolescência foi passada na companhia do Conde de Monte Cristo, dos Três Mosqueteiros e dos livros da Laura Ingalls (Uma casa na Floresta, À beira do Riacho, À margem da Lagoa Prateada e uma longa série…) e todos da Biblioteca das Moças, extinta coleção que fez sucesso entre as décadas de 40 e 60, e pertenciam às minhas tias paternas, hoje vovós respeitáveis! Os livros eram encapados com plástico de fundo preto e estampado com florzinhas verdes e brancas, e cheiravam muito forte a mofo. Mesmo assim, isso não me desencorajou, e por um bom tempo contei com as histórias românticas e politicamente corretas da mocinha que se casa por obediência aos pais mas acaba se apaixonando pelo marido atencioso; daquela que só se casaria por amor e também da outra que aprendia a duras penas a ser esposa e mãe perfeita.

Logo me cansei das Moças, e comecei a procurar personagens mais intrigantes e histórias mais densas. Assim cheguei até Dorian Gray e Jane Eyre, e outras preciosidades que minha mãe, com cuidado, destilava em pequenas porções. Não sosseguei enquanto ela não me deixou ler Dracula de Bram Stoker, que ela censurava com medo dos pesadelos que esta leitura certamente me traria. Nas férias, sorrateiramente, assaltava os armários da minha tia, e roubava volumes que lia à noite, debaixo das cobertas. E assim chegaram às minhas mãos primores como Os Miseráveis e outros nem tão significativos assim, o que me ajudou a entender porquê alguns livros merecem mesmo ser escondidos no fundo do armário.

Enfim, um belo dia, minha mãe, cansada de me ver suplicar por novas leituras, abriu o sua estante de livros para mim, e me deixou livre para escolher o que eu quisesse. Só permaneceu proibido O Castelo do Homem sem Alma, não por puritanismo, mas porque minha rinite alérgica simplesmente não permitia que eu abrisse o livro com o título mais intrigante que eu já vi. Ou melhor, li. Peguei o que alcancei mais fácil, na primeira prateleira. Lá estava um livro pequeno e encadernado em azul cujo título não estava impresso na lombada. O perfume. Definitivamente, estava inaugurada minha vida adulta na literatura.

E foi assim, aos poucos, que fui construindo a minha história, lado a lado com os livros. Alguns se tornam refúgios, uma ilha de calma, um mundo paralelo, no qual os personagens transcendem as páginas do livro e se transformam em amigos, paixões, confidentes. Há personagens mais vivos para mim do que pessoas de carne e osso: já chorei com eles, já me compadeci, já odiei e já viajei na companhia de muitos em busca de aventuras e de vingança. Já penetrei tão fundo em seus mundos que já os confundi com a realidade! Por isso eu digo que alguns livros são meus livros-amigos, aqueles que eu anseio por reencontrar depois de um dia difícil, debaixo das cobertas, como um porto seguro depois da tempestade. E apesar da certeza de que muitos logo se tornarão pó, me conforta a idéia de que eles já fazem parte da minha vida, e que carrego um pouco deles comigo na memória, e isso, ninguém pode me tomar. Nem o tempo, nem as traças.

Bela.

Cotidiano

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“Todo dia eu só penso em poder parar
Meio-dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão”

(Trecho de “Quotidiano” – Chico Buarque)


A cada dia, deparo-me com coisas que me tiram do sério, coisas que não podemos evitar, e creio que, com a idade (tsc), vou me tornando mais e mais intolerante…

Outro dia, uma 4ª feira, ligou um senhor aqui em casa: E*, do convênio odontológico que precisava ser renovado. Ele precisava falar com meu pai, mas ligou aqui num horário em que ele ainda não tinha chegado do consultório. Minha mãe que atendeu o telefone, e pediu que E* ligasse no dia seguinte, por volta das 14 horas, que era certo de encontrar o titular do convênio em casa.

No dia seguinte, às 10h da manhã, toca o telefone insistentemente. Atendo o telefone: era E* novamente. Repito a orientação da minha mãe, para que ele ligasse novamente a partir das 14h.

No meio do almoço, 12h30, toca telefone! Adivinhem? Era o E*, mais uma vez. Minha mãe atendeu e, pela TERCEIRA vez pediu educadamente que retornasse a partir das 14h (pois meu pai nem tinha chegado em casa para o almoço ainda, e 14h era um horário certo de encontrá-lo).

13:40h. Ring-ring. (Claro que era o E* no telefone.)

Eu: – Alô!
E*: – Olá, poderia falar com o Dr.?
Eu: – Não, E*! Sabe por que? Porque são ainda 13h 40, e não 14h, e como minha mãe já disse e repetiu 03 vezes no mínimo para o senhor, o Dr. só chega em casa a partir das 14h!

Tá bom, tudo bem. Não falei isso, mas deu vontade! E nem fui eu que atendi o telefone, foi minha mãe quem atendeu, de novo, repetindo, de novo, as mesmas palavras do telefonema anterior!

Querem saber se o sujeito repetiu a ligação às 14h???

O pior é que NÃO! Ligou novamente pra cá já eram 16h!!! Vai ser incompetente assim lá no Turcomenistão! Gastou 5 telefonemas pra não resolver o problema dele… Se tivesse ligado 1 vez no celular do meu pai, como foi oferecido a ele na primeira ligação…

Oh céus! Oh dia! Oh vida!


Texto: Ana

Cotidiano

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“Todo dia eu só penso em poder parar
Meio-dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão”

(Trecho de “Quotidiano” – Chico Buarque)


A cada dia, deparo-me com coisas que me tiram do sério, coisas que não podemos evitar, e creio que, com a idade (tsc), vou me tornando mais e mais intolerante…

Outro dia, uma 4ª feira, ligou um senhor aqui em casa: E*, do convênio odontológico que precisava ser renovado. Ele precisava falar com meu pai, mas ligou aqui num horário em que ele ainda não tinha chegado do consultório. Minha mãe que atendeu o telefone, e pediu que E* ligasse no dia seguinte, por volta das 14 horas, que era certo de encontrar o titular do convênio em casa.

No dia seguinte, às 10h da manhã, toca o telefone insistentemente. Atendo o telefone: era E* novamente. Repito a orientação da minha mãe, para que ele ligasse novamente a partir das 14h.

No meio do almoço, 12h30, toca telefone! Adivinhem? Era o E*, mais uma vez. Minha mãe atendeu e, pela TERCEIRA vez pediu educadamente que retornasse a partir das 14h (pois meu pai nem tinha chegado em casa para o almoço ainda, e 14h era um horário certo de encontrá-lo).

13:40h. Ring-ring. (Claro que era o E* no telefone.)

Eu: – Alô!
E*: – Olá, poderia falar com o Dr.?
Eu: – Não, E*! Sabe por que? Porque são ainda 13h 40, e não 14h, e como minha mãe já disse e repetiu 03 vezes no mínimo para o senhor, o Dr. só chega em casa a partir das 14h!

Tá bom, tudo bem. Não falei isso, mas deu vontade! E nem fui eu que atendi o telefone, foi minha mãe quem atendeu, de novo, repetindo, de novo, as mesmas palavras do telefonema anterior!

Querem saber se o sujeito repetiu a ligação às 14h???

O pior é que NÃO! Ligou novamente pra cá já eram 16h!!! Vai ser incompetente assim lá no Turcomenistão! Gastou 5 telefonemas pra não resolver o problema dele… Se tivesse ligado 1 vez no celular do meu pai, como foi oferecido a ele na primeira ligação…

Oh céus! Oh dia! Oh vida!


Texto: Ana