Whatever it’s gonna be, it’s gotta be

Padrão

portal para o mar

Há coisas que acontecem e a gente simplesmente não pode, não consegue evitar. Até tentamos, lutamos contra a maré, nadamos, nadamos, mas nem assim saímos do lugar. Queremos fugir, mas não conseguimos enxergar. Tateamos no escuro, procurando em quê se apoiar. Não há nada, só o abismo em que nos encontramos, o mesmo escuro de sempre, e caímos, caímos, por mais que tentemos pular. Uns chamam de destino, outros de fraquezas, há ainda quem fale em predestinação, safadeza, traição.

Mas como ir contra um sentimento tão forte? Uma atração maior que a força da gravidade? Uma sensação de impotência total, e sucumbência absoluta frente a tudo isso? E então deito de costas, e me ponho a boiar, deliciosamente fecho os olhos, e me permito sonhar. Conto carneirinhos, vejo desenhos em nuvens. Não olho para baixo, apenas sinto meu corpo cair, o vento soprando envolvendo meu corpo entregue ao simples ato de… cair.

E quando acordo deste sonho bom, sinto-me culpada por dormir tanto, sinto remorsos por boiar neste lago de águas doces e calmas durante horas, sinto dores, pois o chão é duro e a queda foi longa.

E todo dia é a mesma coisa. Tudo igual, tudo igual. A mesma tentativa de resistência, a briga interna, aí recebo um gostinho, ganho uma prova apenas, e é o bastante para a sucumbência. Para novamente pisar em falso e tropeçar em minha própria pedra no meio do caminho, se é que não era para ela estar ali, se é que o propósito do próprio caminhar não é justamente encontrar com tal pedra. Se é que esta pedra nada mais é que o retrato da minha imutabilidade, da minha incapacidade, da minha vida. Como um caroço no angu, ou uma pinta na pele alva, uma bolha no chocolate caseiro, ou ainda um retrato esquecido na parede.

Só sei que é impossível lutar contra. Continuarei sonhando, e caindo, e tropeçando. E lutarei a favor então. E viciada permanecerei neste círculo envolvente e impossível de administrar.

E seja lá o que Deus quiser. Ou o Diabo. Ou Buda. Ou Zeus. Ou whatever.

E bye-bye 2007. This is the end. O fim. “Zéfiní”.

E feliz 2008 pra nós!!!

Texto e foto: Ana.

Anúncios

Sobre Ana Letícia

@analeticia Autora do blog Mineiras, uai! desde 2004, nasceu em Belo Horizonte-MG. É advogada e sagitariana. Gosta de poesia, literatura, fotografia música boa e dança clássica, contemporânea, de salão, etc. Já quis ser bailarina, como toda menina, e até hoje fica nas pontas dos pés. Participou do Projeto Macabéa com outros escritores blogueiros do Brasil, e foi uma das editoras do Castelo do Poeta, junto com seu primo, o saudoso poeta João Lenjob.

COMENTE!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s