Arquivo da categoria: Poesia

Impossibilidades Reais

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Fitas

Eu nunca não tenho nada a dizer, mas sou bom ouvido.
Só que ouvir às vezes cansa.

Humor entalado, amor enlatado, às vezes é bom usar um abridor, girar a torneirinha e deixar fluir. Sai casca, sai sangue, sai lágrimas, sai dor…
E vai embora pelo ralo.

Escorre um beijo no canto da boca, molha o molho do tom maior, que cai na clave de sol fazendo chuá.
Toca o sino pra parar de chorar.
Dia de oração, é dia de respirar.

Homenagem aos dias que se foram, saudades dos que estão por vir.
Se chorei ou se sorri, tudo vale à pena, se a alma da pequena, inflada de poesia, flutua por aí numa nau de emoções vividas, caras partidas e braços torcidos.

E chego à conclusão: amar nunca é demais.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Ali

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I am sailing

Me deixa dizer que não estou nem aí
Não estou nem aqui
Quanto menos ali
Me deixa esquecer o que senti
O que sei e o que não quero saber
Me deixa querer viver sem dormir
Não ouvir nada além de ir
E vir
Me deixe só
Sentidos
Arrepio nos ouvidos
Alegria boba
Um mergulho num mar de olhar
Saltarei piscando
Quem sabe voar?
E correndo vou
Até aí.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Dois

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Flor de espinhos

Excito linhas

Enxugo rugas

Endureço mamilos
Pistilos em flor

A boca que umedece
Me aquece

Transpira o que é do bom

Cavalga com deuses
Desce ao inferno
Riso, choro, poesia, música

Silêncio.

Dois. Pois, sejamos.
Sois.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Se A, então B

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Filosofia de banheiro

Sonhei com números, acordei dividida.
Multipliquei dúvidas por aliterações
Dividi o sonho entre dor e paz.
O que me restou?
Paixão e sentimento exponencial
Amor: número primo, indivisível.
A raiz quadrada do sonho se desfaz
Sobra sexo, sono, som, fumo
Atos cotidianos que tendem ao infinito
Acordar, urinar, continuar
E sonhar acordada com cifras e milhares de milhões
Acasos formam efemérides e me dão noites sem dormir
De cor
Decoro
O coro
Decifro números, incógnitas e palavras
Frases lógicas brotam
Intrínsecas ao ser ou não ser
Senão, nada mais irracional que
Não estar
Não ser
Não te ter.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

Em pílulas

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Miudeza

Eu não tenho um ângulo bonito
Não tenho paz
Não tenho pás
Nem sei como se faz
Ou se é atrás.
E se você não tem lóbulos
Dê-me logo meus glóbulos
De açúcar para remediar
Minha falta de ângulo
Minha falta de dor
De cor
De amor teu.
Quero gotas maiúsculas
E coisas minúsculas
Para guardar por entre minhas curvas
Dentro de meus retângulos circunflexos
De sentimentos convexos
Ósculos e amplexos
Que um dia você me deu.

Ana.

Presente, Passado e Futuro

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Presente, Passado e Futuro

(Texto e Foto: Ana.)

Obs. 1: Clique no cartão para visualizá-lo em tamanho maior.

Síndrome

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Milagres

Caderno aberto, caneta na mão. E eu lá, quieta, esperando… Esperando…

Aguardo um milagre… Um acontecimento? Não, apenas algo (ou alguém) passando por mim que me faça transcorrer impulsos nervosos do cérebro à mão. Fotografias mentais, palavras rebordadas, desenhadas, escorrerão de minha pena preta, juro.

Temo não conseguir chegar a lugar nenhum, o que está por vir, inesperado, fatal. Tremo um bocado, mas teimo em continuar. Padeço da cegueira do mundo estranho, do ninho de espinhos.

E no momento em que todos somem, não há nada pra me deter. E o que se fala ao meu redor não importa mais. Não há fronteiras, sons. Apenas um vácuo na existência. Sou matéria exposta, sou intempérie, fratura que dói, sou lágrima que não escorreu, sou o amor que ainda está por vir. Sem exclamações. Zen.

(Sinto pena de mim, por não poder me ver agora, momento único entre a síndrome da folha em branco e a síncope de criação.)

Agradeço à reciclagem, à folha parda, à ponta de aço que roça sobre o papel, deixando rastros de tintura e emoções à superfície da margem.

Rezo em transe sobre o caderno que abriga parcos sentimentos em pautas azuis. Dois pontos:

— Palavras cruas são vírgulas fora do lugar.

Reticências. Um dia, quem sabe… Virarei a página.

Eterno recomeço.
Caderno aberto, caneta na mão. E eu lá, quieta, esperando… Esperando…

Ana.

(Texto e foto por Ana Letícia.)

***

Já que o Natal está chegando (e o meu aniversário também – dia 21!!!), não custa nada dar uma passadinha na minha lista de desejos, e abrir a mão um tiquim, né? 😉

TRAPICHES 2 – JÁ ESTÁ NO AR!

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O segundo número da Revista Trapiches, nossa e-magazine sobre cultura, já está no ar, totalmente remodelada!

Esta é a capa:

Trapiches 2

Esperem só pra ver o conteúdo!

Acessando o site, vocês poderão ler todas as matérias, inclusive meus textos para a Revista Trapiches, nas seções:

  • “A Granel” – Matéria e entrevista com o cartunista de BH, Darío Velasco;
  • “Grãos” – Um mini-conto (Vício) e uma poesia (Escrivinhadeira);
  • “Olho Mágico” – Crônica sobre o filme Estômago, no Festival de Cinema de Tiradentes.

***

HOJE, em São Paulo, vai rolar um SARAU na Casa das Rosas (Av. Paulista, n°. 37), para o lançamento do n° 2 da Revista Trapiches, cria do Projeto Macabéa, a partir das 19h.

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Até mais ler!

Ana.

Ghost Writer

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Momento lembranças...

Vestido de fita
Cintura de pilão
Flanela, salopete
Saia de balão
Sinto muito se o seu cinto
Não é fino como o meu
Se eu não fosse pequenina
Mini-saia, pés-no-chão
Me amarrava em colo teu
E subia num balão
Vestida de chita
Ou pano de chão
Se eu me chamasse Rita
Seria mais uma rima
E não uma assombração.

Ana.

[Texto e foto (de foto): Momento Lembranças…]

Eu tenho medo de quê?

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Vazio

Notícia ruim
Ouvir o que não quero
Falar o que não devo
Acidentes de percurso
Pouca luz
Muita claridade
Barata
Cheiro de vela velha
Casa vazia
Ovo podre
Esgoto
Sorrisos falsos
Abraços magros
Beijos parcos
Cozinhas porcas
Risos poucos
Gritos tortos
O mundo adormecer
E o dia amanhecer
Sem paz.

Ana.